Neste episódio do Papo de Tentante, Dra. Camilla Vidal recebe o Dr. Antonio Melges, médico especialista em Anestesiologia, e Dra. Ingrid Guedes, médica ginecologista especialista em Reprodução Humana, para um bate-papo sobre como a anestesia funciona, seus efeitos e sua participação em procedimentos de fertilidade.
Confira esse bate-papo esclarecedor sobre o tema!
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Transcrição do episódio
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Olá, aqui é a doutora Camilla Vidal, médica especialista em reprodução humana do CEFERP. Seja bem-vindo ao podcast papo de tentante, vamos ao episódio de hoje. Oi pessoal, sejam bem vindos ao papo de tentante. Hoje a gente vai falar uma coisa que eu tenho certeza que quem já pensou num tratamento tem um pouco de medo, que são os procedimentos ali anestésicos, pra gente poder fazer alguns procedimentos que a gente sabe que precisa de sedação. E todo mundo tem um medinho, todo mundo não, né?
Mas muita gente tem um medinho de anestesia, então a gente vai conversar e tirar um pouco, né? Desse medo para deixar o tratamento mais tranquilo. Então com isso, para isso, né? Tenho aqui a presença dos convidados de hoje. Muito obrigada pela participação de vocês e em primeiro lugar, vou deixar vocês à vontade para se apresentarem um pouquinho para todo mundo conhecer a voz de vocês.
Ok, é, sou o doutor nelges, sou médico anestesista. Eu fiz a minha formação aqui Na Na faculdade de medicina de Ribeirão Preto da USP, fiz residência em Anestesiologia, hospital São Francisco, Santa Lígia e Mater trabalho desde então, né? Como especialista em Anestesiologia e mais especificamente, também é nessa área de de anestesia pra procedimento de fertilidade, há cerca de 9, 10 anos. Eu sou Ingrid. Eu sou médica ginecologista, especialista em reprodução humana, que trabalho no CEFERP.
Já vim algumas vezes aqui, né? Comeu? Pois é, e muito obrigada pelo convite. Eu que agradeço. Mas hoje nós estamos aqui de paciente, né?
Nós estamos para contar como é que foi quando a gente passou pela sedação na coleta dos óvulos, né? E como você falou que AI dá medo da maioria das pessoas. Eu sou uma pessoa que sempre tive muito medo de anestesia, mesmo sendo médica. Eu acho que isso passa pela cabeça de muita gente, né, doutor? Sim, sim.
É interessante que a medicina é uma. É uma especialidade de medicina auxiliar, né? Ninguém procura o anestesística porque precisa fazer um tratamento. Procura um cirurgião plástico e daí envolve a anestesia, procura, tem um apendicite, procura o cirurgião, tem que passar pelo anestesista. Mas mesmo nessa condição de medicina auxiliar, a gente é ainda é bastante temido.
Existem causas, né? Anteriores, mais antigas, que explicam em parte esse medo da anestesia por conta de maus resultados, né? A especialidade se desenvolveu muito e por outra questões também é que envolve mais questões. É do do subconsciente o medo de perder o controle. A minha esposa, por exemplo.
Ela tem pavor da anestesia, porque ela tem medo de perder o controle. Que ela fala? Né? Então é muito comum isso. É, acho que é.
É bem essa sensação, né? Do que que vai acontecer? Eu vou dormir, não sei o que que vai estar acontecendo comigo, o que que vai estar sendo feito, né? Mas já adiantando a minha experiência como paciente, foi muito boa, mas não sei também eu tinha muito medo, mesmo sendo médica, eu tinha muito medo de anestesia, mas já precisei passar por alguns outros procedimentos, né? Já fiz 2 procedimentos que precisaram de anestesia geral e no primeiro eu fui com muito medo.
Eu falei, meu Deus, isso não conseguirem me intubar e se a minha veia aérea for, porque a gente só começa a pensar coisa ruim, né? A gente sabendo, quanto mais a gente sabe, mais medo a gente tem. E só que na hora que eu vi que eu deitei ali e quando eu acordei, eu estava na recuperação, com os meus pontos todos cobertos, meu curativo feito. Eu falei, nossa, isso é maravilhoso. E quando a gente fala na anestesia especificamente para os procedimentos e infertilidade, é, tem alguns procedimentos que normalmente a gente faz com anestesia e outros só se necessário, né, Ingrid?
