No episódio de hoje temos a presença da Psicóloga do CEFERP, Dra. Heloísa, que fala com detalhes sobre como lidar com a fertilidade diante de um diagnóstico de câncer. Assista ao episódio completo!
Transcrição do episódio
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Olá, aqui é a Dra. Camilla Vidal, médica especialista em reprodução humana do MC ferp, centro de fertilidade de Ribeirão Preto. Seja bem-vindo ao podcast papo de tentante, um espaço onde compartilhamos informações sobre o universo das tentantes em busca do tão sonhado positivo. Aqui você poderá compartilhar suas experiências, se inteirar sobre os assuntos de reprodução assistida e ainda conferir relatos de mamães que já passaram pelo tratamento e tiveram seu positivo. Você também poderá conferir novos episódios quinzenalmente.
E assistir ao episódio em vídeo pelo YouTube do MC ferp vamos ao episódio de hoje. Oi, pessoal. Bom, bem-vindos ao papo de tentante hoje. A gente tem uma convidada especial, né, doutora Heloísa? Tenho certeza que muita gente já te conhece, das nossas Lives, mas vai conhecer mais, né?
É verdade, essa é minha primeira experiência com o podcast videocast, né? É então eu não sei como é que chama, já ouvi mesa caste, não sei, tudo começou, só o áudio aí agora foi foi melhorando, né? Bom e hoje a gente vai falar um pouquinho dessa parte, principalmente relacionada ao diagnóstico do câncer, ao diagnóstico da infertilidade, da infertilidade. A gente falou um pouquinho, né? Mas, em primeiro lugar, queria então te agradecer e te convidar para se apresentar.
Para quem ainda não conhece, eu que agradeço. É uma oportunidade sempre única. Tá aqui conversando com vocês e poder principalmente trazer para o público, né? É é de famílias, casais, né que estão é fazendo, passando pelo processo de tratamento. É compartilhar um pouco algumas das informações, né?
Que eu venho estudando que eu venho tendo contato aí nesses anos de atendimento, né? E eu achei uma oportunidade super importante e relevante a gente poder falar exatamente da questão que envolve AA fertilidade ou infertilidade relacionada aos tratamentos de cânceres, né? Porque isso Oo diagnóstico do câncer em si já é algo que muda a vida de qualquer pessoa e quando está. Atrelado a infertilidade, né? Isso é traz ali uma série de consequências.
É emocionais e que é importante a gente poder falar, compartilhar, inclusive para que as mulheres saibam, né, que elas não estão sozinha. Se que tem outras mulheres passando pelo mesmo, isso é super importante e até o nosso objetivo não é de fazer todos esses conteúdos, conversar porque, querendo ou não, falando do câncer, fertilidade e infertilidade, é uma jornada solitária. Muitas vezes, né? Muito, muito. Até porque é o tratamento, né?
De fertilidade, ainda que haja, não é um componente masculino, ele já é uma jornada solitária para mulher, né? Que passa, que é quem recebe os hormônios, que passa pelas alterações hormonais e emocionais, né? E que aí aguarda, sente os sintomas todos, né? Hã, e aí, quando associado a isso, tem também a questão do diagnóstico do câncer, porque ainda que enquanto ela tiver no tratamento de câncer, ela possivelmente não vai estar fazendo nenhum tratamento para fertilidade. Mas uma vez que ela esteja de alta do tratamento do câncer, ela ainda vai passar por muitos anos, fazendo acompanhamento, segmento Uno, né?
E todos os medos que isso traz é para a vida de qualquer pessoa que está fazendo um segmento pós tratamento de câncer, né? É, e a gente sabe que tem as questões hormonais do tratamento, então acho que gera muitos medos, dúvidas, inseguranças, é, e eu achei interessante, você estava comentando essa questão da da solidão da da mulher até durante o tratamento EE recentemente houve alguns homens me falando o relato. Da parte deles é que é uma coisa que às vezes a gente não não percebe tanto homem, às vezes é mais fechado, não fala tanto, mas muitos é recentemente, relataram. Assim, essa dificuldade de como lidar, porque tem que apoiar a esposa é, mas ao mesmo tempo tem que lidar com o seu, né? É, você sabe que assim tem sido muito frequente a gente começar a falar, pensar.
