Preservação da fertilidade: precisamos falar sobre isso

Preservação da fertilidade: precisamos falar sobre isso

Preservação da fertilidade: precisamos falar sobre isso

Para as mulheres, em uma consulta ginecológica rotineira, são passadas inúmeras informações sobre métodos contraceptivos com o objetivo de prevenir uma gravidez indesejada, mas raramente é discutido um assunto de igual ou maior importância: a preservação da fertilidade.

Muito se fala sobre empoderamento feminino e a libertação que as mulheres estão conquistando em todos os setores de suas vidas, incluindo o momento e maneira de realizar o planejamento familiar.

Hoje em dia cresce cada vez mais o número de mulheres que optam desde cedo por não engravidar, buscando independência financeira, foco em suas carreiras e realizações pessoais independentemente de imposições sociais, opiniões da família ou do parceiro.

Grandes progressos culturais já aconteceram para que as mulheres hoje se sintam mais seguras para tomar suas decisões, sejam elas quais forem — mas ainda há muito a se conquistar.

Uma expressiva parcela do sexo feminino adia o sonho da maternidade simplesmente por não ser o momento ideal da sua vida, seja em termos financeiros, profissionais ou por questões de relacionamentos — ainda não pensam em casamento e na constituição de uma família ou não encontraram o cônjuge ideal para esse feito.

São mulheres que, embora considerem a maternidade no futuro, ainda não se enxergam nessa etapa da vida e não desejam engravidar neste momento — mas desejam fazê-lo um dia.

Por isso, neste artigo, falaremos um pouco sobre fertilidade e a busca pela maternidade, explicando aspectos do corpo e métodos utilizados para preservar os óvulos. Continue a leitura e confira!

Qual é a fase ideal para engravidar?

Afinal, existe um momento ideal para a mulher engravidar? O que se observa é que, após certa idade — geralmente entre 35 e 40 anos —, acontece uma diminuição natural da fertilidade. É uma característica puramente fisiológica e uma informação que os ginecologistas deveriam, necessariamente, passar para as mulheres em suas consultas.

Assim, depois dos 35 anos a fertilidade cai, assim como a qualidade dos óvulos e a probabilidade de aborto e/ou doenças genéticas no feto aumentam. E por mais que existam milhares de casos de mulheres que engravidaram facilmente após os 35 (ou até após os 40 anos), elas são a minoria.

A grande maioria nessa faixa etária, infelizmente, só vai se dar conta da queda na fertilidade quando passarem meses ou até anos tentando engravidar. A solução que geralmente resolve o problema? Clínicas de fertilização in vitro.

Hoje, no Brasil, existem mais de 140 centros de Reprodução Humana, e esse número só vem crescendo conforme a quantidade de pacientes aumenta, pois, como ressaltamos no início do post, cada vez mais mulheres adiam a maternidade e desejam ter filhos mais tarde.

É claro que a infertilidade pode ocorrer por diversos fatores: existem doenças que influenciam, como endometriose, síndrome do ovário policístico e todos os aspectos masculinos envolvidos — por exemplo, a produção e qualidade dos espermatozoides, vasectomia anterior e doenças genéticas. Porém, certamente, a idade da mulher é um dos principais fatores que se relacionam à fertilidade.

Como funciona o corpo nesse momento?

As mulheres já nascem com a quantidade de óvulos disponíveis para a vida inteira. Durante o desenvolvimento do feto feminino as células germinativas são produzidas e compõem a reserva ovariana. Ou seja, enquanto uma mulher está no útero de sua mãe é quando a reserva ovariana já é criada.

Os óvulos estacionam sua formação em uma determinada etapa e somente na puberdade é que, a cada mês, um óvulo termina seu desenvolvimento. Ele é então liberado do folículo ovariano para as trompas de Falópio em direção ao útero (ovulação), e se torna apto a ser fecundado por um espermatozoide.

