Estimulação ovariana controlada (EOC) – Entenda melhor!

Estimulação ovariana controlada (EOC) – Entenda melhor!

Estimulação ovariana controlada (EOC) – Entenda melhor!

O que é a Estimulação ovariana controlada – EOC?

Trata-se de uma etapa fundamental nos tratamentos de reprodução humana. A EOC é definida pelo uso de medicamentos hormonais para estimular o crescimento e amadurecimento dos folículos (estruturas ovarianas que abrigam os óvulos). O estímulo pode ser feito para qualquer tratamento da infertilidade: namoro programado, inseminação intrauterina e FIV (fertilização in vitro). A escolha da estimulação ovariana deve ser individualizada após a avaliação detalhada de alguns fatores como idade da mulher, causa da infertilidade, número de folículos, reserva ovariana (estimativa do potencial reprodutivo), experiência em tratamentos prévios, efeitos colaterais, padrão de resposta durante a EOC, experiência da clínica de reprodução humana, comodidade para a mulher, condições financeiras e desejo do casal, entre outros fatores.

Quais medicações podem ser utilizadas?

As medicações disponíveis atualmente agem controlando ou “imitando” a ação dos hormônios que regulam o ciclo menstrual. Para facilitar a compreensão, iremos apresentá-las de acordo com o uso (quadro 1).

1. Medicações para estimular o crescimento dos folículos

Estas medicações podem ser tanto orais quanto injetáveis, sendo que em alguns esquemas podem ser incluídos a associação das duas formas. As medicações orais são produzidas em laboratório e regulam a liberação das gonadotrofinas (FSH e LH) já produzidos pela glândula hipófise da mulher. Estas gonadotrofinas, por sua vez, estimularão o crescimento dos folículos ovarianos. Já as medicações injetáveis tem estrutura química semelhante às gonadotrofinas e o seu uso simula o efeito do FSH e LH (hormônios do ciclo menstrual) do próprio corpo. Esses hormônios podem ser obtidos através da purificação dos hormônios naturais de mulheres menopausadas (gonadotrofinas purificadas) ou produzidos em laboratório (gonadotrofinas recombinantes). As doses produzidas são variáveis de acordo com cada laboratório e existem medicações só com FSH, só com LH, ou a combinação destes dois hormônios em proporções específicas. Normalmente as injeções são de uso diário, porém existem medicações “de depósito”, que após a aplicação são liberadas no corpo e tem duração de até 7 dias.

2. Medicações para controlar a ovulação

Existem também medicações para inibir a ovulação (evitar que a mulher ovule antes de ter os óvulos coletados), e para induzir a ovulação (hormônios que estimulam o amadurecimento dos óvulos e os preparam para a punção ovariana ou para a ovulação espontânea, dependendo do tratamento). Este controle geralmente é feito com medicamentos injetáveis.

3. Medicações para o endométrio

Para o preparo do endométrio para receber a gestação, são utilizadas medicações que mimetizam a função do estrogênio (engrossar o endométrio – camada interna do útero) e/ou da progesterona (aumentar a produção de secreção das glândulas como fonte de energia para o futuro embrião) no ciclo menstrual. Essas medicações são muito variadas, podendo apresentar-se como adesivos, cremes, comprimidos de uso oral ou vaginal.

Como escolher a medicação ideal?

Dentre as classes de medicações apresentadas acima, existem diversas formas de uso, isoladamente ou em associação. De maneira geral, o tipo de medicação utilizada não interfere na taxa de nascimento de bebês, mas dependendo da dose inicial utilizada e do esquema proposto pode ocorrer menor número de óvulos captados e o casal necessitará recorrer a mais de uma estimulação para o nascimento do bebê. Por isto, a escolha do esquema mais adequado deve levar em consideração a segurança da mulher e a experiência da clínica de reprodução humana, sempre com o objetivo de promover o nascimento do bebê apenas com uma estimulação ovariana, seja através da transferência de embriões frescos ou congelados.

Para otimização da segurança devem ser respeitadas as indicações/contraindicações de cada medicação e a resposta ovariana deve ser adequadamente monitorada com retornos individualizados de acordo com a resposta ovariana, pois esta conduta torna possível a flexibilidade para ajustes do tipo e dose  dos medicamentos.

O uso de medicamentos descritos como de depósito deve ser criterioso, pois uma vez aplicada a medicação, não há como “retirar” o efeito da mesma do organismo. Por isto, a bula destes medicamentos contra-indicam o seu uso em mulheres  com  risco para hiperestímulo ovariano, como a síndrome dos ovários policísticos, contagem de folículos antrais acima de 20 ou ciclos prévios apresentando mais de 30 folículos acima de 10mm. Estes fatores devem ser pesquisados durante a consulta do casal e avaliação de exames prévios ao tratamento.

As medicações orais utilizadas durante o tratamento para estimulação ovariana tem como características a possibilidade de utilizar menores doses de gonadotrofinas (injeções) e trazer menos risco de hiperestímulo ovariano em alguns casos. Porém, seu uso também pode aumentar a taxa de cancelamento de ciclos e reduzir o número de óvulos captados. Portanto, a utilização de medicações orais para EOC não deve ser realizada de maneira generalizada, sem considerar as possíveis peculiaridades de cada caso.

Resumindo:

Diante da ampla disponibilidade de medicações e de diversos fatores que podem influenciar na escolha, alguns pontos são essenciais:

  • Experiência: é muito importante que a medicação seja amplamente conhecida no mercado e a eficácia do protocolo tenha sido testada cientificamente; além disto, o médico e a equipe devem estar engajados com o  manejo adequado de seu uso, respeitando as indicações e avaliando possíveis riscos;
  • Segurança: o esquema e a dose escolhidos não devem expor a mulher a risco de efeitos colaterais graves, como síndrome de hiperestímulo do ovário; por outro lado, o tipo de estimulação deve otimizar o potencial reprodutivo, oferecendo a possibilidade de se obter número adequado de embriões para o nascimento dos bebês apenas com uma estimulação.
  • Condição financeira: existe grande variabilidade de custos das medicações, de acordo com a dose, preparações, tipo de laboratório farmacêutico, entre outras particularidades. Este fator também deve ser levado em consideração para que o tratamento seja acessível ao casal sem interferir nos resultados esperados;
  • Respostas prévias: cada paciente tem um padrão de resposta a determinado estímulo. Mesmo mulheres de idades semelhantes podem ter respostas diferentes devido aos fatores relacionados a dificuldade para engravidar; medicações e doses semelhantes podem também podem promover resultados diferentes. Esta informação é de suma importância para a escolha das medicações em um novo ciclo de EOC.

O objetivo do tratamento é obter o nascimento de bebês com menor número possível de ciclos realizados. Por isso, a adequada estimulação ovariana é imprescindível para o sucesso do tratamento. Nós do CEFERP acreditamos que o melhor protocolo de estimulação é aquele utilizado de acordo com as necessidades de cada casal. Por isto, uma boa conversa com o especialista necessita incluir as necessidades e particularidades de cada cenário, trazendo mais segurança, satisfação e conforto em todas as etapas do tratamento para a busca do tão sonhado bebê!

Quadro 1

Tabela Medicamentos

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Dra. Camilla Vidal

Médica ginecologista com especialização em Reprodução Humana na HCFMRP – USP.
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