Saúde mental é assunto sério e o Janeiro Branco vem para nos lembrar sobre isso.
Nesse bate papo mais que especial com Sumaya Souen, do MultiSer, falamos sobre a importância da saúde mental na reprodução assistida.
Tema imperdível! ▶
Transcrição do episódio
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Olá, aqui é a doutora Camilla Vidal, médica especialista em reprodução manda do CEFERP centro de fertilidade de Ribeirão Preto. Seja bem-vindo ao podcast papo de tentante, um espaço onde compartilhamos informações sobre o universo das tentantes em busca do tão. Sonhado positivo aqui. Você poderá compartilhar suas experiências, se inteirar sobre os assuntos de reprodução assistida e ainda conferir. Relatos de mamães.
Que já passaram pelo tratamento e tiveram o seu positivo. Você também poderá conferir novos episódios quinzenalmente e assistir ao episódio em vídeo. Pelo YouTube do CEFERP. Vamos ao episódio de hoje. Oi, pessoal, sejam bem-vindos ao papo de tentante agora no mês de janeiro.
A gente vai falar sobre um tema muito importante que é janeiro branco e a saúde mental voltado, né? Agora, especialmente para a reprodução assistida. Então, para isso a gente tem uma convidada muito especial, ou te deixar à vontade para se apresentar e muito obrigada. Obrigada, Camila. É um prazer estar aqui com vocês falando de um tema tão importante.
Eu sou sum Maia, psicóloga clínica, tendo no multiser que é um centro de psicoterapia e gestão de emoção dentro. Ribeirão. Shopping maravilha. Bom, acho que pra gente poder introduzir, né? O assunto a gente podia explicar um pouco mais sobre Oo janeiro branco, né?
Então, assim, o que que ele simboliza, o que que a gente precisa chamar atenção nesse mês, né? É durante o ano, né Camila? A gente tem importantes campanhas, né? De conscientização de vários assuntos e eu acho muito interessante começar janeiro falando sobre saúde mental, né? É a importância da discussão sobre saúde mental.
No começo do ano. Porque normalmente em janeiro, né? Final de ano, começo de ano, a gente faz milhões de planos. A gente pensa sobre o que a gente quer mudar. A gente pensa sobre algumas coisas que não deram certo.
A gente pensa de repente em fazer 11 novo tratamento, uma nova tentativa, começar um exercício. Então eu acho que é um momento que a gente está muito em contato com os nossos sentimentos e quando a gente pensou nesse janeiro, aliás, esse ano está fazendo 10 anos, né? Olha, dessa dessa campanha, pensou-se em janeiro justamente por isso, por seu início, né? Então vamos iniciar. É de uma maneira nova, mas fazendo planejando de uma maneira tangível, não é trazendo metas plausíveis, né?
Metas. Mais tranquilas para todos nós. E aí vem o branco, porque é como se todos nós tivéssemos tivéssemos a possibilidade de escrever numa folha em branco esse novo ano. Esses novos desejos, mas sempre de uma maneira muito tranquila, com de novo, metas tangíveis, né? É respeitando mesmo assim, o tempo de cada um, né?
O movimento de cada um. A realidade de cada um, então acho que é bonito e importante falar sobre porque o janeiro e porque. Branco, não muito legal e quando eu me deparei, né? Com a primeira vez que eu tinha visto você falar sobre essa explicação, eu falei, nossa, faz muito sentido mesmo. Eu, por exemplo, sou uma pessoa que, no fim do ano, em dezembro, parece que é um mês.
Não sei se é triste a palavra, mas a gente fica reflexivo, né? A gente fica introspectivo e até tem AA música que é famosa do então é Natal e o que você fez? E aí eu fico sempre falando, gente, mas a gente fica tanto, né é e eu sempre. Estava estranho que todo mundo tá em clima de festa e eu sempre estava nessa nessa sensação. E aí quando eu vi sua explicação, falei, Ah, acho que é um pouco.
Por isso a gente fica refletindo o que passou, botando a meta, né, pro próximo ano? Exatamente. E o que você colocou de metas tangíveis também? Eu acho muito importante, é uma coisa que eu tenho falado bastante porque, por exemplo, eu passei agora por um processo de emagrecimento, né? Eu fiz uma cirurgia bariátrica, emagreci 50 kg EE assim era uma coisa que eu sempre fui obesa e era sempre aquela coisa, eu quero emagrecer, eu preciso emagrecer, a minha saúde, só que quando eu parava e pensava eu preciso perder 3040, 50 kg, era uma coisa assim absurda, não, não vou conseguir, então não vou fazer nada porque eu não vou conseguir mesmo.
