CAUSAS DA INFERTILIDADE FEMININA

Fator tubário-peritoneal

Considera-se neste grupo as causas de infertilidade feminina decorrentes da dificuldade de captação do oócito, seu adequado transporte intra-tubário e as modificações que dificultam o transporte e a capacitação dos espermatozóides, bem como a fertilização e o desenvolvimento e transporte do embrião. Comumente, as causas mais encontradas são decorrentes de infecções pélvicas (clamídia, gonorréia, apendicite, etc), iatrogênicas (laqueadura, cirurgias anexiais ou pélvicas, etc) e endometriose (ativa ou sequela).

Laqueadura

A mulher que fez laqueadura tubária pode engravidar através das técnicas de reprodução assistida ICSI ou SUPER-ICSI, tendo seus resultados muito superiores à cirurgia de reversão da laqueadura tubária, já que o retorno à permeabilidade tubária obtida por esta técnica não significa a obtenção de gravidez. Uma grande vantagem para estas mulheres é já terem um dia engravidado, o que funciona como predição de qualidade no fator feminino.

Idade materna

Sabemos que a idade materna é um dos fatores mais importantes para sucesso de uma gravidez. Isto porque os óvulos têm a idade cronológica da mulher, ou seja, a mulher já nasce com o número de óvulos que terá a vida inteira. A cada ciclo, muitos são estimulados a iniciarem seu amadurecimento até que um só chegue a ovulação. Os óvulos sofrem também a ação do envelhecimento, irradiação, poluentes e outros fatores que modificam estruturas celulares e diminuem a chance de fertilização.

Portanto quanto maior a idade, menores são os índices de gravidez, chegando ao fato da gravidez ser esporádica (com índices muito baixos) acima dos 43 anos. Em decorrência destes fatos, deve-se analisar a proposta de doação de óvulos, como alternativa para a gravidez. Se usarmos medicações apropriadas para prepará-la a receber um embrião, é possível sim que a gravidez ocorra mesmo em mulheres de mais idade (50 anos, por exemplo), desde que você tenha uma boa saúde.

Fator uterino

O fator uterino compreende as alterações anatômicas que modificam a cavidade uterina, seu epitélio de revestimento, o endométrio e suas paredes musculares, o miométrio. As causas mais comuns são os pólipos, a endometriose, anomalias congênitas, sequelas de infecções e inflamações e iatrogênicas.

Fator Cervical

Geralmente associam-se neste fato as anormalidades anatômicas de causa congênita, iatrogênica (cirurgia, cauterizações, dilatações, etc.), tumores e distopias; e alterações funcionais, bem mais freqüentes e importantes. A cérvix é um componente uterino com várias funções:

  • 1 – recebe e modula a penetração dos espermatozóides;
  • 2 – protege os espermatozóides em ambiente com pH e condições adequadas;
  • 3 – armazena os espermatozóides;
  • 4 – atua também na capacitação espermática. Quase todas estas funções são desempenhadas pelas características físicas, químicas e biológicas do muco, cujas qualidades e quantidade têm importante papel na propedêutica do fator cervical.

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)

A Síndrome dos ovários policísticos é uma das mais frequentes disfunções ovarianas, que pode causar dificuldades para engravidar, porque está associado a anovulação crônica (não ovular) e irregularidade menstrual. Seu tratamento, na maioria das vezes é simples, ocorrendo a gravidez rapidamente.

Outros Fatores Ovarianos

Existem outros fatores ovarianos que influenciam na fertilidade: Anovulação Hipogonatrófica (disfunção hipotalâmica ou hipofisária), anovulação normogonadotrófica (hiperandrogenemia, hiperprolactinemia ou deficiência da fase lútea) e anovulação hipergonadotrófica (falência ovariana prematura ou más-respondedoras).

Menopausa Precoce

A menopausa precoce significa que ocorreu a falência ovariana antes do tempo previsto. Portanto, a mulher já não tem mais óvulos e produção hormonal que possibilitem uma gravidez espontânea. Uma opção é optar pela doação de óvulos, isto é, óvulos obtidos de mulheres jovens (com menos de 35 anos) que estejam fazendo tratamento para engravidar, que aceitam espontaneamente fazer a doação no anonimato (sem conhecer a quem vai doar/receber), sem ganhar dinheiro para isto, e que tenham um número grande de óvulos excedentes àqueles usados para seu próprio tratamento. Nestes casos o procedimento usado será sempre a reprodução assistida com ICSI.

Endometriose

A endometriose é o crescimento do tecido endometrial que reveste a cavidade uterina interna e que descama a cada menstruação, fora do local habitual. O que acontece é que este tecido pode se implantar em outros lugares, como as trompas, ovários, intestinos e a repercussão mais imediata é que este sangue fora dos vasos é um sinal de alerta para o organismo, trazendo dor e desencadeando os processos de reparação.

Estes, culminam com a formação de aderências e modificações da anatomia feminina, dificultando muito a gravidez. É muito importante então, que se faça um diagnóstico precoce da endometriose e uma avaliação do grau de acometimento anatômico, para se propor a técnica mais adequada para ocorrer uma gestação, já que a gravidez e as modificações hormonais que dela decorrem são os melhores tratamentos para a endometriose.

Dr. Jorge Battero

Dr. Jorge Barreto

CRM-SP 33.541

Médico especialista com formação pelo Hospital das Clínica da FMRP-USP.

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