Transferência de embriões: a fresco ou congelado?

Transferência de embriões: a fresco ou congelado?

Transferência de embriões: a fresco ou congelado?

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A transferência embrionária é a etapa final e uma das mais importantes do tratamento de reprodução assistida. 

 

Graças aos avanços constantes na área da medicina reprodutiva, por meio de pesquisas e o desenvolvimento de tecnologias, atualmente há a possibilidade de realizar a transferência de embriões frescos ou congelados. 

 

Você deve estar se perguntando qual a melhor opção na transferência entre embrião congelado ou embrião a fresco, não é mesmo? Nesse artigo vamos responder essa e outras dúvidas a respeito do tema. Boa leitura! 

Como funciona a transferência de embrião a fresco e congelado? 

 

A fertilização in vitro (FIV) é uma técnica bastante avançada de reprodução assistida que permite a realização do sonho de muitos casais com problemas de fertilidade de gerar um filho biológico. 

 

Na FIV, toda a fase de formação do embrião é realizada em laboratório, após a união dos gametas femininos (óvulos) e masculinos (espermatozoides). 

 

Este encontro para a fertilização pode ser realizado a partir de três métodos: o clássico, em que os óvulos e espermatozoides ficam em uma placa aquecida, e a fecundação ocorre naturalmente, ou por meio de uma injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), onde os espermatozoides são injetados no interior do óvulo por meio de uma agulha muito delicada. Outro método é a técnica super ICSI ou ICSI magnificada, onde é utilizado um equipamento que permite melhor visualização dos espermatozoides.  

 

Após o encontro do óvulo com o espermatozoide e de ter havido a fertilização, o embrião se mantém em cultivo no laboratório, podendo esta fase durar até 7 dias. Até este período, deve-se definir o destino dos embriões: transferência a fresco ou congelamento. Importante ressaltar que antes desta etapa também pode ser decidido transferir ou congelar os embriões, a depender de cada caso.

 

O termo transferência a fresco se refere ao fato de o embrião ser formado e logo transferido ao útero após poucos dias. Já a transferência de embrião congelado se refere àqueles que após o processo de fertilização passaram pelo congelamento, processo chamado de vitrificação, e armazenamento em botijões de nitrogênio líquido. 

 

Qual alternativa é a melhor?

 

No passado, as taxas de sucesso eram melhores para embriões a fresco do que congelados. Isso se devia ao fato do processo de congelamento e descongelamento envolver taxas mais altas de perdas dos embriões. Atualmente, com o avanço das tecnologias em reprodução e principalmente da vitrificação, a segurança no processo de congelamento e descongelamento aumentou consideravelmente. Dessa forma, as taxas de sucesso comparando-se transferências a fresco ou congelado são semelhantes, fazendo-se necessária a avaliação do contexto geral do tratamento para definição da melhor estratégia a ser seguida.

 

Em ambos os casos, a transferência é indolor e tranquila, sendo realizada por um médico especialista, com o auxílio de uma ultrassonografia pélvica. Também é preciso estar com a bexiga urinária cheia durante o procedimento. Portanto, podemos perceber que a técnica de transferência embrionária em si é a mesma, independentemente de se tratarem de embriões frescos ou congelados.

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Quando é recomendado o congelamento dos embriões? 

 

Uma das etapas do tratamento de reprodução humana é a estimulação ovariana, feita por meio de medicamentos hormonais com a finalidade de induzir o corpo a amadurecer um número maior de óvulos, para que possam ser coletados e em seguida fertilizados na FIV. 

 

Nessa fase de estímulo ovariano, algumas mulheres podem apresentar uma resposta exagerada às medicações, a chamada síndrome da hiperestimulação ovariana (SHO). Devido ao alto nível de hormônios circulando no corpo nestes casos, a transferência de embriões a fresco pode ser prejudicial para o processo de implantação bem como trazer riscos de piora do quadro de hiperestímulo no início da gravidez. 

 

Logo, quando há riscos que essa síndrome se desenvolva é recomendado realizar o congelamento dos embriões, garantindo assim a segurança da paciente e melhores chances de sucesso no tratamento. 

 

Em um caso como este, é necessário aguardar o próximo ciclo menstrual da mulher e, portanto, congelar os embriões após sua formação para que possam aguardar o momento mais oportuno para a transferência. 

 

Existem outros motivos que podem levar à indicação de congelar os embriões. Um deles é a análise genética embrionária, ou seja, quando é indicada a realização de biópsia no embrião para compreender melhor sua carga genética.

 

Nesse caso, após 5 a 7 dias de desenvolvimento do embrião, no estágio de blastocisto, é feita a biópsia a partir da retirada de algumas células para serem encaminhadas ao laboratório de genética. Geralmente, após a biópsia os embriões são congelados para que aguardem o resultado da análise genética e programação de transferência em seguida.

 

Outra situação onde pode ser indicado o congelamento de óvulos ou de embriões é a preservação da fertilidade, pois sabemos que a idade exerce fator importante nas chances de sucesso da gestação, principalmente no caso das mulheres. Por isso, caso não haja programação de gestação até os 35 anos ou caso existam fatores que sabidamente possam impactar na reserva ovariana (necessidade de cirurgia ovariana, por exemplo), é importante considerar técnicas de preservação da fertilidade. O congelamento de embriões pode ser a opção para mulheres que pensem em produção independente no futuro, visto que podem ser utilizados espermatozoides de doador anônimo, ou também para casais com relacionamento estável que desejem preservar a fertilidade de forma conjunta. 

 

Como pudemos observar, muitos fatores devem ser levados em consideração na decisão por transferência a fresco ou congelado. Importante destacar que a transferência de embriões congelados é uma técnica muito segura, inclusive pelo fato de que o congelamento por si ou o tempo de manutenção do embrião congelado não interferem diretamente na qualidade do embrião ou em suas chances de sucesso.  

 

Tendo em vista que as taxas de sucesso de embriões a fresco ou congelados são semelhantes, as duas são opções possíveis no tratamento de reprodução humana e devem ser discutidas em conjunto entre o casal e o médico especialista, considerando-se todas as particularidades, a fim de ter um tratamento mais seguro e tranquilo. 

 

Esclarecemos todas as dúvidas a respeito de embrião congelado ou a fresco? Assine a nossa newsletter e receba mais conteúdos direto na sua caixa de e-mail! 

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Dra. Camilla Vidal

Médica ginecologista com especialização em Reprodução Humana na HCFMRP – USP. CRM-SP 164.436
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