Neste episódio, Dra. Camilla Vidal, Dra. Ingrid Guedes e Lívia Faria abordam o processo de adoção de embriões, explicando como essa alternativa tem se tornado uma opção viável para casais que enfrentam dificuldades para engravidar. Descubra os aspectos legais, médicos e emocionais dessa jornada.
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Transcrição do episódio
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Olá, aqui é a doutora Camilla Vidal, médica especialista em reprodução humana do CEFERP. Seja bem-vindo ao podcast papo de tentante. Vamos ao episódio de hoje. Oi pessoal, sejam bem vindos ao papo de tentante. E nesse episódio a gente vai falar sobre um tipo de tratamento que talvez muitas pessoas ainda não conheçam.
Pelo menos às vezes. Quando eu falo em consulta dessa possibilidade, muita gente faz até uma carinha de espanto assim que é a gente falar sobre a adoção de embriões. E pra isso estou aqui com a doutora Ingrid, com a Lívia. Muito obrigada pela participação de vocês. Que agradeço, obrigada pelo convite.
E vamos começar explicando um pouquinho então, né? O que que significa a gente fazer um tratamento com adoção de embriões? Vamos lá, então, como seria a adoção de embriões mais comum de acontecer? É um casal que tava tentando gestar, né? Por meio de firme, e aí eles formaram.
Os embriões parar o tratamento, eu vou aqui só recapitular algo que às vezes algumas pacientes não tenham conhecimento. Quando a gente pensa em fazer um tratamento de fibe, para a gente evitar fazer estímulos desnecessários e muitos estímulos na mesma paciente e ter toda a carga hormonal e a carga de ficar vindo, fazer controles ultrassonográficos, tudo além do custo claro de fazer esse estímulo. O nosso objetivo quando a gente vai fazer o tratamento da fibe é juntar. A maior quantidade possível de embriões pra aquele casal, pra depois que a gente tem esse grupo de embriões congelados, a gente partir pra um segundo momento do tratamento, que é transferir, que é colocar aquele embrião na paciente, que geralmente essa etapa ela é muito mais simples, ela exige menos acompanhamento em ultra sons, ela exige medicações mais tranquilas de usar. Então a gente tem esse grupo de embriões congelados e a partir daí a gente vai fazendo essas transferências na paciente até ela obter a gestação.
E a gente precisa desse grupo de embriões, porque a gente quer dar a maior chance possível daquela paciente gestar. E a gente sabe que a cada transferência a gente tem aí uma média de 30 a 40% de chance daquela paciente gestar. Então, é muito comum a paciente precisar de mais de uma transferência. Por isso eu quero um grupo maior de embriões congelados. Só que o que acontece, muitas vezes a gente transfere 12 vezes, a paciente acaba engravidando.
E elas sobram a quantidade, vamos dizer aí, de embriões. Alguns casais deixam aqueles embriões congelados e isso não vai ter nenhum malefício para aqueles embriões dali alguns anos querem uma segunda, uma terceira gestação. Voltam para buscar aqueles embriões que estão congelados e que não está fazendo mal para eles estarem congelados por esse tempo. E aí vamos dizer que a pessoa, né? O casal tem ali 5 embriões, transferiram um, tiveram a sorte de engravidar de primeira, transferiram um segundo, tiveram a sorte de engravidar novamente e sobrou 3 embriões.
Então aquele embrião, ele tem a carga genética do casal, tá ali congelado e o casal percebe que não quer mais filhos, que eles estão satisfeitos com aquela quantidade. E sobrou aqueles embriões na clínica de reprodução. Aqueles embriões, eles tem 3 caminhos que podem se seguir, eles podem ser descartados após 3 anos, então a gente tem que pelo menos guardar aqueles embriões por 3 anos. Eles podem ser doados para um casal que está tentando engravidar e, por qualquer motivo que seja, não esteja conseguindo gestar. Ou eles podem ser doados para pesquisas.
Então temos essas 3 opções. E o casal que formou aquele. Aqueles embriões que vai decidir qual caminho eles querem que aqueles embriões deles sigam. É então quando a gente fala em adoção de embrião, basicamente é é um casal, uma paciente poder receber esses embriões que o casal doador, né? Optou por disponibilizar realmente para doação.
E você comentou dessa questão, né? Da gente tentar formar mais embriões. É, e eu percebo que esse é um tratamento que vem aumentando e que a gente vem conversando mais sobre ele, justamente porque a gente tem melhorado a nossa capacidade de formar e armazenar esses embriões excedentes, né? Porque enquanto você estava explicando, eu estava lembrando muito, né? É, até recentemente lançaram agora o filme né, da Joy, do primeiro do bebezinho, né, da Louise Brown, e eles lá mostrando todo o esforço que eles estavam fazendo para conseguir captar.
Um óvulo, porque tinha que monitorizar certinho o período fértil para aquele um óvulo formar aquele um embrião é. E justamente porque antes era era isso, né? Eles iam fazer um ciclo natural, conseguir um óvulo para formar um embrião e aquele embrião tinha que ir para o útero, porque o útero era melhor do que qualquer laboratório, né? E hoje isso evoluiu tanto, porque a gente tem muito mais segurança para fazer o estímulo. Aparelhos de ultrassons muito melhores para poder monitorizar o estímulo, né?