E aí quando a gente vai traçando algumas poucas coisas, né, eu vou primeiro fazer exercício, eu vou primeiro tomar água, eu vou primeiro a gente vai é. Conseguindo, né? Atingir as pequenas metas e isso vai deixando a gente mais tranquila. Isso que você está falando é maravilhoso e de uma importância, porque assim o que mantém a gente estimulado muito mais do que o resultado é a ação. Então, quando a gente se percebe fazendo hoje, eu vou em vez de comer 2 pães, vou comer 11 e meio.
Conseguir isso me mantém em movimento para eu tentar uma outra coisa e sempre metas pequenas, porque se eu imagino. 50 kg se você está super de parabéns entre nós, não é parabéns mesmo é quando eu penso nos 50 kg. Isso me gera uma angústia exato, enorme. EE quando eu traço uma meta tão gigante, a frustação vem do mesmo tamanho, tá? Então, se eu traço assim hoje é um pão a menos.
Hoje é um copo de água a mais. Hoje é um exercício que eu vou e vou conseguindo essa ação que me estimula. O resultado é uma consequência da ação e às vezes a gente fica só focada no resultado, isso também no tratamento eu percebo com as pacientes e que. A gente se esquece do processo e o processo é pequenino. O processo é passo a passo, então é muito legal e muito libertador a gente entender um pouco isso, né?
É, e eu IA fazer justamente essa analogia com a questão dos tratamentos mesmo, né? Porque às vezes a pessoa pensa, não, eu tenho que passar numa consulta, aí eu tenho um Monte de exame para fazer, aí eu tenho uma estimulação formar embrião, depois vai congelar e aí vai transferir depois, na hora que ela coloca na conta delas, Ah, vão ser meses. Eu tenho muita coisa para fazer e isso traz uma angústia mesmo, né? Não tem como. Então, concordo exatamente com o que você falou.
Assim, se ela se permite viver e é muito o que você falou assim das das alegrias do processo, né? Porque às vezes a gente foca só lá no resultado final, só lá no bebê. Mas tem tantas coisas que a gente precisa ir comemorando pelo caminho, né? Até pra pra manter a gente motivado. Pra seguir, pra nos estimular cada ganho, curtir cada momento, né?
É você vivenciar esse caminho, né? E não, e na grande maioria das vezes, além das pacientes estarem muito focadas e presas ao resultado. Elas chegam com uma expectativa que muitas vezes não é só dela, ela é do parceiro da parceira, vem assim, né família? O vizinho, a comunidade, os amigos do trabalho. Então, calma, vamos viver o seu processo que é único, é só seu, respeitar isso e vamos usufruir se eu posso usar essa palavra porque sei que tem momentos difíceis, mas desse processo dia a dia, né?
É. É o doutor Anderson. Sempre dá um exemplo. Ele até deu também numa live que ele fez com a equipe do multisar e eu acho muito legal. Quero um exemplo especificamente de uma paciente dele que é que assim, a cada etapa, ela, Ah, tive o positivo é, mas pode ser que eu ainda perca, né?
Então vamos esperar aí, Ah, faz ultrassom, tem bebê, é, mas calma, tem que fazer um morfológico de primeiro trimestre para ver se está tudo bem. Então, assim, se a gente está sempre vivendo a ansiedade, né? Ali, o medo do futuro, poxa, ela já teve o positivo que ela tanto sonhou. Ela já ouviu o coração que era o sonho, né da vida, de ouvir o coração. A gente não vive aquelas alegrias, né?
E se a gente for olhar a nossa vida toda é assim, né? Se a gente pensar, eu comprei um carro. Ah, mas posso não conseguir pagar a parcela do carro, posso bater o carro amanhã, então a gente não não aproveita aquele momento. Né? Exatamente, é interessante isso porque em termos emocionais, é como se a gente tivesse sempre vivendo, esperando a vida acabar.
É então assim, ai, quando eu terminar, é esse trabalho. Aí eu vou. Me permitir umas férias. Ah, só quando eu acabar de pagar meu financiamento é que eu vou me permitir. Por um sofá dentro do meu apartamento, ai só quando tiver tudo certo, o bebê no berço é que eu vou me permitir dar um sorriso, então é como se eu tivesse de fato esperando a vida passar pra eu ser minimamente feliz, Hum e não é, né?
Primeiro que a gente entende é isso, até dá filosofia mesmo, né? Que que embasa tanto a terapia com a qual eu trabalho, que é o estoicismo, que a Felicidade é dia a dia é eu estar aqui com você nesse papo, gostou? Podendo ajudar alguém, é o café que a gente tomou antes, é? Trabalho que eu faço com amor, então, mas assim é, é pequenininho mesmo, né? E é importante a gente entender isso e não esperar a vida passar, pra gente tentar ser feliz.
