Atraso na menstruação: até quanto tempo pode ser considerado normal?

Atraso na menstruação: até quanto tempo pode ser considerado normal?

Atraso na menstruação: até quanto tempo pode ser considerado normal?

Futuras mamães que estão em busca da gravidez ficam na expectativa para que ocorra o atraso na menstruação. A cada dia de atraso, a ansiedade pelo teste de gravidez positivo aumenta e o sonho de ter um bebê parece ficar mais próximo! Entretanto, nem todo atraso menstrual é sinônimo de gestação!

Stress, uso de medicamentos, distúrbios hormonais, uso de anticoncepcional, alterações uterinas, entre outros, são fatores que podem atrasar o início do fluxo menstrual! Quando o atraso ocorre entre 3 a 6 meses, o nome técnico para a ausência da menstruação é amenorreia.

Você se identificou com essa situação? Então, não se sinta sozinha! A irregularidade no ciclo menstrual é uma das queixas mais comuns no consultório de ginecologia. Entre as mulheres com infertilidade, a irregularidade menstrual com ausência de ovulação representa 32% das causas femininas de dificuldade para engravidar.

Quer saber quais as principais situações que podem causar o atraso na menstruação? Então, confira mais informações em nosso artigo e descubra quando procurar ajuda médica!

Até quando o atraso na menstruação é normal?

O ciclo menstrual normal tem duração média de 28 dias. Entretanto, ciclos com intervalo entre 21 e 35 dias associados à antecipação ou atraso de três dias são considerados normais (21-35 dias ± 3 dias). Períodos mais longos não são necessariamente um problema, desde que o ciclo apresente um padrão de regularidade.

Em mulheres que não apresentam o padrão cíclico do fluxo menstrual (irregularidade menstrual, como no caso de mulheres com síndrome dos ovários policísticos, por exemplo), a avaliação do atraso menstrual é complexa. Nesses casos, a mulher pode ovular sem apresentar ciclos menstruais frequentes. Por isso, é fundamental afastar a gestação e a confirmação da ovulação necessita ser realizada por ultrassonografia ou pela dosagem hormonal no sangue.

Quando é importante procurar ajuda médica?

Para definição da irregularidade menstrual é necessário tempo! A avaliação não pode se basear em apenas um ciclo. Mulheres que menstruam regularmente necessitam, inicialmente, fazer um teste de gravidez e, se houver irregularidade ou atraso da menstruação por três ciclos ou mais meses, um especialista precisa avaliar possíveis causas relacionadas ao ciclo menstrual irregular.

Já em mulheres que não apresentam padrão cíclico, o ideal é avaliar o calendário menstrual por seis meses e, caso realmente ocorra irregularidade, a mulher deve procurar um especialista.

Para as futuras mamães que estão em busca da gravidez, tanto a American Society for Reproductive Medicine (ASRM) quanto a European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE) recomendam que a mulher com irregularidade menstrual procure um especialista em reprodução humana após seis meses de tentativa para engravidar com relações sexuais frequentes e sem métodos contraceptivos.

Quais as causas mais frequentes de atraso na menstruação?

Ansiedade ou estresse

Esta é a causa mais frequente de atraso ou irregularidade do ciclo menstrual. A mulher moderna acumula múltiplas funções com excesso de responsabilidades (mãe, esposa, profissional etc) e esse quadro pode levar à alteração na produção hormonal. Na maior parte das vezes, o quadro é autolimitado e se resolve sozinho após ultrapassar o período de stress.

Se o estímulo que desencadeia a irregularidade menstrual for mais duradouro, a mulher pode evoluir para o quadro de amenorreia. Um exemplo comum sobre esse caso são as mulheres que têm anorexia. O quadro também pode ocorrer em mulheres que estão na jornada para engravidar.

