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Mariana Rufato

Bióloga Gerente de Controle de Qualidade do CEFERP
Controle de qualidade na fertilização in vitro: existe risco de troca?

Muitos casais, quando passam por tratamento de reprodução, têm dúvidas sobre os procedimentos e riscos de troca de material genético. Imagine engravidar de um embrião de outra pessoa, em decorrência de um equívoco no laboratório. É aqui que entra a importância de um rigoroso controle de qualidade na fertilização in vitro (FIV).

Embora não existam registros desse tipo de ocorrência no Brasil, há vários casos relatados no mundo. Em julho de 2019, por exemplo, uma situação ocorrida nos Estados Unidos foi divulgada, em função do processo movido pelas famílias envolvidas.

O tema, aliás, é retratado em um livro escrito por uma mulher que gerou o bebê de outro casal, em decorrência da troca de embriões na clínica em que o tratamento foi realizado. No caso, o erro gravíssimo aconteceu por uma coincidência de sobrenomes das envolvidas.

O importante a se destacar é que, quando o tratamento é feito sob rigoroso controle de qualidade, o risco é nulo. Por esse motivo, é fundamental escolher um laboratório de reprodução humana que siga todos os procedimentos de segurança. Então, quer saber mais sobre o assunto? Continue lendo nosso artigo!

Existe, de fato, algum risco de troca de material genético?

Em um procedimento de fertilização in vitro, os óvulos da mulher são colhidos e fecundados em laboratório com o sêmen do cônjuge ou de doador anônimo. O embrião é gerado, sendo transferido alguns dias depois para o útero da futura mamãe, entre o terceiro e o quinto dia de desenvolvimento no laboratório.

Afinal, durante o período em que o embrião se desenvolve, existe risco de troca? Ou será que há alguma possibilidade de que os óvulos sejam fecundados com material genético de outro homem? Muitos casais têm essas dúvidas, embora o tema seja pouco comentado. Por isso, é importante entender como funciona o processo e quais são os cuidados adotados pelo laboratório em que você está realizando o tratamento. Assim, esse receio deixa de ser um fator de ansiedade.

Quando existem procedimentos rígidos de controle de qualidade, pode-se dizer que o risco é nulo. No Brasil, é obrigatório que todos os materiais sejam identificados por um código alfanumérico, o que dificulta o surgimento de erros — como o que citamos na introdução, da coincidência dos sobrenomes.

Normalmente, essa identificação contém os dados da futura mamãe (como nome e data de nascimento), além de outros controles do laboratório, que podem ser o número do prontuário, um numeral estabelecido individualmente por paciente. Quando as amostras são manipuladas, todos os dados são conferidos pelo embriologista, que faz uma dupla checagem de todas as informações.

São confirmados os dados de todos os tubos e placas de cultivo, em conformidade com as etiquetas de identificação das fichas da paciente, antes de estes serem manipulados para realização do procedimento. Tais checagens fazem parte de um protocolo de segurança na transferência de informações, que é adotado na rotina por todos os profissionais durante as etapas do procedimento.

Já no momento da transferência de embriões, os dados da mulher também são conferidos pela equipe laboratorial e médica antes de dar início ao procedimento. E os dados descritos no cateter de transferência dos embriões são checados com a identificação da paciente. No caso de o casal optar por deixar embriões congelados para implantação futura, os mesmos cuidados devem ser adotados.

Por que optar por uma clínica com controle de qualidade na fertilização in vitro?

Como explicamos, o risco de um equívoco — seja na manipulação do material genético do casal, seja no momento da transferência — é praticamente nulo. Normalmente, a coleta do sêmen paterno é feita no mesmo dia da captação dos óvulos, e todas as amostras são identificadas e conferidas com muito cuidado e critério.

Em alguns laboratórios os procedimentos são ainda mais rígidos. No caso do CEFERP, por exemplo, uma embriologista é dedicada exclusivamente ao controle de qualidade. Além disso, uma empresa certificadora realiza auditorias rotineiras, para checagem dos procedimentos e da documentação.

O fato de se obter a certificação em controle de qualidade garante que os protocolos, incluindo o registro seguro da identificação dos pacientes e conferência das informações, seja ainda mais rígido e seguro, sendo auditado constantemente.

Essas práticas proporcionam maior segurança e tranquilidade ao casal, num momento que, naturalmente, é bastante delicado. Afinal, além do próprio investimento material, um tratamento de fertilização in vitro envolve várias emoções, como medo, ansiedade e muita expectativa. Por isso, é essencial que a clínica responsável pelo tratamento atue de forma ética, respeitando todas as normas de segurança na execução dos procedimentos.

Isso, sem dúvida, inclui o cuidado com a identificação correta dos casais e de todos os materiais. O controle de qualidade é fundamental para garantir que todos os protocolos sejam cumpridos, desde a coleta de amostras até a transferência ou criopreservação dos embriões.