A gente não os homens, né, começaram a trazer a gente vê nas redes sociais a questão do luto por parte do homem, né? Porque Oo em de uma maneira geral, assim vamos pensar, os homens já tem um luto, já vivi. São luto, diferente da mulher, né? Então eles ficam muito mais. É.
É um luto mais, vamos dizer para dentro, né? Eles não ficam fechado num quarto escuro, chorando, enfim, então isso EE aí eles acabam, que é, não se chama tanta atenção para o luto que eles estão vivendo, né? E eles também acabam não compartilhando tanto, então é um luto solitário por outro aspecto, né? Porque inclusive, não é reconhecido socialmente, então ter essa oportunidade de falar. É bem importante, tem várias iniciativas aí de homens e pais que estão é chamando os homens para falarem de seus lutos.
Muito legal, não sabia. É, inclusive, uma página de um colega conhecido, Daniel do Rio, que chama luto do homem. Nossa, eu vou procurar é porque pra mim foi mais recente do isso porque a gente às vezes está tão focado, né? Na parte da da mulher, né? Muito legal é e falando dessa questão, da do impacto psicológico primeiro da da questão da fertilidade.
Ontem a gente até conversando, né? Sobre o que a gente ia falar no podcast do mas você comentou uma coisa que eu achei muito interessante, né? Que essa questão de que é e quando a gente fala da associação do câncer com a fertilidade, a gente sabe que possivelmente vai existir um impacto reprodutivo e saber disso às vezes aumenta o grau de ansiedade, né? Porque uma coisa é a gente saber como mulher a. Com o passar do tempo, a idade, a reserva ovariana, mas a gente se sentir falando até como mulher mesmo, meio que no controle, né?
Bom, vai reduzindo tudo bem, mas quando for no meu tempo eu vou, eu vou atrás. Mas isso não é. E parece que AA esse diagnóstico do câncer ele tira essa. Essa flexibilidade não é isso? Às vezes faz aumentar essa essa ansiedade, né?
Sim, é o diagnóstico de um câncer, né? Seja lá para quem for, ele é, na grande maioria das vezes, ele já traz um impacto muito grande. Como a gente já falou, e como todo mundo deve imaginar, sim, e a grande, na grande maioria das situações, né, principalmente nesses cânceres, né? É de sistema reprodutor, é, a gente espera que ele vá acontecer mais pra frente. Não é da vida reprodutiva, da mulher.
Pelo menos é o que, até onde eu sei, a ciência nos mostra. Então quando ele acontece de uma forma tão precoce, não é? Inverte um pouco os papéis, né? Então, a mulher que estava se preparando para ter um filho para engravidar, se programando para a vida, ela tem que de repente se reorganizar e se programar para fazer um tratamento para continuar viva, né? E aí vem todos os medos, não só atrelados ao câncer, né?
E ao tratamento e as possibilidades aí de metástase. Complicações, como também o medo de postergar. Prorrogar essa maternidade, né? E para muitas mulheres que às vezes diagnostica, me já no momento um pouco mais adiante, né? Para lá dos 3035 é quando ainda não engravidar e não tiveram filhos, não é?
É, fica muito mais difícil o rly dar com isso, porque aí é aquela coisa, eu fui obrigada a parar, né? A minha, os, meus planos de ser mãe. Porque eu tenho agora que me curar, né? E quando será que eu vou poder retomar isso? Une, então, são 2 lutos que vão andando paralelamente, né?
