Um episódio de muito aprendizado, em que a Dra. Camilla Vidal e a nutricionista Dra. Bruna Fenerich falam sobre os primeiros passos para quem está planejando uma gestação nesse novo ano.
Do cuidado com os hábitos saudáveis até a importância de ajustar vitaminas e nutrientes essenciais, as dicas são práticas e indispensáveis para quem deseja começar 2025 com o pé direito rumo ao sonho da maternidade 👶
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Transcrição do episódio
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Olá, aqui é a doutora Camilla Vidal, médica especialista em reprodução humana do CEFERP. Seja bem-vindo ao podcast Papo de Tentante. Vamos ao episódio de hoje? Oi, pessoal, sejam bem-vindos ao Papo de Tentante e a gente vai estrear dois mil e vinte e cinco com o pé direito, falando sobre planejamento para você que pensou em engravidar agora nesse ano. Então, nada mais importante para a gente começar esse ano falando sobre planejamento com relação ao nosso estilo de vida, aos nossos hábitos e o que a gente pode fazer, então, para otimizar as nossas chances de engravidar em dois mil e vinte e cinco.
Então, queria agradecer você, Bruna, pela disponibilidade e te deixar à vontade para se apresentar. Olá, gostaria de agradecer a doutora Camilla pela oportunidade de estar aqui por essa conversa. Meu nome é Bruna Feneric, eu sou nutricionista especializada em saúde reprodutiva e saúde feminina. Atuo também como professora em cursos de pós-graduação em nutrição e vim aqui compartilhar um pouquinho da experiência de algumas… dicas mais práticas, algumas informações que podem ajudar também nesse planejamento.
Com certeza, porque começa o ano, na verdade, quando já está chegando o dezembro, a gente já vai ficando meio reflexivo, né? E aí a virada do ano parece que é aquele momento ali que a gente vira a chavinha e aí vai pensar em mudar de trabalho, em mudar, vou começar uma atividade física, eu vou emagrecer, e aí entra o planejamento de engravidar também, né? Sim. E é interessante a gente falar sobre isso desde antes, porque o ideal, se a gente tem um tempo para se preparar para as tentativas de gestação, tanto do ponto de vista físico, nutricional, emocional, com certeza é muito melhor, porque a fertilidade e a nutrição andam muito juntas, né Bruna? Sim.
Esse cuidado, ele é essencial, né? Ele faz parte aí desse conjunto, né? O preparo pré-concepcional, ele envolve tantas áreas, né? Então, é importante, como você falou, abordar todas essas áreas. Então, tem ali o planejamento da própria família, né?
O planejamento financeiro, um planejamento psicológico e… o cuidado com a saúde, com a alimentação, com o estilo de vida, ele faz parte, né? Pra gente ter uma boa fertilidade, primeiro a gente precisa trabalhar na melhora da nossa saúde como um todo, né? Com certeza. Até é uma coisa que eu converso muito com as pacientes, porque assim, Lógico, é importante a gente estar da melhor forma possível para um tratamento, para uma gestação, mas é importante a gente pensar também que os nossos cuidados de hábitos nutricionais, eles são para o resto da vida, né?
Eu comento isso porque às vezes as pessoas procuram em momentos pontuais. Imagino que você, como nutricionista, passe muito por isso, né? Então, assim, marca uma consulta. Olha, mês que vem a minha transferência, o que eu vou fazer agora com a minha transferência? E, na verdade, se a gente puder ter esse acompanhamento desde antes, é muito melhor, né?
Com certeza. Faz parte realmente de uma mudança de estilo de vida, uma construção de hábitos. Então, esse cuidado nutricional vai fazer parte da jornada da pré-concepção, de um preparo gestacional, ao longo de toda a jornada reprodutiva, mas ele fica. Ele fica para essa família. Ele transforma os hábitos dessa família, promove uma melhora de saúde geral.
Uhum. Então, é uma construção, é um processo, né? A gente não pode pensar só naquele momento, realmente é uma construção e por isso que a gente não pode pensar somente, né? Às vezes o paciente pensa num cuidado nutricional como uma dieta restritiva e não é isso que a gente busca fazer, né? A gente busca realmente trabalhar os hábitos, né?
O que é a base daquela alimentação, daquele dia a dia. Esse seria o ponto chave, né? O ponto principal, né? Então, você acabou já respondendo uma das primeiras coisas, assim, que eu ia colocar aqui pra gente discutir, que é assim, quem tá escutando a gente agora, então, se planejando pra engravidar, se tá em um tempo bom ali pra planejar uma gestação. Ah, tô ouvindo final de dois mil e vinte e quatro, tô ouvindo começo de dois mil e vinte e cinco, é tempo?