Essa, aliás, é uma das grandes preocupações do CEFERP, que justamente por esse motivo é a primeira (e única) clínica de reprodução humana assistida da América Latina a integrar o Programa de Acreditação em Qualidade Qmentum, certificado pelo Accreditation Canada International.

Tal certificação garante a todos os pacientes que a clínica cumpre os requisitos internacionais de controle de qualidade e boas práticas assistenciais, com padrões e exigências bastante rigorosos.

Como é feito o controle de todos os materiais genéticos?

Para atender a todas as normas de controle de qualidade, os laboratórios de reprodução assistida precisam seguir uma série de regras, preservando a segurança dos pacientes e de seus gametas e embriões. No CEFERP, esse controle de qualidade é bastante rigoroso, com a conferência cuidadosa de toda a documentação de cada paciente.

Todas as amostras são identificadas com códigos específicos, contendo o nome completo da paciente, sua data de nascimento e o número de seu prontuário. Além disso, em vários momentos durante o tratamento é necessário que a mulher informe seus dados de registro, para que o profissional responsável confira as informações e se certifique de que essa paciente é, realmente, a mesma.

Vale explicar, ainda, que os cuidados com as amostras e procedimentos são similares à identificação feita com as mães e seus bebês nas maternidades, por segurança. Os embriões são tratados da mesma forma que um recém-nascido, que é identificado com uma pulseirinha contendo seus dados maternos.

Outro cuidado importante é que toda a coleta de óvulos é feita na presença de dois médicos anestesistas e um médico especialista, além do embriologista responsável pelo procedimento cirúrgico. Com isso, além da segurança para a paciente, a atenção com a manipulação e identificação das amostras é maior. Sem contar que o acompanhante pode assistir o que está acontecendo no centro cirúrgico por uma janela na área externa do C.C.

O sucesso do tratamento, como podemos ver, depende de vários fatores. O controle de qualidade na fertilização in vitro é um deles — já que as boas práticas envolvem não apenas a responsabilidade pela manipulação e armazenamento dos gametas e embriões, mas também outras condições, como excelência do laboratório, capacitação dos profissionais e atendimento às legislações sanitária e de segurança.

Então, gostou de saber mais sobre os cuidados que evitam riscos e equívocos, como troca de materiais genéticos ou embriões? Agora, compartilhe este artigo em suas redes sociais para que mais pessoas se informem sobre os procedimentos que garantem a segurança nos tratamentos reprodutivos!

Normas de segurança para clínicas

Para garantir a segurança de pacientes, gametas e embriões e obter resultados de excelência, as clínicas de reprodução humana devem seguir uma série de normas e regulamentações de controle de qualidade e segurança. Essas regras, por sua vez, envolvem desde a qualificação da equipe de profissionais e a retirada de impurezas do ar, até a proteção dos funcionários de riscos reais e potenciais no ambiente de trabalho.

Fertilização in vitro pode prevenir doenças hereditárias no embrião?

Com o avanço das técnicas de reprodução assistida nos últimos anos, já é possível prevenir doenças hereditárias no embrião por meio da pesquisa por mutações genéticas e aumentar as chances do casal ter uma criança saudável.

No entanto, o mecanismo por trás desse procedimento muitas vezes não é compreendido pelos pacientes, e surgem dúvidas sobre qual é o momento em que essa seleção é feita, como isso altera o processo da fertilização in vitro (FIV) tradicional, como os testes genéticos são feitos e quais doenças podem ser detectadas.

Se você tem essas dúvidas e quer entender melhor qual é a relação entre a fertilização in vitro e a prevenção de doenças hereditárias do embrião, continue a leitura deste artigo

O que é uma mutação genética?

Basicamente uma mutação genética é uma alteração na sequência de nucleotídeos de parte de um gene do DNA celular. Como o DNA é considerado o livro de receitas para todo o funcionamento do organismo, essa alteração genética costuma provocar a formação de uma enzima ou estrutura celular defeituosa por meio de mecanismos fisiológicos específicos.

Ao final desse processo, a célula não consegue executar suas funções de forma adequada, o que pode provocar alguma doença.

Toda doença genética está associada a uma mutação?

De certa forma sim, mas algumas doenças são provocadas por mutações genéticas únicas, como é o caso da anemia falciforme e da fibrose cística.

Já outras doenças só se expressam quando o indivíduo apresenta um conjunto de mutações genéticas que somam o seu efeito ou quando a mutação genética é estimulada por fatores ambientais, como no caso do diabetes mellitus.

Por que as mutações genéticas são consideradas hereditárias?

A maioria das mutações genéticas está presente em todas as células do organismo e pode ser transmitida aos óvulos e aos espermatozoides quando eles são formados. Quando os gametas se encontram e formam o zigoto, eles podem carregar consigo a mutação genética e fazer com que o bebê também apresente essa alteração.

Por isso, as mutações genéticas são consideradas hereditárias e são passadas de pais para filhos.

Quais são as vantagens do diagnóstico de mutações genéticas na FIV?

