Maternidade e paternidade após a quimioterapia

Maternidade e paternidade após a quimioterapia

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Maternidade ou paternidade após tratamento de quimioterapia: conheça as técnicas de preservação da fertilidade

Entenda como a preservação da fertilidade, técnica de reprodução humana assistida, pode auxiliar quem vence o câncer a realizar o sonho de ter um bebê.

Aproximadamente 10% dos casos de câncer ocorrem durante a idade reprodutiva e, por causa do tratamento, muitas vezes a maternidade/paternidade necessita ser adiada.

Nos últimos anos, o desenvolvimento de tratamentos efetivos de combate ao câncer tem reduzido a mortalidade e, consequentemente, a sobrevida tem tido aumento significativo. Por isso, após período adequado livre da doença, muitas pessoas desejam concretizar o sonho de ter um bebê! Entretanto, se não houver um planejamento reprodutivo rápido, seguro e objetivo, pessoas com câncer poderão ter dificuldade para engravidar no futuro.

Apesar dos benefícios do tratamento oncológico, a redução da fertilidade devido à quimioterapia/radioterapia ou mesmo a cirurgia pode esgotar definitivamente a possibilidade de gestação com gametas próprios (óvulos ou espermatozoides). E após o controle efetivo do câncer, a infertilidade pode trazer repercussões emocionais/sociais, desrespeitando a autonomia e desejo da pessoa!

Para minimizar estes prejuízos, a preservação da fertilidade pode aumentar a esperança de ter filhos no futuro utilizando óvulos, espermatozoides ou embriões congelados antes do tratamento do câncer. Você quer saber mais sobre a preservação da fertilidade? Então continue lendo este post!

Quais as técnicas disponíveis para a preservação da fertilidade em pessoas com câncer?

Existem técnicas regulamentadas (congelamento de óvulos, embrião e sêmen) e experimentais (congelamento de tecido ovariano e testicular) para preservar a fertilidade. Mais recentemente, o Oncofertility Consortium, uma renomada sociedade internacional, tem considerado o congelamento de tecido ovariano como uma técnica regulamentada. Entretanto, o sucesso futuro para alcançar a gestação com esta técnica ainda apresenta resultados pouco efetivos. A seguir, serão descritas as principais causas de preservação da fertilidade:

  • Congelamento de embrião: o casal é submetido a fertilização in vitro (FIV) de emergência. A estimulação ovariana com hormônios pode ser iniciada em qualquer fase do ciclo, não sendo necessário aguardar a menstruação.
    No Brasil, a resolução nº 2168/2017 do Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda que os embriões devam ficar congelados por no mínimo 03 anos.
    O congelamento embrionário para preservação da fertilidade envolve a participação do casal e durante a fase do diagnóstico do câncer, a logística pode ficar complicada, principalmente se o parceiro for a pessoa acometida pelo câncer.
    Além disso, o congelamento de embriões para preservação da fertilidade retira a autonomia dos cônjuges, visto que o uso dos embriões deverá ser autorizado pelo casal no futuro (embora existam algumas cláusulas que podem garantir o uso futuro na ausência de um dos parceiros).
  • Congelamento de óvulos: a mulher é submetida a estimulação ovariana de urgência em qualquer fase do ciclo menstrual, mesmo se estiver utilizando anticoncepcional.
    Neste procedimento são realizados vários exames de ultrassom para controle do crescimento folicular (estrutura ovariana que contém o óvulo).
    Após um período de aproximadamente 10 a 14 dias de estimulação dos ovários, os óvulos podem ser captados através da punção ovariana sob sedação e posteriormente congelados em nitrogênio líquido (vitrificação).
    O congelamento de óvulos é a técnica de primeira escolha para mulheres com câncer porque os óvulos mantem a autonomia reprodutiva feminina e podem ser descartados a qualquer momento, sem necessidade de autorização do cônjuge.
  • Congelamento de sêmen: trata-se de uma técnica consolidada nos serviços de reprodução assistida para preservação da fertilidade masculina.
    Antes do congelamento, é necessário fazer alguns exames de sangue. Assim como os óvulos, não existe tempo limite para armazenamento das amostras seminais congeladas e estas amostras podem ser utilizadas/descartadas a qualquer momento, sem necessidade de autorização da parceira.
  • Congelamento de tecido ovariano e testicular: são técnicas experimentais que ainda necessitam de comprovação da eficácia. Por isto, não são realizados de rotina.
    O congelamento do tecido ovariano/testicular representa a única opção de preservar a fertilidade em crianças na fase pré-puberal ou em pacientes que tem poucos dias para iniciar a quimioterapia.
    Esta técnica consiste em retirar um pedaço do ovário ou testículo para realizar o congelamento. Após o tratamento oncológico, o fragmento pode ser descongelado e reimplantado no organismo.

Na figura abaixo estão representados as principais técnicas utilizadas na reprodução assistida para preservação da fertilidade de acordo com a fase da vida.

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Técnicas de Preservação da Fertilidade

Tenho câncer! Se eu decidir preservar a fertilidade, vou atrasar o início do meu tratamento oncológico?

A maior barreira para a preservação da fertilidade é a falta de encaminhamento em momento oportuno, antes do início do tratamento oncológico.
Ao se indicar o tratamento do câncer, a paciente tem algumas semanas (2 a 3) para se preparar para a quimioterapia/radioterapia, e, na maioria das vezes, este tempo é suficiente para a realização da estimulação dos ovários e captação dos óvulos sem atrasar de forma significativa o tratamento do câncer ou alterar as chances de cura.

Tive câncer e já fiz o tratamento! Como posso gerar um bebê?

Se você já passou por algum tratamento de câncer e deseja gerar um bebê, a primeira coisa a se fazer é uma consulta com um especialista em reprodução humana. Inicialmente, você será submetida a história clínica e a avaliação da sua fertilidade (reserva ovariana).

Com a informação do tipo de quimioterapia ou o local da radioterapia ou o tipo de cirurgia, bem como após a avaliação ultrassonográfica dos ovários e a checagem dos exames de sangue, o médico poderá verificar qual a melhor alternativa para você: 1) FIV com óvulos próprios; ou 2) FIV com óvulos de doadora anônima.

No caso dos homens, é importante o congelamento seminal antes do tratamento oncológico. Após um período livre da doença, é importante repetir o espermograma para verificar como está a produção de espermatozoides depois do tratamento do câncer. Alguns homens podem voltar a produzir espermatozoides depois de vencer a doença.

No caso das amostras congeladas, após o descongelamento é possível obter a gravidez através da inseminação artificial ou da FIV. Para isso, é importante avaliar a parceira e verificar a quantidade de espermatozoides antes e após o congelamento.

Se você está enfrentando a batalha contra o câncer, converse com seu oncologista e discuta sobre a possibilidade de realizar a preservação da fertilidade. Armazenar seus gametas pode reduzir sofrimento no futuro e oferece a possibilidade de você aumentar sua família. Para saber mais sobre assuntos relacionados a reprodução assistida, acompanhe nossos canais!

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Prof. Dr. Anderson Sanches de Melo

Médico especialista em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da HC FMRP-USP. CRM-SP 104.975
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