Uso prolongado de anticoncepcional causa infertilidade? Saiba aqui!

Uso prolongado de anticoncepcional causa infertilidade? Saiba aqui!

Uso prolongado de anticoncepcional causa infertilidade? Saiba aqui!

Powered by Rock Convert

Muitas mulheres utilizam métodos contraceptivos hormonais, como a pílula, por anos seguidos. Porém, quando decidem interromper o uso e engravidar, têm receio de que os hormônios presentes no medicamento tenham interferido na sua fertilidade. Afinal, o anticoncepcional causa infertilidade?

A grande questão envolvendo o uso prolongado de métodos anticoncepcionais é que esse uso pode mascarar problemas que comprometam a fertilidade, como a endometriose ou síndrome dos ovários policísticos (SOP). Assim, ao suspender o uso e se deparar com esses problemas, algumas mulheres podem associar o uso ao surgimento deles, quando, na verdade, eles apenas puderam ser diagnosticados nesta fase.

Para entender melhor o assunto e conferir os efeitos dos anticoncepcionais no organismo, confira o nosso post!

Como o anticoncepcional age no organismo?

Para entender a ação do contraceptivo, é importante compreender como é o funcionamento de um ciclo menstrual normal. Em mulheres que não utilizam anticoncepcionais hormonais, a hipófise libera, de forma pulsátil e organizada, os hormônios FSH (hormônio folículo estimulante) e LH (hormônio luteinizante). O aumento do FSH, no início do ciclo menstrual, faz com que os folículos (estruturas que contêm os óvulos e produzem estrogênio) comecem a se desenvolver.

Com o desenvolvimento dos folículos, ocorre o surgimento do folículo dominante (aquele que cresce mais rápido que os demais), que leva a alguns mecanismos responsáveis por desencadear o pico do LH. O pico desse hormônio é responsável pela ovulação, quando o folículo dominante se rompe e libera o óvulo — este é o período fértil da mulher.

Depois disso, o folículo que se rompeu forma o corpo lúteo, estrutura que mantém a secreção de progesterona. O corpo lúteo tem um período de duração “fixa”, em torno de 14 dias. Após esse período, caso não tenha ocorrido gestação, o corpo lúteo regride, os níveis de progesterona caem, a mulher menstrua, e o ciclo se reinicia.

Os métodos anticoncepcionais hormonais como a pílula, contêm hormônios que substituem a função ovariana na produção de progesterona, associada ou não ao estrogênio. Com a presença desses hormônios no organismo, ocorre inibição da secreção de FSH e LH pela hipófise, bloqueando o pico de LH, e consequentemente, fazendo com que a ovulação não aconteça.

Como é possível entender, ao interromper o uso do contraceptivo, os hormônios exógenos (externos) não estarão mais presentes no organismo. Assim, a tendência é de que os hormônios naturais se regulem e a ovulação volte a ocorrer normalmente.

É importante ressaltar que o uso de anticoncepcionais não interfere na reserva ovariana. Ou seja, o fato da mulher não ovular não significa poupar os seus óvulos, pois independentemente da ovulação, estas estruturas são programadas para entrar em atresia (degenerar) ao longo dos ciclos. Em média, estima-se que independentemente do uso de anticoncepcionais, a mulher perca aproximadamente 1.000 óvulos por mês.

O que deve ser destacado quanto ao uso de anticoncepcionais e reserva ovariana é que os mecanismos de avaliação da reserva ovariana podem ser falseados pelo uso de alguns anticoncepcionais. Como na vigência do uso do contraceptivo, o ovário se mantém em repouso, pode ser visualizado um volume ovariano menor, com uma contagem de folículos também menor. Portanto, é importante conversar com seu médico sobre como avaliar a reserva ovariana e evitar surpresas no futuro.

Existe risco no uso prolongado de anticoncepcionais?

Em princípio, se a mulher estiver adaptada ao método, não deve haver problemas no uso prolongado. Vale destacar, no entanto, que o contraceptivo deve ser prescrito pelo médico, após a realização de consulta, exame físico, avaliação da existência de doenças que possam contraindicar o uso de alguma medicação, avaliação do histórico familiar e de exames, se houver necessidade. Após o início do uso, é importante também manter acompanhamento regular para avaliar surgimento de efeitos colaterais e padrão de adaptação ao método escolhido.

Esse cuidado é crucial, pois nem todas as mulheres podem usar qualquer tipo de anticoncepcional. Em algumas situações, é necessária maior cautela na escolha do método contraceptivo a ser escolhido, como nos casos de:

  • histórico pessoal de evento tromboembólico ou presença de fatores de risco para tal;
  • doenças cardiovasculares, principalmente se estiverem descompensadas;
  • hipertensão;
  • câncer de mama ou outros tipos de neoplasias relacionadas a hormônios;
  • doenças no fígado;
  • diabetes, principalmente se descompensada e com tempo longo de doença, que pode estar relacionado a lesões de órgãos alvo (como rim, por exemplo);
  • tabagismo;
  • idade avançada;
  • entre outros fatores.

Além dos quadros citados, outras condições, como por exemplo o uso de outros medicamentos que interfiram na eficácia dos hormônios, podem ser restritivas ao uso de alguns anticoncepcionais. Por isso, a orientação médica é fundamental.

No caso de impedimento do uso de pílulas contraceptivas, existem outros métodos para evitar a gravidez, hormonais ou não. Dentre os hormonais, há opções como o anel vaginal, adesivo, anticoncepcional injetável, implantes e dispositivo intrauterino (DIU) — nesse último caso, nem todos os tipos contêm hormônios.

