Oligospermia: quais são as causas e tratamentos desse problema?

Oligospermia: quais são as causas e tratamentos desse problema?

Oligospermia: quais são as causas e tratamentos desse problema?

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Os problemas que atrapalham um casal a ter filhos podem se originar de uma série de razões, relacionadas tanto ao organismo do homem quanto da mulher. Felizmente, os avanços da medicina reprodutiva já garantem tratamentos capazes de contribuir para a realização desse sonho da gestação.

Cada caso, no entanto, precisa ser tratado de uma forma diferente. Justamente por isso, em casos de dificuldade para engravidar o mais importante é buscar ajuda médica, para investigar os reais motivos por trás da situação.

Entre os fatores que afetam a fertilidade masculina, em especial, um dos mais comuns é a oligospermia. Você conhece essa condição? Pois, no artigo de hoje, veremos algumas das principais informações sobre o assunto! Continue lendo para conferir.

O que é a oligospermia?

Enquanto as mulheres já nascem com todas as suas células reprodutivas pré-formadas em seus ovários, os homens produzem seus gametas, os espermatozoides, ao longo de toda a vida. Assim, é possível que eles tenham filhos durante um período bem maior da vida, inclusive na terceira idade.

Existem condições em que essa produção de gametas masculinos é prejudicada. Essa alteração na produção dos espermatozoides pode se manifestar de diversas formas, uma delas é a oligospermia, caracterizada por uma diminuição do número de espermatozoides presentes no sêmen.

Em geral, de acordo com os critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2010, essa quantidade deve ser superior a 15 milhões por ml. Contudo, caso esteja abaixo desse valor, pode indicar que a produção de gametas não tem acontecido de maneira saudável. Portanto, a oligospermia é caracterizada pela presença de menos de 15 milhões de espermatozoides por ml na avaliação do espermograma.

Além disso, a concentração de espermatozoides também é utilizada para determinar a intensidade dessa condição no indivíduo — pode-se considerar um grau severo, de acordo com a Sociedade Americana de Reprodução Assistida (ASRM), quando o número está abaixo de 5 milhões por ml de sêmen. E há, ainda, os casos em que essa contagem indica ausência de gametas, o que chamamos de azoospermia.

Os fatores que determinam a ocorrência da oligospermia podem variar, além de afetarem diretamente a permanência dessa condição no organismo masculino. Em outras palavras, ela pode ser temporária ou permanente, e o seu tratamento dependerá tanto da causa quanto desse grau de acometimento nos órgãos reprodutores.

Como ela pode afetar a fertilidade masculina?

O esperma, ou sêmen, não é constituído apenas por células reprodutivas masculinas, mas também pelos líquidos seminal e prostático. Essa parte tem a função de nutrir e proteger os espermatozoides, para possibilitar a sua chegada ao sistema reprodutor feminino ao fim da relação sexual.

Em casos de oligospermia, no entanto, a quantidade de espermatozoides presentes no esperma pode não ser suficiente para que haja chances reais de fecundação do óvulo. Mesmo que o indivíduo produza gametas viáveis, sua baixa quantidade pode interferir diretamente em sua capacidade fértil. Não existe um número fixo a partir do qual se possa dizer que não há chances de gestação espontânea, porém, quanto maior a redução dos espermatozoides, mais difícil tende a ser a gestação natural, porém não impossível.

Por isso, geralmente após um ano de tentativas de gravidez sem sucesso (para mulheres até 35 anos), é interessante que o casal busque ajuda médica. Uma das causas detectadas pode ser a ocorrência de oligospermia, visto que fatores masculinos estão presentes em torno de 30% dos casos de infertilidade. A partir do espermograma — exame em que se realiza a contagem e avaliação das características dos espermatozoides — o médico poderá identificar o problema, bem como a melhor conduta para o caso.

Quais são as principais causas da oligospermia?

A produção de espermatozoides é um processo muito sensível do organismo do homem, portanto, pode sofrer interferência de diversos fatores, sem que seja possível identificar uma causa única. Porém, é sempre importante uma avaliação ampla para que sejam fornecidas recomendações que evitem hábitos que sejam prejudiciais aos espermatozoides e sua produção.

Vejamos abaixo quais são algumas das causas mais comuns.

Varicocele

Uma causa relativamente comum da oligospermia é a varicocele, uma condição que afeta os vasos sanguíneos que nutrem os testículos. Nesses casos, ocorre um prejuízo no transporte de gases e nutrientes, além de um aumento da temperatura testicular, o que influencia diretamente a produção e maturação de espermatozoides. O diagnóstico dessa condição pode ser feito por meio de anamnese, buscando algumas queixas sugestivas da doença, associada ao exame físico e realização de outros exames, como ultrassom testicular, se necessário.