Porque luto não é só pela morte, luto são pelas perdas, né? Pela frustração por uma série de situações, por ter que reorganizar a vida, né? E os planos? Isso eu acho muito legal você comentar porque às vezes a gente fala até bastante isso para quem tem 111 negativo ou uma perda gestacional, né? É você com certeza vai falar com mais propriedade, mas a gente usa bastante essa palavra porque há uma percepção de luto, né?
A gente vê. A gente projeta uma realidade até se a gente for pensar num tratamento, né? Para engravidar na nossa, o nosso planejamento era, eu vou engravidar de forma espontânea, então a gente já refazer essa programação, né? A gente adaptar os nossos planos já já é mais difícil, né? Então a gente usa bastante essa questão do luto.
Até para isso, a gente transferiu o embrião. A gente estava ali olhando a foto do embrião, olhando aí, esperando ali o teste de gravidez, então viver aquele negativo de certa forma e a gente tem que se desfazer de tudo aquilo que a gente tinha programado, né exatamente. Sim, hoje não é nós que trabalhamos, né? Nessa área a gente sabe que é. É um luto o que as mulheres, os casais, né, vivem é mês a mês, né?
Seja porque eles estão tentando engravidar e a menstruação vem, seja porque estão fazendo o tratamento e aí ou vem uma gestação química, né? Um positivo que depois não evolui ou ou logo negativo e aí as pessoas até ficam me perguntam, hã? Mas é, é um luto menor, não é em relação a quem perdeu, perdeu um bebê. Nos vai menor, não é maior, é um luto diferente. Enquanto quem perdeu uma gestação beber um filho tem, vamos dizer um luto Agudo, né?
Acontece no momento, tem que lidar com aquela perda concreta, esse casal, essa mulher, eles passam por uma situação de luto, mês a mês, um né? Um luto no ano são, pode ser que sejam 12, luto SIM, 1 ano né, e o quanto isso dói, né? Aquela coisa a gente já tá com aquela parte zinha do corpo machucada toda vez que você encosta nela dói mais, né? Isso, isso, isso. Então não dá pra gente comparar em termos, não é de de grandiosidade.
Assim se é maior ou menor, se é mais importante ou não. Mas são lutos e ele já está posto, né? Pra quem está esperando, desejando engravidar e não engravidando, quando vem um diagnóstico de câncer, né? É as coisas se complexe, fica me sim sim, e aí pra quem? Só para fazer um adendo, né?
Pra quem está um pouco confuso, né, que a gente tá falando dessa questão do câncer e. Fertilidade, hoje a gente está falando dessa parte, mais é psicológica, mas a gente falou também da parte técnica, né? Em outro episódio, então, do por que atrapalha, né? Qual é a relação do câncer com a fertilidade? Então, se você ainda não ouviu esse episódio, vou convidar para ouvir para entender, para depois a gente poder dar andamento nesse, né?
Eu mesma vou ouvir, porque eu não sei os detalhes, estava lá na primeira temporada, se é que a gente pode falar assim. Era antes, enquanto tudo era Mato não tinha vídeo, era? Não tinha vídeo, não tinha esse microfone, eram outros tempos, mas está lá e o conteúdo está excelente. Modéstia, parte, acho bom, é. E aí a gente falou um pouquinho dessa questão do impacto psicológico da da relacionada ao diagnóstico da infertilidade, inclusive a gente fez live recentemente sobre isso também, né?
E se vocês quiserem mais vezes, a doutora Heloísa, vocês vão contando pra gente que ela vai voltar, né? Pode chamar que eu venho, tá é? E um pouquinho também sobre essa questão do do câncer. Eu acho que a gente até consegue estabelecer e se for ver. É algumas semelhanças na no enfrentamento.
Não sei se é essa palavra, talvez, mas assim é uma coisa que eu vejo. Por exemplo, os 2 diagnósticos trazem muito estigma, muita solidão, que é o que a gente estava falando no começo. Muitas vezes as pessoas não não querem compartilhar ou por não ter aquela percepção de de pena pelo outro, que nem todo mundo quer se sentir dessa forma, né? Então acho que tem algumas coisas que acabam se somando também nesses diagnósticos, né? Sim, sim.