Os contraceptivos hormonais, como explicado acima, agem liberando hormônios, que podem ser: estrogênio e progesterona (contraceptivos combinados), ou progesterona isolada. Ambos os métodos (combinados ou de progesterona isolada) têm o objetivo de inibir o pico do hormônio luteinizante (LH), que é o hormônio responsável pela ovulação. Nos contraceptivos combinados, a presença do estrogênio inibe também o hormônio folículo estimulante (FSH), responsável pelo recrutamento e crescimento folicular.

A presença do estrogênio nos anticoncepcionais pode também auxiliar no controle do fluxo menstrual e melhorar queixas relacionadas a outros aspectos, como a pele. Uma exceção aos contraceptivos citados acima é o DIU medicado com progesterona, pois apesar de ser um método hormonal, ele não necessariamente bloqueia a ovulação. A proteção anticoncepcional do DIU com progesterona é devida a alterações no endométrio e no muco cervical, apenas uma porcentagem pequena das mulheres tem a ovulação bloqueada com esse método.

Ao parar de utilizar o anticoncepcional, o retorno à fertilidade deve ser rápido — teoricamente, o próximo ciclo menstrual após a suspensão do método deve ocorrer normalmente. Nas pacientes que usam anticoncepcionais injetáveis, esse retorno aos ciclos ovulatórios pode levar mais tempo, pois uma parte da medicação pode demorar mais para ser metabolizada no organismo.

Portanto, embora possa levar um período até que a menstruação seja regularizada em alguns casos, não há risco de perda da fertilidade em decorrência do uso do método. Pelo contrário, a pílula anticoncepcional é, inclusive, utilizada em alguns casos de reprodução assistida, para programar o ciclo antes da estimulação ovariana.

Existem benefícios no uso de anticoncepcional?

Além de ser um método seguro para evitar a gravidez indesejada, os anticoncepcionais hormonais orais, transdérmicos ou injetáveis, quando corretamente indicados, podem oferecer outros benefícios (a depender do método escolhido):

  • redução dos sintomas da tensão pré-menstrual (TPM);
  • redução da cólica e também do volume do fluxo;
  • ao diminuir a quantidade do fluxo, o risco de anemia também é reduzido;
  • diminuição da oleosidade da pele e da acne;
  • menor risco de desenvolver câncer de ovário e de endométrio;
  • dependendo da composição do produto, é possível reduzir o inchaço;
  • no caso de mulheres que têm endometriose, a pílula pode ser uma alternativa de tratamento, por bloquear a produção hormonal endógena (do próprio corpo);
  • em mulheres com menopausa precoce, o estrogênio presente no contraceptivo ajuda a reduzir o risco de osteoporose e melhorar as queixas climatéricas;
  • entre outros benefícios.

O anticoncepcional causa infertilidade?

Como você percebeu, o anticoncepcional não causa infertilidade, isso é um mito. O que ocorre, na verdade, é que o uso prolongado mascara outras condições, como a endometriose, a SOP e a menopausa precoce.

O uso de anticoncepcional ameniza os sintomas dessas doenças, fazendo com que passem despercebidos pela mulher. Ao interromper o método contraceptivo e tentar engravidar, o problema é descoberto. Por isso, muitas pessoas associam (equivocadamente) a pílula à infertilidade.

Essa é mais uma razão que demonstra a importância do acompanhamento médico no uso de um método anticoncepcional. É comum, por exemplo, que a mulher interrompa o uso da pílula quando deseja engravidar, acreditando que isso acontecerá rapidamente. Quando a gestação espontânea não ocorre, vem a frustração e a sensação de que o problema foi o uso prolongado do contraceptivo.

Essa questão pode ser ainda mais séria, dependendo da idade da mulher. Aquelas que, por razões pessoais, decidem postergar a maternidade, correm maior risco de não conseguirem engravidar naturalmente.

Não são raros os casos de mulheres que param de usar o contraceptivo por volta dos 35 anos ou mais, aguardam vários ciclos em tentativas frustradas, até resolverem procurar aconselhamento médico. Em tais situações, além de ser possível que os hormônios tenham disfarçado os sintomas de uma doença preexistente, a idade materna também contribui para a redução da fertilidade.

Quando procurar orientação profissional?

Sempre é importante consultar um profissional especializado, que poderá indicar o método contraceptivo adequado e orientar sobre o uso seguro. As visitas de rotina ao ginecologista também contribuem para a manutenção da saúde reprodutiva feminina, evitando a frustração futura, quando o desejo da maternidade surgir. É importante também, que cada dia mais, seja incluído nas consultas de rotina com o ginecologista o questionamento quanto ao desejo da maternidade. Pois assim, a mulher pode ser devidamente orientada e programar a gestação futura, caso deseje, com segurança e tranquilidade.

Assim, fica claro que a ideia de que o anticoncepcional causa infertilidade é um erro. Caso você tenha interrompido o método contraceptivo hormonal há alguns meses e seu ciclo ainda esteja irregular ou a gestação espontânea esteja demorando a acontecer, procure um profissional especializado para orientá-la sobre o tratamento reprodutivo adequado para contornar a dificuldade.

Quer saber também como avaliar sua reserva ovariana e quando procurar um especialista para um diagnóstico adequado? Confira o vídeo que preparamos para esclarecer essas dúvidas!

Powered by Rock Convert
mm

Dra. Camilla Vidal

Médica ginecologista com especialização em Reprodução Humana na HCFMRP – USP. CRM-SP 164.436
Perfil no Doctoralia

Deixe um comentário

Perfil no Doctoralia
Perfil no Doctoralia