Tire as suas dúvidas sobre a redução transitória da fertilidade

Tire as suas dúvidas sobre a redução transitória da fertilidade

Tire as suas dúvidas sobre a redução transitória da fertilidade

Existem situações ou comportamentos que podem reduzir temporariamente o potencial reprodutivo. É o caso de homens que fazem uso de medicamentos específicos (anabolizantes ou quimioterapia, por exemplo) ou mesmo mulheres com certas doenças como a falência precoce do ovário.

A grande limitação nos casos de redução transitória da fertilidade é que em algumas vezes não é possível prever quando ou em quais pessoas ocorrerá o retorno do potencial reprodutivo.

Essa situação pode gerar grande ansiedade e angústia ao casal porque a jornada em busca do bebê pode ficar longa. Você está passando por isso? Então continue a leitura de nosso artigo e esclareça suas dúvidas sobre a redução transitória de fertilidade.

Como saber se você está enfrentando a redução transitória da fertilidade?

A diminuição temporária da fertilidade pode acontecer tanto na mulher quanto no homem, ou, ainda, afetar ambos. Hábitos inadequados, abuso de algumas substâncias, como anabolizantes, álcool ou ainda o uso de determinados medicamentos, podem levar ao surgimento do quadro.

O que é a redução transitória da fertilidade?

Trata-se de um quadro de infertilidade temporária, que pode ser revertido com a eliminação da causa ou pode não estar associado a qualquer fator identificável.

A história clínica detalhada pode identificar alterações que interfiram de forma permanente ou transitória no potencial reprodutivo. Além disso, a avaliação de hábitos inadequados e o uso de alguns medicamentos podem sinalizar que os problemas com a fertilidade possam ser resolvidos com medidas de readequação destes fatores.

Como identificar a infertilidade transitória?

A investigação para a dificuldade em engravidar deve ser iniciada quando o bebê não chega após um ano de tentativa com relações sexuais frequentes (pelo menos duas vezes/semana) e sem métodos contraceptivos. Este tempo de espera vale apenas para mulheres com menos do que 35 anos, sem patologias.

Mulheres com alguma doença que reduza a fertilidade (síndrome dos ovários policísticos, endometriose, obstrução tubária bilateral, por exemplo) ou quando a idade é maior ou igual a 35 anos ou ainda quando o parceiro apresenta alterações discretas no espermograma, o tempo de espera para engravidar deve ser no máximo de seis meses.

Entre as causas de infertilidade, os problemas acometem homens e mulheres na mesma proporção (1/3 das causas em mulheres, 1/3 nos homens e em 1/3, as alterações ocorrem em ambos).

Não é fácil saber se a dificuldade para engravidar é transitória. Para tal diagnóstico é necessário realizar a investigação das principais causas femininas e masculinas de infertilidade, bem como afastar possíveis hábitos inadequados ou uso de substâncias que conhecidamente podem reduzir temporariamente a fertilidade.

Muitas vezes, sabemos que a infertilidade foi temporária após a obtenção da gravidez durante a realização de exames para investigação da infertilidade ou mesmo enquanto o casal se planeja para a realização de algum tratamento específico.

Embora a ansiedade e o estresse possam interferir na produção hormonal da mulher e levar a anovulação (ausência de liberação do óvulo para a fecundação), é um erro deixar de analisar outros fatores que talvez estejam comprometendo a fertilidade do casal.

Como a fertilidade feminina declina com o avanço da idade, atribuir que a dificuldade tem relação exclusiva com problemas emocionais e não investigar as causas em momento oportuno pode levar a mulher a acumular frustrações e perder seu tempo precioso para o planejamento reprodutivo.

Em quais situações ela pode acontecer?

Várias circunstâncias podem causar a infertilidade transitória. Tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de drogas, obesidade ou desnutrição (anorexia), excesso de exercícios físicos, entre outros, podem provocar alterar a fertilidade.