Né? É, eu vi até que você colocou no seu Instagram. Eu achei muito legal. Eu tento fazer uma coisa parecida. Eu vi que você colocou assim, Ah, vou colocar todos os dias algum momento que me trouxe Felicidade do meu dia, né?
Nossa, eu achei isso fantástico assim. Eu tenho um lembrete no meu celular de todos os dias, eu tenho que colocar alguma coisa boa que eu fiz, aí eu vou anotando todos os dias pra justamente me forçar a olhar para aquilo, porque senão a gente fica sempre só presa, né? Cano, piloto automático é reclamando que não é uma coisa boa reclamar. Você está pedindo de volta o que está te incomodando? Então assim, todo dia é possível a gente perceber uma Conquista, né?
Uhum ou mais do que uma até. É, e essa questão de viver no futuro ou viver, né? Como se se fosse esperar a vida acabar que você comentou, eu percebo muito isso. Num num tratamento também e o quanto isso impacta na qualidade de vida igual você falou assim, Ah, só quando o bebê estiver nascido eu vou sorrir, eu vou e às vezes até coisas simples assim, Ah, enquanto a gente não engravidar, a gente não vai fazer uma viagem. Ah, a gente não vai.
Mexer naquele cômodo da casa parece que a vida fica sempre em stand-by, esperando, né? E isso traz uma angústia, né? E pelo menos a sensação que eu tenho é como se fosse ali de é um. É um vazio, né? Naqueles espaço, só que aí você não vive todo tudo de bom para chegar até lá e às vezes, quando você preenche aquele espaço, você já está tão acostumada ao padrão de de se preocupar com o futuro que você nem vai comemorar que você preencheu.
Você vai pensar na próxima. E, durante o tratamento, é tão importante, eu sei que é difícil isso que eu vou falar, mas é tão importante a gente viver os. Dos aspectos da nossa vida. Claro que ter um filho naquele momento é um foco, né? Eu, eu chego ali com toda a minha energia, com toda AA.
Minha expectativa, com todo o meu desejo, mas é muito importante que a gente viva esse processo, claro, mas que a gente não abra mão. Dos outros aspectos da nossa vida, é o que você falou exatamente o que você falou muitas vezes. Esses aspectos ficam suspensos. Hum, não tenho mais. Minha relação é, não tenho mais meu parceiro.
Eu não tenho mais minhas amigas, eu não tenho mais meu trabalho, eu não tenho mais meu exercício, vou parar, eu não, eu não tenho mais, então isso é algo que eu sempre converso muito, né? Com as tentantes, que assim olha, tente manter a sua rotina, porque a nossa rotina ela nos fortalece. A gente sempre fala sobre isso com os bebês, o quanto é importante os bebês terem uma rotina, né? A gente também. Os adultos também, os adolescentes também, porque é.
É como se ela nos mostrasse que estamos vivos e que temos outras coisas que nos interessam e que a tentativa é mais algo que eu estou colocando na minha vida, mas que não pode ser única. Né? É exatamente isso. É uma coisa que eu falo muito também com as pacientes, porque tem um tratamento, né, que a gente faz, que chama coito programado ou namoro programado, que é basicamente ali. A paciente passa por um processo de indução de ovulação.
A gente vai fazendo os ultrasons para identificar o período fértil. Pra ter é pra ter relação. E tem alguns casos que podem ter benefício, então quando a mulher tem dificuldade para ovular, não é, ou às vezes tem muita dificuldade de sincronizar o período fértil, mas tem alguns casos que a gente vê que isso não é algo que vá realmente otimizar. Então é uma coisa que eu sempre falo, olha, às vezes a gente vai robotizar a relação de vocês, porque imagina que desgastante você chegar e falar olha, sexta-feira eu apliquei a injeção, tem que ser agora não tem outro jeito. É então às vezes isso traz mais, mais estresse, né?
E a gente não, não vive realmente Oo relacionamento como um todo. A gente condiciona o relacionamento só. Essa questão do filho, né? E essa coisa de pausar a vida. Às vezes, algumas pacientes, principalmente depois do negativo, falam pra mim, olha, eu vou dar um tempo, eu vou respirar.
Eu falo, às vezes isso é bom, né? É bom pra gente ver que a vida continua, que a gente tem um trabalho que a gente gosta, que a gente tem amigos pra visitar a família, pra visitar lugares pra conhecer né? E com isso a gente está mais fortalecido, porque Oo processo da da maternidade. Ele é um processo, ele não vai acabar na hora que vier o positivo na hora que vier o bebê, na verdade, aí que ele vai tá começando, né? Exato e a mulher precisa tá completa nesse momento, né, equilibrada na.