Então, assim, o mais comum, que é o que todo mundo ouve falar, é o da coleta dos óvulos. Mas tem outros procedimentos que às vezes a gente acaba fazendo também. Concedação, né? Uma histeroscopia, né? E eu acho bom a gente até falar que a Camila já assustou todo mundo falando que Ela Foi entubada, né?
Mas eu IA chegar. Nesse é. Eu IA chegar lá? Mas a maior parte dos procedimentos de reprodução a gente não precisa de tubo. Né, a questão da intubação é, hoje em dia é muito segura, né?
Porque a gente faz uma avaliação prévia. A gente na avaliação prévia, a gente já é faz a avaliação da via aérea, se tem algum fator para editora anatômico ou de história médica de via aérea difícil. E a gente tem como se antecipar a isso, já solicitando o material adequado, como vídeo laringoscópio para colocar sonda no canal da traqueia. E também Oo bronco, o fibroscópio. E isso não é a realidade da anestesia e procedimentos de fertilidade, mas como a gente tá falando em anestesia em geral, a gente já pode acalmar também.
Com relação à intubação, a intubação é o tubo é colocado quando o paciente tá dormindo e é retirado quando ele tá dormindo ainda ele tá no processo de acordar, mas no procedimento de fertilidade. Esses que a doutora Camilla falou é o mais comum é a captação, é coleta de ovos que. Via de regra, precisa de do concurso do da anestesia. Existem outros procedimentos, como a esterosalpingografia, né? A esteroscopia em alguns casos, né.
A transferência de embriões, quando a paciente tem um colo de útero desfavorável para passar o cateter, então, gera uma manipulação maior. OA questão pode gerar mais dor e a gente faz anestesia. E no caso dos homens, também da. Da captação de espermatozoides, né? Quando não tem espermatozoide no ejaculado, é necessário alguns casos fazer a função ou do epidígeno ou testicular, ou AO microtesa, né?
E nesses casos todos a gente não entuba, não é necessário, não é necessário fazer uma anestesia um pouco mais. É robusta, né, mais forte, que seria a anestesia geral e que daí a gente precisa, por segurança, fazer a intubação. Nesse procedimento de fertilidade, a gente faz uma sedação. É, a gente tem graus de sedação, a sedação leve, né, que seria aquela sedação consciente. O paciente responde a estímulos, responde a comandos, tem a sedação inconsciente, em que nesse período dorme, que é o caso da anestesia pra procedimentos de fertilidade, tanto pra mulher como para o homem.
É que não precisa da intubação. A gente faz uma droga hipnótica, que a gente chama que é pra dormir, uma droga analgésica, que é pra não sentir dor, que interfere muito pouco com a função respiratória. Então o paciente continua respirando de forma espontânea. A gente só faz um aporte de oxigênio complementar pra pra enriquecer o ar inspirado, mas via de regra é um procedimento. Bastante tranquilo e gera uma experiência, né?
Lá no, no CFF, em outros lugares que a gente faz essa modalidade de anestesia, os pacientes geralmente é hora que acordam, é, pedem. Você poderia fazer mais um pouquinho ou você poderia levar para casa? Pois é, não é? Como foi a sua experiência? Ingrid com a?
Sedação primeiro queria fazer 11 notificação aqui que o doutor Melo não estava no dia. Foi outro anestesista muito bom. Mas foi é uma. Advertência, né? Que ele não foi no seu ele foi, né, Camila?
É. Ele tem os preferidos? Ele tem os preferidos. Não, mas o outro na notícia também era muito bom. Então o meu.
Eu cometi 2 erros assim, né? Primeiro que eu fui fazer essa anestesia no meu ambiente de trabalho. E aí o medo de perder o controle é maior, né? Porque se tá todo mundo conhecido, me envolve me. Conhece?