Sempre é tempo, né? Porque quanto antes a gente começar a se planejar melhor, e a gente não tem um… um prazo ali certinho de que ela tenha que procurar, né? O que eu acho importante a gente falar também é se existem algumas orientações específicas que a gente possa dar para essa fase pré-concepcional. Porque, por exemplo, falando da parte ginecológica, né?
Se uma mulher vai no ginecologista dizendo, olha, eu estou pensando em engravidar. A gente vai dar algumas orientações ali de, ah, vamos checar se as suas patologias de base que você possa ter, hipertensão, diabetes, está tudo descompensado ou não. Se a sua rotina ginecológica está em dia ou não? Será que as suas vacinas estão em dia ou não? Então, a gente olha para essa parte, já respondendo uma coisa que muitas pessoas perguntam também quando vão ao ginecologista para tentar engravidar.
Não tem nada que a gente possa… dizer se a pessoa é fértil ou não, né, então tem como a gente fazer alguns aconselhamentos ali com relação à parte de reserva ovariana e tudo mais, mas enfim, existem algumas orientações pré-concepcionais que a gente pode dar. Você enxerga que na parte nutricional existem essas orientações também? Com certeza. Num primeiro momento, a gente vai fazer uma avaliação de como está essa saúde geral para trabalhar esses pontos.
Essa paciente tem alguma alteração metabólica que a gente precisa focar ali no trabalho? A questão do peso, fazer um diagnóstico nutricional para entender se esse peso está adequado. Como que a gente consegue trabalhar esse peso? Então, a gente não vai trabalhar uma perda de peso muito intensa nesse período, né? A gente vai trabalhar de forma gradual.
É importante alguns exames também para a gente identificar como que está esse metabolismo, se tem alguma deficiência, alguma carência nutricional, né? Algumas vitaminas e minerais que são mais importantes. Como que está a saúde tireoideana, né? Que é uma coisa que geralmente a paciente já traz depois da consulta com… com o médico, então a gente já recebe essa informação e aí a gente vai entendendo todo o contexto de saúde.
Eu gosto sempre de direcionar também para indicar uma atividade física, então começar o quanto antes nesse processo. A atividade física vai fazer parte também desse acompanhamento. E a gente já faz os ajustes ali da alimentação, trabalhando a base mesmo da alimentação. Depois, com os exames, com toda a análise completa, a gente consegue praticar algumas intervenções mais direcionadas também. Você comentou dessa questão de alguns exames para a gente avaliar, dos hábitos alimentares, dos nutrientes.
A gente fala muito do ácido fólico para quem quer engravidar, mas existem outras avaliações e outras orientações que são importantes para essa fase também, né, Bruna? Sim, pensando até em exames, em diagnóstico nutricional, para a gente avaliar o consumo alimentar, não só por exames, mas também entender como é a alimentação daquele paciente. Então, um ponto importante é o recordatório alimentar, a avaliação que a gente faz de como é a rotina alimentar daquele paciente. Por aí a gente já consegue identificar algumas possíveis carências, né? Para fazer alguns ajustes e outras vitaminas e minerais a gente pode avaliar via exame, né?
Então, muito importante avaliar vitamina D, né? Pensando ali no cuidado nutricional, vitamina B-dose, o ferro, né? Então, como que está a… os níveis de ferro nessa paciente, né, para preparar realmente esse organismo antes da gestação. E também o perfil glicêmico que a gente fala, né, glicemia de jejum, insulina de jejum, hemoglobina glicada, né, são alguns dos exames que eu considero mais importantes do ponto de vista nutricional.
Mas eu achei muito interessante que você falou assim, a gente vai conciliar a questão dos exames com o recordatório alimentar, pra saber como tá a alimentação. Eu já dei esse exemplo em um outro episódio também, vou comentar aqui com você. Eu sou pós-bariátrica, né? Então, eu faço acompanhamento nutricional, uso algumas vitaminas e tudo. E em uma das consultas com a nutricionista, ela perguntou do meu recordatório, aí quando eu falei, depois de tudo assim, ela falou, Camila…
Você tá tomando as vitaminas, mas você sabe que você precisa comer elas também, né? Não adianta só tomar, você precisa comer fruta, salada. Então, assim, às vezes a gente coloca muito, vamos dizer assim, entre aspas, peso, né? De, ah, eu vou fazer o exame, eu vou tomar ali essa, essa, aquela outra vitamina, mas o básico a gente não tá fazendo. Parece uma coisa simples, mas na hora que ela falou isso pra mim, eu falei, nossa, realmente, né?