Do possível que a gente nunca está, não é? A gente vai sempre tentando ali equilibrar os pratinhos, mas para poder viver isso da melhor forma. Não é? Eu acho que às vezes a gente reconhecer a necessidade de dar uma parada para respirar também é maravilhoso porque somos todos falhos. Uhum, né?
A gente não é um robô, então tem hora que a gente fala, não. Eu quero parar, né? Seja um tratamento, seja em outras coisas, questões das nossas vidas, é importante a gente reconhecer, porque eu sempre falo, inclusive falo isso para as pacientes, para os meus pacientes, as pessoas mais Fortes que eu conheço são as que reconhecem as suas vulnerabilidades. Exato você entrar em contato com seu sentimento, seja qualquer ele que for, é muito importante. Por isso que a gente fala tanto dessa discussão sobre o janeiro e sobre AA questão da saúde mental, falar sobre o que se sente é imprescindível isso, sempre isso, constantemente.
Isso em qualquer idade. Então quando aquela criança. Faz uma birra ou chora porque ela não sabe se comunicar aquele momento? Eu como pai, como mãe, como cuidador, tenho que não perder a paciência, mas sim acolhêla que às vezes, quando a criança faz uma birra, a gente põe ela virada para a parede, aí ela cresce entendendo o que falar sobre sentimentos, é colocar, se colocar para parede. É ficar de castigo.
Então como que eu cresço? Entendendo dessa maneira, não falar sobre sentimento é libertador. Você não vai ficar de castigo, você pode falar que você está bravo e que quando você é pequeno, você não sabe se expressar tão bem já em adulto, isso pode vir de uma outra maneira. Então, entrar em contato com o que se sente é imprescindível. Então, durante o processo, voltando para as nossas tentantes, para entender que eu preciso de um tempo que eu estou com medo, que eu agora não estou disponível, OK?
Está tudo bem, é até você respirar, para verdade, de novo depois. Né? É, é. E acho que é assim. A importância também da gente viver o negativo, né?
Sim, é porque às vezes as pessoas, esses tempos, agora eu fui conversar com uma paciente, ela começou a chorar, ela, desculpa, eu estou chorando, eu falei, você não tem que pedir desculpa, é um momento de chorar mesmo, todo mundo triste, né? Com desfecho. Então, às vezes acho que a gente é ensinado muito Alice negócio você estava dando exemplos de criança. Que criança nunca escutou, engole o choro. Não é preciso fazer isso.
Então a gente fica tentando engolir o nosso choro, a vida, né? Meu Deus do céu, que é horrível, né? Exatamente. A gente aprende, não é o que a gente chama isso em psicologia, de crenças limitantes ou crenças nucleares, que são coisas que a gente aprendeu de alguma maneira e a gente nunca questionou, né? Então a mulher sempre tem que ser solícita assim, bonitinha, quietinha, o homem forte, Oo menino tem que não pode chorar, tem que ser boazinho o tempo inteiro você tem que sempre acertar e quando não acertar esconde que você errou, a gente vai aprendendo isso nas nossas bisavós para as nossas avós e assim por diante.
E a gente não questiona, graças a Deus eu estou formada quase 40 anos. E nunca se falou tanto sobre saúde mental como temos falado hoje em dia, o que é maravilhoso, porque aí a gente começa a questionar essas crenças, a gente já começa a duvidar delas. EEE determinar um novo padrão de comportamento. Maravilhoso. Eu estava fazendo umas contas aqui, você muito nova.
Leonardo, eu já tenho sessão, não. Sou urgente. Meu objetivo eu falei aqui do meu emagrecimento, eu olho pra você e falou não, um dia eu vou chegar lá. É o processo, vamos os nossos processos, você vai chegar sim, e a gente chegou já aqui antes do nosso podcast, a gente falou um pouquinho, né? Como o quanto elas já chegam fragilizadas, né?
E acho importante falar um pouco sobre isso, porque às vezes as pacientes elas já chegam pro tratamento e eu estou falando tratamento. Isso quer dizer que elas têm uma doença com culpa e se eu falar para vocês que eu tenho um CA de mama, que eu estou com uma infeção que eu estou doente? Uma maneira vocês vão ser muito solidários comigo e eu também vou ser solidária comigo. Por que que? Na Na questão da fertilidade, não é assim do que que eu me culpo, afinal, eu preciso de um tratamento.