E o segundo erro foi que eu resolvi que eu IA fazer vídeos, né? Que eu IA blogueirar. Então eu comecei toda a minha experiência do estímulo fazendo vídeos de como tava sendo estímulo. E aí eu achei adequado no dia da coleta. Também fazer vídeos, então eu tenho filmagens de como eu fiquei.
Você tem? Tenho que eu nunca postei. Ninguém nunca viu essas filmagens. É só um canal. Do CPF.
Publicar, né? Vai, mas tá engajamento. E aí que acontece, eu não lembro de nada, né? Que eu fiz, mas todo mundo falou que eu fiquei super engraçado. E eu ficava esquecendo o que tinha acontecido, né?
Que a gente esquece. Às vezes o tempo perde a memória recente, né? E aí eu ficava chamando as pessoas para ver como eu estava. E eu chamava todo mundo o tempo todo para ver como eu tinha ficado. E aí as pessoas só voltavam assim, mas eu já vim te ver várias vezes e aí eu reclamava.
Mas fulano, você nem sequer foi lá me olhar como que eu fiquei depois do procedimento? Então eu fiquei meio esquecido e falando bastante. E aí tem os vídeos que alguns eu não tive nem coragem de assistir e eu estou tipo com a touca toda virada, porque eu não parava quieta assim depois e eu fiquei com a touca toda virada assim, uma cara meio de bêbado assim. E eu falei, gente, é impossível postar isso, tanto é que todo mundo fala AI cadê o vídeo da coleta, não sei o que, e eu só abstrai. Eu falei, esse não vai ter.
Que eu fiquei, fiquei doida e. Demorou um tempinho pra você voltar? Demorou um tempinho. Fiquei. Fiquei nesse nesse looping aí de ficar engraçado, é, mas pra mim, na minha memória, foi ótimo.
Eu não lembro nada. A gente, né? Vai lá no centro cirúrgico, só fala, aí você vai dar um soninho, você dorme e quando você acorda, acabou. Então eu não tenho memória alguma de tudo isso que eu fiz. Tudo foi esquecido.
Pra mim só ficou a parte de queria de novo. É porque a última memória é, você vai sentir um soninho, né? De repente você contou. Hoje acabou esse relato da doutora Ingrid. Ele é mais comum na sedação, que a gente usa um bens jazepínico, que é o midazolan.
Ele dá essa memória anterógrada, né? Perde um pouquinho da memória, da consciência do que falou. E geralmente ele tem esse padrão. Na maioria das pessoas tem o padrão inibitório, mas em algumas causa fala que causa o efeito contrário. Ah, em mim faz a anestesia, faz.
O efeito contrário é que às vezes, ativando apenas vias inibitórias, às vezes AA excitatória fica mais livre, né? É, a gente não costuma fazer essa medicação, a gente não faz nos procedimentos de anestesia por fertilidade, mais vez ou outra é as medicações que a gente usa podem dar. É algum grau assim de dessa agitação? Dessa agitação é que você teve. Mas não é, não é a regra.
A maioria é. É mais uma indução mesmo. Vai dando sono e depois dorme e depois acorda, né? E acaba tendo um certo efeito. É, não sei se é residual a palavra, né?
Porque assim, o dia do procedimento a gente acaba falando para ficar um pouquinho mais em repouso, porque pode recircular um pouquinho, né? Dar um pouquinho mais de sono, então. Faz parte um pouco essas orientações do do que ela pode esperar no pós sedação também, né? Faz? Parte faz parte em relação ainda voltando a questão, né, de que acordou um pouco agitada essa questão de que tava fazendo, tava de blogueira, tava preocupada que tava no ambiente de trabalho.
Isso aí pode mexer um pouquinho também, né? Com a questão EEE promover isso aí. A questão das orientações é muito importante porque é uma sedação que envolve drogas que atuam no sistema nervoso central. Então é 11, questão que precisa é que precisa ter 11 acompanhante adulto acompanhado pra ir embora, né? A pessoa não pode operar, é um veículo, né, uma motocicleta, um automóvel.