A mulher inicia seu período reprodutivo na puberdade, carregando cerca de 300 mil óvulos nos seus ovários. A cada ciclo menstrual um óvulo é liberado e cerca de outros mil são degenerados. Perto dos 50 anos, portanto, geralmente ocorre o fim da reserva ovariana (menopausa) sendo muito difícil utilizar óvulos próprios para a fecundação.

Por esses motivos se ouve dizer que os óvulos têm a mesma idade da mulher e que, para gerar um bom embrião, é preciso um óvulo “jovem” de boa qualidade, evitando anomalias cromossômicas e diminuindo a probabilidade de doenças genéticas no bebê.

Outro ponto importante que merece destaque é a parcela de mulheres diagnosticadas com câncer em idade reprodutiva que precisam se submeter a tratamentos, como quimioterapia e radioterapia, que têm o potencial de causar efeitos secundários e diminuir a fertilidade.

Assim, as técnicas de preservação da fertilidade se configuram como um aumento de esperança para tantas pessoas que sofrem as consequências severas dos tratamentos oncológicos.

Como é feita a preservação dos óvulos?

​​Com isso em mente, é preciso falar sobre o método de preservação do potencial da fertilidade: o congelamento de óvulos. Essa é uma técnica que consiste na estimulação da ovulação por meio de hormônios, retirada dos óvulos em procedimento simples e conservação em nitrogênio líquido a temperaturas inferiores a -150ºC.

Congelar os óvulos precocemente é a melhor opção para quem quer ser mãe no futuro, mas não tem previsão para o planejamento de uma gravidez. Isso porque, apesar da perda de qualidade dos óvulos, a saúde do útero e a capacidade de gestar não se alteram significativamente pela idade da mulher.

Utilizando óvulos congelados em idade reprodutiva jovem, pode-se formar embriões saudáveis e aumentar a chance de uma gravidez também mais saudável.

O procedimento de Congelamento de Óvulos consiste em uma punção folicular igual àquela feita para o procedimento de fertilização in vitro. A paciente toma medicações hormonais específicas para estimular a ovulação, é monitorada constantemente via ultrassom até o dia que deverá ser feita a coleta.

A coleta é feita com auxílio de um ultrassom transvaginal, em centro cirúrgico, sob anestesia (uma sedação leve) e dura cerca de 15 minutos. Os óvulos são encaminhados ao laboratório, triados, congelados e guardados em um botijão de nitrogênio líquido, sem data para expirar.

No momento em que a mulher decidir pela utilização dos óvulos, eles são descongelados e fertilizados em laboratório com o sêmen do parceiro ou do doador. A paciente deverá ter seu endométrio preparado com medicações específicas para receber os embriões na transferência embrionária. Se o resultado de gravidez for positivo, o acompanhamento do pré-natal em nada difere de uma gravidez natural.

É preciso mencionar ainda a importância do congelamento de óvulos para mulheres que realizarão cirurgias no ovário (cistos, endometriomas, dentre outros) ou que estão com câncer e iniciarão quimioterapia ou radioterapia.

Esses tratamentos podem destruir as células reprodutivas, levando à infertilidade. Muitas pacientes sem filhos começam o tratamento para câncer sem nem saber da possibilidade do congelamento dos seus óvulos para utilização no futuro.

Obviamente, tudo depende do diagnóstico específico de cada caso e do tempo disponível até a realização do tratamento, mas é muito importante procurar um especialista em fertilidade para saber quais são as possibilidades e fazer o que estiver ao alcance.

Quais são os benefícios do congelamento dos óvulos?

Os óvulos congelados mantêm a idade com a qual foram retirados, podendo ser utilizados futuramente em uma paciente mais velha mantendo a qualidade de óvulo “jovem”. Não há prazo de validade para serem mantidos congelados nem perda de qualidade de acordo com o tempo, podendo ser usado quando for preciso.

Além disso, podem ser descartados a qualquer momento, pois são apenas células germinativas. Portanto, se a mulher engravidar naturalmente em época oportuna, ela pode requerer o descarte das células congeladas ou optar pela doação anônima para mulheres que estão fazendo o tratamento e não podem utilizar óvulos próprios.