Que são 2 diagnósticos, não é que é EE. Eu acho que essa é a especificidade da mulher, né? São 2 diagnósticos que sinalizam, né? É é que podem sinalizar, né? É é do ponto de vista emocional que o corpo da mulher não está funcionando adequadamente.
Então o luto passa muito por isso, né? Porque se espera que aquela mulher com o seu corpo, né, saudável, que ela vai engravidar, que ela vai gerar filhos, vá, vá, vá. Amamentar não é não, não, não, não podemos generalizar sempre, né? Mas vamos dizer de uma maneira geral, mulheres que estão em tratamento não é, é salvo situações onde já se sabe de onde. Simão, que já tem alguma questão envolvida aí que é, impossibilita uma gestação natural, é o que é esperado, né?
O que a gente espera, o que a sociedade espera, né? Enfim, é um caminho natural, né? Pra quem está desejando ter filho é para uma grande maioria das pessoas e aí não ter filhos. A sinaliza que, por alguma razão, não é, é. Pode ser que aquele corpo não esteja funcionando como esperado e esse já é um tema que aparece correntemente no consultório na clínica, né?
Porque por que que todas engravida? Meu não é por que que mulheres que não, né, que tem em situação de rua, engravidam e têm filhos anualmente ou não, né? Independente se tem alguma doença de base ou se é uma infertilidade sem causa, então assim, esse mistério é muito complexo, e aí se associa. Uma diagnóstico de câncer, né? Então e aí?
Eu já não estou é gerando, né? Conseguindo engravidar ou manter uma gestação? Agora? Eu, meu corpo não funciona porque ele começa a produzir células que são cancerígenas, então, lidar com isso é algo muito importante que a gente precisa é é ter muito cuidado, né? Do ponto de vista emocional, porque são mulheres que estão impactadas, porque aquelas que já fizeram o seu ciclo reprodutivo, que já tem os filhos, né, já encerraram.
AA, né? No seu planejamento familiar, já colocaram um Ponto Final. Elas vão lidar com o câncer, né? Agora essas vão ter que lidar com 2 coisas simultaneamente, e esse é. Esse é o desafio é e é uma coisa que às vezes a gente não não pensa, né?
Houve uma vez uma paciente, uma coisa que me me arrepia, me tocou muito assim é, a gente tinha feito uma transferência de embrião e não tinha dado certo, né? E a gente conversando sobre o desfecho, sobre o tratamento, ela falou assim, a doutora, mas, pelo menos naquele momento eu estive grávida. Nossa, isso me pegou de um, de um jeito assim para a gente poder ver a percepção daquilo, né? E às vezes, a sensação de não sei se é culpa a palavra, mas é o que você comentou. Por que que não funciona?
Por que que em mim não consegue implantar, né? A gente, a gente acaba atendendo a trazer esse esse pensamento, né? É EE, é gozado. Outro dia, uma paciente falou assim, é, é a única coisa que a gente não tem certeza, né? Porque se eu quero comprar um carro, uma casa, eu vou lá gasto o dinheiro que for, mas eu sei nem que eu seja a última pessoa contemplada.
Meu carro vai chega, mas é, é verdade. E quando você comentou dessa questão do do corpo, né? Da percepção do corpo, uma coisa que eu acho que também provavelmente interfere, né? Falando especificamente do diagnóstico do câncer é e dessa questão da, da fertilidade, das tentativas para engravidar é a percepção do corpo, da mulher, né? Principalmente a gente falando agora outubro rosa, câncer de mama muitas cirurgias envolvem, né?
Retirar uma parte importante, retirar uma mama, retirar as 2, né, por exemplo. É isso impactou também Na Na auto, imagina no relacionamento do casal, né? Sim, sim. Então, se isso já tem um impacto e a gente sabe, né? Pra uma mulher, para um casal que é, não tem a questão, né?
