Dúvidas sobre banco de sêmen? Entenda o que é e como funciona!

Dúvidas sobre banco de sêmen? Entenda o que é e como funciona!

Dúvidas sobre banco de sêmen? Entenda o que é e como funciona!

As dificuldades de fertilidade dos casais ainda são um tema sensível na sociedade. Mas, quando se trata da infertilidade masculina, temos um verdadeiro tabu. Talvez, por isso, Bancos de Sêmen sejam um assunto ainda pouco discutido no Brasil.

No entanto, esse serviço pode oferecer esperanças para casais heterossexuais que não conseguem engravidar de forma natural e também para casais homoafetivos femininos, bem como para mulheres solteiras com o desejo de serem mães (a chamada “produção independente”).

Neste post, vamos explicar tudo sobre o assunto e esclarecer as principais dúvidas. Boa leitura!

O que é o banco de sêmen?

Assim como em um banco de sangue, em um banco de sêmen ficam guardadas amostras de material biológico coletado de doadores voluntários. Lá, o sêmen fica armazenado em tanques de nitrogênio líquido a uma temperatura de -196°C e tem validade de até 30 anos para ser doado.

Esse serviço é muito utilizado por casais heterossexuais cujo homem tem alguma infertilidade que lhe impeça de utilizar seu próprio espermatozoide para fecundar o óvulo da parceira. E, cada vez mais, os bancos de sêmen têm sido procurados também por mulheres solteiras que desejam carregar uma gestação e por casais homoafetivos de mulheres.

Como é feita a escolha dos doadores?

Há uma escolha em duas etapas desses doadores de sêmen. A primeira delas é quando o homem decide ir até ao banco de sêmen e oferecer-se para fazer parte do cadastro de doadores. Esse homem precisa, de acordo com a nossa legislação, ser um voluntário e não receber nada pela doação.

Além disso, ele precisa ter entre 18 e 50 anos, ser saudável e não pertencer a nenhum grupo de risco para DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). O doador também não pode ser portador de doenças genéticas ou ter patologias congênitas potencialmente graves na família.

Ele é submetido a uma série de testes para a doação, como espermograma e exames sorológicos, por exemplo. A amostra fica armazenada por seis meses — tempo da janela para a manifestação de algumas doenças — e, só então, entra para o catálogo do banco.

Depois vem a segunda parte dessa escolha, que fica a cargo das famílias. Essas elegem seu doador a partir de uma tabela em que são disponibilizados dados como profissão, altura, peso, idade, cor de cabelos, pele, olhos, hobbies, dentro outros, para cada doador disponível.

Nos bancos de sêmen dos Estados Unidos, de onde também é possível escolher um doador para tratamento aqui no Brasil, as famílias têm ainda mais informações disponíveis. Lá, dependendo do valor a ser pago na compra do sêmen, é possível ter acesso à fotos do doador quando criança e até ouvir gravações da sua voz.

Quando a paciente decide utilizar sêmen de doador, a clínica entrega a lista do Banco de Sêmen escolhido com os doadores possíveis, observando questões de compatibilidade sanguínea, para que não haja problemas na futura gestação. A partir daí, todas as decisões são da família.

No Brasil, não é permitido que as pessoas comprem o sêmen e peçam para o material ser entregue em sua residência ou em outro local de preferência. Apenas clínicas aprovadas pela ANVISA como BCTGs (Bancos de Células e Tecidos Germinativos) têm a autorização para solicitar e receber amostras.

Qual a legislação sobre o tema?

O Brasil não tem uma legislação específica para a ovodoação, nem para a doação de sêmen. Assim, as regras seguidas são as que estabelece a Resolução n° 2.013/2013, do CFM (Conselho Federal de Medicina). O documento determina as regras gerais para a reprodução assistida no país.

Acerca da doação de gametas, o CFM estabelece que as doações devem ser voluntárias e nunca podem ter caráter lucrativo ou comercial. Ou seja, o doador não pode ser pago pela doação — ao contrário dos Estados Unidos, onde os doadores recebem uma remuneração pela amostra.

A resolução também determina que a clínica que realiza os procedimentos de reprodução assistida deve manter absoluto sigilo quanto às identidades, tanto do doador quanto da família que recebeu a doação. Isso evita questões futuras de reconhecimento de paternidade e outras situações delicadas. As clínicas também são obrigadas a manter um registro permanente de dados clínicos gerais dos doadores.

Outra exigência da resolução do CFM é que cada doador só possa produzir duas gestações de crianças de sexos diferentes em uma mesma região. Ou seja, um doador só pode ser pai biológico de um menino e uma menina de gestações diferentes em uma mesma área de um milhão de habitantes.

Isso evita um futuro casamento consanguíneo de irmãos biológicos que não se conhecem e não sabem quem é o pai biológico.

Como é o tratamento com o sêmen doado?

O doador e a receptora nunca se encontram, em nenhuma etapa do processo. Isso significa que a fertilização é realizada em laboratório, por meio de tratamentos de reprodução assistida. Aqui, há duas possibilidades: a inseminação intrauterina e a FIV (fertilização in vitro), que é a mais comum.

Na FIV, a mulher passa por todo o processo de estimulação ovariana, ao fim do qual são coletados os seus óvulos. Depois, em laboratório, esses óvulos são fecundados com os espermatozoides do doador. Se tudo corre como esperado, há a fecundação e a formação de embriões. Na data certa, eles são implantados no útero da mulher, que vai carregar sua gestação normalmente.

Em alguns casos, a família faz uma reserva de outros espermatozoides do mesmo doador, caso queiram aumentar a família mais uma vez no futuro. Nessas situações, o processo é idêntico ao da primeira gravidez: tudo feito por fertilização in vitro.

Quando recorrer ao banco de sêmen?

Mulheres solteiras e casais homoafetivos femininos podem recorrer ao banco de sêmen todas as vezes que desejarem ter uma gestação. Além de ser um procedimento mais seguro e que permite às futuras mães mais autonomia na decisão, a utilização de sêmen do banco evita situações mais delicadas e complicadas no futuro.

Já no caso de casais heterossexuais, eles podem recorrer ao banco se o parceiro tiver um problema de fertilidade que cause a azoospermia (ausência de espermatozoides). Pesquisas indicam que, em 50% dos casos em que um casal heterossexual tem dificuldades para engravidar, há um problema fisiológico com o homem.

Apesar de ainda ser um enorme tabu em nossa sociedade, não ser capaz de gerar um filho biológico não é, em absoluto, um demérito para o homem. Há vários problemas de saúde e condições que afetam a fertilidade, e isso não deve ser motivo para vergonha.

A ciência evoluiu e as técnicas médicas evoluíram junto. Todos esses avanços — incluindo o banco de sêmen — e tratamentos para engravidar possibilitam que milhares de pessoas possam realizar, todos os anos, o sonho de ter uma gestação e criar seus filhos.

Quer saber ainda mais sobre os processos da reprodução assistida? Entre em contato conosco! Ficaremos satisfeitos em esclarecer todas as suas dúvidas!

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Mariana Rufato

Bióloga Gerente de Controle de Qualidade do CEFERP
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