8 dúvidas esclarecidas sobre a Síndrome de Asherman

8 dúvidas esclarecidas sobre a Síndrome de Asherman

8 dúvidas esclarecidas sobre a Síndrome de Asherman

Ausência de menstruação, dificuldade para engravidar ou ocorrência de abortos de repetição: esses são alguns dos sintomas mais evidentes da síndrome de Asherman, uma doença causada por adesões dentro da cavidade uterina.

Essas aderências no interior do útero, também conhecidas como sinéquias, dificultam ou impedem a implantação do embrião. Assim, mesmo quando a mulher engravida, o embrião pode não se fixar e a gestação pode evoluir para o abortamento espontâneo.

O problema pode ter várias causas, como curetagens anteriores, endometrite (inflamação do endométrio) ou cirurgias para retirada de miomas ou pólipos. Quer saber como é feito o diagnóstico e quais as chances de engravidar após o tratamento? Então, continue a leitura e esclareça suas dúvidas sobre a síndrome de Asherman.

O que é a síndrome de Asherman

Como explicamos, essa síndrome se caracteriza pela presença de aderências intrauterinas, que dificultam ou impedem a gestação, dependendo de sua gravidade. Mesmo em casos menos agressivos, com aderências menores e mais finas, as mulheres podem enfrentar dificuldades para engravidar e, quando conseguem, tem mais chances de sofrer um aborto espontâneo.

Quanto antes for feito o diagnóstico e o tratamento, maiores as chances de gravidez. Vale destacar que, sem o devido tratamento da síndrome de Asherman, até mesmo procedimentos como a fertilização in vitro (FIV) podem ter taxas limitadas de sucesso. Confira a seguir as respostas às principais dúvidas sobre essa doença.

Dúvidas sobre a síndrome de Asherman

1. O que causa a Síndrome de Asherman?

Quando ocorre algum tipo de agressão no interior do útero, podem surgir cicatrizes, formadas por um tecido fibroso. O crescimento desse tecido causa as aderências, conhecidas como sinéquias.

O principal fator associado ao surgimento da síndrome de Asherman é a realização de uma ou mais curetagens uterinas (depois de um aborto ou parto, por exemplo), podendo levar à formação das cicatrizes. O quadro pode ocorrer também devido a outros fatores, como:

  • remoção de placenta aderida à parede do útero de forma inadequada;
  • cirurgias para remoção de miomas ou pólipos;
  • infecções da membrana que reveste o útero (endométrio).

Segundo algumas teorias, pode também haver risco de desenvolvimento da doença pelo próprio período pós-parto, devido aos baixos níveis de estrogênio, hormônio importante para a regeneração e crescimento endometrial.

2. Quais são os sintomas?

Mulheres portadoras da síndrome de Asherman podem ser assintomáticas ou apresentarem problemas como amenorreia (ausência de menstruação) ou fluxo menstrual reduzido, dor pélvica crônica e abortamento de repetição. A infertilidade também pode ser observada, uma vez que o embrião pode ter dificuldade em se fixar no útero, em função das aderências.

A ausência de sintomas específicos é um dos fatores que dificultam o diagnóstico precoce da doença. Porém, sua ocorrência não é incomum. Segundo alguns estudos, as adesões podem estar presentes em cerca de 20% da população feminina com histórico de uma curetagem pós-parto ou aborto.

Embora o aborto espontâneo seja a manifestação obstétrica mais comum da doença, quando é possível levar a gestação adiante, podem surgir outras complicações, como parto pré termo e placenta acreta (quando ela se adere mais que o habitual à parede uterina).

3. Como é feito o diagnóstico?

Após a anamnese, as mulheres com suspeita da síndrome de Asherman geralmente são orientadas a realizar uma histeroscopia, um procedimento que permite a visualização do interior do útero através de uma pequena câmera, e desta maneira avaliar a presença de alterações anatômicas sugestivas da síndrome de Asherman. Este exame avalia a presença, extensão e características morfológicas das sinéquias presentes na cavidade uterina. Caso haja alguma alteração, a correção pode ser realizada no mesmo momento, dependendo do grau dos achados.

