Uma dúvida comum sobre a doação de óvulos é “como escolher a doadora?”. Para falar disso, Marcelo Rufato, embriologista, e Lívia Faria, do apoio clínico do CEFERP, juntam-se à Dra. Camilla Vidal para falar sobre os aspectos clínicos e laboratoriais dessa decisão tão importante!
Dá o play!
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Transcrição do episódio
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Olá, aqui é a doutora Camilla Vidal, médica especialista em reprodução humana do CEFERP, Centro de Fertilidade de Ribeirão Preto. Seja bem-vindo ao podcast Papo de Tentante, um espaço onde compartilhamos informações sobre o universo das tentantes em busca do tão sonhado positivo. Aqui você poderá compartilhar suas experiências, se inteirar sobre os assuntos de reprodução assistida e ainda conferir relatos de mamães que já passaram pelo tratamento e tiveram seu positivo. Você também poderá conferir novos episódios quinzenalmente e assistir ao episódio em vídeo pelo YouTube do CEFERP. Vamos ao episódio de hoje?
Oi pessoal, sejam muito bem-vindos a mais um Papo de Tentante e a gente vai continuar nessa temática especial sobre doação e recepção de óvulos E hoje a gente vai falar um pouquinho sobre como escolher a doadora de óvulos. Uma vez que a gente está preparada para seguir para esse tratamento, quem pode ser a doadora? Como é que a gente vai fazer essa seleção? O que eu, como receptora de óvulos, tenho que levar em consideração? Então, para isso, estou recebendo convidados aqui muito especial.
Muito obrigada por vocês participarem. Vou deixar, em primeiro lugar, vocês à vontade para se apresentarem para quem não conhece. Eu sou a Lívia, sou uma das enfermeiras do CEFERP, atualmente faço a gestão de gametas e auxilio no pareamento das doadoras e receptoras. Quem tá ouvindo sua voz… Com muito carinho, muito amor.
É, então quem tá ouvindo sua voz e é paciente nossa já tá assim, a Lívia, a Lívia, com certeza. Espero que sim. Muito bem, meu nome é Marcelo, eu sou embriologista e… E a minha intenção aqui é trazer um pouco do que acontece no laboratório nesse processo de ovo doação e recepção. É um prazer, obrigado pelo convite mais uma vez.
Prazer é meu. E a gente estava gravando um episódio anterior falando também sobre a questão psicológica, sobre como escolher, como lidar, na verdade, quando é uma das opções de tratamento, o tratamento com óvulos doados. E uma vez que a gente, de certa forma, resolve essa questão psicológica, vem junto essa questão técnica, né? De que, ah, meu Deus, e agora? Eu tenho que escolher o que eu tenho que levar em consideração, o que eu não tenho?
E acho que uma das primeiras coisas que a gente poderia abordar seria de onde podem vir esses óvulos, né? Porque isso pode trazer também algumas particularidades, né? Então, vou começar falando um pouquinho dessa parte clínica e aí a gente pode ir abordando essas particularidades também. Porque assim, quando a gente fala em fazer o tratamento com óvulos doados, a gente pode tanto receber óvulos de uma doadora anônima, que acaba sendo ainda hoje o que é mais comum, né? E aí dentro dessas doadoras anônimas existem doadoras que estão fazendo tratamento na clínica, que são as doadoras compartilhadas, e existem aquelas doadoras voluntárias, então aquelas que estão passando realmente só para disponibilizar os óvulos para doação, e dentre também as doadoras anônimas, existem aquelas das fontes de bancos de óvulos, que normalmente são bancos internacionais.
E fora essa possibilidade, existe também receber gametas, no caso óvulos, de parentes até quarto grau, então de até prima, né? E cada um tem os seus prós e contras ali, as suas particularidades, né? Sim. Atualmente, a resolução define a idade até trinta e sete anos. Essa paciente não pode ter histórico de doenças infecciosas.
Ela passa por uma série de rastreios, de exames. Então, exames iniciais, para que a gente possa considerar essa paciente apta para doação. Então, elas são submetidas a cariótipo, eletroforese de hemoglobina, os exames sorológicos. Precisa ter uma reserva ovariana compatível, uma quantidade de folículos que seja viável para o tratamento, para que fique uma boa quantidade tanto para o tratamento dela, quanto para a receptora. E também tem que ter um histórico clínico dentro desses requisitos.
Tem um histórico, toda uma avaliação muito criteriosa da parte clínica, da parte laboratorial. E depois, quando iniciam a estimulação ovariana, tem mais um segundo momento de exames, doutora, para checar toda essa parte de PCRs, exames que vão determinar também a segurança para utilizar esses óvulos. E isso eu acho uma coisa muito importante da gente falar, porque às vezes a paciente que vai receber os óvulos tem um certo receio, né? De como é que eu vou confiar, entre aspas, na procedência desses óvulos, né? Tudo começou com uma avaliação clínica dessa paciente, a gente conheceu o histórico, E tem uma lista enorme de exames que a Anvisa coloca como obrigatórios, né?
