Histerossalpingografia: entenda mais sobre esse exame

Histerossalpingografia: entenda mais sobre esse exame

Histerossalpingografia: entenda mais sobre esse exame

Os constantes avanços da medicina moderna nos trazem cada vez mais benefícios no que diz respeito à prevenção e diagnóstico. A ampla gama de exames de imagem disponíveis atualmente no mercado permite que a análise dos profissionais seja cada vez mais precisa e acurada.

Frequentemente requisitada pelos médicos, a histerossalpingografia figura entre os principais exames de imagem utilizados para a análise das condições do útero e das tubas uterinas, também chamadas de trompas de Falópio. Pensando no assunto, separamos, a seguir, algumas das principais informações sobre esse exame. Confira!

O que é Histerossalpingografia?

A histerossalpingografia é uma das formas de avaliação do útero e da permeabilidade das trompas. As trompas consistem no ducto que interliga os ovários e o útero e, dessa maneira, tem papel fundamental no processo de reprodução humana.

Existem vários meios de avaliação das trompas e da cavidade uterina. Em todos, o princípio básico é a injeção de uma substância pelo colo do útero e observar se essa substância consegue passar pelas trompas e cair na cavidade abdominal. Esta avaliação de passagem pode ser feita através de ultrassonografia (histerossonografia), videolaparoscopia (cromotubagem) ou através de raios X – a histerossalpingografia.

Portanto, a histerossalpingografia é um exame que consiste em injetar contraste pelo colo do útero e tirar radiografias consecutivas da região pélvica, para que seja observado o trajeto que o contraste fará na cavidade uterina e trompas.

Como é realizado este exame?

Tudo se inicia como um exame ginecológico habitual. É necessário que a paciente fique em posição ginecológica, e é introduzido o espéculo (o mesmo aparelho usado para exame de rotina). Para a passagem do contraste, é necessário que seja identificado o colo do útero. Com a visualização do colo, passa-se uma sonda (cateter de plástico) através dele para injetar o contraste.

O contraste é uma substância química utilizada em diversos tipos de exames. Essa substância permite uma maior definição da imagem obtida, permitindo, assim, ao profissional uma análise mais acurada.

A partir da introdução do contraste, é possível que o profissional avalie alterações na forma do útero e das trompas. Além disso, é possível avaliar a possibilidade da presença de aderências, dilatações ou mesmo obstruções nessas estruturas.

Como o exame consiste em manipular o útero e a cavidade uterina, existe uma fase do ciclo menstrual mais apropriada para sua realização, que é alguns dias após a menstruação. Desta forma, o médico tem segurança que não houve atraso menstrual e risco de gravidez.

A escolha da histerossalpingografia é bastante frequente entre os ginecologistas, uma vez que esse procedimento apresenta pouquíssimas chances de complicações e tem uma confiabilidade bastante relevante. Além disso, o procedimento é também menos invasivo do que um exame por laparoscopia, por exemplo, que consiste em uma cirurgia  realizada por vídeo e que, portanto, é mais invasiva e necessita de anestesia.

A Histerossalpingografia dói?

Infelizmente, o exame de histerossalpingografia pode provocar desconforto e até mesmo um pouco de dor na paciente. Esse desconforto se justifica pela necessidade de introdução dos instrumentos essenciais para a realização do exame, como o espéculo utilizado para fazer o exame ginecológico.

Além disso, durante a injeção do contraste no útero, é comum que as pacientes também possam ter sensações desagradáveis. Dessa forma, a passagem da cânula pelo colo uterino e toda a manipulação feita pelo profissional pode estimular contrações uterinas, que por sua vez acabam por gerar cólicas.

Logo, é possível dizer que a histerossalpingografia é um exame que pode causar desconforto ou dor na paciente. É importante frisar que o limiar de dor varia em cada pessoa, portanto algumas podem sentir mais incômodo e outras tolerarem bem o exame. Por outro lado, esse é um exame que normalmente é de rápida realização, o que pode trazer alívio nos casos em que o procedimento for requisitado.

Saiba para quem este exame é indicado

A histerossalpingografia é indicada para mulheres que apresentam dificuldades para engravidar. Após uma análise médica da saúde reprodutiva do casal, um dos fatores a serem investigados será a avaliação das condições do útero e das trompas da mulher.

Entretanto, em algumas situações, este exame pode não ser necessário na avaliação inicial. Para casos em que, devido a outros fatores, haja a indicação de realizar tratamentos de alta complexidade (como a fertilização in vitro) — caso o parceiro tenha feito vasectomia, por exemplo, não haverá necessidade da realização da histerossalpingografia.

Vale citar que, como a função das trompas é permitir o encontro do óvulo com o espermatozoide, e nos tratamentos de alta complexidade este encontro é realizado em laboratório (por meio da SUPER ICSI), a FIV “substitui” a função das trompas nestes casos. De maneira resumida, a FIV ou fertilização in vitro consiste em um procedimento laboratorial de fertilização fora do organismo humano e uma posterior implantação do embrião no útero.

Além da função primordial da histerossalpingografia de descrever a permeabilidade das trompas, é possível ainda obter informações valiosas a respeito da cavidade uterina (como suspeita de malformações uterinas, miomas no interior da cavidade, etc). É possível ainda avaliar a forma das trompas (presença de dilatação ou outras alterações) a fim de guiar o médico na escolha do melhor tratamento para o casal.

A Histerossalpingografia ajuda a engravidar?

É bastante frequente que pacientes procurem a realização da histerossalpingografia com o objetivo de desobstrução das trompas, buscando, assim, a ampliação das chances de sucesso para engravidar. Contudo não há nenhuma evidência científica que leve a crer que esse exame deva ser feito com esse propósito terapêutico.

É importante ressaltar que o contraste auxilia na identificação de alterações, dilatações ou obstruções que possam impedir ou dificultar os processos de gravidez. Porém não se pode afirmar que a passagem do contraste por aquela região possa desencadear algum efeito que possibilite a correção de qualquer processo que esteja impedindo a passagem pelas trompas de Falópio.

Assim, não havendo outras suspeitas por parte do profissional que justifique a realização do exame, não é obrigatório que a paciente seja submetida à histerossalpingografia.

Tirou suas dúvidas sobre a histerossalpingografia? Entre em contato com o CEFERP e agende sua consulta!

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Dra. Camilla Vidal

Médica ginecologista com especialização em Reprodução Humana na HCFMRP – USP. CRM-SP 164.436
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