Como a criptorquidia na infância atrapalha a fertilidade na vida adulta?

Como a criptorquidia na infância atrapalha a fertilidade na vida adulta?

Como a criptorquidia na infância atrapalha a fertilidade na vida adulta?

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A paternidade figura entre os grandes sonhos de inúmeros homens ao redor do mundo. Infelizmente, alguns fatores biológicos podem tornar esse sonho um pouco mais distante. Porém, com o constante avanço das técnicas de reprodução humana assistida, diversos fatores que impedem a gravidez puderam ser transpostos.

Um desses fatores é a azoospermia, que pode ser causada por várias alterações, inclusive, pela criptorquidia, condição de saúde que tem influência direta na fertilidade do homem. Pensando no assunto, separamos as principais informações sobre a criptorquidia e sua influência sobre a fertilidade masculina. Acompanhe e descubra tudo sobre o assunto!

O que é a criptorquidia?

A criptorquidia é uma condição de saúde que afeta o posicionamento dos testículos que, em vez de estarem presentes na bolsa escrotal, eles permanecem na cavidade abdominal. De origem grega, a palavra criptorquidia significa “testículo escondido”, o que define exatamente a manifestação da patologia.

Durante o período embrionário, os testículos são formados na cavidade abdominal, e devem ter o seu processo de “descida” para a bolsa escrotal até o nascimento. Quando esta descida não ocorre adequadamente, esta patologia é denominada criptorquidia.

Geralmente, o diagnóstico e o devido tratamento podem ser realizados precocemente, pois a maioria dos casos é detectado logo após o nascimento. Porém, caso esse diagnóstico demore a ser feito, as consequências podem ser maiores.

As consequências da criptorquidia ocorrem porque, para o funcionamento adequado do testículo, ele precisa estar em ambiente de temperatura adequada, entre outros fatores — este é o motivo pelo qual os testículos são armazenados na bolsa escrotal, manter melhores condições de funcionamento deste órgão.

Permanecendo no abdome, a temperatura mais elevada que o habitual para o testículo pode ser prejudicial para seu funcionamento, principalmente no que diz respeito à produção de espermatozoides, podendo levar a alterações no espermograma e, até mesmo, à azoospermia. Em alguns casos, longos períodos de exposição a este ambiente pode aumentar, inclusive, o risco de malignização de algumas células, ou seja, surgimento de câncer.

Vale lembrar que a criptorquidia não deve ser confundida com a agenesia testicular, a qual deriva do termo ausência de formação — ou seja, não houve a formação do testículo. Portanto, embora nessa condição os testículos também não estejam presentes na bolsa escrotal no nascimento, isso ocorre pela não formação desses órgãos na gestação.

Além disso, a criptorquidia também pode ser confundida com o chamado testículo retrátil. Essa outra condição se manifesta pela subida temporária de um ou ambos os testículos para a raiz da bolsa escrotal, por hiperativação do músculo cremaster. Porém, esse comportamento do escroto geralmente não tem repercussões negativas para o homem

Normalmente, a criptorquidia é assintomática. Porém, é importante buscar tratamento, uma vez que essa patologia pode afetar a fertilidade do homem ou causar câncer de testículo.

Quais as causas da criptorquidia?

Essa patologia deve ser diagnosticada, idealmente, ainda no nascimento. Como vimos anteriormente, durante a formação do feto, os testículos se originam na região abdominal e migram para a bolsa escrotal nos estágios mais avançados da gestação.

Porém, é possível que isso não ocorra e que esses órgãos permaneçam no local inadequado. Ou seja, no nascimento é possível que um ou ambos os testículos estejam ausentes da bolsa escrotal.

Vale citar que, sobretudo nos casos de crianças prematuras, é possível que a descida dos testículos se complete algumas semanas após o parto. Embora isso seja esperado, a equipe de saúde responsável acompanhará atentamente até que o evento se conclua.