Por último, e provavelmente mais importante, o congelamento garante à mulher uma maior liberdade frente a suas escolhas. Ela tem tranquilidade de saber que não precisa da existência de um cônjuge para garantir a gravidez com óvulos saudáveis.

Não precisa ter pressa para encontrar a “pessoa certa” ou adiantar o sonho de ser mãe por estar “passando da hora”. Tem maior flexibilidade para fazer suas escolhas sem nenhuma pressão.

A vida pode ser planejada com calma e a mulher pode decidir quando exatamente gostaria de ser mãe — ou se gostaria. A decisão é pessoal e ninguém pode prever o futuro.

Como é feita a preservação da fertilidade no caso de pacientes com câncer?

Já mencionamos em alguns trechos deste artigo sobre a preservação da fertilidade em mulheres com câncer e esse é um assunto que merece atenção, sobretudo porque também se estende aos homens, que podem congelar o sêmen. A incidência da doença cresce no mundo todo e é necessário discutir os impactos negativos sobre a qualidade de vida.

Na maioria das vezes o comprometimento da fertilidade não está relacionado ao desenvolvimento do câncer, mas sim aos tratamentos oncológicos, como radioterapia e quimioterapia. Por esses motivos a preservação se faz tão importante, como uma possibilidade de um futuro reprodutivo saudável. O processo para congelamento dos óvulos é o mesmo, sendo realizada a estimulação hormonal dos ovários e a coleta dos óvulos para posterior congelamento.

E em casos de vasectomia?

A técnica da vasectomia se baseia na cirurgia contraceptiva que tem o objetivo de interromper o fluxo de espermatozoides produzidos nos testículos por meio da ligadura do epidídimo — a passagem por este ducto é interrompida, e é ele que leva os espermatozoides para serem ejaculados. De acordo com o CFM, 17% dos homens se arrependem de realizar a vasectomia após o procedimento.

Assim, no caso de homens que pensem em realizá-la, necessitem de tratamentos oncológicos ou trabalhem em profissões de risco, como mergulho e exposição a pesticidas, agrotóxicos e substâncias ionizantes, a preservação da fertilidade masculina é uma alternativa bastante interessante.

Para os homens que não apresentam problemas de quantidades de espermatozoides na ejaculação, para efetuar a preservação basta colher uma amostra seminal, como quando é feito o espermograma. O sêmen é então criopreservado em temperaturas extremamente baixas para futuras tentativas de fertilização.

As técnicas de preservação da fertilidade podem ser fundamentais para mulheres ou homens que não querem ou não podem ter filhos agora, mas se enxergam engravidando no futuro.

Muitas são as possibilidades para o desenvolvimento de gestações saudáveis e é imprescindível considerar uma clínica de reprodução assistida com profissionais de excelência para que o melhor método seja adotado para cada indivíduo, homem ou mulher, que está buscando preservar a fertilidade.

Se você se interessou pelo assunto, está buscando a fertilidade e quer saber mais sobre os métodos disponíveis, entre em contato conosco! Será um prazer esclarecer todas as suas dúvidas.

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Mariana Rufato

Bióloga Gerente de Controle de Qualidade do CEFERP
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Comentários (2)

  • Avatar

    Carina barros

    |

    Olá
    até que idade a mulher pode colher os óvulos??
    E se há a possibilidade de colher óvulos em uma mulher de 40 ou 41 anos e fazer a fiv??

    Reply

    • mm

      CEFERP

      |

      Oi Carina,

      Para que seja possível colher os óvulos a mulher ainda precisa produzi-los, o que tem uma queda acentuada após os 40 anos, mas isso deve ser avaliado por um especialista em reprodução humana por meio de alguns exames.

      Se quiser agendar uma consulta com nossos especialistas, seguem nossos contatos:
      (16) 99302-5532 (WhatsApp)
      (16) 3877-7789
      (16) 3877-7784
      [email protected]

      Atenciosamente,

      Equipe CEFERP – Centro de Fertilidade de Ribeirão Preto

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