Eu não tô, eu tô aqui acompanhando, tomando minhas vitaminas, mas o básico eu não tô cuidando. Então, é importante a gente ter essa atenção pro todo, porque os nossos hábitos contam até mais, né? A gente vai usar suplementações, mas o básico vem da nossa dieta, realmente, né? A suplementação, ela vem como algo adicional mesmo ali, pro que a gente não consegue realmente tirar da alimentação, seja por uma… Deficiência no consumo mesmo, um consumo aquém do que a gente precisa, ou até por alguma alteração na absorção, a gente pode ter outros fatores.
Mas a alimentação vai ser realmente a base. E tem alguns alimentos específicos? Só assim, para citar, que eu sei que não dá para a gente entrar muito em detalhes, mas a gente estava comentando da questão ferro, vitamina D, ácido fólico. Tem alguns alimentos ou grupos que a gente recomenda que possam fornecer uma quantidade maior desses nutrientes? O ponto principal seria partir de uma alimentação muito diversificada, né?
Que a gente consegue um aporte melhor de todos esses nutrientes, né? Tanto um bom consumo ali de proteína, de carboidratos, de lipídios e dos micronutrientes também, que são as vitaminas e os minerais. Aí, pensando um pouco mais específico, né? Se a gente for falar do ferro, a gente tem fontes de origem animal, né? Então, as carnes, né?
Que trazem ali um bom suporte de ferro. Mas também a gente tem ali alimentos de origem vegetal, como as leguminosas, o feijão, né, que tem ali uma boa quantidade, a quinoa. Então, a gente pode até melhorar a biodisponibilidade que a gente fala, né, desse ferro de origem vegetal, associando com o consumo de algum alimento ali rico em vitamina C. Hum. Porque quando a gente tem uma alimentação mais baseada em plantas, a gente pode ter uma menor absorção desse ferro, porque ele tem uma forma diferente do ferro de origem animal.
Então, a gente pode vir com algumas estratégias, como o uso da vitamina C, via alimentar mesmo, na mesma refeição, para facilitar essa absorção. Olha que legal! Você até já respondeu uma coisa que eu ia te perguntar, que era de particularidade, por exemplo, pra quem é vegetariano, quem é vegano, se tem alguma recomendação específica a mais, né, nessa parte aí do planejamento pra engravidar, então essa é uma boa orientação, né? Sim, isso é. Pensando, né, em…
indivíduos que têm uma alimentação vegetariana, vegana, a gente precisa ficar bastante atento com a vitamina B-dose, né? A vitamina B-dose, ela vem de alimentos de origem animal, então, geralmente, a gente precisa entrar com uma suplementação. Aí, a gente fica atento também com o ferro, né? Com essa questão do ferro. Se for uma paciente vegana, né?
Observar e avaliar como está o consumo de cálcio também, né? Tendo em vista que a gente não vai ter o consumo do leite e dos derivados. Mas também a gente tem alimentos ali de origem vegetal que tem uma maior quantidade de cálcio também, como o gergelim, ele é rico em cálcio, né? Então, a gente pode conseguir chegar ali em níveis adequados. Também o leite vegetal que a gente encontra no mercado, muitas vezes é adicionado de cálcio, né?
Então, é preciso avaliar como que está esse consumo, né? melhorar a via alimentar e se não conseguir atingir um consumo adequado, a gente complementa, a gente suplementa com o cálcio também. E acho que a maior pergunta que surge quando a gente fala de alimentação vegetariana e vegana é as proteínas, né? Essa é uma dúvida muito frequente também, mas dentro de uma alimentação vegetariana e vegana bem planejada, a gente consegue também atingir uma quantidade suficiente de proteínas, mas precisa ter uma combinação correta dos alimentos, um consumo, por exemplo, de leguminosas, que vão ter uma quantidade maior de proteína, essas leguminosas combinadas com… os grãos com cereais então a gente vai trabalhando ele tem o tofu também né que pode entrar como uma fonte proteica mas é possível né tem um preparo pré-concepcional saudável uma gestação saudável partindo da alimentação vegetariana tá legal e assim a gente falou sobre essas recomendações Você considera, existe alguma dieta que seja da fertilidade?
