Tenho baixa reserva ovariana! Como posso experimentar a maternidade?

Tenho baixa reserva ovariana! Como posso experimentar a maternidade?

Tenho baixa reserva ovariana! Como posso experimentar a maternidade?

Recentemente, Ivete Sangalo teve gêmeas. Apesar de estar com 45 anos a cantora informou que seus embriões foram obtidos a partir de óvulos próprios congelados previamente. Na ocasião, Ivete pretendia adiar a sua maternidade e foi adequadamente informada a se organizar para isto, através do congelamento de óvulos em momento oportuno. E o resultado foi o nascimento de dois bebês saudáveis!

Apesar de casos de sucesso como o da Ivete, a preservação da fertilidade nem sempre é sinônimo de sucesso. A famosa jornalista americana Brigitte Adams congelou 11 óvulos aos 37 anos. Na ocasião, saiu nas principais manchetes dos jornais americanos defendendo a bandeira da preservação. Infelizmente, após seis anos, não conseguiu engravidar com seus próprios gametas, necessitando esclarecer na mídia que “nem sempre nosso planejamento é como imaginamos”. Atualmente, a jornalista é mãe de duas crianças geradas a partir de óvulos de doação anônima.

Neste artigo o Prof. Dr. Anderson Melo explica como conciliar a maternidade e a fertilidade na fase de declínio reprodutivo.

Quero postergar minha maternidade! Como posso aumentar minhas chances de ser mãe em idade mais avançada?

A melhor maneira de evitar as consequências da idade feminina no potencial reprodutivo seria encomendar a gestação para antes dos 35 anos, preferencialmente antes dos 30 anos. Nesta fase, as chances de se obter uma gestação espontânea pode atingir 80-90% após 01 ano de tentativa. Entretanto, como a vida moderna está associada a postergação da maternidade, muitas mulheres desejam ter filhos após os 40 anos, fase de declínio reprodutivo.

Segundo a American Society for Reproductive Medicine (ASRM), o congelamento de óvulos pode oferecer a possibilidade de gerar bebês com o próprio patrimônio genético, mesmo na fase de redução da função ovariana. Isto porque os embriões gerados a partir de óvulos congelados apresentam qualidade compatível com a idade da mulher no momento do congelamento.

Apesar da possibilidade de obter a gestação através da preservação da fertilidade por óvulos congelados, a gestação não é uma garantia. As taxas de sucesso dependem da idade da mulher no congelamento, bem como do número de óvulos armazenados, entre outros fatores: antes dos 37 anos, o congelamento de 10-15 óvulos pode promover chance de até 70% do nascimento de um bebê. Quanto menor a idade da mulher durante o preservação da fertilidade, maior a possibilidade de sucesso.

Não congelei meus óvulos e agora tenho poucos folículos. O que posso fazer?

A obtenção da gestação (espontânea ou através da FIV) é diretamente proporcional a idade da mulher. Em mulheres com infertilidade, a má reposta à estimulação ovariana ocorre quando são captados menos do que 3 óvulos na punção ovariana e baixa reserva ovariana é definida quando a contagem de folículos à ultrassonografia é menor do que 5-7 ou hormônio antimulleriano (AMH) menor do que 0,5-1,1 ng/mL.

Embora a taxa de gravidez em mulheres com baixa reserva ovariana possa estar relacionada com diferentes fatores (número de folículos, quantidade de óvulos captados, tempo e causa de infertilidade, entre outros), a idade da mulher é o principal fator associado ao sucesso do tratamento, com taxas de gestação variando de 0 a 19%.

Uso de androgênios

Nenhuma medida foi comprovadamente efetiva em melhorar as taxas de gravidez nas mulheres inférteis com baixa reserva ovariana, visto que a IDADE é o principal fator relacionado ao nascimento de bebês. O uso de androgênios (testosterona, DHEA) tem se mostrado promissor, mas, até o momento, não se sabe qual o tempo de uso e a dose efetiva associada a melhora da contagem de folículos. Atualmente, está sendo realizado um estudo multicêntrico com diferentes doses de androgênios para se tentar estabelecer os benefícios destes medicamentos em mulheres com baixa reserva ovariana.

Hormônio do crescimento

O hormônio do crescimento (GH) pode potencializar a resposta folicular ao estímulo ovariano com gonadotrofinas através da melhora das taxas de nascimento de bebês. Tradicionalmente, esta medicação é utilizada durante a estimulação dos ovários entre o primeiro até o dia da administração da gonadotrofina coriônica humana (hCG) – esquema curto. Entretanto, os estudos científicos são extremamente heterogêneos, com doses de GH que variam entre 4 e 24UI/dia, e taxas adicionais de nascimento de bebês que podem variar de zero a 30% (por exemplo, se a taxa de sucesso é de 5-10% pode ocorrer nenhum aumento com o uso do GH ou a taxa de sucesso aumentar para 7,5 a 13%). Recentemente, tem sido considerado o uso do GH por 2-3 meses antes do início da FIV (esquema longo) com associação ao aumento das taxas de gestação, mas esta conduta ainda necessita ser confirmada para utilização de rotina na prática clínica.

