Transferência de embriões: a fresco ou congelado?

Transferência de embriões: a fresco ou congelado?

Transferência de embriões: a fresco ou congelado?

Sonhar Juntos

A transferência de embriões é uma das mais importantes etapas da fertilização in vitro (FIV). Muitas pesquisas e inovações científicas foram e continuam sendo desenvolvidas na área de reprodução humana assistida, com o objetivo de atingir maiores taxas de sucesso. Dentre estes avanços, encontra-se a possibilidade de congelamento de embriões para transferência em um ciclo subsequente. Portanto, atualmente é possível que o processo de transferência de embriões ocorra de duas formas: a fresco ou após o congelamento e posterior descongelamento.

Diante deste tema, iremos apresentar nesse texto, informações de cada tipo de transferência, para que seja possível compreender melhor como elas funcionam, suas principais indicações e diferenças.

Transferência de embriões: cuidados e critérios

A transferência dos embriões é a última etapa da FIV. Antes de falarmos sobre as diferenças entre a fresco e congelado, é importante frisar que a transferência é uma etapa crucial para o sucesso da FIV, portanto, deve ser realizada levando em consideração diversos cuidados e critérios para garantir maiores chances de gravidez e a diminuição dos riscos de complicações e gestações múltiplas.

Por isso, o Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece uma quantidade máxima de embriões que podem ser transferidos para o útero da paciente, independentemente se a fresco ou congelado. Essa definição varia de acordo com a faixa etária de cada mulher. Quem tem até 35 anos pode receber, no máximo, dois embriões. Entre 35 e 40 anos, o número máximo é de três embriões, enquanto a partir dos 40 anos, é permitido transferir até quatro embriões por tentativa.

Como é realizada a transferência

A etapa da transferência embrionária geralmente é tranquila e indolor. O procedimento é feito com a bexiga urinária cheia. Isso porque como o útero fica abaixo da bexiga, o líquido facilita a propagação de som no órgão e ajuda o médico a visualizar as estruturas no ultrassom. Em alguns casos, o líquido também ajuda a passagem do cateter para a transferência, através da retificação do útero.

O procedimento é realizado por um médico especialista, com o auxílio de ultrassonografia pélvica. Os embriões saem do laboratório em um cateter que o especialista introduz no orifício externo do colo uterino e são depositados no endométrio delicadamente, com o menor trauma possível.

Depois deste processo, o cateter é devolvido para o laboratório, que avalia se nenhum embrião permaneceu no sistema utilizado, assegurando que todos foram depositados no útero.

Após o término do procedimento, é recomendável aguardar até 14 dias para realizar o exame de sangue (beta-hCG) para confirmar a gravidez. Este prazo pode variar de acordo com as recomendações individuais de cada caso.

Como você pode ver, o procedimento é simples e seguro, desde que realizado por equipe capacitada e que tomados os devidos cuidados para a segurança e melhores taxas de sucesso. Agora, entenderemos melhor sobre as diferenças da transferência de embriões a fresco ou congelados.

Transferência de embriões a fresco

Os embriões a fresco são aqueles que ficam em cultivo laboratorial (em incubadoras) e não são congelados antes da transferência, por isso o termo a fresco.

O processo de transferência dos embriões pode ocorrer de 2 a 5 dias após a sua formação, e caso não seja possível prosseguir com a transferência até este estágio, os embriões deverão ser congelados. No caso da FIV com óvulos próprios, quando há programação de transferência a fresco, ela ocorre depois de dois a cinco dias da coleta de óvulos. Porém, para que seja possível programar esta etapa na sequência, é importante que todos os fatores estejam preparados para receber os embriões, como o endométrio na espessura adequada, dosagens hormonais normais, ausência de risco de hiperestímulo, dentre outras questões que devem ser avaliadas.

Quando a paciente desenvolve a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano (SHO) ou apresenta fatores de risco evidentes para tal, esse tipo de transferência não pode ser realizada, devendo os embriões serem congelados. Um dos principais motivos para se evitar a transferência de embriões na sequência nestes casos é o risco de a paciente apresentar piora dos sintomas de SHO caso engravide, devido à elevação dos níveis hormonais em função da gravidez.

Transferência de embriões congelados

Caso não seja possível programar a transferência a fresco, ou a depender da programação feita pelo casal em conjunto com a equipe, pode-se optar pelo congelamento dos embriões (vitrificação) para programar a transferência no futuro, em momento oportuno.

Depois do processo de vitrificação ser desenvolvido, a técnica de transferência de embriões congelados se tornou mais viável, pois, através desse novo método, o congelamento passou a ser feito de forma mais rápida, o que produz um estado vítreo no embrião, impedindo a formação de cristais de gelo, que poderiam causar danos celulares.

Desta forma, o procedimento de transferência pode ser realizado em um ciclo diferente do qual houve a formação dos embriões, o que permite investigações adicionais, se necessário, ou realização de outros procedimentos previamente à transferência.

Um exemplo de procedimento que geralmente é viabilizado pelo congelamento de embriões é a análise genética do embrião, pois após a realização da biópsia os embriões são congelados, enquanto o casal ou paciente aguarda o laudo do estudo genético. Após os resultados, é possível o preparo do útero para a transferência dos embriões congelados.

Com os avanços nas técnicas de congelamento e descongelamento de embriões, as perdas neste processo têm sido cada vez menores, com isso os resultados têm se mostrado semelhantes tanto na transferência de embrião a fresco ou congelado, desde que sejam levados em consideração todos os fatores que possam interferir nas taxas de sucesso. Esta definição deve ser feita pela equipe que está responsável pelo tratamento, sempre em conjunto com o paciente ou casal, para que a melhor decisão seja tomada e os resultados sejam potencializados.

Neste processo, portanto, é importante conversar com os especialistas em reprodução humana que estão a frente de seu tratamento, para que possam apresentar as possibilidades de cada uma das técnicas dentro da sua realidade, e a melhor estratégia seja definida. Para que isto seja possível, é fundamental que você possa se sentir seguro e confortável, contando com uma equipe acessível e transparente para traçarem juntos o melhor caminho!

Se quiser entender todas as etapas do desenvolvimento do embrião baixe nosso infográfico sobre o tema!

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Dra. Camilla Vidal

Médica ginecologista com especialização em Reprodução Humana na HCFMRP – USP. CRM-SP 164.436
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