A gente fala muito sobre essas questões, tem muita paciente que pergunta qual é a melhor dieta para seguir, tem muita coisa relacionada a carboidratos, que hoje em dia virou quase uma tendência de que a gente tem que se preocupar com os carboidratos. Tem alguma dieta específica que a gente recomendaria para quem quer tentar planejar engravidar em breve? É difícil a gente falar em uma dieta específica, né? Então, cada paciente é um universo, né? A gente precisa entender toda a condição de saúde, as preferências do paciente, a rotina, os costumes.
Tudo isso faz parte na hora da gente pensar em uma dieta. Pensando de uma forma mais geral, é aquela dieta baseada em comida de verdade, né? Alimentos in natura, frutas, legumes, verduras… sementes, gorduras boas, né, um bom aporte de proteína, um bom consumo de proteína, né, proteínas de fontes variadas também. Então, a carne vermelha, a gente pode pensar em revezar com outros tipos de carne também, reduzir um pouquinho ali o consumo, muitos pacientes vêm com consumo exclusivo, né, de carne vermelha, então, vamos revezar ali, né, com peixes, com frango, ovos, né, trazer outras fontes, as próprias leguminosas, né, é entrar com as sementes então a gente fala de um estilo mais parecido com uma dieta mediterrânea né rica em ômega três via alimentar né então ali entra os peixes como a sardinha que é um alimento muito interessante nesse período além dela ter ômega três ela também tem a coenzima q-dez né então é um alimento super rico nesse período o abacate um alimento bem interessante né tem diversas possibilidades.
Quando a gente fala em carboidrato, o mais importante é a gente conseguir ali trabalhar a questão da carga glicêmica das refeições. Então, mais do que reduzir carboidrato, a gente vai trabalhar o tipo de carboidrato, então evitar açúcar adicionado, acho que esse seria o principal caminho ali, até para reduzir a inflamação, para trabalhar a saúde como um todo. E trabalhar mais o consumo de carboidratos integrais, dos tubérculos, né? Então, uma batata doce, uma mandioca, fazer um revezamento dos tipos de carboidrato, né? Mandioquinha.
Então, de acordo com o paciente, a gente consegue… variar um pouco mais essa alimentação e trazer outras fontes de carboidrato que são interessantes. E quando a gente monta uma refeição, para a gente evitar que tenha aquele aumento do açúcar no sangue muito rápido, muito intenso, é importante que o carboidrato não seja consumido sozinho. Então, a gente vai montar ali o carboidrato associado com outro tipo de alimento. Então, pode ser junto com uma fonte de fibras, sementes, né, aveia, adicionar algo, ou pode ser junto com uma proteína, então um pãozinho com ovo, né, a gente pode pensar em várias combinações, um pãozinho com uma pasta de castanhas, né, um creme de castanhas, tudo isso reduz essa velocidade com que a gente tem esse aumento, né, da glicemia do sangue, o aumento da insulina, e isso vai trazendo melhoras metabólicas.
Você vê, foi o tempo que a preocupação era a caloria daquilo ali, né? Você vai olhar o rótulo, ah, isso aqui tem cem calorias. Então, eu posso comer um brigadeiro ou eu posso comer essa fruta que vai me dar cem calorias. Mas a interpretação é muito maior, né? E que bom que a gente já evoluiu a esse ponto pra poder orientar melhor dessa forma, né?
As pacientes. E quando a gente fala em doenças específicas? Então, assim, tem duas que me vêm à cabeça num primeiro momento que, às vezes, as pacientes acabam perguntando sobre recomendações pontuais, que são a síndrome do ovário policístico e a endometriose. Você vê alguma particularidade que a gente poderia falar com relação à alimentação para essas pacientes? Com certeza, são duas condições que precisam de um cuidado mais intenso, pensando no controle da alimentação mesmo, no direcionamento dessa alimentação, tem algumas estratégias de suplementação que a gente pode utilizar também, Mas são duas condições que são ginecológicas, mas que são sistêmicas também, que têm uma repercussão sistêmica, metabólica.
Então, a gente precisa trabalhar esse cenário. Quando a gente fala da SOP, vem ali como uma das principais características a resistência à insulina. o aumento da testosterona, que pode levar a anovulação, alterações do ciclo. Então, o nosso principal alvo ali é regular realmente esse metabolismo da glicemia, da insulina, e para isso a gente vai trabalhar a questão dos carboidratos. Então, em algumas pacientes, no início, a gente pode precisar reduzir um pouquinho o consumo de carboidratos, mudar o perfil de carboidratos, né?
Como a gente conversou antes. Então, preferir os integrais, né? Fazer esse controle ali na refeição, sempre associar o carboidrato com outro alimento. Consumo de fibras, muito importante, né? E com isso repercutir também na questão da fertilidade associada, o restabelecimento do ciclo, da ovulação.