E muitos deles começam a ser feitos antes da paciente até se cadastrar como uma potencial doadora, né? E cada vez mais a Anvisa vai colocando outros critérios que trazem uma segurança maior. Então, por exemplo, você comentou dessa questão do cariótipo e da eletroforese. Para quem não sabe, esses exames são exames de sangue. O cariótipo avalia a nossa carga genética.
Então, todos os nossos cromossomos ali em número e estrutura. E ele já vai dizer se a gente tem um risco aumentado de fornecer óvulos com alteração genética. Então, ele já traz uma informação a mais também da doadora. E a eletroforese também é um exame de sangue que rastreia aquelas anemias hereditárias. Então, anemia falciforme, talassemia.
Então, são exames que até há um tempo não eram obrigatórios, que a Anvisa incluiu recentemente. mas que trazem mais segurança, né? O que você colocou dos exames de quando a doadora começa também. Então, pra vocês terem noção, né? Vocês estão escutando a gente terem noção.
Por exemplo, pra paciente ser doadora de óvulos, ela fez lá atrás um exame de sorologias, sífilis, hepatite B, C, HIV. Aí, quando ela começou o tratamento, ela não só teve que repetir esses exames, como ela teve que fazer exames mais específicos. Então, assim, a gente vai pesquisar o HIV, entre aspas, no método tradicional, E pelo PCR. A gente vai pesquisar as hepatites tradicionais, mais PCR. Faz exame de urina pra pesquisar clamídia, gonococo.
Tem suave do COVID, que a gente ainda faz. Tem exame do Zika. Hoje a gente praticamente não escuta mais falar do Zika. mas essa paciente tem que fazer o Zika quando ela está em tratamento. Então, isso traz uma segurança muito grande, inclusive para a parte da manipulação desses gametas no laboratório, que é algo que a gente controla bastante também, né, Marcelo?
É, sim. O importante é colocar em relação a essa seleção, esses critérios, na verdade, de seleção que são adotados, que a Anvisa é um órgão que é um dos… Órgãos do mundo que mais têm a preocupação com a qualidade. E os critérios para a clínica de reprodução humana, nós somos categorizados como banco de células e tecido germinativo. Então, nós nos enquadramos também nos critérios de qualidade como o banco de sangue, por exemplo.
Então, o que a gente precisa fazer para liberar a doadora não é diferente, em alguns aspectos, dos critérios para quem doa sangue, para quem recebe sangue. Então, ele é muito seguro. É que essa preocupação, para quem está assistindo, eu imagino que a maior parte das pessoas que estão interessadas no assunto são receptoras. Realmente, o que eu tenho daquela doadora? Quais informações eu posso ter?
Será que é seguro realmente eu usar essas células? E dessa rastreabilidade clínica, em relação a isso, podem ficar tranquilos, porque ele é muito bem cuidado para que a doadora seja muito bem selecionada. Na parte laboratorial, o que a gente tem para trazer é que o principal fator que impacta na taxa de gravidez, no resultado do bebê, em relação ao óvulo, é a idade materna. Enquanto isso, também está muito bem classificado para a gente poder usar até uma certa idade. A gente não pode usar óvulos de mulheres acima de trinta e sete anos, que é quando realmente há um impacto significativo da chance de ter o bebê desses óvulos.
Além disso, a gente só vai conhecer a qualidade desses óvulos na parte laboratorial quando a gente recebe esses óvulos da doadora. É ali que a gente faz a classificação dos óvulos e, no processo de doação compartilhada, a gente separa igualmente óvulos para a doadora e para a receptora, não fazendo distinção de qualidade morfológica desses óvulos. E tem um outro fator importante, e aí é uma escolha nossa como clínica, como laboratório, é que no caso da doação compartilhada, não no caso de óvulos internacionais, que o que a gente oferece são embriões prontos. Então, é mais uma garantia de que a gente vai entregar o mais perto possível da gravidez. Então, se a gente tiver óvulos que eventualmente possam ter um desvio na taxa de fertilização, na taxa de clivagem, de formação de blastocisto, A gente pode até desconsiderar, uma vez que a gente oferece o embrião formado, e caso isso não aconteça, a gente ainda assim tem que formar mais embriões.
Então, esse é um dos grandes benefícios que eu vejo da nossa escolha nesse processo de doação compartilhada. Eu achei até interessante você colocar isso, eu até tinha colocado pra gente abordar, ia deixar um pouquinho mais pra frente, mas como a gente já entrou nesse assunto, eu vou falar disso agora. Porque uma pergunta que a gente, como médico, recebe muito no consultório, é isso que você comentou, assim, de que, ah, mas como é que eu vou saber quantos óvulos eu vou ter? Porque às vezes os pacientes vêm, por exemplo, até de histórico, né, de falar assim, puxa, eu já recebi seis, oito, dez óvulos e eu nunca transferi, eu atendi uma paciente recentemente, ela vai fazer outro tipo de tratamento. Mas ela falou, eu já usei mais de vinte óvulos e eu nunca passei por nenhuma transferência.