A gente pede também pra não tomar decisões importantes no dia por causa dessa questão também, que afetou o sistema nervoso central. Vai vender um carro, vai comprar uma casa, deixa pro outro dia, porque essas medicações, elas elas recirculam, né? A maioria delas. O efeito é muito fugaz, mas elas têm 16 vida de metabolização e eliminação que são feitas por é, por conta do fígado e por conta do rim. É e ainda permanecendo nesse assunto de tempo de circulação da medicação.
2 coisas que eu escuto praticamente todo dia de relação. AA medo de anestesia é, tem medo de acordar? Durante o procedimento e tem medo de não acordar durante não acordar, né? Ah, tem perigo de eu não acordar, tem perigo de eu acordar. Então de acordar não tem perigo, né?
Porque a gente vai dando a vai, administrando a anestesia de acordo com a sensibilidade da pessoa. Tem impressão que é resistente. Muitas vezes, pessoas que já tomam medicações que atuam no sistema negro central, ansiolíticos, antidepressivos, muitas vezes eles são mais resistentes. E a gente aplica uma dosagem maior pra que fique tudo bem. E o medo de não acordar também não ocorre, porque essa medicação que a gente faz, a hora que a gente injeta ela, ela vai atuar via corrente sanguínea no sítio de ação, que é o sistema negocentral, que é o cérebro.
Ela causa, né? A depressão das atividades do cérebro, a pessoa dorme e o efeito dela acaba. É logo em seguida, por questão de redistribuição. Aquele sangue que está reciculando, que levou a droga, ele também tira a droga, então já a pessoa já desperta por conta disso mesmo que depois vai ocorrendo metabolismo que ocorre em torno aí de de 23 horas e ainda vai ter um efeito residual durante o dia, então não tem perigo de acordar. Pra quem tem medo de ficar consciente durante o procedimento, então não tem perigo também de não acordar, vai acordar?
É até porque tem toda uma monitorização que é feita durante o procedimento, né? Então tem alguns parâmetros que são observados e que evoluíram muito, né? Eu sei que eu estou comparando e às vezes as pacientes assustam, porque eu estou falando de outro tipo de anestesia, que foi quando eu fiz cirurgia. Mas é só porque eu achei muito interessante o quanto isso tinha evoluído. Eu, como médica, nunca nem tinha ouvido falar na minha.
Eu fiz 2 cirurgias com anestesia geral, né? A primeira não foi normal, assim fizeram um florinho ali, eu dormi, não vi nada, acordei dessa outra vez, quando eu fui deitar, ele colocou um negócio na minha cabeça, se eu tiver falando alguma bobeira, o senhor me avisa também. Ele colocou e ele falou assim, olha, isso aqui vai me ajudar a monitorar seu sinal de consciência e baseado nisso aqui também eu vou decidir se eu preciso aprofundar mais ou não seu plano anestésico. Falei, nossa, gente, de um tempo para cá, até isso evoluiu e assim, realmente a sensação que eu tenho pode ser placebo que for, mas eu acordei mais. Mais rápido assim, acho que eu acordei mais cedo, porque eu me lembro de ter passado da maca.
Eu lembro de chegar na recuperação, coisa que na outra cirurgia eu não lembro. Eu acordei na recuperação, sei lá, minutos depois de eu chegar lá. Ou seja, evoluiu até nisso, né? Esse acompanhamento, então as pacientes podem ficar. Tranquilas, né?
Em procedimentos maiores, cirurgias de maior porte, anestesia geral tradicional, entubada. Esse monitor que você falou? Ele, ele é relativamente novo, mas já tá há uns 5, 10 anos, né? Mas a gente, na prática clínica aqui no Brasil, tem ele à disposição há uns 5 anos. É um Mini eletroencefalograma, que coloca 111 eletrodo aqui, um adesivo, um colantezinho conectado a um fio e você tem uma síntese da atividade cerebral.
Então você vê o nível de consciência. Então é chegando naquele nível de consciência, você sabe que já tá suficiente, então você. Muitas vezes, numa situação que você não tem o monitor e você pode administrar, o anestésico é em excesso, por não saber o nível é de atividade cerebral, você dá exatamente a quantidade suficiente para manter a hipnose. Paciente dormindo. Então realmente Oo despertar é mais rápido nessas situações.