Métodos como a histerossalpingografia e o ultrassom transvaginal não são tão eficientes para o diagnóstico, além de não permitirem a remoção das sinéquias.

4. Qual é o tratamento para a síndrome de Asherman?

O tratamento mais comum é a indicação de histeroscopia com o objetivo de correção dos achados encontrados. Durante a histeroscopia, uma pequena tesoura é introduzida no interior do útero. Com o apoio de uma microcâmera, as aderências são desfeitas pelo profissional que executa o procedimento. A critério médico, o tratamento hormonal, especialmente com estrogênio, também pode ser recomendado após a cirurgia.

Em alguns casos, não é possível realizar a histeroscopia, em função de adesões mais severas que obstruem a parte inferior da cavidade uterina (local que permitiria o acesso dos instrumentos para a histeroscopia). Dependendo da extensão das sinéquias, pode ser necessária a realização de outros procedimentos para a eliminação da doença. Vale explicar que mulheres que tem o endométrio muito fino podem não responder bem ao tratamento, continuando com a dificuldade em manter a gestação.

5. A histeroscopia apresenta algum risco?

Embora o risco seja mínimo, as principais possíveis complicações são a perfuração uterina, a hemorragia e a infecção pélvica. Por essa razão, é fundamental realizar o procedimento com um profissional experiente e de sua confiança.

6. Depois do tratamento, a mulher consegue engravidar?

Após o tratamento, a chance de gestação aumenta. Porém, isso dependerá muito das condições de seu endométrio. Se essa membrana estiver muito fina, pode ser que a dificuldade persista, levando à necessidade de outros tratamentos.

7. Existem riscos na gravidez após o tratamento da síndrome de Asherman?

Isso pode variar de acordo com a severidade da síndrome. Assim, casos em que as sinéquias, antes da remoção, afetavam grande parte da cavidade uterina, podem trazer maiores riscos, como:

  • aborto espontâneo;
  • formação de placenta acreta, ou seja, que invade mais que o habitual a parede uterina. Geralmente, não é uma condição prejudicial ao bebê, mas existe risco de que a placenta não seja expulsa durante o parto, tornando necessárias medidas para sua extração, como curagem, curetagem ou até mesmo cirurgia para remoção do útero, a depender da extensão da invasão placentária.

8. A FIV é uma alternativa ao tratamento da síndrome de Asherman?

Em um primeiro momento, não. Como a síndrome de Asherman dificulta que o embrião se fixe no útero, não adiantaria optar pela fertilização in vitro sem correção das alterações uterinas, pois após a transferência embrionária, o embrião se depararia com as mesmas dificuldades de fixação ao útero. Para que esse ou outros tratamentos tenham melhores resultados, é fundamental remover as aderências da cavidade uterina previamente.

Em muitos casos, após a remoção das sinéquias, a mulher consegue engravidar de forma espontânea. Porém, dependendo de alguns fatores, como idade, parâmetros seminais do parceiro, entre outros, um tratamento especializado em uma clínica de reprodução humana, pode ser a melhor alternativa.

Afinal, até descobrir ser portadora da síndrome de Asherman e passar pelo tratamento específico, a paciente normalmente já enfrentou dificuldade para engravidar, ou até mesmo um ou mais abortos espontâneos, acumulando diversas frustrações decorrentes do quadro de infertilidade. Com o passar dos anos, a qualidade dos óvulos tende a ser menor e a fertilidade diminui, causando mais dificuldades para engravidar. Assim, o tratamento é uma alternativa para que a mulher não perca um tempo precioso tentando engravidar naturalmente.

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Dra. Camilla Vidal

Médica ginecologista com especialização em Reprodução Humana na HCFMRP – USP. CRM-SP 164.436
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