Então, assim, o quanto isso é desgastante, né? E pra paciente chegar, muitas vezes, até a decisão de fazer o tratamento com óvulos doados, ela já passou por uma jornada… Exatamente, né? Que muitas vezes já trouxe muitos desgastes. Então, um dos maiores benefícios que o tratamento com óvulos doados traz nesse cenário…
É que a gente diminui essa imprevisibilidade, né? Porque grande parte do desgaste do tratamento vem daquela coisa de como vai ser a próxima etapa, né? Principalmente pra baixa reserva. Eu tô lá passando pela estimulação. Será que vai responder?
E se eu ovular antes? Eu só tenho um. Será que ele tem óvulo? Será que ele vai formar embrião? E aí, se a gente pensa em ajustar a rota para fazer com óvulo doado e passar por tudo isso de novo, acaba sendo mais difícil, né?
Então, por isso que a gente tem esse objetivo quando a gente está falando em tratamento com óvulos de doadora anônima, na verdade com doadoras anônimas, mas que estão na clínica e não óvulos de bancos internacionais, onde a gente tem o objetivo de formar embrião, e eu vejo que essa é uma grande, é uma diferença muito relevante, porque quando a gente está falando de bancos de óvulos internacionais, Tem alguns possíveis benefícios, mas tem essa questão da gente trabalhar com um número mais restrito de óvulos, né? Normalmente a gente pensa nessa questão de óvulos internacionais quando a gente está buscando alguma característica muito particular, né? E acho que a Lívia pode falar muito bem dessa parte das características, que a gente está sempre em contato ali para a seleção da doadora e receptora compatíveis, né? Sim, nós somos um povo extremamente miscigenado, né? Então, tem uma pluralidade étnica muito grande.
Então, às vezes, algumas pacientes têm características específicas, como, por exemplo, cabelo ruivo, né? Às vezes, algo que foge um pouquinho. do convencional da população brasileira, não impossível, e às vezes é um perfil um pouquinho mais comum em países europeus, é mais fácil encontrar esses fenótipos. Então, essa busca vem principalmente pelo acesso a fotos dessas doadoras, fotos que são disponibilizadas na infância, na vida adulta, e para paciente conseguir ter essa certeza, essa segurança de que ela realmente chegou o mais próximo possível daquela característica mais rara que ela possui. Como o Marcelo mencionou, o nosso diferencial realmente Está na garantia dos embriões, isso traz uma tranquilidade, um conforto para as pacientes que vão ser receptoras, as famílias que vão recepcionar óvulos, porque os bancos internacionais trabalham com o lote de óvulos e infelizmente existe a imprevisibilidade dessa fertilização, desse descongelamento, então isso seria, entre os prós, um contra para a gente elencar.
É importante colocar que, ao longo do processo de fertilização in vitro, a gente tem algumas perdas. Obviamente que a gente está falando de alguns desvios. Nesse caso, por exemplo, você ter ausência de fertilização ou não ter produção de embriões é exceção. Mas a gente tem que levar em conta, sim, que a gente tem algumas perdas ao longo do processo. Na taxa de fertilização, média nacional, setenta por cento, clivagem, mais de oitenta por cento, formação de blastos, cinquenta por cento.
Então, é o clássico funil da FIV, né? Então, a gente vai tendo perdas ao longo desse processo e depende da quantidade inicial de óvulos que a gente tem, a gente vai ter uma quantidade de embrões formados menor, que pode chegar, pensando em blastocisto, até cinquenta por cento de perda. Então, isso é que tem que ser levado em conta. E nesse caso específico que a gente está tratando do… da produção de embriões, já garantindo embriões, a gente evita esse luto, que eu acho que esse é o ponto, né?
Porque às vezes o processo é tão desgastante para uma receptora, que ela já passou por uma jornada muito longa de tentativas, às vezes, de óvulos próprios por muito tempo, e aí ela entra nesse processo e ela quer, obviamente, muitas vezes, ter um resultado mais rápido, assim como todos, né? E… E ter essas perdas, muitas vezes elas podem ser sentidas também como um luto, né? Poxa, não deu certo nem para a doadora, não tive formação de embrião, e aí vai causando mais desgaste. Então, essa é uma forma de contornar essa situação e tentar realmente entregar os embriões formados para que ela possa ter uma chance real de gravidez.
Até porque, às vezes, algumas pacientes me perguntam, mas e se a minha doadora não tiver óvulo para doar, por exemplo? Ou e se ela tiver uma quantidade pequena? Já parte do princípio do recomeço, né? É como se elas fossem avançar para essa hipótese de tratamento, já contando que elas vão precisar voltar para a estaca zero. Elas já estão contando com essa expectativa nova.
Já passou por tanta coisa. Já tem tanto desgaste, né? Exatamente, exatamente. E não contam com essa possibilidade real, que o Marcelo tá comentando, né? De chegar a próxima transferência, de ter de maneira palpável, né?
Como ela tem uma chance aumentada de transferir, de engravidar, né? Uhum. É. é importante colocar em relação a esse processo de escolha de óvulos, que não sei se rapidamente isso já fica claro para quem é receptora, de que a gente não tem um banco de óvulos farto, uma quantidade de doadoras já, que a gente pode realmente ter muitas opções, e diferentemente até do banco de sêmen, que tem muito mais opções. E isso não só no Brasil, a nível mundial, Tem muitas receptoras aguardando para poucas doadoras doando.