E essa questão que você trouxe da monitorização também é o que vem, né? Nos últimos aí? 30 anos, 25 anos que tornou AA anestesia uma especialidade extremamente segura, por conta que hoje a gente monitoriza a função cardiovascular, o batimento do coração, a Pressão Arterial, a função é respiratória, a oxigenação tecidual. Isso é uma monitorização de rotina e obrigatória, né? Pelos órgãos reguladores.
Então, uma clínica que vai. Procedimentos com anestesia precisa, obrigatoriamente, seguir esses padrões. E pra todos os procedimentos que a gente faça é a coleta dos óvulos esteroscopia, esterossono. É, é mais ou menos o mesmo padrão de sedação ou envolvem outros outras modalidades? Por exemplo, em procedimento masculino, tem outras formas também, de de anestesia.
É o que vai determinar a mudança da técnica. Anestésica é, é o é o porte do procedimento, né? O nível de trauma tecidual que está diretamente é correlacionado com o nível de de dor que ele pode causar. Então nesse que você falou, né? AA transferência de embriões, a coleta de ovos, a histeroscopia é o padrão, é o mesmo padrão, é uma sedação inconsciente um pouco mais leve.
Pros procedimentos é de de de punção, de epidismo de testículo. Eventualmente eles envolvem um estímulo de dor um pouco maior, então a gente pesa um pouquinho na mão, igual a gente fala, a gente faz 111 abordagem analgésica, né? Com com anestésico um pouco maior, mas da mesma forma não envolve intubação e o despertar? É também é rápido, em condições ótimas, sem, sem aquele torpor, aquela confusão mental. Às vezes se envolve um pouquinho mais de tempo para dar alta para o paciente.
Mas eu acho que é bom até comentar isso, que realmente é o que a gente vê também na prática clínica, no sentido de que realmente os pacientes não acordam naquela loucura. É habitualmente, né, que a gente trouxe o relato até engraçado, mas eu fiquei com isso na cabeça. Realmente não é a rotina não é o mais comum, porque acaba que a gente fica aguardando, né, as pacientes acordarem e também pra gente conversar, dar alta, doutor, mais dá alta também no final e não é o que a gente vê habitualmente mesmo, acho que. Às vezes há alguém que já fica mais com esse, vamos dizer assim, essa obsessão pelo controle. Já vai, Ah, eu?
Vou ficar com medo da anestesia por conta disso, não é o mais comum. É exatamente até porque às vezes a gente chega para conversar e a paciente ainda está até mas assim, né? Às vezes eu falo, ih, você não vai nem lembrar. Depois eu volto aqui, a gente conversa de novo. É.
E a sugestão mental é muito poderosa, né? Quando você fala assim, não vou pensar em elefante, não vou pensar em elefante, não vou pensar em elefante. Que que eu estou pensando em elefante, né? Então a gente faz muito essa brincadeira. Quando o paciente vai dormir, que a gente fala, pensa num lugar bonito, que você vai estar nesse lugar pra que você descanse.
Porque se a pessoa deita lá pensando que precisa pagar o boleto, que precisa acabar o relatório, ela dorme, ela acorda fazendo o relatório, outro dia uma acordou escrevendo, até então você trabalhou. A gente já avisou, né? Porque a sugestão mental é muito importante também é. Hoje eu acordo falando dos óvulos, né? Mas quantos óvulos é isso?
É. Muito comum, né? Porque vai vai dormir, tá lá. Pra fazer isso, né? É muito comum é.
Quantos? Quantos deram, né? A gente fala, calma, o laboratório tá fazendo o trabalho. E uma dúvida que eu vejo que é bastante comum também é, porque que precisa estar em jejum para fazer essas essas redações, esses, essas anestesias, né, para esses procedimentos? Sim, esse essa questão do jejum é tão antiga, né?
Mas ainda ela é muito importante. Uma das questões centrais. Por que? Porque a questão de quando você está acordado, tá com a sua função neurológica intacta. E você tem, por exemplo, um reflexo de vomitar.
