É possível engravidar com o endométrio fino?

É possível engravidar com o endométrio fino?

É possível engravidar com o endométrio fino?

Idade materna avançada, reserva ovariana e receptividade endometrial são os três principais fatores relacionados ao sucesso da fertilização in vitro (FIV). Endométrio é o tecido que reveste a parede interna do útero e tem função primordial na implantação e nutrição do embrião nas primeiras semanas de gestação.

Se o endométrio não se desenvolve adequadamente e sua espessura não aumenta o suficiente (menor do que 6-7 mm) para receber o embrião, definimos o diagnóstico de endométrio fino. Na fertilização in vitro, o endométrio fino ocorre em 1 a 2,5% dos casos.

Existem várias maneiras para avaliar a característica do endométrio, mas o seu padrão e espessura na ultrassonografia transvaginal são os principais marcadores endometriais relacionados ao sucesso da FIV. Vale lembrar que a avaliação isolada da espessura do endométrio não é suficiente para predizer o sucesso da reprodução assistida.

Pensando nisso, separamos a seguir um guia com as principais informações e causas de endométrio fino. Confira o nosso artigo e descubra como engravidar com o endométrio fino!

Quais as causas do endométrio fino?

As causas de endométrio fino podem ser divididas em três grupos, que você confere a seguir.

Causas inflamatórias

Neste grupo estão as infecções uterinas.

Iatrogênicas

Alterações secundárias radioterapia ou a procedimentos cirúrgicos, tais como curetagem uterina, retirada de nódulos uterinos (miomas) ou pólipos pela histeroscopia. No caso da curetagem existe uma situação conhecida por Síndrome de Asherman, que ocorre pela destruição da camada regenerativa do endométrio (camada basal).

Em consequência dessa destruição pode haver a formação de aderências fibrosas no endométrio, que estão associadas à atrofia endometrial. O uso indiscriminado de alguns medicamentos também pode prejudicar o espessamento endometrial (citrato de clomifeno, por exemplo).

Idiopático

Quando não há uma causa conhecida. Nestes caos, a anatomia e arquitetura do endométrio apresenta sua particularidade sem que demonstre prejuízo real para a obtenção da gravidez.

Quais os sintomas do endométrio fino?

O endométrio fino pode apresentar sintomas que são comuns a diversas outras patologias ginecológicas ou mesmo ser completamente assintomático. Dessa forma, é uma condição de difícil diagnóstico, sendo necessário a realização de exames complementares como a histeroscopia e ultrassonografia.

Quando os sintomas relacionados ao endométrio fino estão presentes, a infertilidade, o risco de aborto, dor menstrual, ciclos menstruais irregulares e a redução do volume do fluxo menstrual são os sintomas mais frequentes.

Como o endométrio fino pode interferir na gravidez?

Após a fecundação do óvulo pelo espermatozoide, ocorrerá o transporte do embrião formado das trompas para a cavidade uterina. Subsequentemente, esse embrião deverá ser fixado no endométrio para que ele possa se desenvolver ao longo do período gestacional. Esse processo é chamado de nidação.

Para que a nidação ocorra com sucesso, é necessário que o endométrio apresente espessura suficiente para a implantação do embrião. Embora haja variação dessa medida ao longo do ciclo menstrual em função da ação dos hormônios, no período da transferência de embriões na FIV é esperado que a espessura do endométrio seja maior do que 6 a 7 mm e seu padrão seja trilaminar na ultrassonografia.

Mulheres com endométrio fino podem ter maior risco para a implantação anormal da placenta (placenta acreta – os vasos da placenta invadem a camada mais externa do útero, o miométrio), descolamento placentário, necessidade de extração manual da placenta após o parto pre-eclâmpsia; já para os bebês podem ter maior risco de nascer prematuro e/ou pequeno para a idade gestacional.

Quais os tratamentos disponíveis?

O sucesso do tratamento para endométrio fino na reprodução assistida apresenta resultados limitados. A seguir, vamos descrever os tratamentos mais utilizados na prática clínica.

O preparo endometrial com uso de estrogênio e progesterona é o esquema mais utilizado para a programação da transferência de embriões congelados. Embora a ciência não demonstre vantagens, o preparo endometrial em ciclo natural pode ser uma alternativa para a resolução do endométrio fino. Na prática, pode-se observar que algumas mulheres podem responder melhor aos hormônios naturais produzidos pelo seu corpo.

A prescrição de sildenafil, estrogênio injetável, doses elevadas de estrogênio oral ou transdérmico podem induzir maior aporte sanguíneo para o útero, o que pode favorecer o aumento da espessura endometrial. Entretanto, a taxa de nascimento de bebês parece não aumentar com o uso destas medicações nos casos de endométrio fino.

O uso do Filgrastin intrauterino (um tipo de granulocyte colony-stimulating fator) pode melhorar a espessura do endométrio, mas a taxa de sucesso da FIV parece não modificar. Por isto, o uso desta medicação ainda necessita ter seu benefício confirmado. A histeroscopia pode representar estratégia adequada quando há suspeita de aderências na cavidade uterina (sinéquias – Síndrome de Asherman).

Atualmente, o uso de plasma rico em plaquetas autólogo dentro da cavidade do útero (ou seja, obtido do próprio sangue da mulher) parece aumentar o aporte sanguíneo para o endométrio, aumentando a sua espessura. Estudos preliminares realizados na China demonstraram maior taxa de sucesso da FIV, mas esta informação necessita ser checado em estudos científicos com maior número de pessoas.

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Referências:

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Liu KE, Hartman M, Hartman A. Management of thin endometrium in assisted reproduction: a clinical practice guideline from the Canadian Fertility and Andrology Society (CFAS). Reprod Biomed Online. 2019 Mar 20. pii: S1472-6483(19)30340-2.

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Prof. Dr. Anderson Sanches de Melo

Médico especialista em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da HC FMRP-USP.
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