Eu tenho uma doença, isso se é eu, eu faço sempre uma comparação com a depressão, que muitas vezes também não é encarada como como uma doença e é uma doença, é uma doença grave e é uma doença que no Brasil é enorme, né? Assim, a porcentagem que atinge é muito gigantesca e muitas vezes as pessoas olham para depressão e não entendem, culpam a pessoa que está na cama, muitas vezes chamam de preguiçoso, muitas vezes é. Sugerem lavar uma muda de roupa. Levanta aí, se anima coisas muito pejorativas e muito cruéis. Quando se trata de uma doença, mas.
A gente não trata assim. O paciente com câncer, então, é essas mulheres que chegam tão fragilizadas, já carregam uma culpa completamente desnecessária, né não? A culpa, aliás, culpa não serve pra nada, nem culpa, nem comparação. Enfim, então acho que esse é um ponto importante da gente ressaltar, né? Nossa, excelente.
Eu sempre gosto de falar dessa questão da culpa, exatamente como você pontuou de é uma doença, eu falo, olha, tem side, tem lá a classificação, então é, então é uma doença sim. Não tem porque a gente exatamente. A gente vai buscar como faz pra qualquer outra coisa, né? E essa questão, né, da? Como as pessoas tratam realmente eu lembrei de eu não sei onde eu vi, mas era alguém falando assim, que quando a gente fala pra, pra, pra alguma pessoa com depressão, nossa, mas tem tanta coisa boa na vida, por que que você não olha para as coisas boas?
Por que que você não fala então para um asmático? Olha, tem tanto ar, por que que você não respira esse? Ar brincadeirante, levanta e vai dançar. Exatamente. É a mesma coisa, né?
Sim, sim. Então a gente precisa mudar realmente isso. E outro ponto que você tocou, que eu acho importante, a gente falar também que interfere muito na saúde mental da na reprodução assistida. Essa questão da comparação, na verdade. Na nossa vida como um todo, né?
Porque, por exemplo, quanto mais contato agora a gente tem com a vida das outras pessoas, tem redes sociais, tem tudo. A gente está sempre olhando, né? O palco do outro e comparando com os nossos bastidores, né? Então eu estou lavando louça, vendo que a pessoa foi pra praia. Então isso na nossa vida já já dificulta e na reprodução.
Eu. Eu vejo assim. Tem um lado bom, por exemplo, tem muitos grupos de apoio. É importante para você saber que você não é ali, entre aspas, azarada, que é a única que não engravida, mas também às vezes já começa a ter muito. Ah, mas o dela foi assim, o meu foi diferente.
Ah, mas por que que o dela deu certo de primeira e eu estou tentando mais uma vez. Então a gente tem que tomar cuidado com essa comparação também, né? Muito cuidado. Eu. Eu sempre falo que a comparação, concordo com o que você diz.
Ela pode ser muito boa, né? Às vezes eu vejo lá 11 psicólogo, que eu admiro muito. E eu penso, nossa, que legal, acho que eu quero ter mais conhecimento disso, isso que ele está falando é uma coisa que eu acho que eu tenho que estudar. Poxa, que bacana isso, OK, maravilhoso. A comparação, assim como a ansiedade nos mantém vivos, né?
Dentro de certos parâmetros. Agora, quando eu me comparo de uma maneira que eu já estou me colocando num lugar menor, então assim, do psicólogo, eu vou chegar lá agora. Nossa, Ah, ele é muito inteligente, eu não sou, eu tenho ai meu Deus do céu, então assim braços tem tantos também, então às vezes eu, eu, eu ouço elas me falarem ai nossa, minha melhor amiga acabou de ter filho ai. Olha aquela pessoa que eu vi lá. No insta, conseguiu de primeira.
Eu aí é muito ruim porque estamos falando de seres humanos únicos e cada processo é um processo. Então eu brinquei, eu brinco com os meus pacientes quando eu chego, ela não estou em Trancoso, Hum, o mundo inteiro está em Trancoso, menos. Estou aqui trabalhando. Está bom porque você abre o Instagram, está todo mundo agora, não. Agora está todo mundo na neve, né?
É esquiando e trancou aquela coisa maravilhosa e a gente lá ralando é tudo bem, né? Então a gente estou brincando, mas assim a gente tem que tomar muito cuidado mesmo, porque a comparação nesse aspecto é uma grande armadilha, é, eu me coloco num lugar muito ruim, de muito incômodo, que eu não tenho que me colocar, né? Mas eu penso também que tem um pouco a ver com a questão da da auto estima, né? O que você falou? Assim?
Uma coisa é eu olhar e falar e falar, eu vou chegar lá. Outra coisa é nossa, mas eu não sou tão boa quanto e tudo mais eu. Falando como paciente em terapia, né? Conversando com a minha psicóloga sobre algumas coisas que eu pensava e queria, eu falei, às vezes, eu acho que tem pessoas que se expressam ali Na Na internet que falam coisas. Eu eu até acho que eu sei tanto quanto elas.