É da da da OA, ideia da de gerar, né, ou de amamentar etc nos seus planos, imagina pra aquela mulher e para aquele casal que tinham essa expectativa, né? Porque muitas vezes é em função do diagnóstico, ela não vai poder amamentar. Sim, no futuro ou em função do diagnóstico, a depender de que tipo que é esse câncer, talvez ela tenha que fazer uma histerectomia perdeu vários, né? Ou pode ser que seja um câncer que atinja útero, então ele atinge exatamente, né? Essas partes que estão envolvidas com a vida reprodutiva, né?
Então, como se fosse uma segunda puxada de tapete é e não raro a vai es. Ela não consegue, não foi orientada, informada e não consegue. É, né? Capital, óvulos foi uma embriões ou congelar os óvulos? Às vezes, ela vai se deparar com uma infertilidade pós tratamento.
Run, né? E aí vem uma terceira fase, porque quando ela já sabe que isso pode acontecer e ela tem a possibilidade de se programar, ela minimamente consegue se organizar. Muitas vezes, outras a gente sabe que não, mas é de, em via de regra, tem um período, né, para se organizar para a capital, óvulo, enfim, mas quando uma mulher não foi orientado ou não pôde, né desse tempo para fazer essa, essa prepara. Ação, às vezes ela vai ter que lidar com essa. Esse terceiro luto quer de saber que ela não vai poder é gestar com os seus próprios óvulos, né?
Porque perdeu a capacidade reprodutiva. Então a gente tem um terceiro desafio aí pela frente e tem mais uma questão, né? Que a gente não pode é é perder de vista. É nesses casos, né? É é do dos de, dos cânceres.
Muitas vezes as mulheres sofrem mutilações e assim que elas referem, né? Que seja de mama ou de outros órgãos, e isso tem um impacto na vida dela. Para além da questão reprodutiva, sim, né? Na sua autoestima, sim. Na relação com o companheiro, companheira é nem como ela vai viver a partir de então, né, que passa desde como eu vou usar um biquíni, né?
Ou seja, não tem nada a ver com amamentar, com engravidar, com ter relações, mas se é pra eu usar um biquíni, né? E as próprias cirurgias que advém disso, de reconstrução? EE outra, não é a nossa sociedade sempre cobra uma perfeição das mulheres de todos, mas eu acho que das mulheres pior, né? Peso adicional é, e aí ter que lidar com isso, né? Porque também frustra.
É, é isso, né? As próprias a tuas expectativas, teus valores teus, né? Então é, é, é bastante complexo, por isso que é super importante que. A essas mulheres, obviamente que também os casais, não é? Eles possam, sempre que possível, ter um acompanhamento, seja um acompanhamento individual, né?
Ou enquanto casal de psicoterapia ou grupos terapêuticos ou grupos de apoio, porque as vezes, naquele momento, não cabe no orçamento, né? Ou não, não é possível acessar 11 serviço público que ofereça um serviço de saúde mental, mas a gente sabe que tem muitos, muitas organizações que prestam. É esse tipo de apoio e de orientação, é grupos de apoio de mulheres, casais que passaram pelo mesmo, né? Em geral, essas organizações que trabalham com câncer sabem e conhecem, né? Então é uma coisa que a gente tem que falar muito, né?
Falar que existe, falar que é importante por conta de todo esse esses efeitos, né? Que Oo diagnóstico de câncer traz sobretudo as mulheres que estão ainda. No período reprodutivo e planejando uma gestação, outra coisa que eu acho interessante, a gente até tinha separado para conversar um pouquinho. É que essa questão da possibilidade da preservação da fertilidade, né? Então, pra quem não voltou ainda no episódio, a gente sabe, né?
