Folículo dominante: como ele afeta o tratamento de reprodução humana?

Folículo dominante: como ele afeta o tratamento de reprodução humana?

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A cada ciclo menstrual acontece o processo de ovulação, sendo esse um elemento chave para que uma gravidez ocorra.

Logo no início de cada ciclo menstrual, em um ciclo ovulatório natural,  os folículos primordiais localizados em um dos ovários começam a se sobressair para amadurecer. Quando um dos folículos atinge mais de 10 milímetros e se torna dominante, ele irá continuar crescendo para se romper em condições hormonais ideais  e assim ocorrer a liberação do óvulo.

Continue a leitura e entenda tudo sobre o folículo dominante e, porque no tratamento de reprodução assistida a presença dele pode ser prejudicial.

Como funciona o ciclo ovulatório no ciclo menstrual

Todos os meses acontece o ciclo menstrual responsável por preparar a parede uterina para o recebimento de um embrião.

O ciclo menstrual é regulado por diversos hormônios, como os produzidos pelos ovários, durante o ciclo ovulatório. Os ovários são as gônadas femininas, responsáveis por produzir os gametas femininos, bem como os hormônios sexuais – estrógeno e progesterona, além da testosterona.

O ciclo ovariano inicia-se com a liberação do hormônio liberador de gonadotrofinas pelo hipotálamo, que estimula a hipófise a secretar os hormônios folículo estimulante (FSH) e luteinizante (LH). O FSH auxiliado pelo LH irá estimular o crescimento dos folículos que passam a secretar pequenas quantidades de estradiol. Com isso, o folículo cresce e o futuro óvulo amadurece.

Quando a secreção do estradiol aumenta ocorre também um aumento nos níveis de FSH e de LH, levando a um pico nos níveis de LH. Em resposta a esse aumento de níveis hormonais, o folículo e a parede adjacente do ovário se rompem liberando assim o óvulo do interior do folículo dominante.

O que acontece no corpo após a ovulação?

Após a liberação do folículo dominante, o tecido folicular deixado no ovário transforma-se em corpo-lúteo sob a ação do LH e secreta a progesterona. A liberação desses hormônios desencadeia a redução do LH e FSH, evitando assim a maturação de um novo folículo.

Após a ovulação é possível que ocorram duas situações:

  • Gravidez: aqui o óvulo já na trompa encontrou o espermatozoide e ocorreu a fertilização. Em cerca de 4 a 5 dias após a ovulação o pré-embrião chega à cavidade uterina e implanta-se no endométrio.
  • Menstruação: nesse caso o óvulo não encontra o espermatozoide, logo o corpo lúteo se degenera e os níveis hormonais caem, levando à descamação do endométrio e à menstruação. Com isso um novo ciclo se inicia.

Folículo dominante e tratamento de reprodução humana

A estimulação ovariana e a indução da ovulação são procedimentos que clínicas de fertilidade realizam para aumentar as chances de concepção. Esses procedimentos podem ser realizados tanto via relação sexual programada (RSP), como na inseminação artificial (IA) e fertilização in vitro (FIV).

Como foi possível ver acima, no ciclo ovulatório natural a mulher libera mensalmente apenas um óvulo, embora diversos folículos sejam recrutados e iniciem o crescimento.

Quando a mulher realiza o tratamento de reprodução humana e desejamos o crescimento de mais de um folículo, a presença de apenas um folículo dominante no ciclo ovulatório pode ser prejudicial, pois ele tende a responder mais rápido do que os demais folículos e impedir esse crescimento multifolicular.

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Por essa razão,  muitas vezes é  preciso aguardar um novo ciclo para o início do tratamento, sendo realizado o processo de indução da ovulação quando todos os folículos estão em estágio antral, para estimular seu crescimento e, por seguinte, a fase de maturação.

Todo esse processo de estimulação ovariana na reprodução assistida ocorre com o uso de medicamentos hormonais, sendo geralmente usado gonadotrofinas que  permitem o amadurecimento de um número maior de óvulos.

Protocolo Individualizado

A depender do protocolo a ser utilizado, são aplicadas injeções diárias, em dias alternados ou mesmo uma aplicação única de liberação prolongada de gonadotrofina, o protocolo é sempre realizado pelo médico de forma individualizada.

No tratamento de reprodução assistida, essa fase dura em torno de dez a doze dias e será acompanhada por ultrassons transvaginais periódicos.

Ainda no tratamento, também são utilizados medicamentos que visam o bloqueio da hipófise para impedir o pico de LH, o que poderia causar uma ovulação inesperada comprometendo a coleta dos gametas.

O acompanhamento dos crescimentos dos folículos na reprodução assistida é feito de perto por meio de ultrassonografias, quando os folículos maiores atingem um determinado tamanho é aplicado um outro hormônio na paciente para que a coleta seja realizada.

Ultrassonografia transvaginal

A primeira etapa da estimulação ovariana se inicia com a realização do ultrassom transvaginal para avaliar o útero e ovários, endométrio e também fazer a contagem dos folículos antrais em cada ovário.

Na ultrassonografia é possível descartar a presença de folículos dominantes e também a presença de cistos patológicos, como o endometrioma (endometriose no ovário) ou tumores ovarianos.

O processo de contagem dos folículos é realizado na fase folicular inicial (primeiros dias do ciclo menstrual), sendo possível assim avaliar a quantidade de folículos que podem ser estimulados durante o tratamento de reprodução assistida. Quanto mais jovem a mulher, maior tende a ser a reserva ovariana.

Caso o ultrassom não identifique nenhum um problema que comprometa os procedimentos de reprodução humana, segue-se para a etapa seguinte que é a administração de medicamentos hormonais com o objetivo de promover crescimento e amadurecimento dos folículos.

A contagem de folículos também é uma questão importante para o diagnóstico da síndrome dos ovários policísticos (SOP).

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Dra. Rebecca Pontelo

Médica Ginecologista - CRM 123.481 Curso Superior de medicina na Universidade Federal do Espírito Santo - 1999 a 2005 Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia na FMRP-USP - 2006 a 2009 Especialização em Reprodução Humana pela FMRP-USP - 2009 a 2010 Tìtulo de especialista em Ginecologia Obstetrícia pela Febrasgo em 2009
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