Receptora de óvulos: como encarar essa escolha?

Receptora de óvulos: como encarar essa escolha?

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A doação de óvulos é um ato de altruísmo e solidariedade, o que permite que muitas pessoas possam realizar o sonho de ter filhos. Essa iniciativa auxilia mulheres com alguns tipos de infertilidade, ou ainda homens que optam pela produção independente, ou mesmo gestação homoafetiva masculina. Esses sonhos são possíveis graças ao auxílio da doação de óvulos!

Embora seja uma excelente possibilidade para muitas pessoas, o papel de fazer o tratamento com óvulos doados, que recebe o nome de recepção de óvulos, nem sempre é fácil, e pode demandar um cuidado especial quanto à inteligência emocional da mulher e do casal.

Nesse contexto, separamos a seguir as principais informações sobre o tratamento com óvulos doados e como encarar essa escolha. Acompanhe e descubra tudo sobre o assunto!

O que é a doação de óvulos?

Podemos definir a doação de óvulos, ou ovodoação, como a ação de doar gametas femininos para outro paciente ou casal que não possa engravidar com óvulos próprios. Ela pode ser voluntária, ou seja, com a única finalidade de ajudar outros pacientes, ou se enquadrar na chamada doação compartilhada de óvulos.

Na doação compartilhada de óvulos, a paciente doadora já está sendo submetida a um tratamento de reprodução assistida por outros fatores que não estejam relacionados à reserva ovariana. Assim, os óvulos e os custos são divididos entre doadora e receptora, sempre de maneira anônima e com intermédio da clínica de reprodução assistida.

Para ser doadora de óvulos, algumas condições que devem ser respeitadas são: a mulher deve estar abaixo dos 35 anos e não apresentar histórico de doenças genéticas próprias ou familiares. Além disso, a paciente precisa ter realizado exames de sorologias (pesquisas de infecções) com resultados negativos, e o processo deverá ser sempre anônimo, sem que a doadora e receptora se conheçam. Todas essas condições devem ser seguidas obrigatoriamente, de acordo com o Conselho Federal de Medicina.

Dessa forma, a doadora será submetida aos processos de estimulação ovariana e coleta de óvulos tanto nos casos de doação voluntária quanto compartilhada. Vale lembrar que a ovodoação é um ato de solidariedade, que tem o potencial de proporcionar alegria e realização a muitas pessoas.

O que é a recepção de óvulos?

A recepção de óvulos é o tratamento realizado com óvulos doados. A denominação receptora de óvulos diz respeito à mulher que conceberá uma criança a partir de um procedimento de fertilização in vitro (FIV) utilizando o óvulo de uma doadora. Esse tipo de tratamento proporciona à receptora a possibilidade de experienciar a gravidez frente a algumas situações que a impeçam ou limitem as chances de utilizar seu próprio óvulo.

Nesse contexto, existem alguns fatores que caracterizam uma mulher como candidata a ser receptora de óvulos. Um deles é a baixa reserva ovariana, ou seja, quando o “estoque de óvulos” presentes nos ovários é baixo, o que afeta diretamente a resposta ovariana à estimulação e consequentemente, pode afetar as taxas de sucesso nos tratamentos com óvulos próprios. Podemos citar ainda a menopausa, que pode ser precoce ou não, e os casos em que a paciente teve a retirada cirúrgica dos ovários.

A partir de uma análise clínica de um especialista, poderá ou não ser apresentada pelo médico a possibilidade de fazer a FIV com óvulos doados. Caso a paciente se enquadre nos critérios, é possível optar por esse tratamento. Importante ressaltar que para saber se esse será o tratamento mais indicado para o seu caso, é fundamental que seja feita uma avaliação clínica e de exames, para indicação individualizada do tratamento e orientação sobre chances de sucesso.

Vale citar ainda os casos de casais homoafetivos masculinos ou de produção independente masculina. Nesses casos serão utilizados os espermatozoides do paciente e a obtenção do óvulo para realizar a FIV ocorre através do processo de ovodoação. Importante lembrarmos que, nesses casos, após a formação do embrião, também será necessário recorrer à “barriga solidária”, ou útero de substituição.

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Como é a preparação da receptora de óvulos?