Sem dúvida. E esse processo, então, ele acaba tendo um tempo que também faz parte desse desgaste emocional. Que exige em torno de seis meses, né, Lívia? O tempo de espera, dependendo da característica. Variando um pouquinho para menos, né?
Mas é isso mesmo. É bem isso que o Marcelo falou. A gente tem uma rotatividade, uma possibilidade maior, né? No caso dos bancos de SEMI. Uma paciente, uma doadora, ela passa já por um tratamento, né, doutora, que tem que ser levado em consideração o tempo, né, um procedimento invasivo, tudo é mais delicado, né, do que no caso de uma doação de sêmen, por exemplo.
Que acaba sendo um momento de ir lá, fazer uma coleta e tá tudo certo, né. A gente, dentro do processo da escolha da doadora, também acho que é importante colocar que é uma dúvida que eu vejo que é muito comum, né, Na verdade, não é dúvida, acho que é uma constatação que a Lívia pode até trazer com muito mais propriedade, que o critério da seleção muitas vezes passa por um crivo muito minucioso. Porque quando a gente passa por uma escolha, já que a gente tem opção, a gente quer escolher. E a gente começa a tentar ter mais controle desse processo. Não, eu quero entender um pouco mais, eu quero uma doadora assim, específica, eu quero aquela característica.
Então, é bom ter essa consciência de que não é tão fácil assim achar doadora, isso não só para o nosso laboratório, mas para qualquer laboratório. E da gente tentar, em algum momento, se for possível, ressignificar esse processo de escolha que não necessariamente a gente vai ter controle total sobre a situação. Essa é uma coisa que, quando a paciente quer conversar comigo para falar sobre esse processo de escolha de gametas, que eu tento abordar. Que a gente não tem o controle, por mais que a gente queira, a gente não tem controle total das circunstâncias, das situações. E num momento como esse, às vezes, a gente quer escolher.
A gente não escolhe, a gente não pede cariótipo para o nosso parceiro, a gente não faz uma seleção dessa para o nosso parceiro. Então, o que a gente já tem de análise para a doadora, a nível clínico, já é muito bem organizado, seguro o possível. Já tem bastante rigor. Já tem bastante rigor. As características fenotípicas também já são escolhidas baseadas na receptora.
E o processo, se ele for escolher características específicas, e eu digo assim, por exemplo, no caso de sêmen, que tem algumas características que não são tão importantes ao meu ver, não são tão relevantes assim, como não é o nosso caso, que a gente não tem essa categoria específica do hobby. Qual é o hobby do doador? Aí, ah, ele é… Ele gosta de jogar futebol. Ah, mas aí eu não quero um doador que goste de jogar futebol, eu quero um doador que goste de xadrez.
Então, é ali que eu abordo principalmente essa questão do quão criterioso a gente pode ser e que isso pode inclusive trazer mais desgaste ao longo desse processo de escolha da doadora. A gente, em algum momento, ressignificar esse controle e flexibilizar pra que o caminho aconteça, né? Pra que a gente possa desenvolver aquele embrião que a gente não tem controle das características também do bebê, muitas vezes. Que não necessariamente o bebê vai nascer exatamente com as características escolhidas. Isso é muito legal o que o Marcelo tá falando.
Eu concordo muito, muito. Realmente, é importante ressignificar e ver o quanto vale a pena, né? Se apegar a alguns… alguns critérios que não vão impactar no sucesso do tratamento, né? E que vão, às vezes, tornar a tua espera, a tua jornada mais longa do que o necessário, né?
E o quanto isso não é realmente determinante, né? Porque, assim, eu falo isso muito pra muitas pacientes. Eu tenho um irmão, doze anos mais novo que eu, meu irmão tem cabelo liso, meu irmão tem olho verde, meu irmão tem a pele mais escura que a minha. Se alguém olhar, não diz que nós somos irmãos. Eu sou a cópia do meu pai, ele é a cópia da minha mãe e nós estamos o mesmo pai e a mesma mãe.
Então, a gente não controla essas características também. Você também. tem esse exemplo dentro de casa, né? Sim, uma família de herança poligênica. Nós somos todos da mesma família e totalmente diferentes.
Então, isso é muito incontrolável. Eu tenho uma mãe com traços indígenas, né? Minha mãe tinha traços marcantes de família indígena e misturando com os genes do meu pai, mas claro, a gente ficou um pouquinho parecido com cada um, mas sem a cara de ninguém. É engraçado isso, né? E eu gosto de falar bastante isso com as pacientes, gosto de trazer isso até como um exemplo.
Porque nem na gestação espontânea você vai, talvez, ter um bebê que é parecido com o casal, né? Com o casal genitor. Uma parte do que a gente é, não necessariamente ela é genética. Existe o ambiental. Então, vamos lá.
Uma pessoa que tem um sobrepeso, não necessariamente ela tem na genética dela que vai determinar isso. Pode ter um facilitador, acumulo de peso e tal. Mas, obviamente, que o estilo de vida vai ser muito mais determinante nesse aspecto. Se a pessoa é sedentária, se ela não se alimenta e nem por isso, a gente vai ter uma transmissão dessas características genéticas. Exato.