Fatores hormonais

Todo o funcionamento do corpo humano depende da ação de hormônios. Então, quando a sua produção e/ou liberação não ocorre de maneira adequada, muitos processos importantes são afetados, como a produção e a maturação de células reprodutivas. Assim como fatores hormonais alteram o ciclo menstrual na mulher, eles podem alterar a espermatogênese (formação dos espermatozoides) no homem.

Nesse sentido, alguns distúrbios hormonais podem ter esse efeito, e podem ser secundários a uso de algumas medicações, anabolizantes, entre outras condições. Geralmente, alguns dos hormônios importantes de serem avaliados são a testosterona, o hormônio tireoestimulante (TSH), o hormônio folículo estimulante (FSH) e a dosagem de prolactina. O médico deve avaliar cada caso individualmente para verificar a necessidade de solicitação destes ou outros exames.

Maus hábitos de vida

De fato, os hábitos de vida de um homem também podem influenciar a sua produção de espermatozoides. Fatores como o sedentarismo, o uso de drogas, o álcool e o tabagismo, além do consumo de alimentos gordurosos e a vivência em ambientes poluídos são capazes de reduzir consideravelmente a produção de espermatozoides. Outros hábitos que podem se relacionar a defeitos na produção de espermatozoides são aqueles com efeito diretamente na região dos testículos, como expô-los a altas temperaturas. É o caso de pessoas que trabalhem com caldeiras ou soldas, por exemplo.

Alteração genética

Há ainda que se considerar a influência genética na produção de gametas. Algumas síndromes, por exemplo, cursam com alterações nos cromossomos sexuais responsáveis pela regulação da espermatogênese, como no caso da síndrome de Klinefelter.

Alterações nos testículos

Entre outras funções, os testículos são responsáveis pela produção e maturação dos espermatozoides. Logo, alterações nessa região podem afetar todos os processos fisiológicos desses órgãos — e isso inclui não só a qualidade dos espermatozoides, como também o volume de produção dessas células.

Entre as causas de possíveis alterações nos testículos, podemos citar:

  • ação de vírus e bactérias;
  • maus hábitos alimentares e maus hábitos em geral, como mencionamos acima;
  • uso de anabolizantes;
  • história de trauma testicular, entre outros.

Vale ressaltar que para os homens, a idade também se constitui em um importante fator determinante na produção dos espermatozoides. Diferentemente do caso das mulheres, em que a idade leva a redução do número de óvulos, no caso dos homens, o avanço da idade pode levar a alterações que comprometam a eficiência da espermatogênese, podendo levar a alterações no exame de espermograma.

Os tratamentos mais indicados

O tratamento da oligospermia também é bastante diverso, dependendo diretamente da causa em cada situação. No caso de hábitos que sejam prejudiciais, os pacientes devem ser orientados a mudar os hábitos de vida para evitar situações que causem dano aos testículos, assim como receber orientações acerca de medicações que estejam interferindo na espermatogênese.

Ainda, podemos citar a possibilidade de utilizar medicações específicas para tentar auxiliar na produção de espermatozoides, inclusive podendo ser medicações hormonais. Porém, é indispensável que o quadro como um todo seja avaliado por um especialista, e discutido com o casal quanto às possibilidades de tratamento e quais as vantagens de cada uma delas. O uso de medicações sem a devida prescrição e acompanhamento médico é muito arriscado, e inclusive pode piorar o quadro de oligospermia ou outras alterações.

Já quando há varicocele, é fundamental que a gravidade do quadro seja avaliada, uma vez que casos mais graves podem demandar a realização de um procedimento cirúrgico para correção. A partir do tratamento adequado é possível que a produção de espermatozoides melhore, podendo inclusive retornar progressivamente ao normal em alguns casos. Porém, para avaliar se essa é a melhor opção para o seu caso, é fundamental que seja realizada avaliação clínica detalhada e avaliação de exames, bem como fatores relacionados à parceira.

Vale ressaltar, por fim, que mesmo nos casos em que não seja possível tratamento específico, ou que não haja melhora da produção de espermatozoides, ainda é possível utilizar estes espermatozoides para tratamentos de reprodução assistida. Justamente por isso, é sempre importante buscar auxílio médico especializado — alterações no espermograma não significam que não será possível a gestação!

A depender do grau dos achados, e de outros fatores relacionados ao casal, pode ser discutido realizar tratamento de inseminação intrauterina ou inseminação artificial, ou pode ser proposto tratamento por meio de fertilização in vitro (FIV).

Então, gostou de saber mais sobre a oligospermia? Sobrou alguma dúvida ou tem experiências para dividir conosco? Então, deixe o seu comentário!

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Dra. Camilla Vidal

Médica ginecologista com especialização em Reprodução Humana na HCFMRP – USP. CRM-SP 164.436
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