Que dependendo do tratamento da cirurgia, quimioterapia é isso pode impactar diretamente, né? Qualidade dos óvulos quantidade a produção de espermatozoides também vale para o homem, né? É e muitas vezes, né? A gente discute estratégias de preservação da fertilidade, então antes do tratamento. Da gente passar ali.
No caso da mulher, por uma estimulação para congelar óvulos ou embriões, para que se realmente esse dano, né? Ao tecido ovariano for muito grande, que limite, né? De lá na frente, utilizar os próprios óvulos, que ela tenha aqueles ali congelados, né? É e nesse sentido, assim, eu uma coisa que pelo menos eu penso, quando eu atendo essas pessoas, né? Quando a gente vai pensar na preservação oncológica, é o lado bom que eu vejo de tudo isso é que a gente consegue pensar na vida pós câncer, então assim, vamos virar essa página.
Parece que assim, meio que naquele mesmo que naquele Turbilhão de emoções que a pessoa está vivendo, porque normalmente é tudo muito rápido, né? Você teve um diagnóstico, você tem que fazer exames, de repente você está com uma cirurgia marcada, está com a quimioterapia, então você está naquele Turbilhão de coisas. A sua vida mudou, mas ao mesmo tempo você consegue, por um lado, ter a percepção de que bom isso aqui está sob meu controle. Eu posso fazer esse planejamento e congelar e segundo, eu posso pensar na minha vida pós determinar tudo isso, né? Todo esse tratamento?
Isso é uma coisa que eu, pelo menos na minha percepção, eu. Eu vejo que é algo positivo, não é a gente conseguir a gente conseguir se imaginar livre daquele diagnóstico. Curado, né? É, eu acho que é como, a depender de quando se deu o diagnóstico é ele vem junto com também o peso da idade, né? Que as mulheres trazem com muita frequência, então quando existe a possibilidade de fazer a preservação, né?
Você consegue, é é mitigar. Isso que é o problema da idade, né? Porque se eu precisar 4 5610 anos eu já tenho congelado ali, né? Por mais que não seja Oo planejado desejado, porque OA vontade seria engravidar logo naquele período, mas só de saber que tem ali isso já, né? Já de certa forma, a calma e da paz, tranquilidade pra ir seguir o seu tratamento do né?
O tempo que que precisar e com as medicações que. Precisarem ser usadas, porque se tiver algum efeito sobre o corpo e a fertilidade, ela já tem ali os óvulos ou embriões, né? Então, de fato, eu acho que minimiza, né? Os efeitos, é é que a gente sabe que vem, né? Com a infertilidade e com o diagnóstico, né?
E às vezes, mesmo para quem não estava pensando em engravidar naquele momento, né? Porque isso é uma coisa que eu falo bastante. Quando a gente vai falar de preservação da fertilidade como um todo, independente, né? De causa oncológica ou não. Uma coisa a gente não querer.
Outra coisa é a gente ouvir que não pode, né, que não dá. Então, mesmo que não exista a programação naquele momento, às vezes nem tem o desejo naquele momento. Mas é importante a gente ter essa possibilidade no futuro, né? Até para não gerar às vezes aquela sensação de lá na frente, se eu quiser, puxa, poderia ter feito e acabei não optando por não fazer, né? Aham.
E quantas vezes assim a gente vê que é grande, acho que grandes acontecimentos, né? E o e o câncer é um evento, né? Importante que a pessoa passa. Às vezes muda tanto, não é? A prioridade é a mesma coisa quando alguém passa por um acidente, passa por uma perda, passa por alguma coisa.
De repente, parece que a pessoa muda AO planejamento da vida. Não é? Claro, Claro, nossa, isso é super comum e é um dos efeitos. Vamos dizer assim, né? Efeito não sei se a palavra é essa, mas do do processo de luto, né?
É quando vem acompanhado, não é quando a pessoa consegue passar e viver o luto, a gente percebe que o efeito que tem na vida, né é muda as prioridades, os valores, é gozado. Porque eu acho que é isso, a pessoa percebe, né, que podem acontecer situações que colocam em risco, não é? É que há colocam em risco, colocam em risco seus planos. Então é. É muito comum, né?