Eu brinco muito com a Lívia. Eu falo, Lívia… Se fosse antes de eu fazer a minha cirurgia, ninguém ia querer meu óvulo, Lívia. E agora que eu fiz, talvez alguém aceitasse meu óvulo. É verdade.
Porque você vê, eu passei por uma mudança significativa de peso, de estilo de vida, de tudo. Com certeza. E assim, se a pessoa estivesse olhando uma foto minha do passado e uma foto minha hoje, teoricamente, ah, são completamente diferentes. Mas, na verdade, é muito mais o ambiente, os hábitos, do que a questão genética. E essa questão do ambiente vale também para o ambiente do útero que vai gerar aquele embrião, né?
Então, assim, mesmo que a gente leve em consideração, ah, mas e se existir uma predisposição à doença cardiovascular, obesidade, alterações metabólicas, mas aquele embrião está no útero de uma paciente saudável, ela se alimenta bem, ela pratica atividade física, aquela criança vai nascer num lar onde ela vai ter alimentação saudável, introduzida da forma correta. Ela vai ver os pais fazendo atividade física desde sempre. Ela vai para a escolinha, para o balé, para a natação. A chance dessa criança desenvolver alguma coisa é muito menor. A genética, nesse caso, vai representar um fator muito pequeno.
O comportamento vai ser, em grande parte, influenciado pela vivência. Se é uma família que se exercita, uma família que se cuida, a criança vai seguir esse comportamento. Sem dúvida. E é uma questão hoje que eu tento abordar bastante, quebrar esse paradigma, porque eu noto que elas têm muitas inseguranças com relação ao peso, as receptoras. E a gente conversa bastante sobre isso, porque as características desse embriãozinho, ela não vai vir somente da origem do óvulo, da doadora, do semi, do parceiro.
Vai ter toda uma questão, né, do ambiente uterino, né, dessa gestante, a irrigação da placenta, as sensações que ela tá experienciando. Toda uma questão também, né, de estilo de vida, como a doutora comentou, que vai determinar. É muito mais cultural do que genético, né? Sim, sim. E é muito mais epigenético mesmo, né?
Que é justamente do termo dos fatores que vão muito além da genética. A gente acaba colocando muitas vezes uma carga muito grande no DNA, né? Mas acaba sendo uma visão muito simplista, né? O DNA é uma sequência, mas que pode ter genes ativos e inativos por uma série de outros fatores, né? E a forma como ele vai se expressar vai mudar ao longo da nossa vida, né?
E até a expressão física mesmo, né? Então, por exemplo, a gente pede para as doadoras foto de criança. Por quê? Porque a gente quer olhar como eram as características lá atrás. Porque às vezes você vê aquela criança, ela chega agora com outro tom de pele, com outro cabelo, com outro olho, com tudo diferente.
Ou seja, o quanto o ambiente também vai moldando, vai modificando isso ao longo da vida. na era dos procedimentos estéticos, né, então eu gosto de falar isso também, a gente tem muito cuidado de avaliar o histórico dessa doadora, primeira infância, adolescência, pra realmente, né, avaliar como era essa paciente naturalmente, né, como é a textura do cabelo dela, pra ver se é fidedigno, então é muito criterioso mesmo essa avaliação, Porque a gente muda ao longo da vida e principalmente na questão do peso, que é muito variável, né? Então, você pode ter toda uma adolescência, uma juventude com peso adequado e por uma série de motivos ter ganho de peso ao longo da vida e não estar relacionado a uma comorbidade ou alguma questão genética, né? Uhum. Uma outra característica que eu vejo que é bem frequente e que às vezes leva uma jornada mais longa de espera são olhos claros.
Ah, sempre. Porque é sempre aquela questão assim, ah, mas na minha família tem tanta gente com olho claro. Gente, mas é tão difícil nascer com olho claro, é só a gente olhar para a maioria das pessoas no Brasil, a maioria não tem, né? É. E por quê?
Porque se a gente for lembrar lá da escola, é o recessivo do recessivo, é o asinho, o asinho, com o outro asinho, o asinho, a maioria de nós é dominante, né? Então, mesmo que eu fosse ter um filho agora com o meu marido e que ele tivesse olho claro, a probabilidade do nosso bebê ter olho claro já era mais baixa, né? Então, às vezes a gente se pega, né, a essas questões, mas que se a gente for lembrar lá da biologia, né, a probabilidade do bebê já nascer de olho claro já seria muito baixa, né? Sim. Acho que o grande recado é esse, até que ponto a gente consegue controlar a nossa jornada, o nosso filho, e acho que a flexibilização em alguns momentos é importante, para que o processo seja inclusive menos desgastante, porque nesse ponto, já tendo uma triagem muito séria sendo realizada, Você tem a possibilidade de ter a gravidez, de ter uma gestação, de ter o bebê e de conseguir vivenciar isso.