Eu só não tenho a coragem para falar como elas falam, por exemplo, né? Então, acho que vai muito da da nossa. Então da gente. Mesmo, né? E auto estima é um constructo.
É ao contrário do que muitas pessoas pensam, Ah, ela é toda cheia de borogodó, ela é assim, ela nasceu desse jeito, de jeito nenhum. Hum, há coisas em você que você pode melhorar, então você quer falar melhor, vai fazer um curso de laboratório, é fala sozinho para o espelho, treina, eu quero, sei lá, mudar a minha maneira de de de me vestir, vou fazer um estudo de cor, eu vou, sei lá, Ah, eu, eu saio com as pessoas, eu, eu não tenho muito assunto porque eu eu falo muito sobre psicologia, vai ler, vai no teatro, vai numa exposição. É você mesmo, pode ir melhorando essa autoestima porque é uma construção, então é como eu me auto referencio eu me dou parabéns quando eu acerto, como é meu autoconceito, né? Eu eu fico só me chicoteando. Ai fui lá, fiz o podcast, podia ter feito melhor, ai eu esqueci de falar isso Ah, pô, fiz, dei o meu melhor, então esse nosso auto conceito, que é 111 das Vertentes da da autoimagem, né, do autoconhecimento é muito importante, então eu reconhecer que eu tenho coisas que eu posso melhorar e lá é melhorar.
Você mesmo passou por um processo de bariátrica, porque de alguma maneira aquilo. Fazia sentido, sim, então, OK, eu quero ler mais, vou ler mais. Eu sabe? Então é um constructo. E quanto melhor a nossa autoestima, melhor.
A gente passa pelas nossas questões emocionais. Isso é um fato. Sim e mais fortalecido, né? Pra pra quando acontecer alguma coisa que é uma coisa que eu sempre tento frisar também pra quem tá em tratamento, porque o tratamento ele acaba trazendo 11 falsa sensação de controle, porque na nossa vida eu vejo que a gente não controla nada, né? A gente tenta ali fazer alguns planos, mas a gente é exposto a outras circunstâncias.
Então quando a gente fala da parte biológica, mais ainda, né? Então a gente usa esse remédio esperando esse efeito. Pode ser que ele tenha esse, pode ser que ele tenha um diferente. Ah, espero tantos ovos. Pode vir mais, pode vir menos, né?
É só que é. Eu percebo que às vezes AA gente entra ali naquela sensação de que eu preciso ter resposta, não, mas eu tive esses tantos óvulos a menos, mas o que que aconteceu? Porque eu fiz isso porque eu fiz aquilo ou então não, mas o meu embrião era lindo, eu fiz análises genética, o meu útero estava maravilhoso, porque é que ele não implantou? Tem o lado fisiológico que a gente vai tentar ali pesquisar e otimizar. Mas a gente não controla tudo, né?
Então, se a gente está mais fortalecido para abrir mão dessa sensação de controle e para focar no outro lado de falar assim, olha o que estava o meu controle, eu fiz da melhor forma possível, perfeito, isso é o que faz a gente passar um pouco mais tranquilo, né? Jeito a gente entender nessa vida o que a gente pode e o que a gente não pode controlar, Hum, porque muitas vezes a gente está gastando uma energia emocional desnecessária em algo que a gente não tem o menor controle e se falando de tratamento mais ainda, eu estou investindo o meu tempo, meu. Emocional, minha grana, meu tudo, meu esforço em algo que eu não tenho. A garantia. Não adianta falar que tem, porque não tem.
É um tratamento claro que cercada de uma clínica bacana, profissionais. A chance de dar certo é grande. A gente vai aumentando, mas não há garantia. Então, quando a gente entra nesse processo, é importante que a gente entenda onde estamos entrando. Uhum.
Eu vou dar o meu melhor, mas tem 1 hora que eu já não vou ter mais o controle, né? Adoraria ter mais, não temos, né? É. Mas assim eu penso que se a gente for ver, eu gosto muito da dessa questão do Multishow, digestão da emoção, porque eu acho que envolve tudo isso, né? E se a gente for ver a gente se fortalecer nesse sentido é bom para nossa vida e até para a maternidade, mesmo porque, assim mesmo quem não é infértil, engravidou.
Você vai criar ali um Monte de idealização da maternidade. Ai porque eu preciso amamentar exclusivo? Ah, porque o meu bebê vai ter que fazer tal coisa. Ah, porque meu filho vai ter que ir para tal escola e a gente não controla esse ponto. Mas assim.