Você tem reflexos protetores da via aérea, né? Você fecha o canal, é brônquico, né? Da traqueia, você protege a via aérea e pra que saia, né? Pra que? Você é vomite.
Quando a gente tira a consciência no processo de sedação, o paciente perde esse reflexo de proteção da via aérea, né? É. Então, se tiver estômago cheio nesse período, pode ter uma questão de um vômito mesmo, do reflexo do vômito, ou pode ter até um refluxo passivamente de um conteúdo gástrico, que não vai encontrar a proteção da via aérea e vai atingir a via aérea por conta da respiração. Esse conteúdo gástrico no pulmão causa 11. Pneumonia é inicialmente, química.
De de grave repercussão, que que coloca o paciente no estado de gravidade. O paciente precisará muitas vezes precisará de intubação, precisará de um auxílio de ventilação mecânica em UTI. Essa pneumonia, inicialmente química vai se repercutir, vai se desdobrar numa pneumonia infecciosa bacteriana e coloca uma pessoa que foi fazer um procedimento eletivo. É uma questão de realmente de risco de vida. Então, muitas vezes a gente cancela mesmo procedimentos em em hospitais, em clínicas, por conta do jejum inadequado.
Não é? A gente tem, é. Ao longo do tempo, tivemos alguma flexibilização com relação ao jejum. Aproveitar, né? Para falar que estamos falando da questão do jejum.
Hoje em dia, a gente flexibiliza para líquidos claros até 2 horas, mas. De bom senso, né? Nós já pegamos várias vezes para a gente chegar com uma garrafa de 2 l de água e é tomando é e tomou até 2 horas antes 2 l, né? Daí a gente flexibiliza, mas em uma quantidade razoável, uma pouca quantidade, então líquidos claros, até 2 horas. Uma refeição leve com torradas é até 6 horas uma refeição normal.
Ou que envolve leite, uma refeição mais gordurosa com carne. São 8 horas de jejum e aqui eu abro +1 + 1 desdobramento com relação AA 11, indicação que está muito é em voga hoje, que são aquelas canetas emagrecedoras, né? No caso, por exemplo, do usenpic, é o usenpic, ele atrasa o esvaziamento gástrico. É de forma muito contundente, então. Um paciente que no período normal de 8 horas estaria com volume residual gastro adequado com usenpic não ocorre isso.
A gente faz muitas vezes endoscopia em pacientes que tomam usenpic e depois de 12 1415 horas estão com o estômago muito cheio. Então usenpic, hoje a gente pede para suspender 21 dias antes por causa dessa questão do jejum. Existem outras medicações que são outros, é um período menor de suspensão, mas você empir que já tivemos é situações de de adiar o procedimento por conta disso. Né? E acaba que na nossa especialidade, na reprodução, é uma das poucas, um dos poucos grupos de medicação que a gente acaba precisando suspender para o procedimento em si, né?
Porque normalmente são pacientes saudáveis, que não tem, não usam outras. Medicações e essas que tem outras comorbidades, acabam fazendo avaliação pré anestésica antes, né? Então a do diabético insulino dependente, elas vão passar por essa avaliação para receber uma orientação apropriada. É individualizada, né? Sim, exatamente.
Eu acho que, como é um procedimento eletivo, a gente quer o melhor cenário possível, né? Então não dá a se a gente já sabe para fazer anestesia, já sabe as orientações. Jejum não adianta. Por lá, né? Ah, não é isso é importante é porque às vezes a pessoa pensar, e se eu falar que eu comi agora?
Eles vão suspender. Mas foi como o doutor Maílson falou, precisa suspender para a segurança do paciente. É algo eletivo. Então é melhor que a gente respeite as regras para tudo ficar o mais seguro possível, né? E você sabe, ele tava comentando, né?
Da das diferenças para líquido, para refeição leve e tudo. E eu tava aqui pensando, falei, nossas, nossas pacientes vão estar ouvindo isso, vão falando como elas são maldosas porque elas colocam todo mundo para fazer 8 horas de jejum. Ninguém nunca me falou que até 2 horas eu podia tomar água e tudo, né? E realmente, né, na clínica a gente é um pouquinho mais. Rigoroso com relação a essa questão, mas tem muito o fato de que o nosso procedimento ele é eletivo.