Então, na SOP seria mais isso. A endometriose é caracterizada por uma grande inflamação também, uma resposta imune exagerada, produção de espécies reativas de oxigênio. Então, a gente vai trabalhar muito com os antioxidantes na mulher com endometriose. A gente tem algumas estratégias com antioxidante, inclusive, para redução da dor durante o tratamento. A mulher com endometriose geralmente refere uma dor pélvica, então a gente trabalha essa questão também.
Além disso, pensando em dieta, uma dieta mais baseada em alimentos in natura, como a gente conversou, a questão do consumo de carne também deve ser considerado. Então, a carne vermelha, alguns estudos indicam que pode promover um aumento dos sintomas na endometriose. Então, diversificar as fontes de carne, de proteína. Então, entrar… com as carnes brancas, com os peixes, que podem ser interessantes nesse período, com o consumo de ovos.
E ficar atento também para sensibilidades alimentares. Então, são pacientes que têm ali, às vezes, mais sensibilidades alimentares, a gente precisa ficar atento. Mas não existe uma recomendação de uma dieta específica restritiva, é obrigatório restringir o glúten? Não, a gente vai avaliar caso a caso, às vezes o paciente por conta própria acaba restringindo, mas isso precisa ser avaliado também. É, até porque quando a gente vai pra algo muito restritivo, dificilmente é algo que a gente consegue manter, né, a médio e longo prazo.
Se a gente tá falando de mudança de estilo de vida, né, pra sempre, é muito complicado, né, a gente viver numa restrição muito grande. E eu achei muito legal isso que você falou, principalmente da questão da síndrome do ovário policístico, Porque eu até gosto de falar para as pacientes assim, eu falo, olha, o nome da doença é um nome muito ruim, porque parece que o ovário é problemático, que aquelas imagens que você está vendo lá é tudo problema, quando na verdade o ovário é vítima de uma grande alteração hormonal, metabólica que está acontecendo e ele está refletindo tudo isso, né? E eu acho interessante a gente mudar um pouquinho esse conceito da síndrome do ovário policístico, porque… Eu ainda, falando como ginecologista mesmo, a gente recebe muitas vezes no consultório o paciente, ah, porque aí eu usei não sei quanto tempo de anticoncepcional para tratar a síndrome do ovário policístico. Pode tratar o sintoma, mas a base ali de toda essa alteração metabólica está no nosso estilo de vida, né?
E muitas vezes pacientes que nem chegaram a tentar engravidar e que se mudassem talvez alguns hábitos, uma perda de peso, mesmo que em pequena quantidade, né? Se tiver indicação… Pode até ajudar exatamente o que você falou, a restabelecer ciclos menstruais e engravidar espontaneamente, né? Eu tive uma paciente que me marca muito nesse sentido, ela tinha síndrome do ovário policístico, mas tinha também um fator masculino associado. Então, eles já tinham tentado algumas estratégias de tratamento, não tinha dado certo e eles vieram pra fazer uma fertilização.
A gente fez, fez duas transferências, mas eles não conseguiram engravidar, ficaram abalados por tudo isso e resolveram dar um tempo. Uhum. E nesse tempo, ela mudou os hábitos de vida, começou todo um acompanhamento, perda de peso, ela voltou a menstruar e ela engravidou espontaneamente, mesmo com o fator masculino, eles entraram ali na mudança de estilo de vida juntos e engravidaram espontaneamente. Então, às vezes a gente subestima um pouco, né, o poder disso. Eu falei também em um outro episódio, né, Eu atendi um casal e o marido tava comentando que mudou a alimentação, mudou a prática de atividade física, já tinha perdido uma certa quantidade ali de peso e tudo mais.
E aí, em algum momento da consulta, ele falou, ah, e aí eu comecei a tomar melatonina. E você acha que é por causa da melatonina que eu tô dormindo melhor? Eu falei, não, eu acho que é porque você tá comendo melhor, porque você emagreceu, porque você tá fazendo atividade física. A gente subestima essas coisas pra nossa qualidade de vida e pra fertilidade, né? É.
E a gente falou um pouco dessa questão de dieta restritiva, do quanto isso é difícil, assim, tem algum erro, não sei se a gente pode chamar de erro nutricional, mas alguma coisa que você perceba como mais frequente no consultório, que as pessoas chegam e que você tem que orientar e fala, e olha, não, isso não é bem assim, isso não vai te ajudar, ou então isso vai dificultar muito o seu caminho, tem alguma coisa que você veja como mais comum ou não? Camila, eu recebo muito pacientes com excesso de suplementação, sem acompanhamento, muitas vezes. Então, pacientes que chegam tomando quinze suplementos de uma vez, doses altas, né? Por tempos muito prolongados. Então, essa é uma questão até de segurança, né?