Obesidade ou peso muito baixo

Mulheres com maior quantidade de gordura corporal tendem a produzir mais estrogênio. Esse hormônio, quando em excesso, leva à ocorrência de ciclos irregulares e anovulatórios. Sem a ocorrência da ovulação, a mulher não vai menstruar. Por outro lado, mulheres com peso corporal muito baixo também podem ter ciclos irregulares, já que a falta de tecido gorduroso reduz a capacidade do organismo de produzir estrogênio.

Da mesma forma, mudanças bruscas no peso corporal, para mais ou para menos, também interferem na regulação hormonal, podendo provocar ciclos anovulatórios. No caso de mulheres obesas que perdem peso rapidamente, por exemplo, o organismo pode entender que está em uma fase de privação e, portanto, não preparado para suportar uma gestação.

Interrupção ou uso errado de anticoncepcionais

Os anticoncepcionais orais procuram imitar o ciclo hormonal natural da mulher. Depois de um longo período fazendo uso desses medicamentos, o organismo feminino pode demorar algum tempo até se normalizar e ter um ciclo natural. Existem contraceptivos que apresentam maior associação com amenorreia ou mesmo irregularidade menstrual com períodos de atraso. É o caso dos compostos à base de progestagênio isolado.

Excesso de atividades físicas

Muitas atletas de alto desempenho sofrem alterações hormonais que podem interferir na regularidade de seus ciclos. No entanto, vale destacar que isso não afeta a maioria das mulheres, mesmo que façam exercícios com frequência. Essa é uma situação comum apenas no caso de atletas de nível muito elevado e de competidoras profissionais, como bailarinas e maratonistas.

Disfunção na tireoide

Alterações na glândula, como hipertireoidismo ou hipotireoidismo, também afetam a produção hormonal, causando alterações no ciclo menstrual. Se houver qualquer problema no funcionamento da tireoide, é fundamental consultar um médico e tratar o problema.

Síndrome dos ovários policísticos

Quem sofre com essa síndrome, conhecida como SOP, geralmente tem atrasos menstruais ou mesmo ausência de menstruação em determinados períodos, em função da produção excessiva de androgênio, um hormônio que interfere no ciclo menstrual. A SOP é uma das causas mais frequentes de atraso ou irregularidade na menstruação.

Amamentação

Se você já tem um filho e ainda amamenta, é comum não menstruar. Esse é um quadro conhecido como amenorreia transitória. A prolactina, que regula a produção de leite interfere na ovulação.

Há casos em que a mulher não está amamentando e apresenta excesso desse hormônio. Esse quadro é conhecido como hiperprolactinemia, que pode acontecer em decorrência do hipotireoidismo, em função da SOP, por estresse, como efeito colateral de determinados medicamentos, tumores da hipófise, entre outros fatores.

Menopausa e pré-menopausa (insuficiência ovariana prematura)

A maior parte das mulheres chega à menopausa por volta dos 50 anos de idade. No entanto, a menopausa propriamente dita é a ausência de menstruação, que acontece ao final da vida fértil da mulher (após os 40 anos — quando se inicia a fase do climatério).

É comum que na fase que antecede a menopausa, denominada perimenopausa (cinco anos antes até um ano após a menopausa), as mulheres sofram com irregularidade e atraso menstrual. Algumas mulheres também têm a insuficiência ovariana prematura (falência precoce do ovário), quadro definido pela amenorreia associada à elevação dos níveis do FSH antes dos 40 anos.

Como você percebeu, um eventual atraso na menstruação pode ser comum e não é motivo de alarme. No entanto, se o quadro continuar se repetindo em outros ciclos, é fundamental afastar a gravidez e também procurar seu médico para investigar possíveis causas e tratar o problema.

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Referências:

Practice Committee of American Society for Reproductive Medicine. Current evaluation of amenorrhea. Fertil Steril. 2008; 90(5 Suppl):S219-25.

Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Diagnostic evaluation of the infertile female: a committee opinion. Fertil Steril. 2015; 103(6):e44-50. doi: 10.1016/j.fertnstert.2015.03.019.

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Prof. Dr. Anderson Sanches de Melo

Médico especialista em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da HC FMRP-USP. CRM-SP 104.975
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