Onde que você vê isso? Onde que você ouviu que você tem que tirar o peito e sair jorrando leite que não vai doer, que você tem que fazer o seu filho entrar na, no na? Na regrinha do do reloginho, meu filho é um reloginho? É, Ah, eu tenho. É, eu ponho ele para dormir de lá do enrolado.
Sem o charutinho com o você vai ouvindo um Monte de coisa que chega na sua vez, não é nada disso. É então assim de novo, a gente é único e cada processo é único, então a gente às vezes chega numa situação com tanta informação que a gente quase que enlouquece porque a gente não consegue exato. Responder a tudo, né? Porque não é assim que as coisas vão, que a vida acontece. A vida é movimento e é mudança o tempo inteiro.
Então a gente precisa aprender a se defender e se defender disso. Então o que que é, afinal, a gestão da emoção? Eu não posso impedir que alguns acontecimentos ruins venham para você, mas eu posso mudar a minha forma de reagir a eles. Não é que é a base. Lá atrás do doicismo, que é uma filosofia que eu sigo muito, é, é como a natureza, a gente não pode infelizmente, impedir essa chuva, né?
Mas a gente pode tentar se defender delas, então se eu moro numa casa que o ano passado. A Lagoa ou sei lá, eu ponho o negócio, eu levanto, então aprender a reagir de uma maneira diferente a acontecimentos que não temos controle. Uhum, isso é muito importante para a vida da. Gente, é algo que eu costumo falar bastante também, não. Não tinha todo esse conhecimento profundo.
Como que você passou? Imagina, você superou. Mas penso. Sensível ao ser humano. Muito parecido mesmo.
Bom, algum outro ponto que você ache importante a gente levantar a gente, dar. Orientação a questão que você falou não é de de estar fragilizada e de buscar acompanhamento. Na verdade, eu sou da da, da teoria, de que todo mundo deveria fazer acompanhamento psicológico, porque faz muita diferença, pelo menos para mim. Fez muita diferença Na Na vida sobre essa questão de gestão, da emoção, né? E a forma como a gente é encara os os desafios, né?
Então, até por exemplo, essa questão que a gente está falando da maternidade, de como a gente não tem controle, se a gente tentar olhar o lado bom, por exemplo, às vezes da gente passar por esse é essa questão do tratamento. Se a gente consegue evoluir. Emocionalmente nesse sentido, isso nos prepare e nos fortalece também para uma maternidade mais leve, né? É, tem mais algum ponto que você acha importante a gente orientar? Olha, de uma maneira geral, sempre aí, não só pra.
Em relação ao tratamento, mas em relação à vida da gente, mesmo quando a gente fala então dessa discussão, né? Tão importante em relação à saúde. Tal, eu penso que é claro que cada ser humano é muito único e cada um vive o seu processo de uma maneira, mas de um modo geral, eu acho que falar sobre o que se sente é importante, porque também quanto mais a gente fala de como a gente se sente, mas a gente também começa a entender o sentimento do outro, o que é importantíssimo, né? E de uma maneira geral, eu acho que há alguns sinais que aí é importante, que a gente perceba na gente, Na Na com os nossos amigos, né? No nos.
Onde a gente convive que eu acho que podem ser um alerta, não é? Então, mudanças de humor muito repentinas e de comportamento. É então, de repente, me pego muito triste ou muito desanimada? Alteração de sono é na alimentação, perco a fome. Eu fico com muita fome, uma irritabilidade muito grande, pensamentos intrusivos, o que eu quero dizer com isso?
Começo a pensar coisas muito ruins que, como se esses pensamentos invadissem minha cabeça Do Nada, são sinais. Não digo que que seja assim para todo mundo, mas são sinais importantes para a gente ficar atenta com a gente e com quem está pertinho da gente e jamais hesitar em pedir ajuda. Pedir ajuda é maravilhoso, é importante na hora certa. É necessário, não é a gente de novo é entrar em contato com as nossas vulnerabilidades e cuidar disso, cuidar disso com amor de uma maneira geral é nos acariciarmos mais e nos chicotearmos menos, porque a gente também, como ser humano, é muito duro com a gente mesmo o tempo inteiro muito crítico, então vamos ser mais generosos. Vamos Viver A Vida de uma maneira mais tranquila, sem muitas comparações, só temos essa pra viver e então vamos fazer essa caminhada da melhor maneira que a gente puder.
É, eu já vi muita gente dando o exemplo, né? Olha, se uma pessoa que você ama muito chegasse e falasse que aconteceu, tal coisa que viveu tal coisa, como você IA reagir? Não, eu IA acolher. Eu IA falar Pra Ela que não é bem assim. E por que que com você você não reage assim, né?