Mas até certo ponto, né? Porque se a gente cancelar aquela coleta, ela perdeu aquele. Ciclo, né? Então por isso que, nesse caso, só defendendo o nosso lado, né? Teve um caso recente, o paciente que fez o ciclo, né?
Tava com os ovares, né? Repletos de folículos. De que a paciente foi descoberta num tempo que não dava tempo de suspender o osen pique. E daí foi feita com anestesia hacker, anestesia com a paciente, com uma acordada, né? Para que tivesse os reflexos de proteção de via aérea.
E mas assim, né? Uma anestesia é muito. Maior. Uma anestesia segura, mas de de que não há necessidade, né? E essa questão do jejum também é curiosa e causa muita confusão e.
Em certa parte é culpa da minha especialidade. Isso porque, por exemplo, fala líquidos claros até 2 horas, daí a pessoa toma leite daí. Você fala? Você tomou leite? Fala.
Mas leite é claro. E é. E o café tá contemplado nos líquidos claros. Então, assim. Líquido, o leite é líquido, claro, mas não pode.
O café é escuro, mas pode. Então eu nem cito a questão do café. Falo, ó, líquido claro é água, água ou chá? É, né? Leite refeição 8 horas.
Não, mas é melhor, mas é. Tem umas coisas que vale a pena. Não e a gente deixa as tudo 8 horas. A gente já deixa tudo, não, não pode confusão, dólar o paciente. É muita coisa pra pensar, o horário que tomar medicação e ainda vai ter que ficar pensando ainda então.
Deixa. De 8 horas para não ter confusão e não ter risco de cancelar. Exatamente. Não queremos perdê lo tanto por aqueles folículos. Está crescendo aquele tempo para perder agora por causa de tomar um negocinho antes, né?
Espera só um pouquinho. Que vai dar e o pior, que é esse negócio de confusão. Muito tempo. Teve uma paciência que ela assustou assim na sala. Eu falei, olha, a partir de 11 horas você vai ficar sem comer e aí até água, tudo.
E aí amanhã às 7 da manhã você vem aqui para internar, porque você vai passar com anestesista, vai conversar antes tudo e ela assim, AI gente, tipo um olhar desespero. Falei, tá entendendo ela, eu vou ter que almoçar tipo 10 da manhã, aí eu hã. Eu vou ficar desde 11 horas até o outro dia sem comer. Eu falei, não é 11 da noite. Então às vezes a gente acha que tá uma coisa tipo, muito óbvia, né?
A gente vai passando e eu acho que é muito importante tirar dúvida para ter as certezas. Assim, pra não ter essas confusões é pra que a gente achava, porque pra gente, pra mim, né? A gente fala isso todos os dias, era tão claro que IA ser 11 da noite, IA parar de comer, então é só o período. A maior parte dos nossos procedimentos acontecem de manhã, então acaba que é o período que você está dormindo. Então o jejum ele passa mais suave, né?
Você não vai ver ninguém comendo uma feijoada e vai ficar lá à vontade. E logo depois que tiver acordando, também vai para o lanche bem, bem gostoso. É, e tem alguma coisa assim que seja mais comum que elas possam ter de efeito colateral da anestesia, náusea, vômito, alguma coisa assim? É, a gente já faz. É quando a gente funciona a veia, né, naquele soro que a paciente está vendo lá, ele já tem algumas medicações, né?
Analgésicos, antibiótico para prevenir infecção. E a gente já coloca, via de regra, um antiemédico também uma para prevenir. A análise e voltas não é comum nesse procedimento e. Está relacionada EEO hipnótico, a droga que a gente faz para dormir também. Além do efeito hipnótico, ele tem um efeito também antienético, então tem uma dupla proteção.
A gente observa mais efeitos colaterais. É na paciente que tem uma grande quantidade, né, que você chama de hiperestímulo, né? Que essa paciente ela tem, né? Uma efervescência aí de da parte hormonal. É, tem algum escravajamento de líquido, né?
