Duostim: entenda o que é, como funciona e qual a sua importância na FIV

Duostim: entenda o que é, como funciona e qual a sua importância na FIV

Duostim: entenda o que é, como funciona e qual a sua importância na FIV

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Adiar a maternidade é muito comum no cotidiano da mulher moderna. Muitas estão inseridas no mercado de trabalho, são independentes e adiam a gravidez para uma fase de estabilidade profissional, financeira e conjugal. Entretanto, infelizmente, nem sempre esse planejamento coincide com a melhor fase para engravidar, pois o potencial reprodutivo começa a declinar de forma mais acentuada a partir dos 35 anos. Por isso, a American Society for Reproductive Medicine (ASRM) recomenda que mulheres com 35 a 40 anos tentem engravidar espontaneamente por no máximo 6 meses e para aquelas com mais de 40 anos, a investigação das causas de infertilidade deve ser imediata.

Como muitas mulheres vão precisar da FIV para engravidar porque apresentam redução do potencial reprodutivo (baixa reserva ovariana), estratégias que potencializem as taxas de nascimento do bebê podem tornar a jornada curta, segura e confortável. Nesse cenário, o Duostim tem apresentado resultados promissores. Acompanhe este post e saiba mais sobre o assunto!

O que é o Duostim?

Tradicionalmente, a estimulação ovariana na FIV se inicia nos primeiros dias da menstruação (fase folicular precoce) e tem duração média de 10 dias. Por volta do 12º dia é realizada a coleta de óvulos e, se não houver nenhuma intercorrência ou procedimento adicional, a transferência dos embriões para o útero é realizada após 2 a 5 dias.

Para mulheres com câncer que desejam preservar a fertilidade, a estimulação ovariana pode ser iniciada em qualquer fase do ciclo menstrual, pois essas mulheres não têm muito tempo para aguardar a menstruação para iniciar o tratamento. Quando possível, uma nova estimulação poderá ser realizada 2 a 5 dias da primeira coleta ovariana para tentar obter maior número de óvulos antes do tratamento oncológico (dupla estimulação ovariana).

Inicialmente descrito para mulheres com câncer, o Duostim é a dupla estimulação ovariana no mesmo ciclo menstrual, ou seja, no mesmo ciclo são realizadas duas punções ovarianas com o objetivo: de aumentar o número de óvulos e, consequentemente, de embriões.

Quando está indicado o Duostim?

Habitualmente o Duostim foi criado para economizar tempo antes do tratamento oncológico. Recentemente, o Duostim foi utilizado para mulheres com baixa reserva ovariana (redução do potencial reprodutivo). Essa estratégia foi realizada para aumentar o número de óvulos captados em um mesmo ciclo menstrual e, consequentemente, as taxas de gravidez.

Dados preliminares demonstram que o número de óvulos, embriões, taxa de embriões saudáveis geneticamente (euplóides) são semelhantes entre a primeira e a segunda coleta. Entretanto, ainda não há informações sobre a taxa de nascimento de bebês.

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Do ponto de vista prático pode-se dizer que o Duostim é para quem pode e não para quem quer! O ideal é que a quantidade de folículos (estruturas do ovário que contêm o óvulo) antes da 2ª estimulação seja ≥ em relação a 1ª estimulação (basal), pois se for iniciada a segunda estimulação com número de folículos muito menor, a quantidade de óvulos captados poderá ser mais reduzida. Nos casos de menor número de folículos antes da segunda estimulação, seria prudente aguardar a menstruação e realizar nova avaliação em outro momento.

Assim, há duas indicações para o Duostim: 1. Pacientes oncológicas; 2. Mulheres com baixa reserva ovariana ou má resposta prévia (três óvulos ou menos captados em ciclos prévios).

Quais as vantagens e desvantagens Duostim?

A indicação do Duostim deve ser realizada com cautela! Ainda faltam estudos de boa qualidade para verificar a real eficácia dessa técnica!

As duas principais vantagens do Duo Stim são: possível aumento do número de óvulos/embriões e redução do tempo para alcançar a gravidez. Entre as desvantagens, pode-se dizer que a segunda estimulação do Duostim pode demorar mais e, consequentemente, a quantidade de medicamentos pode ser maior, o que eleva o custo do tratamento.

Converse com o seu médico especialista e verifique se do Duostim pode ser uma estratégia para você vencer a infertilidade. Acompanhe nossos canais e conheça outras alternativas para a baixa reserva ovariana.

Referências:

Ubaldi FM, Capalbo A, Vaiarelli A, Cimadomo D, Colamaria S, Alviggi C, Trabucco E, Venturella R, Vajta G, Rienzi L. Follicular versus luteal phase ovarian stimulation during the same menstrual cycle (DuoStim) in a reduced ovarian reserve population results in a similar euploid blastocyst formation rate: new insight in ovarian reserve exploitation. Fertil Steril. 2016;105(6):1488-1495.e1.

Vaiarelli A, Cimadomo D, Trabucco E, Vallefuoco R, Buffo L, Dusi L, Fiorini F, Barnocchi N, Bulletti FM, Rienzi L, Ubaldi FM. Double Stimulation in the Same Ovarian Cycle (DuoStim) to Maximize the Number of Oocytes Retrieved From Poor Prognosis Patients: A Multicenter Experience and SWOT Analysis. Front Endocrinol (Lausanne). 2018; 9:317.

Practice Committee of American Society for Reproductive Medicine. Definitions of infertility and recurrent pregnancy loss: a committee opinion. Fertil Steril. 2020; 113(3):533-535.

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Prof. Dr. Anderson Sanches de Melo

Médico especialista em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da HC FMRP-USP. CRM-SP 104.975
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