A gente precisa, eu falo que a gente precisa pensar no suplemento. Primeiro lugar, em segurança. Segundo lugar, se é efetivo para o que a gente quer melhorar, né? O que a gente quer ali… observar, e também se é o melhor momento para utilizar aquele suplemento, né?
Então, por exemplo, nesse caso, que chega com uma quantidade muito grande de suplementos, esses suplementos podem, inclusive, interagir entre si, né? E causar malefícios. Um suplemento em excesso, um nutriente em excesso, pode diminuir a absorção de um outro nutriente, aí a gente cria uma nova deficiência nutricional, né? Uma outra questão, as doses altas, além do risco de toxicidade dessas doses altas, a gente pode ter um impacto inclusive na fertilidade. Um caso interessante é o zinco, então a gente precisa de zinco para ter ali uma qualidade dos gametas, então o zinco é muito importante.
Níveis baixos, então, de zinco vão ser prejudiciais, mas níveis elevados de zinco também são prejudiciais. Então, a gente precisa ficar ali, né, num nível adequado. Então, às vezes, o paciente já consome via alimentação e aí suplementa isso sem uma avaliação de exame, sem avaliação do consumo alimentar, isso pode trazer um malefício. Uhum. Acho que dá até para citar um outro exemplo sobre o melhor momento para utilizar.
Então, pode ser um ótimo suplemento, mas não é o momento para utilizar. Então, quando a gente fala de melhora de saúde dos gametas, no preparo da coleta, os antioxidantes podem ser muito interessantes, né? A gente fazer um uso. Já próximo ali do momento da transferência, alguns antioxidantes não são indicados, né? Então, a gente recomenda a suspensão nesse período.
Então, todos esses são pontos que precisam de muita atenção, né? Eu sempre alerto para isso, alguns outros suplementos, né, às vezes o paciente chega em uso de ômega três, que é seguro, né, o folato é indicado que se inicie, né, o consumo antes, é sempre melhor que tenha, né, um acompanhamento profissional para isso, mas esse excesso de suplementação é algo bem sério, né, nesse sentido. Foi maravilhosa na sua colocação, porque as pessoas tendem a acreditar, mas é vitamina, mal não vai fazer. Faz. Faz.
Faz em várias questões. A gente precisa de acompanhamento, precisa saber se realmente a gente precisa de tudo isso. Às vezes tem paciente que me pergunta, principalmente próximo ali da transferência de embrião. Aí tem aquela lista que são páginas e páginas, assim, ah, mas eu posso continuar tomando? Falaram, você precisa primeiro manter seu acompanhamento pra saber se você precisa realmente de tudo isso, né?
Muito do que tá aqui, a gente nem, às vezes, nem tem evidência, exatamente, de segurança pra gente dizer, ah, continua tomando. Então, é perfeito a sua colocação da gente ter realmente um acompanhamento e suplementar aquilo que seja necessário, no momento necessário, né? Que seja seguro, realmente, pra paciente, né? E algum outro ponto que você pense que seja interessante da gente trazer? Ah, lembrei de uma coisa importante que eu queria comentar também.
A gente fala dessa parte de estilo de vida, você falou um pouco da atividade física, que é importante a gente associar também, né? E tem muito a ver com o sono, eu vejo também essa parte do estilo de vida, né? Quando a gente dorme melhor, parece que a gente tá mais, lógico, disposto com certeza, mas assim… O raciocínio muda, até a sua capacidade de fazer boas escolhas alimentares, pelo menos pra mim, isso muda absurdamente, né? E você vê que tem alguma coisa que a gente possa orientar com relação aos hábitos?
Como, em geral, que possam trazer uma melhora nessa questão de sono também? Perfeito. O sono é essencial, né? Se a gente for fazer uma análise, ele vai impactar em tudo, né? Desde a sua digestão, a saúde intestinal, o equilíbrio hormonal.