Há, ainda, a descida ectópica do testículo. Em alguns raros casos, é possível que esses órgãos tenham o estímulo para descer, mas vão para regiões como a coxa ou mesmo para o períneo.

Além disso, há a variante adquirida da criptorquidia. Essa condição ocorre quando um ou ambos os testículos deixam de estar visíveis na bolsa escrotal, e representam a grande minoria dos casos. A ascensão testicular pode ocorrer geralmente na infância, podendo retornar à posição adequada espontaneamente ou necessitar de intervenção.

Quais os principais tratamentos?

O principal tratamento para a criptorquidia é cirúrgico. Esse procedimento é chamado de orquidopexia, e tem excelentes taxas de sucesso nos casos operados. Sua técnica consiste, basicamente, na remoção do testículo criptorquídico da região inguinal ou da virilha e inserção na bolsa escrotal.

Geralmente, a orquidopexia é realizada o mais precocemente possível, em um sentido de evitar possíveis comprometimentos futuros da fertilidade da criança.

Já em casos de criptorquidia adquirida após o nascimento, o médico responsável acompanha durante algum tempo para avaliar a possibilidade de retorno espontâneo do testículo. Entretanto, quando isso não ocorre, é possível ser necessário realizar orquidopexia.

Como a criptorquidia pode afetar a fertilidade do homem?

Os testículos são órgãos com a função de produzir e excretar testosterona, bem como de produzir, amadurecer e armazenar os espermatozoides. O funcionamento adequado do testículo depende de inúmeros fatores, e um dos principais é a temperatura, que varia de 1,2 a 2 °C abaixo da temperatura corporal.

O controle dessa temperatura específica se dá pela ação do músculo cremaster, que afasta ou aproxima os testículos da base do saco escrotal. Ou seja, quanto mais próximos do corpo, mais aquecidos estarão esses órgãos. Nesse sentido, em casos de criptorquidia, não é possível estabelecer essa temperatura desejável mais baixa.

O aumento de temperatura pode prejudicar as células que produzem os gametas masculinos, bem como a qualidade do espermatozoide do homem. Assim, haverá um comprometimento direto de sua fertilidade.

Em casos em que houve tratamento tardio da criptorquidia, é possível que tenham ocorrido danos permanentes às células produtoras de gametas. Isso acarretará em alterações severas no espermograma, podendo chegar à não produção de espermatozoides, e num consequente quadro de azoospermia.

Como a reprodução humana assistida pode ajudar?

Infelizmente, alguns dos casos de criptorquidia têm o potencial de causar azoospermia não obstrutiva, ou seja, ausência de espermatozoides por defeito na sua produção, em homens que tiveram a condição. Porém, muitas vezes, apesar do comprometimento na espermatogênese, pode haver alguma produção de espermatozoides, sendo suficientes para utilizarmos em tratamentos de reprodução humana assistida.

Durante a investigação dos fatores que possam afetar a fertilidade do casal, a equipe médica responsável poderá solicitar diversos exames, inclusive o espermograma, para avaliar a necessidade de procedimentos adicionais para obtenção de espermatozoides.

Assim, a partir de uma análise laboratorial será avaliada a possibilidade da utilização desses espermatozoides para um procedimento de fertilização in vitro (FIV), visto que dessa forma podemos potencializar o uso destes espermatozoides, proporcionando o encontro com os óvulos em um laboratório de reprodução humana.

Porém, se após a avaliação médica e/ou realização de algum procedimento for constatado que não é possível a obtenção de espermatozoides viáveis, também é possível que o casal opte pela utilização de bancos de sêmen, prosseguindo o tratamento com sêmen de doador. Mesmo não sendo possuindo a carga biológica do pai, a possibilidade da gestação pode transcender qualquer barreira e, assim, realizar o sonho da paternidade.

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Dra. Camilla Vidal

Médica ginecologista com especialização em Reprodução Humana na HCFMRP – USP. CRM-SP 164.436
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