Reversão da vasectomia e FIV: quais os prós e contras de cada um?

Reversão da vasectomia e FIV: quais os prós e contras de cada um?

Reversão da vasectomia e FIV: quais os prós e contras de cada um?

A cada 100 homens que optam pela esterilização definitiva, cerca de 8 buscam a reversão da vasectomia após alguns anos.

A maioria dos casos ocorre em função de um novo casamento, porém, há casais que decidem engravidar novamente, algumas vezes em decorrência de doença ou morte de um filho. Principalmente nessas situações, há que se avaliar outras opções, muito em função da fertilidade da mulher, diretamente relacionada à idade.

Fertilização in vitro (FIV) surge como uma alternativa à cirurgia de reversão, sendo especialmente indicada quando já se passaram muitos anos da cirurgia ou quando há outros problemas de fertilidade implicados.
Pensando nisso, preparamos este post elencando os prós e contras de cada método. Acompanhe!

Como é realizada a reversão da vasectomia?

Embora a vasectomia seja considerada um método contraceptivo masculino definitivo, a sua reversão cirúrgica é possível.
A vasectomia em si consiste em impedir a passagem dos espermatozoides, por meio de um corte e obstrução dos canais deferentes, interrompendo a via de condução. Dessa maneira, a produção de gametas é mantida intacta, porém, eles não chegam até o sêmen e por isso não estão presentes na ejaculação, o que é chamado de azoospermia.

A reversão da vasectomia pode ser feita por meio de uma técnica microcirúrgica, realizada com o auxílio de um microscópio. Durante o procedimento, é realizada uma pequena incisão (corte) no saco escrotal e há a recanalização dos ductos deferentes, ou seja, suas pontas são suturadas (“costuradas”) com pinças delicadas e fios cirúrgicos finos, restabelecendo a passagem.

O que é Fertilização in vitro (FIV)?

Trata-se de uma técnica de reprodução assistida em que óvulos e espermatozoides são manipulados em laboratório para a realização da fertilização fora do corpo da mulher. Um tratamento que auxilia casais com diversos problemas de fertilidade a terem filhos, podendo ser indicado também em casos de vasectomia.

É uma possibilidade mesmo para pacientes que fizeram a vasectomia, pois, como mencionado anteriormente, a cirurgia não afeta a produção de espermatozoides, que podem ser obtidos diretamente dos testículos (TESA) ou dos epidídimos (PESA), e utilizados na FIV.

O procedimento de fertilização in vitro é realizado em algumas etapas. Inicialmente, a mulher é submetida à estimulação ovariana controlada por meio de medicações, favorecendo o crescimento e amadurecimento dos folículos. Após a indução da ovulação (no final da estimulação ovariana), é realizada a coleta dos óvulos.

Nem sempre é necessário que a coleta dos espermatozoides seja realizada simultaneamente à coleta dos óvulos. Pode ser realizado o procedimento masculino ou feminino primeiro, com congelamento dos gametas obtidos, para posterior uso quando forem obtidos os óvulos ou espermatozoides do parceiro(a).

A fertilização é realizada por meio de uma injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI) — um único gameta selecionado é introduzido diretamente dentro do óvulo, aumentando as chances de fecundação. Cerca de 16 a 24h após o procedimento, a fertilização pode ser confirmada. O próximo passo é a transferência dos embriões para o útero materno, que pode ser realizada alguns dias após a coleta de óvulos ou após o preparo do útero com medicações específicas, iniciadas na menstruação.

Quais as vantagens e desvantagens de cada procedimento?

Tratam-se de duas soluções distintas para a recuperação da fertilidade, no entanto, cada qual com suas particularidades, ambas apresentam vantagens e desvantagens, como falaremos a seguir.

Chances de sucesso

A taxa de sucesso da reversão da vasectomia está diretamente relacionada com o tempo de realização da cirurgia. Isso acontece em função do processo de fibrose (formação de cicatriz) que ocorre ao longo dos anos, podendo criar obstruções nos canais, logo abaixo de onde foi feita a ligação.