Porque, infelizmente, a gente não tem a certeza dos resultados, como eu falei, né? Tem as perdas ao longo do processo de desenvolvimento embrionário e ela continua ao longo da gestação também. Então, a gente pode, eventualmente, ter perdas gestacionais e talvez aquela doadora, do qual foi tão desgastante fazer a seleção dela, Não necessariamente ela vai gerar um bebê e o processo talvez possa ter que retornar e fazer uma nova seleção de doador. Então tudo isso causa um desgaste emocional importante. Então quais as brigas a gente quer ter, quer levar e talvez relevar em algumas situações.
Para que se dê a chance de passar pelo processo. Com certeza. Mas até sobre essa questão de abrir mão do controle, da gente poder selecionar de uma forma mais tranquila, eu vejo que isso passa muito também por um vínculo de confiança que essa paciente vai criar com a equipe que está acompanhando, né? Porque a gente chega para esse tipo de tratamento já muito fragilizado, é um momento muito delicado. Então, a gente precisa, né?
de uma relação que vá se firmando ali na transparência, na confiança, para que a pessoa possa respirar e falar, não, eu sei que está sendo feita uma boa escolha, não vou ficar me apegando ali a esses detalhes e vou poder seguir. E eu vejo isso muito bem, assim, nas pacientes que procuram, por exemplo, pela alívia. Ontem mesmo eu estava respondendo umas pacientes, eu vi que uma paciente perguntou, gente, mas ninguém tem notícias da Lívia? Porque ela queria conversar com a Lívia para saber. Então, assim, o quanto é importante também a gente ter uma pessoa específica voltada para isso, né?
Você como enfermeira tem o conhecimento técnico para poder respaldar isso para a paciente também. Você como gestora de gametas tem o conhecimento do todo ali do processo para poder orientar isso para a paciente também. E o quanto essa relação próxima tranquiliza a paciente de passar por essa caminhada e poder selecionar e passar tranquila pelo tratamento. Quantos contatos livres, em média, você tem? Há um chute aí, mas são muitos, não são?
Vai, vai, conversa, volta. Todo dia, durante esse processo de escolha, ele acontece, né? Sim. Então, isso que a doutora Camilla traz ela, ele é muito importante. Que é criar essa relação de confiança para que esse processo seja mais tranquilo também.
escutativa, gosto que elas tenham a sensação de esclarecimento de todas as dúvidas, que não tem nada que ficou mal esclarecido, que elas sintam que a gente tem um sentimento genuíno de empatia, né, e a gente torce por elas, e eu tô sempre tentando esclarecer todas as dúvidas, todas as demandas, pra que elas se sintam tranquilas, E falem felizes. Lívia, qual é o próximo passo quando podemos agendar a coleta, né? Coleta de sêmen. Então, a gente vê que tá pronta pra avançar, né? Então…
E você vê que o que você falou casa certinho com o que a Sumaya estava falando no episódio anterior, a gente estava falando sobre como lidar com a percepção, e aí eu fiz a pergunta para ela, quando a paciente pode ter uma pista de que ela está pronta para o tratamento? E ela falou quando ela tirou todas as dúvidas, quando ela esclareceu todos os questionamentos que ela poderia ter de que aquele é o melhor tratamento e que é o caminho mais seguro. Então, ela ter essa janela, essa oportunidade com você, faz com que ela vá se preparando até o momento que ela fale, agora eu estou pronta, estou feliz, está aqui a ficha da minha doadora, vamos seguir. Sim, e ela vai solidificando um sentimento, uma segurança, e vai se fortalecendo até… Para essas questões que o Marcelo também pontuou, né?
A doutora Sumaya comentou isso também, né? O desfecho a gente não consegue saber o resultado, mas pode dar, fornecer ferramentas para ela poder lidar melhor com essas possíveis situações favoráveis. Ou negativas, né? E ressignificar tudo, se sentir bem, confiante e voltar. Se for a necessidade dela retornar para uma outra tentativa.
Isso é muito importante. Porque é o que tem se falado tanto na… na saúde, em geral, que é colocar o paciente no centro do cuidado. Que a gente, no processo de certificação nossa de qualidade, há sete anos atrás, a gente começou a ouvir e, inicialmente, às vezes não fazia tanto sentido. Eu falei, o que é colocar o paciente no centro do cuidado?
Ele tem conhecimento para tomar as decisões, então não necessariamente é o paciente fazendo sozinho o caminho, mas na verdade é ele entendendo, compreendendo, estando ciente, participando das decisões, para que justamente se respeite o caminho que ele quer passar. Eu lembro do meu início, já agora, há dezenove anos atrás, quando o Dr. Jorge e o Dr. Joaquim faziam as seleções para doador e receptora. E ele era muito mais…
por conta do comportamento das pessoas. Era uma escolha assim, vai ser essa paciente, tá bom, vai ser essa doadora, já temos óvulos para fazer o seu tratamento. E esse processo era mais curto, só que ao mesmo tempo não tinha esse envolvimento, não tinha essa conscientização. Tinha muitos pacientes na época que não sabiam a diferença de óvulo e embrião. E hoje o paciente traz uma consciência muito maior, obviamente que tem a ver também com a quantidade de informações que a gente tem acesso hoje, o fato da gente poder trocar experiências com outras pessoas, com outras tentantes, isso tudo empodera o paciente a tomar a decisão junto, a participar junto.