Porque que pra você você se cobra mais do que sendo que você ama ou outra pessoa e você iria acolher, né? Às? Vezes a gente cuida mais do nosso carro lá. Pole ai furou o pneu, ai meu carro, tu quita nossa saúde mental é a gente tem que vim sempre primeiro, sempre para a gente estar, cuidar bem do outro ou de qualquer coisa que seja. A gente precisa estar bem.
É, e achei muito importante o que você falou, de de reconhecer esses sinais, porque nem sempre é fácil, né? Então, se a gente consegue ir nessas sutilezas, né? E percebendo, a gente pode auxiliar e um ponto que eu queria, a sua opinião também é assim, hoje falando até como mulher, né? A gente vive muita cobrança, acho que um pouco da culpa vem da. Ânsia de quando vem seu filho, mas você.
Você já está casado há tanto tempo. Você não vai engravidar e não sei o que lá. E às vezes a gente nem quer entrar nesse nesse assunto. Então a gente já se sente muito cobrada, vem a infertilidade, traz esse peso maior, né? É o que que você acha que as pessoas ao redor podem fazer pra auxiliar nesse sentido?
Então, assim, quem é da família, o próprio marido, os amigos mais próximos para prestar ajuda nesse momento? Eu acho que uma das coisas mais legais que a gente pode fazer na vida da gente é sempre se colocar no lugar do outro. Acho que a gente faz pouco isso. A gente tem sempre um papo, um papel muito de julgador. Temos sempre opiniões formadas sobre tudo.
Soluções mas a gente pouco se coloca, então assim que que você acharia se você tivesse nesse processo e a pessoa te perguntasse tanto assim, né? Eu sei que muitas vezes a pessoa pergunta porque ela quer ajudar. Ela quer saber sua mãe, sua tia, sei lá. Mas assim. Pergunta menos, eu acho que você precisa deixar claro para o outro assim estou aqui, estou aqui, Camila, se você precisar de mim para o que for, eu estou aqui e pronto e me colocar nesse lugar de estou aqui e mostrar que de fato estou aqui.
Mas claro que as pessoas que estão em volta. Seria o ideal dos mundos que não perguntassem tanto. Respeitassem esse processo é o que você fala, a gente já chega para o, para, o, para o processo fragilizado, porque tentamos de outro jeito. Pensamos, discutimos com o parceiro ou parceiro, então a gente já chega um pouquinho esgotado, um pouquinho, fragilizado. Então, se a gente carrega todo mundo junto com essas perguntas, esses rodeios, né, é isso, independente até do do do tratamento.
Às vezes você tem um filho, aí quando você vai ter o segundo é, você tem o segundo. Ah, vê outra menina, você vai tentar um menino. Ela falou, meu Deus, quanto que acaba? Isso ninguém nunca vai estar satisfeito, né? Com a minha vida que é mais eu tenho que fazer agora?
Não, excelente, bom, queria em primeiro lugar, te agradecer pela disponibilidade. Foi uma conversa maravilhosa. Obrigada. Agradeço que você possa voltar mais vezes. Tenho certeza que vai ajudar muito os nossos tentantes e queria te convidar para deixar uma mensagem final aí em homenagem, né?
Em prol ali do janeiro branco. A importância da saúde mental, né? Focando agora pra reprodução humana. Sim, é o que eu falei bastante aqui, que eu acho que eu tenho que repetir. É que a gente precisa sempre ser carinhoso com a gente, pegar leve com a gente nos nossos processos.
Não é entender que a gente precisa viver um dia de cada vez, que se a gente parar para pensar, é o que a gente tem, né? A gente tem o dia de hoje que é um presente, então acho que é isso. Vamos viver devagarzinho. Vamos usufruir do dia que a gente tem. Vamos encontrar nesse diálogo que a gente possa é agradecer, nos parabenizar, poxa, foi, foi legal isso que eu fiz hoje e ser menos rude quando a gente não acertar, porque a gente não é robô, a gente não tem que acertar o tempo inteiro, então é.
Isso, assim, sermos carinhosos com a gente. Muito obrigada pela participação. A gente se vê no próximo episódio. Tchau, tchau, obrigada por. Assistir ao papo de tentante para enviar seu relato, dúvida ou sugestão?
Mande um e-mail para papo de [email protected] ponto. BR? Aproveite e acompanhe o CEFERP no Instagram. E no YouTube? Para ficar por dentro das novidades, o conteúdo deste podcast é meramente informativo e não substitui uma consulta com o médico especialista.
Te vejo no próximo episódio até lá.