E isso vai impactar diretamente na questão da fertilidade, né? Das chances ali. inclusive de uma gestação saudável, então a gente precisa manter o equilíbrio do que a gente chama de ciclo circadiano, então ao longo do dia a gente passa por um ciclo ali, então a gente tem diferentes níveis de produção hormonal ao longo do dia, que precisam estar em equilíbrio ali, as enzimas digestivas a gente tem uma produção diferente ali ao longo do dia e da noite também, Então, quanto mais a gente conseguir respeitar esse ciclo, a gente vai ter um equilíbrio maior. A melatonina precisa estar mais alta à noite para que a gente tenha uma boa indução do sono. E de manhã ela vai reduzindo ao longo da noite, e de manhã a gente precisa ter um aumento do cortisol, e isso vai regulando esse ciclo.
uma boa produção de melatonina, ela vai garantir esse equilíbrio, uma boa qualidade do sono, mas também a melatonina tem uma função muito importante como antioxidante, principalmente se a gente pensar nos tecidos reprodutivos, então a nível de testículo, de ovário, ela pode atuar como um antioxidante também, contribuindo para a saúde dos gametas. E como a gente pode melhorar esse sono, né? Acho que essa é uma das grandes questões com essa vida corrida que a gente leva, né? Com essa rotina que muitas vezes nos faz perder aí a hora, né? Então, eu sempre indico não colocar a última refeição muito tarde, muito próximo do horário de dormir para favorecer um pouco mais o sono, né?
Para a gente já dormir ali com a digestão um pouco mais avançada. Colocar alimentos ricos em magnésio ali próximo do horário de dormir. Então, às vezes, ali na última refeição, utilizar sementes, como semente de girassol, semente de abóbora, que tem uma grande concentração do magnésio, outras estratégias, né? A gente tem alguns alimentos que a gente chama de fitomelatonina. É uma substância bem parecida com a melatonina, que ajuda também na sedução do sono, como o kiwi.
Ah! Então, é um alimento bem interessante para a gente colocar ali nesse horário, né? Pós-jantar, por exemplo. Ele ajuda, inclusive, o processo de digestão também. Ele tem enzimas digestivas nele que já ajuda a digerir principalmente as carnes.
Que legal! É uma estratégia interessante. E a gente tem também a famosa, que está ficando famosa agora, a higiene do sono, que é um conjunto de ações que a gente vai fazendo próximo do horário de dormir para favorecer também um sono de qualidade. Então, tentar desacelerar um pouquinho mais no período da noite, já ir reduzindo as luzes dentro do possível, a gente sabe que nem sempre é possível, e também evitar o uso de telas antes de dormir. Esse ainda é um desafio, né?
Pelo menos falando por mim, esse é um desafio. A gente tá cada vez mais conectado e acelerado e tudo, mas é importante e faz diferença, né? Porque a tela, não só pela luz, que já diminui a produção de melatonina, mas muitas vezes a gente fica muito acelerado, né? Um estímulo gera preocupações, aí você lê uma notícia ruim, né? Às vezes já vai dormir mais angustiado, então…
Se possível, né, evitar um pouco o uso de telas também nesse período. Não, muito legal. E eu fui pegar água aqui, eu olhei o café do lado, aí eu lembrei de uma coisa que eu ia te perguntar também, que a gente tá falando bastante de coisas boas pra incluir na alimentação e estratégias pra adotar, mas tem aqueles que o ideal seria a gente, não vou dizer proibir, mas limitar, né, diminuir um pouco o consumo quando a gente tá falando em cuidado com a saúde, mas com a fertilidade também, né, Bruno? O café é um deles, né? Quando a gente fala em cafeína, né?
Durante ali as tentativas, na fase de tentante, a gente indica reduzir, né? Uma redução já pode trazer benefícios ali, tanto pra mulher como pro homem, né? Acho que isso é É um ponto importante a gente falar, porque a gente coloca tanta carga para a gente como mulher, né? Parece que o homem pode sair, como é McDonald’s, está tudo certo, e a mulher tem que se privar e não é bem assim, né? Não é bem assim, exatamente.
O cuidado é do casal mesmo, né? A gente precisa de um óvulo saudável, de um espermatozoide saudável, né? E os estudos mostram cada vez mais que não é somente aquele espermatozoide ter a capacidade de fecundar. A saúde do homem, a saúde do pai, vai influenciar a saúde familiar. futura do filho, não só pela genética, mas pelas questões que a gente chama de epigenética, que é uma mudança ali na expressão de alguns genes, dependendo ali de fatores do estilo de vida.
Então, o cuidado nutricional e de estilo de vida do homem é fundamental nesse processo. Além do café, você lembra de mais algum que você acha importante a gente recomendar de limitar um pouco o uso? A bebida alcoólica, né, sem dúvida. Então, reduzir ao máximo durante as tentativas e durante a gestação, né, suspender completamente. A gente não tem doses seguras, né, de bebida, de álcool, né, na gestação.