As pessoas é é. Falarem mês referirem essa mudança é, eu lembro uma vez, uma experiência pessoal, não é? Eu trabalhando e para quem já acompanha, sabe? Eu sou metódica, eu sou dos roteiros, eu sou toda preocupada, né? E aí eu estava, lembro agora faz tempo já, mas preocupada, tem que fazer isso, tem que fazer aquilo e corre para lá e corre fazer isso e aí conversando com uma outra pessoa que já teve câncer, já fez tratamento, né?
Mais velha é, e aí ela chegou e falou assim, você vai ver, eu já fui assim igual você, mas depois aconteceu tudo isso na minha vida, gente. Tudo, né? E aí escrevendo o roteiro, eu lembrei dessa situação porque realmente não é e às vezes até essa programação, porque é falando, por exemplo, de ter filhos mais uma vez, falando também como mulher, parece que a gente nunca vai ter aquela sensação de que agora dá, né? Agora a vida está, está tudo certo. Então eu acho que muitas vezes a gente vai postergando as coisas, né, não?
Depois eu penso nisso, não, depois eu faço aquilo e aí quando vem uma situação dessa, às vezes lá na frente a gente repensa, né? Bom é, e tem alguma coisa assim que você queria deixar de de mensagem de de orientação para as para as pessoas que possam estar lidando, né? Com essa dificuldade, seja do diagnóstico do câncer ou do do que você comentou, né? De poxa, tive o diagnóstico hoje lido com a infertilidade, porque não tive essa oportunidade, né? De de preservar a fertilidade antes.
Bom, é, eu acho que o que é importante é a gente sempre falar sobre esse assunto. Né? E também dizer para essas mulheres, esses casais que eles não estão sozinhos. Por mais que a sensação não é impressão, num primeiro momento seja essa, né? Por que que tá acontecendo comigo?
Por que que meu corpo tá é é me pegando essa peça Uno, né? Porque mais esse fardo para carregar, né? São falas muito comuns que a gente vê. Mas infelizmente, não é porque a gente não gostaria que é. É mulheres, casais passassem por isso, mas felizmente, há mais pessoas do que a gente gostaria passando por isso.
E essas pessoas é tão in tempos diferentes e podem ser rede de apoio podem ser acolhimento e nos trazem também uma néa. Assim, sempre que a gente tem contato e a possibilidade de acompanhar, a gente vê que há muita vida depois do diagnóstico. E talvez o que a gente precise mesmo é fazer esse ajustamento, não é como é, é de valores, de expectativas, de planos, que é a grande maioria das pessoas. Não diz que é melhor ou que é pior que só é diferente. E como a gente até falou, né?
Muitas até avaliam lá mais pra frente no processo, né? É do tratamento e do próprio luto pelas notícias e pelos acontecimentos de que ainda assim valeu a pena, porque. Se vem uma pessoa diferente, uma pessoa, talvez que consiga viver mais o momento presente, né, que não fica tão preso ao passado e ao futuro, né? Perdendo o que está acontecendo aí no dia a dia, se conecta mais com o corpo, com o bem-estar. Procura, né?
É? É um ritmo melhor de vida, um, enfim, então, na verdade, né, e felizmente é ainda que as notícias num primeiro momento, elas sejam notícias difíceis. Desafiadoras, por vezes tristes, não é? Mas muitas pessoas conseguem fazer de limão limonada deliciosa. Se elas contam isso pra gente, sabe, e é nesse tipo de exemplo que a gente tem que se inspirar, né?
E buscar forças, né? É o que você comentou. A gente vai passando pelas experiências e a gente vai aprendendo, né? De todos nós, né? Independente de do histórico de vida, a gente vai crescendo das situações difíceis, né?