Antes dos cinco anos, as chances de obter espermatozoides da ejaculação podem chegar a 80%, depois desse período, caem para cerca de 50%, chegando a 30 a 40%, decorridos mais do que 10 anos. Há que se considerar ainda, a probabilidade que ocorra gravidez natural após a reversão, que é de cerca de 30%. Esse fato se deve a outros fatores, como a idade do homem, e principalmente, da mulher.

Após 45 dias, um espermograma já pode ser realizado para a avaliação quantitativa e qualitativa dos gametas, no entanto, o tempo médio para o esperma ser viável novamente varia de 6 a 12 meses. E a gravidez natural pode demorar de 12 a 18 meses da cirurgia, sem que signifique problemas de fertilidade.

Já a FIV tem uma taxa de sucesso em torno de 45%, variando bastante em função da idade da mulher e outros fatores que possam interferir na fertilidade. Após os 35 anos, esse número começa a decrescer. Além disso, as chances aumentam com a repetição de ciclos de fertilização (as taxas de sucesso são cumulativas), podendo chegar a 80% para mulheres de 35 anos, após 3 ciclos.

Nível de invasão

Embora seja pouco invasiva, a reversão da vasectomia consiste em uma pequena cirurgia e, com isso, tem os riscos envolvidos nesse tipo de procedimento. A operação é pouco complexa e costuma durar menos de uma hora.

A alta costuma ocorrer no mesmo dia, porém a recuperação demora cerca de 10 dias, com repouso nos três primeiros. A relação sexual e a ejaculação não são recomendadas antes de 45 dias, para a cicatrização da sutura. São prescritos medicamentos para aliviar a dor e evitar infecções.

Quanto à punção para obtenção dos espermatozoides, o procedimento é realizado com uma agulha muito fina — portanto, sem nenhuma incisão —, diferentemente da reversão. Além disso, ele é feito sob leve sedação, para amenizar a dor.

Já a FIV é um procedimento minimamente invasivo, todo ele ambulatorial, sendo utilizada sedação apenas para a etapa de coleta de óvulos — para conforto da mulher.

Riscos envolvidos

A princípio não há contraindicação para a reversão, no entanto, ela pode ser desencorajada quando a vasectomia foi feita há muitos anos. Existem ainda alguns casos, em que a cirurgia inclui a cauterização dos canais deferentes, nesse caso a reversão é ainda mais difícil.

Quanto aos riscos, além daqueles inerentes a qualquer cirurgia, podemos citar as infecções pós operatórias.

No caso da FIV, os riscos para a mulher são pouco frequentes, entre eles podemos citar a Síndrome da Hiperestimulação Ovariana e a gestação múltipla, por exemplo, sendo alguns deles evitáveis de acordo com os protocolos adotados. Para o homem, o procedimento para obtenção de espermatozoides para uso na FIV também costuma ser simples, alguns riscos podem ser formação de hematomas, infecções e dor pós operatória. Os sintomas podem depender do nível de complexidade do procedimento realizado.

Para quem é indicado cada um dos tratamentos?

O método mais adequado para a reversão da esterilidade masculina em decorrência de vasectomia vai depender, principalmente, de dois fatores, o tempo de realização da cirurgia e a idade da parceira.

No entanto, são muitas as variáveis que devem ser consideradas aqui, devendo ser realizados exames para a avaliar a fertilidade feminina. Além disso, caso o homem tenha mais de 50-55 anos, há uma provável queda na produção de espermatozoides inerente à idade.

De toda forma, é necessário analisar caso a caso, para escolher a solução mais adequada. Entretanto, seja para realizar a cirurgia de reversão da vasectomia ou o tratamento de Fertilização in vitro, é fundamental procurar uma clínica de confiança, com profissionais especializados e competentes, para a obtenção dos melhores resultados.

Se você quer mais informações sobre tratamentos em casos de vasectomia, entre em contato conosco e faça um agendamento.

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Dra. Camilla Vidal

Médica ginecologista com especialização em Reprodução Humana na HCFMRP – USP. CRM-SP 164.436
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