Nesse caso, é importante conversar com um profissional especialista em fertilidade, para identificar qual (ou quais) fatores podem estar dificultando a tão sonhada gravidez. Não é incomum que as mulheres ouçam conselhos como “relaxe e pare de tentar que logo você engravida”, atribuindo a dificuldade apenas a questões do stress ou ansiedade.

Conheça algumas das causas mais comuns de possível redução transitória da fertilidade:

  • abuso de substâncias como bebidas alcoólicas, cigarro ou outras drogas;
  • estresse crônico elevado;
  • obesidade ou, por outro lado, anorexia;
  • prática excessiva de exercícios físicos em nível de competição;
  • uso de anabolizantes;
  • uso de medicamentos hormonais, tais como GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas);
  • anticoncepcional hormonal: o retorno a fertilidade pode ocorrer após 1 a 12 meses da suspensão do método (depende do tipo de contraceptivo);
  • uso de determinados medicamentos, como finasterida, para combater a calvície;
  • falência precoce do ovário;
  • quimioterapia ou radioterapia.

Vale destacar que nem todas as pessoas que se enquadram nas situações citadas terão problemas relacionados à diminuição da sua fertilidade. Afinal, cada organismo pode reagir de forma diferente aos efeitos provocados pelo hábito em questão ou ao consumo da substância ou mesmo a intensidade.

Porém, se você ou seu parceiro se enquadram em alguma das condições listadas e estão enfrentando dificuldades para engravidar, é importante conversar com seu médico e avaliar de modo abrangente o impacto desses fatores na fertilidade. Em princípio, ao eliminar os possíveis elementos causadores da infertilidade, os níveis hormonais podem retornar à normalidade com a restauração da fertilidade.

Entretanto, se os problemas não forem combatidos, existem riscos de que a infertilidade se torne permanente. É o caso do uso crônico por período prolongado dos anabolizantes, pois pode ocorrer maior risco de azoospermia (ausência de espermatozoides no ejaculado).

Um caso em que a infertilidade pode se tornar permanente é quando um dos membros do casal precisa realizar tratamentos como radioterapia e quimioterapia. Nessa situação, é recomendado congelar tanto os óvulos quanto os espermatozoides antes do início do tratamento, para possibilitar gerar filhos com o próprio patrimônio genético no futuro.

Como prevenir a infertilidade transitória?

O conselho mais óbvio para eliminar os fatores que causam a infertilidade transitória é adotar hábitos de vida saudáveis. Melhorar a alimentação, adotar rotina adequada de exercícios físicos, eliminar os fatores que possam interferir na fertilidade, entre outras ações, são passos fundamentais para melhorar suas chances de gravidez.

No entanto, é importante destacar que, em muitos casos, não é possível identificar o que está comprometendo a fertilidade. Uma consulta com o especialista em reprodução humana poderá ajudar a realizar um planejamento adequado, inclusive com o apoio de equipe multiprofissional.

O congelamento de óvulos ou espermatozoides pode ajudar?

Há casos em que não é possível a restauração da fertilidade. Pessoas que necessitam de radioterapia pélvica e/ou quimioterapia, por exemplo, correm o risco de perder sua fertilidade de forma definitiva após o tratamento do câncer. Nessas situações, vale a pena procurar uma clínica especializada para conhecer melhor sobre a criopreservação (congelamento de óvulos/espermatozoides).

Homens que farão vasectomia também devem ser orientados em congelar seus espermatozoides para possível uso futuro, se necessário. Quando a mulher resolve adiar a tentativa de gestação por razões pessoais, o congelamento de óvulos é uma excelente opção porque a fertilidade feminina declina com o avanço da idade da mulher.

Dependendo da causa da redução transitória da fertilidade, o congelamento de óvulos/espermatozoides é uma alternativa importante que pode possibilitar a concretização da maternidade. Converse com um especialista em medicina reprodutiva para discutir sobre possíveis fatores que possam estar interferindo em sua fertilidade. Acesse nosso site e conheça melhor nosso trabalho.

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Prof. Dr. Anderson Sanches de Melo

Médico especialista em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da HC FMRP-USP.
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