Para cavidade que ele tomear daquela sensação de de dor de estufamento e tal, essas pacientes têm é uma maior incidência. A gente é geralmente precisa medicá las com uma dose um pouco maior de analgésico na no pós operatório, né? No pós a gente tem mania de falar pós operatório é pós procedimento no caso né, porque não é uma cirurgia, mas é, as pacientes vão embora todas bem controladas. Enquanto não tiver bem controlado, a gente não dá alta, né? É avaliada pela enfermagem e pelo pelo anestesista também.
E existe alguma tendência? Então? Por exemplo, a Ingrid comentou que ela acordou mais agitada e tudo mais. É, e às vezes eu vejo isso, porque tem pacientes que as vezes falam, nossa, não, eu não posso com anestesia, eu passo muito mal, eu sinto muita, muito enjoo. Então tira uma paciente que falou, não, eu tenho muita hipotermia, não consegui ir embora, é isso é uma tendência pessoal, então assim, existe a possibilidade dela acontecer isso de novo, numa próxima.
Aí existem, existem coisas que a gente pode fazer para contornar. Isso, né? Existe a questão do procedimento, né, procedimentos de maior, maior porte, a gente espera que tenha uma, teve uma lesão tecidual maior, então a gente precisa fazer uma cobertura maior de analgésico. É uma cirurgia de grande porte, de muitas horas, paciente fica, é mais tempo ali exposta numa sala cirúrgica, né? É.
Então tem a maior chance de fazer hipotermia. Mas tem as questões individuais também, né? Cada um pode ter. Seu linear de dor e a sua. Por isso que é importante na avaliação pré anestésica e avaliação pré anestésica.
Quando o paciente tem alguma questão de história médica, umas patologias associadas, é mais é que tem mais relação, que pode ter maior relação com com ato anestésico. A gente faz a avaliação com uma certa antecedência. Na maioria dos pacientes, a gente pode fazer avaliação no dia antes do paciente. É entrar pro pra sala de procedimento. Então nesse momento a gente faz um anamnese, perguntando das patologias associadas as comorbidades, se tem hipertensão, se tem diabetes, se toma alguma medicação, se tem alergias, alergia.
Acho que a gente pergunta. Desde a consulta de vocês, eu acho que incontáveis vezes, né? E no dia do procedimento é perguntado na recepção, é perguntado pela enfermagem, é perguntado pelo anestesista. Então, questão de alergias, de uso de medicações, de cirurgias, prévias nas experiências prévias, quando, quando, se for pertinente, se houve alguma complicação, se houve algum efeito colateral, Ah, eu vomitei muito, Ah, eu tive dor de cabeça. A gente pode tentar contornar.
Da técnica anestésica para para evitar que isso aconteça novamente. Mas pelo perfil dos procedimentos é geralmente a gente não tem. É uma incidência considerável disso, não é bem raro. Excelente, bom, acho que falamos bastante, deu para tirar bastante. Dúvida.
O senhor já passa uma tranquilidade por si só, Hein? Explicando tudo isso, né? A gente fica mais tranquilo ainda. É quando quando você é me fez o convite. É, estava lá, né, a anestesia, vamos fazer um bate-papo, a anestesia em procedimento de fertilidade, né?
O que esperar então, o que esperar é isso, né? É em linha com a missão do CFP, né, de que é proporcionar a melhor experiência pro pro paciente está procurando, né? 11 assistência no campo da reprodução assistida é também é em linha com isso, né? O que esperar da anestesia é isso, é a melhor experiência. Que vai estar assistida em todo momento por uma equipe muito competente em cada um na sua área, né?
Com certeza. Muito obrigada, doutor mers, pelo seu tempo, pelas suas explicações, por poder estar aqui. Espero contar com o senhor em outras participações também. Obrigada Ingrid, por estar de volta, por contar nossas experiências aqui, trocarmos nossas experiências de congelamento e a gente se vê nos próximos episódios. Obrigada por assistir ao papo de tentante.
Aproveite e acompanhe o CEFERPno Instagram e no YouTube para ficar por dentro das novidades. Te vejo no próximo episódio até lá.