Assim como para a doadora, existe uma preparação da receptora de óvulos para o início do tratamento. Normalmente, o processo se inicia pela seleção de doadora compatível, baseada em características físicas e antecedentes familiares, dentre outros fatores.

Após a seleção da doadora de óvulos, os próximos passos são a formação do(s) embrião(ões) e sua posterior transferência ao útero. Para programar a transferência, podem ser utilizadas medicações hormonais com o objetivo de preparar o endométrio para receber o embrião.

Esse processo de preparo endometrial geralmente é acompanhado por ultrassonografia transvaginal, com o objetivo de avaliar a característica e a espessura do endométrio. Geralmente, do início das medicações até o momento da transferência, são necessárias aproximadamente duas semanas.

É importante ressaltar ainda que hábitos de vida saudável são essenciais para maximizar as chances de sucesso e principalmente evolução da gravidez de forma saudável. Uma alimentação balanceada aliada à prática regular de exercícios físicos, horas de sono adequadas, são fatores extremamente importantes para a manutenção da saúde da mãe e do bebê durante a própria gestação e mesmo após o nascimento.

Vale ressaltar ainda a importância do acompanhamento psicológico ao longo de todo o tratamento. O fator emocional pode muitas vezes ser uma grande barreira para a receptora de óvulos, tanto antes da decisão de iniciar o tratamento quanto ao longo dele. Por isso, é importante dispor de uma equipe multiprofissional para contemplar as principais necessidades da futura mãe, tanto em um sentido físico quanto mental.

Como é a recepção de óvulos e qual é o papel de mãe?

Uma das principais preocupações da mulher que faz a opção por ser receptora de óvulos é em relação ao próprio sentido da maternidade. Embora o desejo de gerar um filho seja grande, muitas vezes a ideia de gerar um filho com material genético diferente do seu pode ser desafiadora no sentido de autoidentificação como verdadeira mãe da criança.

Sobre esse ponto, é importante ressaltar que o papel de mãe vai muito além de qualquer ligação puramente genética com a criança. Além disso, devemos lembrar que nesse tipo de tratamento é possível experienciar a gravidez em sua totalidade, o que permite estabelecer um vínculo afetivo desde os momentos mais iniciais da concepção.

Outro ponto importante a ser destacado é que a maternidade em si é muito mais que carga genética, que o tratamento e que os nove meses seguintes. Na verdade, é um papel de suma importância na vida do futuro bebê, que será construído, desenhado e fortalecido a todo tempo.

Embora muitas vezes essas ideias estejam claras na mente da futura mãe, em alguns casos é fundamental que haja um acompanhamento psicológico ao longo do tratamento. As incertezas diante dos possíveis tratamentos e os desgastes que podem ocorrer no caminho podem desencadear processos emocionais que precisam ser acompanhados de perto por profissionais capacitados.

Tendo em vista todos os aspectos físicos e psicológicos que podem fazer parte do processo para ser receptora de óvulos, é fundamental buscar o auxílio de especialistas no assunto. Dessa maneira, é importante buscar uma clínica de referência em reprodução humana assistida, que possa oferecer todo o suporte e orientação necessários por profissionais de qualidade para lidar com essa importante decisão de vida de maneira segura e tranquila.

Gostou de saber mais sobre como encarar o papel de receptora de óvulos? Assine a nossa newsletter para mais conteúdos como este!

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Dra. Camilla Vidal

Médica ginecologista com especialização em Reprodução Humana na HCFMRP – USP. CRM-SP 164.436
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Comentários (2)

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    ADRIANA DA SILVA MARTINS ADRIANA FERREIRA

    |

    O custo de uma FIV com recepção de óvulos é o mesmo que uma FIV normal?

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    • Avatar

      Atendimento CEFERP

      |

      Olá Adriana,
      Obrigado pelo seu comentário!
      Os valores são distintos, pois em um tratamento com recepção de óvulos, ocorre a doação compartilhada, isto é, a doadora e a receptora compartilham custos do tratamento. A receptora de óvulos compartilha alguns custos do tratamento da doadora, sempre de maneira anônima e intermediada pela clínica.

      Atenciosamente.
      Equipe CEFERP – Centro de Fertilidade de Ribeirão Preto

      Reply

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