E é muito produtivo, é muito bom que seja assim, e obviamente que tem que ter abertura de ambas as partes, de entender como é que funciona essa relação do paciente no centro do cuidado. Não é nem o médico tendo uma postura, a clínica em si, tomando uma postura de vai ser assim, tem que ser desse jeito, porque é assim que é. E nem necessariamente o paciente também fazendo a mesma coisa. Então, é ter essa harmonia, essa troca, essa relação. Essa flexibilidade dos dois lados, né?
Exatamente. É o relacionamento, essa conexão entre as partes. para que o processo seja muito bem vivido e que a frase que a gente tem usado bastante é que a pessoa, que o paciente não tenha arrependimentos do processo que foi escolhido. Eu participei, estou consciente, passei muito bem e estou bem com a escolha até aqui. Até porque não existe autonomia sem informação, né?
Eu não posso, como médica, falar para o meu paciente… Ah, escolhe aí o que você acha melhor. Você acha melhor fazer isso? Não, é minha responsabilidade de trazer a informação, de orientar os prós e contras. E aí, sim, nós vamos construir juntos uma melhor decisão.
Então, isso passa pela transparência, né? De nós, como clínica, em todas as etapas, para que o paciente possa realmente estar no centro… E ter a ferramenta para participar da decisão, né? Então, isso passa por como a gente vai se portar e passar as informações para o paciente também, né? E a gente falou um pouquinho dessa questão de controle, do quanto às vezes a gente quer se sentir no controle.
Isso vai um pouco também para algumas questões genéticas, né? Desde o tratamento com óvulo próprio e o tratamento com óvulo doado também. Então, até com óvulo próprio, às vezes eu escuto muito a paciente que fala assim, ”Ah, já que eu estou fazendo uma FIV mesmo, então já vou fazer o estudo genético desses embriões, já que eu estou aqui, né?” E aí a gente fala, ”Olha, não é bem assim, tem os prós e contras, né? A gente tem que colocar na balança.” Então, esse mesmo raciocínio a gente traz para o tratamento com óvulos doados. Acho que você pode colocar, Marcelo, um pouquinho da parte técnica dessa questão da análise genética.
Eu sei que não é o foco do episódio, mas só para a gente poder colocar todo mundo na mesma página, para a gente entender um pouquinho sobre ser viável ou não esse rastreamento a mais da parte genética. Perfeito. A gente tem algumas ferramentas na parte laboratorial que a gente pode utilizar no desenvolvimento embrionário. A gente tem a possibilidade, por exemplo, de transferência em DIII, a gente tem a possibilidade de transferência em DV, e a gente tem, por exemplo, a análise embrionária também, que é a biópsia com a realização do teste genético. E ele tem as suas indicações.
Como é que funciona a técnica? A gente… deixa o embrião até o último dia de desenvolvimento embrionário, que é em torno do quinto ao sétimo dia, e a gente faz uma ruptura na zona pelúcida, que é a parte mais externa, que é a origem do óvulo, que passa a ser do embrião, e a gente tem acesso ao trofectoderma, que são as células que margem o embrião, não as que vão dar origem ao bebê, mas a placenta, a gente tira um pouquinho dessas células, que não compromete o desenvolvimento embrionário nem o bebê, colocam na Ependorf, que é um tubinho, e mandam para o laboratório de genética e, dependendo do teste, no caso do PGTA, ele vai analisar a quantidade de cromossomos, como esses cromossomos estão, tem alterações estruturais e numéricas que podem ser identificadas nessa análise genética, no caso do PGTA. Então, ele traz algumas informações, só que elas acabam sendo úteis principalmente no caso da idade materna avançada, por exemplo, aborto de repetição, falha de implantação, são algumas das indicações que não se enquadram no caso da receptora, porque ela pega óvulos de mulheres jovens. Então, a utilização dessa técnica do PGTA para receptores, ela acaba não tendo tanta utilidade, porque a gente espera aí um resultado de embriões cromossomicamente normais, né?
Os embriões euploides e… E aí o que a gente tem, na verdade se fizer, a gente tem mais gasto, porque você vai ter que pagar um valor expressivo, porque é uma técnica altamente complexa, então paga-se para a realização da biópsia, a parte laboratorial da embriologia e paga-se pela análise genética do embrião, para cada embrião analisado tem um custo também, que é a parte do laboratório de genética. Então, pode ser que não seja uma escolha interessante, obviamente que discutir em conjunto com o médico para que tenha essa decisão, mas não é uma indicação comum. É, até porque, né, a doadora já não pode ter histórico de doença genética, nem em si, nem na família, passou pelos rastreamentos, né, que muitas vezes quem faz com óvulo próprio não faz de rotina esses rastreamentos, né, e eu já ouvi de algumas pacientes uma preocupação, que foi até o motivo de eu trazer esse assunto aqui, que algumas pacientes já falaram assim, ah, mas eu quero descobrir, então, e se tinha alguma coisa oculta, às vezes, que a doadora nem sabia, não mencionou, não pensou, enfim, né, mas aí esse tipo de análise, especificamente, a gente, quando é o PGTA, a gente não consegue rastrear, né, porque o PGTA, ele vai avaliar alterações no cromossomo como um todo, né, então, se a gente tá pensando, ai, mas isso, gente, isso pode acontecer até, por exemplo, com comigo. Eu fui lá, engravidei espontâneo, meu filho tem alguma coisa e eu não sabia, porque eu não sabia que eu carregava isso na minha família.
