HPV pode causar infertilidade? Entenda melhor essa relação!

HPV pode causar infertilidade? Entenda melhor essa relação!

HPV pode causar infertilidade? Entenda melhor essa relação!

Historicamente, a infecção pelo Papiloma Vírus Humano — o HPV — está associada ao desenvolvimento de verrugas genitais e também a alguns tipos de câncer. Recentes estudos também têm sugerido que a infecção pelo HPV pode causar infertilidade masculina e feminina.

Além disso, intercorrências na gravidez podem estar associadas ao vírus. Quando a mamãe grávida tem a infecção, pode ocorrer maior risco de abortamento, prematuridade ou o bebê pode nascer com um problema na laringe, o papiloma.

Pensando nisso e nas alternativas para se reduzir esses riscos, elaboramos um texto sobre o assunto para tranquilizar sua jornada em busca da saúde do bebê!

O que é HPV?

A infecção pelo HPV é a doença sexualmente transmissível (DST) de maior incidência na população brasileira. O quadro clínico é variável de acordo com o subtipo do vírus.

Existem 12 subtipos identificados como de alto risco. Os HPV’s tipo 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 e 59 têm maior probabilidade de persistirem no organismo e estarem associados ao desenvolvimento do câncer. Os HPV’s de tipo 16 e 18 são os mais frequentemente associados ao surgimento do câncer de colo do útero (cerca de 70% dos casos).

Estes subtipos também são responsáveis por até 90% dos casos de câncer de ânus, 60% dos casos de câncer de vagina e 50% dos casos de câncer vulvar. Os cânceres de boca e de garganta são o sexto tipo de neoplasia mais frequente em todo o mundo, sendo que a incidência desse tipo de câncer está relacionada ao HPV e à prática de sexo oral. Nos homens, o câncer de pênis é o mais associado ao vírus.

Os subtipos 6 e 11 (baixo risco) estão associados a lesões verrucosas genitais (ou condilomas) e papiloma de laringe, sem relação com malignidade. A pessoa infectada pode ficar anos sem manifestar qualquer sintoma e as primeiras verrugas podem aparecer depois de 20 anos da infecção. Por isso, muitas pessoas nem sabem que têm a infecção. Quando as lesões se tornam visíveis, as chances de contaminação são mais elevadas.

Como identificar o HPV?

Para confirmar a infecção pelo vírus papiloma humana, o médico precisa analisar, minuciosamente, a região genital do indivíduo. O objetivo é descobrir alguma lesão — ou a presença de verruga — sugestiva da doença.

Caso esses sinais sejam confirmados, será necessário realizar exames específicos que possam identificar a presença do HPV. A realização dos exames é importante porque nem todos os vírus provocam o aparecimento de verrugas ou de lesões na região genital. Porém, se essas lesões forem reconhecidas por um Urologista ou Ginecologista como sendo características do vírus HPV, exames específicos deverão ser solicitados e realizados para a confirmação do diagnóstico.

Para as mulheres, o exame mais indicado é a colposcopia. Para os homens, a melhor opção é a peniscopia. Todavia, dependendo do caso, o médico poderá solicitar testes ainda mais específicos a fim de identificar os subtipos virais. Entre os melhores exames, o mais recomendado é a captura híbrida, também conhecida como teste de hibridização molecular. Esse teste é feito pela análise específica de uma pequena parte do tecido lesionado.

Essas técnicas mais especificas objetivam detectar o subtipo do vírus do papiloma humano por meio da análise genética do vírus. Saber o tipo de vírus HPV é essencial para direcionar a conduta médica à escolha do tratamento mais adequado.

Como o HPV pode estar associado à infertilidade?

Para os futuros papais, a infecção pelo HPV pode reduzir a qualidade seminal por meio da diminuição da motilidade dos espermatozoides, devido à provável presença de anticorpos no sêmen.

Para as futuras mamães, os efeitos do HPV na fertilidade ainda são controversos. Entretanto, a infecção pelo vírus na época da fertilização in vitro (FIV) e inseminação intra-útero (IUI) está associada a menores taxas de gestação e maior risco de aborto. Sugere-se que nas mulheres com HPV pode ocorrer maior taxa de fragmentação (perda da integridade) das células dos embriões, mas isso ainda necessita ser confirmado.

Apesar dessas considerações, um estudo realizado na Dinamarca e publicado na Fertility Sterility, em 2019, avaliou 11088 mulheres entre 20 e 29 anos e verificou que a infecção pelo HPV não apresentou relação com a infertilidade feminina.

Como prevenir a infecção pelo HPV?

O uso do preservativo pode prevenir parcialmente a infecção pelo HPV, sendo que o feminino pode oferecer proteção maior do que o masculino. Já a vacina contra o HPV é a melhor maneira para evitar a infecção por esse vírus. Além de reduzir o risco para o câncer de colo do útero, essa vacina também diminui a incidência do câncer do pênis, orofaringe e ânus.

Há dois tipos de vacinas profiláticas para evitar o HPV, que estão liberadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa):

  • vacina quadrivalente protege contra a infecção pelos HPV’s 6, 11, 16 e 18 e é fabricada pela Merck Sharp & Dohme (Gardasil®);
  • vacina bivalente, que é fornecida pela empresa GlaxoSmithKline (Cervarix®), confere proteção contra o HPV 16 e 18.

No Brasil, o Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente a vacinação quadrivalente contra o HPV em duas doses, que devem ser aplicadas com intervalo de seis meses: meninas devem iniciar o esquema entre 9 e 14 anos e os meninos entre 11 e 14 anos. Além dos adolescentes portadores do vírus HIV entre 9 a 26 anos, pessoas em uso de quimioterapia/radioterapia para tratamento do câncer e que receberam algum transplante também têm direito a receber essa imunização.

Esse esquema vacinal protege contra os quatro subtipos mais frequentes do vírus (6, 11, 16 e 18), com 98% de eficácia. Em pessoas com HIV/AIDS são necessárias três doses da vacina (zero, dois e seis meses após a primeira dose). Pessoas que ainda não tiveram início da vida sexual podem receber a vacina também na vida adulta. Converse com seu especialista e discuta sobre a avaliação de diferentes causas que podem estar associadas à infertilidade.

A rotina ginecológica pode auxiliar na investigação da infecção pelo HPV para minimizar possíveis riscos para você e seu bebê! Entre em contato e agende uma visita ao CEFERP! Até breve!

Referências:

Nøhr B, Kjaer SK, Soylu L, Jensen A. High-risk human papillomavirus infection in female and subsequent risk of infertility: a population-based cohort study. Fertil Steril. 2019;111(6):1236-1242.

Ministério da Saúde: http://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/vacinahpv/

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Dra. Camilla Vidal

Médica ginecologista com especialização em Reprodução Humana na HCFMRP – USP. CRM-SP 164.436
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