E esse que é o importante, não é isso, inclusive aquelas mulheres que estão com diagnóstico de um câncer metastático. É. Tem. É. É várias páginas EE grupos de mulheres com câncer metastático e com as mais variadas histórias e que tem compartilhado um pouco, né dessa jornada aí nesse processo, ainda que não venha uma maternidade via seu próprio útero, né?
Muitas vezes vai vir aí, é outras possibilidades de maternidade, mas elas vêm e mesmo o diagnóstico da metástase não é um Ponto Final, né? Elas têm demonstrado aí nas redes sociais. Nos canais de YouTube nas próprias organizações é é tipo um co guia que tem muita vida pela frente. Que legal e com certeza. Assim, o acompanhamento psicológico, como você colocou antes, é fundamental para ajudar a elaborar todos esses sentimentos, né?
Exato e não faz, faz toda quem tem a oportunidade faz toda a diferença. Um desse já faz diferença para aquele casal que está ali vivendo uma primeira experiência de tratamento, né? De de ali aguardando. Positivo pela primeira vez, a gente já vê que faz diferença, imagina para quem não é para um casal, para uma mulher que está vivendo, né? Esses lutos aí, emaranhados, essas situações todas, né, que envolvem a vida pessoal, a vida reprodutiva, né?
A vida sexual do casal. Então é isso que que pode vale a pena e merece ter com certeza. E aí a gente tem uma parte aqui do nosso podcast de encerramento, que é o glossário, o glossário, normalmente a gente pega 11 termo técnico, né? A gente pega algo. Geralmente relacionado ao mundo da reprodução, mas hoje eu trouxe uma palavra um pouquinho diferente, porque a gente falou bastante, né?
De de qual é o impacto psicológico, de como tentar lidar de estratégias, né é, e hoje eu trouxe, né? A palavra pra gente finalizar e eu fui procurar. Eu fiz isso uma vez, eu tinha interessante e a palavra que eu trouxe foi Esperança. Eu já fiz isso uma vez com a palavra acolhimento, quando eu fui ler No No no diagnóstico, no diagnóstico você é merda, então quando eu fui ler na definição do dicionário. Eu achei interessante e a da Esperança é a mesma coisa que era ver como possível aquilo que se deseja e eu achei muito interessante, né?
Porque eu acho que quando a gente fala desses 2 diagnósticos do câncer e da fertilidade e da infertilidade, isso acaba cabendo muito bem, né? Quando a gente fala em Esperança, eu tive recentemente, né? Uma gravação sobre um episódio de Dia dos Pais, com relato de um casal, é, e aí ele usou uma frase também, que eu falei para ele que eu ia me apropriar, já tinha avisado ele que ele falou assim, olha cada negativo, a gente decidiu que a gente ia. Trocar a tristeza pela Esperança para que a gente pudesse levantar e seguir para a próxima é, e aí eu acho que quando a gente fala de Esperança, é isso mesmo, não é a gente buscar esse, esse fortalecimento e conseguir enxergar além, né? E que com o apoio, né?
Psicológico, né, da gente. Entendendo tudo isso se torna mais fácil, mais possível, né? Muito legal essa frase dele, muito boa, né? Nossa, é, já estou espalhando a frase dele para todo e vale, acho que vale um. Frase na parede depois é bom.
Eu queria te agradecer mais uma vez pela disponibilidade, por contar pra vocês de novo que ela vai aparecer mais vezes. A gente vai falar sobre mais temas. Eu venho muito obrigada, viu? Eu que agradeço. Muito obrigada, tchau, tchau, gente, tchau, tchau, obrigada por assistir ao papo de tentante.
Para enviar seu relato, dúvida ou sugestão? Mande um e-mail para papo de tentante. Ferp.com.br. Aproveite e acompanhe o CEFERPno Instagram e no YouTube para ficar por dentro das novidades. O conteúdo deste podcast é meramente informativo e não substitui uma consulta com médico especialista.
Te vejo no próximo episódio até lá.