Carregava o gene. Exatamente. Então, acho que é mais esse conceito. Mais uma vez, eu vou forçar a barra pro lado da genética, porque a gente lembrar lá da herança dos genes, né? Lá dentro dos genes, herança recessiva.
Então, eu tenho que carregar o gene Azinho, meu marido tem que carregar o Azinho. O tanto óvulo quanto o espermatozoide tem que vir os dois com o mesmo asinho para poder nascer um bebê com alguma doença. E o risco acaba sendo muito, muito baixo, né? Porque assim, todos nós provavelmente carregamos muitas mutações, né? Mas a gente, na maioria das vezes, não casa com alguém que tem exatamente as mesmas mutações.
E assim como a gente não pede para o marido, para a esposa, né? Um cariótipo, a gente não fala, vamos pesquisar quantas mutações você tem para ver se vai dar certo, né? Sim, exato. Então, assim, dá pra fazer isso? Dá.
Existem testes, né, onde a gente vai rastrear várias mutações? Existem. Dá pra gente, como receptora de óvulos, falar, então eu quero que a minha doadora faça esse rastreamento? Dá. Ela vai lá, vai, né, custear o exame pra que a doadora faça.
É. Ah, encontrei mutação. Isso significa que ela não pode doar? Não, porque provavelmente se eu fizesse em mim também acharia, em você, em você… A diferença é, agora que a gente sabe, então a gente vai lá fazer o exame em quem vai fornecer o espermatozoide.
E aí a gente vai ver se cruza exatamente a mesma mutação. Então, por mais que os dois exames venham com alterações, a probabilidade dessa alteração ser a mesma dessa outra e nascer um bebê com síndrome é muito baixa. Então, por isso que é disponível, mas normalmente a gente não chega nesse nível porque entra na mesma questão ali da sensação de controle e do investimento, né? Sim. O exemplo que eu costumo dar para as pacientes, assim, é como se a gente investisse muito mais fichas naquele um embrião daquele um tratamento.
Então, é melhor a gente pegar essas fichas e formar mais embriões para o seu tratamento. E aí sim, a gente vai estar falando em poder ter novas transferências desses embriões formados e otimizar as chances de sucesso. Sem dúvida. Bom, então acho que a gente conseguiu abordar os temas mais frequentes, né? Mas se você que está escutando a gente ficou com alguma dúvida, quiser fazer qualquer observação, outra pergunta, manda pra gente nos nossos canais, no Instagram, que vai ser o maior prazer receber eles de volta aqui pra gente conversar mais.
E agora pra gente encerrar, vou passar a palavra pra vocês e queria convidar vocês a deixarem um recado de esperança, de motivação, para quem está nessa jornada aí, como receptora de óvulos, seja quem está escolhendo ainda a doadora, ou que já está em tratamento, ou já passou por algumas tentativas, enfim, quem está nessa caminhada linda pela maternidade. Muito bem, obrigado mais uma vez pelo convite, de estar aqui hoje compartilhando um pouquinho do nosso conhecimento, de falar um pouco desse projeto que é o Sonhar Juntos, de doadora e receptora, ao lado da Lívia, que é a responsável, que cuida muito bem dessas pacientes, que passam por esse processo, que faz parte do recado que eu quero deixar, que a gente pensar de forma positiva, de agradecer o fato de termos opções, nesse caso que é muito crítico o fato de não ter óvulos, mas que existem doadoras que possam ceder esse material para que a gente possa ter as gestações. E que essa jornada, ela seja leve, que a gente possa fazer as escolhas confiando nesse processo da clínica de reprodução humana, obviamente tirando todas as dúvidas necessárias, mas trazendo mais leveza para esse processo, para que a gestação possa vir o quanto antes e que esse sonho seja realizado. Bacana. Meu pensamento vai bem de encontro com o do Marcelo e eu quero deixar uma palavrinha que é resiliência.
Eu gosto muito dela porque o nosso compromisso é, sobretudo, com a melhor experiência possível. A gente quer que vocês se sintam acolhidas, amparadas durante toda a jornada do tratamento e que vocês possam sentir esse carinho que a gente tem durante toda a jornada de vocês e agradecer por vocês possibilitarem que a gente seja ponte, que a gente possa atuar como ponte para a realização do sonho de vocês. E queria dizer, vamos conversar, vamos abrir o coração, bater um papo, estou aqui à disposição, amo. A gestão de gametas, faço com muito carinho. E cada bebezinho nascido é um sonho que também realizo junto com elas.
Que linda! Não vou nem falar mais nada. Muito obrigada pela presença de vocês. Obrigada, doutora, pelo convite. Obrigada por assistir ao Papo de Tentante.
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