A FIV aumenta as chances de engravidar de gêmeos?

A FIV aumenta as chances de engravidar de gêmeos?

A FIV aumenta as chances de engravidar de gêmeos?

Quem não se lembra dos trigêmeos de William Bonner e Fátima Bernardes? E o nascimento das gêmeas de Ivete Sangalo? Esses e outros famosos necessitaram recorrer à Fertilização In Vitro (FIV) para engravidar.

Felizmente, a evolução da medicina permitiu que o sonho de ter um bebê fosse alcançado por meio da reprodução assistida. Com isso, a gravidez de gêmeos (cenário raro em gestações espontâneas) passou a ser mais frequente após a FIV.

Para alguns casais, logo surge medo e preocupação, mas para outros a gestação gemelar pode, até mesmo, ser um sonho cercado de glamour.

De um lado, esse medo pode ser precipitado, pois existem medidas para reduzir o risco de gestação gemelar na FIV. De outro lado, engravidar de gêmeos pode estar associado a algumas complicações durante a gestação, o parto e após o nascimento. Quer saber mais informações sobre a relação entre FIV e gemelaridade? Então, acompanhe este texto!

O que é a FIV?

Antigamente, o método de Fertilização In Vitro (FIV) era conhecido como bebê de proveta. Foi usado pela primeira vez na Inglaterra em 1978 e trazido para o Brasil em 1983. Nessa técnica, os gametas feminino (óvulo) e masculino (espermatozoide) são unidos em laboratório para a criação de embriões.

Os embriões se desenvolvem durante alguns dias no laboratório para então serem transferidos para o útero da mulher.

Qual o risco de gestação gemelar na FIV?

Vários fatores podem interferir no sucesso da FIV. A chance de implantação do embrião para resultar em uma gravidez depende da qualidade dos óvulos, espermatozoides e embriões, das características do endométrio, da interação entre endométrio/embrião(ões), entre outros fatores. Se todas as etapas forem realizadas e obtidas com qualidade, a redução do número de embriões transferidos não altera significativamente a chance de gravidez.

A Red LARA (Rede Latino Americana de Reprodução Assistida) recomenda que a taxa de gestação gemelar dos centros de reprodução assistida não deve ultrapassar 20% e de gestações trigemelares não deve ser maior do que 1%.

Entretanto, os dados mais recentes publicados pela Red LARA demonstraram que, em 2014, a taxa de gêmeos foi de 35,2% e de trigêmeos foi de 2,2% em toda a América Latina. Por isso, tal sociedade faz um alerta para reduzir o número de embriões a serem transferidos simultaneamente.

Em 2018, a Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (European Society of Human Reproduction and Embryology — ESHRE) publicou em uma renomada revista científica (Human Reproduction) que a taxa de gestação gemelar foi de 17% e de trigemelar foi de 0,5%, registrando a tendência de redução de gravidez de gêmeos pela diminuição do número de embriões transferidos.

Nos EUA, houve redução de 53,1% para 35,3% de gestações gemelares entre 2000 e 2015 e de 8,9% para 1,4% de gestações trigemelares no mesmo período, indicando o reflexo da redução do número de embriões transferidos por ciclo de reprodução assistida.

A probabilidade de gravidez gemelar em função do número de embriões transferidos é a seguinte:

  • 1 embrião — 2 a 5% (gêmeos idênticos);
  • 2 embriões — 20 a 30%;
  • 3 embriões — 21 a 33%;
  • 4 embriões — 21 a 39%.

Existe alguma recomendação para reduzir o risco de gestação gemelar na FIV?

Nos primeiros ciclos de FIV realizados no mundo, vários embriões eram transferidos para o útero com o objetivo de aumentar as chances de gestação. Entretanto, a taxa de gravidez gemelar e suas possíveis complicações eram elevadas em casais submetidos à FIV.

Com o objetivo de reduzir os riscos da gestação múltipla tanto para o(s) bebê(s) quanto para as futuras mamães, há recomendação mundial para diminuir o número de embriões a serem transferidos.

Seguindo essas tendências, desde 2010 (com atualização em novembro de 2017), o Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda a transferência de número predefinido de embriões de acordo com a idade da mulher. Observe no quadro 1 a recomendação do CFM.

Quadro 1: Número máximo de embriões a serem transferidos de acordo com a idade da mulher conforme autorização do Conselho Federal de Medicina.
Quantidade de embriões transferidos

A decisão sobre a quantidade de embriões que serão transferidos deve ser feita pelo casal em conjunto com seu médico, seguindo sempre a quantidade máxima permitida pelo CFM e levando em consideração fatores como quantidade de embriões formados, tentativas anteriores, desejo (ou não) de gestação gemelar, possíveis complicações, idade da mulher etc.