Outras substâncias para melhorar a atividade das mitocôndrias

Assim como o uso do GH, a coenzima Q10, a L-carnitina, ácido alfalipoico, resveratrol, entre outras substâncias tem sido utilizadas para melhorar a atividade das mitocôndrias (estrutura responsável pela “respiração celular). Entretanto, esta avaliação tem sido baseada na maior parte das vezes em estudos com animais ou pequeno número de mulheres com baixa reserva ovariana e, por isto, estas medidas não devem ser realizadas de rotina. Na tabela 1 estão listadas as principais intervenções investigadas em mulheres com baixa reserva ovariana.

Chances de gestação com baixa reserva ovariana

Ovorecepção

Vale lembrar que nos casos de baixa reserva ovariana ou mesmo mulheres que já apresentaram menopausa, a utilização de óvulos de doadora (ovorecepção) pode oferecer maior taxa de gestação (aumenta cerca de 2 a 10 vezes). Isto porque as taxas de sucesso nestes casos é compatível com a idade da doadora dos óvulos.  No Brasil, a doação de óvulos é anônima (doadora e receptora não se conhecem) e obrigatoriamente a doadora deve ter menos do que 35 anos.

A última atualização da resolução do Conselho Federal de Medicina em novembro de 2017 estabeleceu novas regras para doação de óvulos: agora, qualquer mulher pode ser doadora voluntária. Com isto, as receptoras de óvulos doados poderão ter maiores chances de alcançar a maternidade porque poderão utilizar óvulos de mulheres sem problemas de fertilidade que já conseguiram engravidar espontaneamente. Consulte um especialista em reprodução humana e verifique qual a melhor estratégia para ser mãe!

Referências:

  • Bishop LA, Richter KS, Patounakis G, Andriani L, Moon K, Devine K. Diminished ovarian reserve as measured by means of baseline follicle-stimulating hormone and antral follicle count is not associated with pregnancy loss in younger in vitro fertilization patients. Fertil Steril. 2017;108(6):980-987.
  • de Ziegler D, Streuli I, Meldrum DR, Chapron C. The value of growth hormone supplements in ART for poor ovarian responders. Fertil Steril. 2011;96(5):1069-76.
  • Kolibianakis EM, Venetis CA, Diedrich K, Tarlatzis BC, Griesinger G. Addition of growth hormone to gonadotrophins in ovarian stimulation of poor responders treated by in-vitro fertilization: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod Update. 2009;15(6):613-22.
  • Lee Y, Kim TH, Park JK, Eum JH, Lee HJ, Kim J, Lyu SW, Kim YS, Lee WS, Yoon TK. Predictive value of antral follicle count and serum anti-Müllerian hormone: Which is better for live birth prediction in patients aged over 40 with their first IVF treatment? Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2018;221:151-155.
  • Marozio L, Picardo E, Filippini C, Mainolfi E, Berchialla P, Cavallo F, Tancredi A, Benedetto C. Maternal age over 40 years and pregnancy outcome: a hospital-based survey. J Matern Fetal Neonatal Med. 2017;7:1-7.
  • Oudendijk JF, Yarde F, Eijkemans MJ, Broekmans FJ, Broer SL.The poor responder in IVF: is the prognosis always poor?: a systematic review. Hum Reprod Update. 2012 Jan-Feb;18(1):1-11.
  • Papathanasiou A, Searle BJ, King NM, Bhattacharya S. Trends in ‘poor responder’ research: lessons learned from RCTs in assisted conception. Hum Reprod Update. 2016;22(3).
  • Wiweko B, Prawesti DM, Hestiantoro A, Sumapraja K, Natadisastra M, Baziad A. Chronological age vs biological age: an age-related normogram for antral follicle count, FSH and anti-Mullerian hormone. J Assist Reprod Genet. 2013;30(12):1563-7.
mm

Prof. Dr. Anderson Sanches de Melo

Médico especialista em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da HC FMRP-USP. CRM-SP 104.975
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Comentários (2)

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    Edinalva Clara da Silva

    |

    Tenho 53 nunca tive um filho meu sonho é ser mãe comecei a fazer o tratamento descobrir que meus óculos não são suficientes estão entrei pra fila de receptora mais tá difícil .

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      CEFERP

      |

      Oi Edinalva,
      Obrigada pelo contato.
      A idade não é amiga das mulheres no que diz respeito à fertilidade. Em casos de ausência de óvulos a indicação é a recepção de óvulos doados.
      Um dos grandes desafios das clínicas é encontrar doadoras compatíveis com as características físicas da receptora, por isso a espera acontece em alguns casos. Boa sorte e tomara que a espera não demore.
      Caso queira marcar uma consulta conosco para verificar a disponibilidade de óvulos com as suas características estamos a disposição.
      Seguem nossos contatos:
      (16) 99302-5532 (WhatsApp)
      (16) 3877-7789
      (16) 3877-7784
      [email protected]

      Atenciosamente,

      Equipe CEFERP – Centro de Fertilidade de Ribeirão Preto

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