Ao diagnosticar a mutação genética durante a FIV, é possível interromper essa cadeia de transmissão hereditária e fazer com que o embrião implantado esteja livre dessa doença. Dessa forma, a criança e todos os seus descendentes poderão ser saudáveis.

O que é o PGD (Diagnóstico Genético Pré-implantacional)?

O PGD é um teste genético realizado em células embrionárias para determinar se o embrião é portador de alguma mutação genética e, assim, permitir a seleção dos embriões saudáveis para a implantação uterina.

O nome tem origem na sigla para Diagnóstico Genético Pré-Implantacional (em inglês, Preimplantation Genetic Diagnosis, ou PGD).

Como é feito o diagnóstico com o PGD?

O primeiro passo é analisar a história familiar do casal para identificar doenças genéticas e, por meio do DNA dos pais e parentes, determinar qual é a mutação responsável por essa alteração. Uma vez que essa etapa está completa, o casal dá início à FIV pelo método tradicional e coleta os óvulos e os espermatozoides.

Depois que os óvulos são fecundados em laboratório e os embriões são formados, é realizada uma biópsia para a retirada de algumas células de cada embrião, e a amostra é enviada para análise genética. A análise é feita por meio da busca de mutações no DNA de cada embrião semelhantes às dos membros da família.

Após esse processo, os embriões livres da mutação são selecionados, transferidos para a cavidade uterina e podem se implantar, dando continuidade à gravidez de uma criança saudável sem a doença genética.

Quais doenças hereditárias no embrião podem ser detectadas?

Até o momento, o diagnóstico pré-implantacional só é capaz de diagnosticar doenças provocadas por uma única mutação genética, chamada de monogênica, mas mais de 200 doenças hereditárias entram nesse critério, incluindo:

  • fibrose cística;
  • talassemia;
  • doença de Huntington;
  • anemia falciforme;
  • síndrome do X frágil;
  • retinoblastoma;
  • câncer de mama hereditário;
  • distrofia muscular de Duchenne e outras distrofias.

É possível testar todas essas doenças ao mesmo tempo?

Não. Embora não haja um limite teórico para o número de doenças identificadas pela técnica, testar todas as doenças ao mesmo tempo seria um processo caro e desnecessário, já que é extremamente improvável que o casal seja portador de todas essas mutações.

O diagnóstico pré-implantacional deve ser realizado para a detecção de uma ou mais mutações genéticas específicas, tendo como base o histórico de doenças das famílias do casal. Assim, cada exame de PGD é único e personalizado de acordo com as necessidades do casal.

Essa técnica só pode ser usada para a detecção de doenças?

Teoricamente, é possível utilizar o diagnóstico pré-implantacional para a determinação de qualquer característica física que seja determinada por um único gene, desde que isso respeite as determinações éticas sobre reprodução assistida de cada país. Na prática brasileira, é permitido o diagnóstico das diversas doenças já citadas e do antígeno leucocitário humano (sigla HLA, em inglês).

O HLA é um fator importante do sistema imune que determina a compatibilidade de um indivíduo com outro quando é necessário realizar um transplante de órgãos ou de medula óssea. Assim, com o uso do diagnóstico pré-implantacional para seleção do HLA é possível garantir que o bebê que nascerá será compatível com algum membro da família que necessite de uma doação, como um irmão com anemia falciforme ou leucemia.

É possível realizar a técnica mesmo quando não há doenças genéticas na família?

Não. A chance do bebê apresentar uma das doenças detectadas pelo teste sem que haja outras pessoas com a doença na família é praticamente zero. Por isso, o uso do diagnóstico pré-implantacional é indicado apenas para casais específicos.

O uso indiscriminado e universal do diagnóstico pré-implantacional tornaria o processo de FIV mais caro e estressante, sem acrescentar qualquer vantagem, já que se o casal não apresenta doenças genéticas na família, não há o que ser detectado pelo teste.

Para quais casais a técnica é recomendada?

O diagnóstico pré-implantacional é indicado para casais que apresentam um risco aumentado de transmitir alguma doença monogênica para os filhos, o que só pode ser determinado após uma consulta com um geneticista ou especialista em reprodução assistida. Em geral, isso inclui:

  • casais saudáveis mas portadores de um mesmo gene autossômico recessivo, como o da fibrose cística.
  • casais portadoras de uma condição ligada ao X, como a distrofia muscular de Duchenne;
  • casais que apresentam alguma doença autossômica dominante;
  • casais portadores de uma mutação associada ao câncer, como BRCA1 e BRCA2;
  • casais que já tiveram filhos com doenças monogênicas;
  • casais que desejam selecionar embriões com HLA específicos.

Qual é o índice de segurança de acerto?

Estima-se que o diagnóstico pré-implantacional tem uma acurácia de cerca de 95% na seleção dos embriões afetados e saudáveis, e já é capaz de identificar mais de 99% das doenças hereditárias monogênicas, garantindo excelentes taxas de sucesso.

Quer descobrir mais sobre como prevenir doenças hereditárias no embrião? Entre em contato com a nossa equipe e tire suas dúvidas!

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