Nos casos de receptoras de óvulos doados, considera-se a idade da doadora (sempre abaixo de 35 anos). Por isso, a recomendação é de transferir até 2 embriões.

Além da transferência de mais de um embrião, existe algum outro procedimento na FIV que pode aumentar o risco da gestação gemelar?

Durante o desenvolvimento, todos os embriões passam por um estágio denominado “hatching” (eclosão), que ocorre na fase de blastocisto (quinto dia do desenvolvimento do embrião). Para eclodirem, os embriões devem se expandir e romper sua membrana externa (denominada zona pelúcida) para implantação na cavidade uterina.

Quando um embrião não eclode, é possível realizar o “hatching assisted” antes da transferência por meio de uma ponteira a laser. Nesses casos, tal procedimento pode aumentar o risco de gestação monozigótica (placenta única com dois bebês idênticos).

Quais são os riscos de uma gravidez de gêmeos?

A gestação gemelar pode ocasionar riscos tanto para os bebês quanto para as mamães. Entre outras, as possíveis complicações mais frequentes são as que seguem.

Para as mamães:

  • abortamento;
  • parto prematuro — a média de idade gestacional é de 36 semanas para gestação gemelar e de 28 a 33 semanas no caso da trigemelar ou mais fetos;
  • síndrome hipertensiva na gestação (aumento da pressão arterial);
  • diabetes gestacional;
  • hemorragia pós-parto;
  • descolamento prematuro da placenta;
  • ruptura de membranas;
  • anemia;
  • parto cesárea.

Para os bebês:

  • prematuridade (37,1%);
  • necessidade de cuidados em unidade de terapia intensiva — UTI neonatal — (23,6 a 29,3%);
  • baixo peso ao nascer (53,2% a 63,1%);
  • complicações respiratórias;
  • paralisia cerebral;
  • morte fetal (3,5 a 5,2%).

De qualquer forma, um pré-natal com cuidado e atenção pode minimizar riscos com a ajuda de uma equipe profissional. O mais importante é conversar com o seu médico, tirar todas as dúvidas e seguir o caminho mais indicado para realizar o sonho de ter um bebê.

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Referências:

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  • De Geyter C, Calhaz-Jorge C, Kupka MS, Wyns C, Mocanu E, Motrenko T, Scaravelli G, Smeenk J, Vidakovic S, Goossens V; European IVF-monitoring Consortium (EIM) for the European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE). ART in Europe, 2014: results generated from European registries by ESHRE: The European IVF-monitoring Consortium (EIM) for the European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE). Hum Reprod. 2018;33(9):1586-1601.
  • Heikkilä K, Van Beijsterveldt CEM, Haukka J, Iivanainen M, Saari-Kemppainen A, Silventoinen K, Boomsma DI, Yokoyama Y, Vuoksimaa E. Triplets, birthweight, and handedness. Proc Natl Acad Sci U S A. 2018;115(23):6076-6081.
  • Santana DS, Silveira C, Costa ML, Souza RT, Surita FG, Souza JP, Mazhar SB3, Jayaratne K, Qureshi Z, Sousa MH, Vogel JP, Cecatti JG; WHO Multi-Country Survey on Maternal and Newborn Health Research Network. Perinatal outcomes in twin pregnancies complicated by maternal morbidity: evidence from the WHO Multicountry Survey on Maternal and Newborn Health. BMC Pregnancy Childbirth. 2018;18(1):449.
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  • Zegers-Hochschild F, Schwarze JE, Crosby JA, Musri C, Urbina MT. Assisted reproductive techniques in Latin America: The Latin American Registry, 2014. JBRA Assist Reprod. 2017;21(3):164-175.
mm

Prof. Dr. Anderson Sanches de Melo

Médico especialista em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da HC FMRP-USP. CRM-SP 104.975
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Comentários (2)

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    Cirlene

    |

    Quanto custa fertilização invitro de ovodoaçao?

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      adminceferp

      |

      Oi Cirlene,
      Obrigado pelo seu comentário. Para valores e condições de pagamento é preciso passar por uma consulta com o médico especialista.
      Caso queira agendar uma consulta com nossos especialistas, seguem nossos contatos:
      (16) 99302-5532 (WhatsApp)
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      (16) 3877-7784
      [email protected]

      Atenciosamente,

      Equipe CEFERP – Centro de Fertilidade de Ribeirão Preto

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