Então, no caso da gestação, suspender completamente e durante as tentativas reduzir ao máximo também. Uhum. E alguma estratégia, alguma dica que você considera que possa ajudar? Você já me ajudou, então por isso que eu coloquei essa pergunta aqui. Pra gente poder passar essa informação.
No caso das tentantes, né? Que estão tentando ali diminuir a… quantidade de café, né, eu sempre oriento ali, tentar trocar por um chazinho, algo que abrace também, que seja aconchegante, né, porque às vezes a gente sente falta daquela bebida quentinha, né, então eu indico bastante o chá de cacau, né, então ele é um chá que não tem cafeína, né, ele até dá uma A gente percebe que parece que ele dá um pouquinho mais de energia, ele é rico em polifenóis, que tem uma ação antioxidante também, mas ele não tem a cafeína. Então, ele tem um saborzinho gostoso, mas docinho também, então pode ser uma estratégia. Outros chás também podem ser interessantes.
E até o café descafeinado, né? É importante lembrar que é melhor optar, né? No caso do descafeinado, a gente sugere que seja um descafeinado pelo método de extração suíço, que é feito à base de água, porque outros métodos podem adicionar outras substâncias ali que não são interessantes também, que podem ser prejudiciais nesse processo. Entendi, bom saber, também não sabia. Perfeito.
Acho que a gente deu bastante orientação para quem está pensando nesse planejamento reprodutivo. Alguma outra coisa que você considere importante que a gente não tenha abordado nesse momento? A pensar também na redução do consumo de alimentos com alta contaminação por agrotóxicos, esse é um ponto bem importante também. Então, se conseguir incluir alimentos orgânicos é interessante, ou pelo menos usar mais os alimentos da safra da época, que eles vão precisar de uma quantidade menor de agrotóxicos para serem produzidos. Comprar de pequenos produtores que muitas vezes não têm a certificação de orgânico, mas utilizam o mínimo ali, né?
De fertilizantes. Então, a gente tem essas estratégias também. Reduzir outros poluentes ambientais também, né? Como o uso de plásticos para condicionar o alimento. Então, trocar os recipientes plásticos por recipientes de vidro.
Não aquecer o alimento no plástico, né? Acho que esses são… São algumas recomendações também. Excelente! Amei nossa conversa.
Queria te agradecer imensamente por tirar um tempinho para vir aqui, conversar, passar tantas orientações, informações importantíssimas para quem está já nas tentativas e quem está pensando em começar as tentativas agora em dois mil e vinte e cinco. E, em primeiro lugar, queria te agradecer e deixar um convite aqui para que você possa deixar uma mensagem, um recado… para as tentantes e futuras tentantes que estão ouvindo a gente agora e pensando na gestação em dois mil e vinte e cinco. Eu que gostaria de agradecer pelo espaço, por esse momento aqui de a gente poder conversar sobre um assunto tão importante que precisa ser ser levado até as pacientes, né? Então, muito obrigada.
E o que eu gostaria de deixar de mensagem, né? Que realmente a gente às vezes fica preso, né? Ao momento perfeito, né? Ao iniciar com tudo perfeito, mas a gente pode trabalhar em etapas, trabalhar em passos, né? Então…
Um acompanhamento nutricional não pode ser sinônimo de uma dieta restritiva, de algo impossível de praticar na sua rotina, né? Então, esse cuidado, ele fica realmente para a vida, né? Então, a gente vai incluindo uma mudança por vez e isso pode fazer toda a diferença nesse processo. Então, acho que fica essa mensagem, né? E desejo a todos um excelente final de ano, né?
Um novo ano aí que comece cheio de objetivos, né? de sucesso também. Excelente, Bruna, porque mais importante do que a gente pensar assim, a partir de primeiro de janeiro eu não tomo café, eu não como açúcar, eu não faço, isso não é algo que a gente consegue manter, né? Então, mais importante que isso é a gente começar o ano com o objetivo de olhar pra nós, né? De uma forma mais…
com mais cuidado e passando, né, também pelo cuidado da parte nutricional e dos nossos hábitos, né? Muito obrigada, que dois mil e vinte e cinco seja muito abençoado pra você, pra todos nós, viu? E eu te espero mais vezes aqui no nosso podcast. Obrigada, foi um prazer. Excelente dois mil e vinte e cinco pra você também.
Obrigada. Obrigada por assistir ao Papo de Tentante. Aproveite e acompanhe o CEFERP no Instagram e no YouTube pra ficar por dentro das novidades. Te vejo no próximo episódio. Até lá!