É. Isso dá para nós muito mais capacidade de ter mais óvulos. E a evolução laboratorial também permite que a gente forme mais embriões e armazene esses embriões com segurança, né? É porque essa é uma dúvida bastante comum também que as pessoas têm que assim, Ah, mas congelar os meus embriões não vai atrapalhar, mas e se eu mantiver mais tempo congelado? Isso não é um risco para eles?
E como você pontuou muito bem que não, né? A gente tem embriãozinhos que são disponibilizados para adoção a Lívia como gestora do banco de gametas. Vai poder dizer até melhor que foram congelados há muitos e muitos anos, né, Lívia? E que isso não tem impacto para o embriãozinho que né? Vai ser transferido.
Depois, né? Nenhum, né? Inclusive é tá totalmente preservada a qualidade de quando AA paciente fez o tratamento, né? A idade daquele óvulo, daquele casal. Então a gente tem muitos casos de pacientes que fazem tratamento.
É pra preservação, né? Vão se submeter a um tratamento de quimioterapia e tem programação de transferência dali a 5, 10, né? Às vezes mais tempo e não tem problema. Muitos pacientes ficam em dúvida se o congelamento vai causar qualquer tipo de é problema no embriãozinho, né? Se ele vai perder qualidade, se o tempo de cultivo vai trazer perda de qualidade, e não, a gente tem embriões que estão congelados há muitos anos.
É embriões viáveis para adoção, esperando um papai, uma mamãe, 2 papais ou 2 mães fazerem a adoção. E é um tratamento muito bonito, tanto para quem doa quanto para quem adota. Eu acho muito bacana, incentivo muito é que os casais possam amadurecer, pensar um pouquinho sobre essa possibilidade. Como a doutora pontuou, existem outros caminhos, né? O descarte embrionário, a doação para pesquisa, mas a doação também é um caminho viável.
E que a gente nota que é permeado por muitas dúvidas, né? Muitas inseguranças. E a gente está aqui à disposição sempre para esclarecer. Tudo é, você tocou num ponto que eu acho interessante a gente explicar um pouquinho. Assim é, existem alguns critérios para que aquele embrião possa ser doado, né?
Então, o tanto o conselho federal de medicina, a Anvisa, colocam ali alguns critérios justamente para segurança, né? Inclusive de quem vai receber esse material biológico, né? É, então, por exemplo, precisa ter todo um rastreio da questão de algumas doenças infecciosas, de algumas doenças genéticas, né? Então pra quem está escutando a gente, né e entendeu sobre essa possibilidade e quiser saber se poderia doar os seus embriões, é importante conversar com a clínica onde você está em acompanhamento ou fez seu tratamento, se você entraria nesses critérios, que com certeza ajuda, né? A aumentar, né?
AA família de de tantas pessoas que tem esse sonho também, né? Com certeza. EE, não só para os embriões, né? Bom, a gente esclarecer, para qualquer tipo de gameza, esses exames são feitos sempre. Exato.
E que também a gente pode, assim como é os embriões congelados. Quando a gente faz, lá atrás você falou de preservação. Se a pessoa fez uma preservação e congelou óvulos, ela pode, se ela não for usar esses óvulos, disponibilizar para doação. Dependendo do critério, né? Que ela tenha de saúde, do critério clínico, dos exames também realizados, a idade.
Então é sempre um destino importante mesmo da gente frisar do material biológico, porque é muito, muito bonito mesmo, né? E ainda mais AA adoção de embriões eu acho mais bonito ainda, porque assim é, é, é uma adoção realmente genuína, é e intraútero, né? Então, assim, você gestar o seu filho adotivo, né? Às vezes, quando a gente fala em em adoção, a gente vê tanto, né? Fala a AI porque a fulana quer tá na fila de adoção.
Mas ela queria que fosse uma criança pequenininha e a gente tava falando esses dias, conversando sobre como é difícil o processo todo de adoção e principalmente de. Beber, né? Com refenciação? Pra adoção, né? Então você ter AA possibilidade de passar pelo tratamento e gestar, né?
E viver a maternidade ali pelo pré Natal, né? Pela realização dos exames, pela barriga, crescer pelo parto, por tudo. É algo que não. Não tem explicação, né? A experiência da da matéria.
A modernidade sendo construída desde essa fase para quem tem o sonho de gestar, né? Sim, eu acho que é fundamental a gente pensar nisso sobre o sonho de gestar. Eu acho que existe um julgamento muito grande no sentido a tem tantas crianças precisando de um Lapa e que que aquela família vai adotar um embrião. Qual diferença vai fazer? Se vai, Ah, não vai ser os gametas dela, não vai ser a genética do casal.
Por que que ela vai adotar um embrião com tantas crianças precisando de um lá? Eu acho que é muito importante a gente notar que a nossa realidade é diferente da realidade do outro e que é muito comum as mulheres apresentarem um sonho de gestar também não só da maternidade, de passar por essa fase da gestação, né? Passar por essa experiência da gestação. Então é algo que é comum de acontecer. Claro que não são todas as mulheres que tem esse desejo.
Muitas mulheres não consideram essa essa parte tão fundamental na maternidade, mas outras sim. Então é sempre bom a gente notar que a nossa realidade, os nossos desejos, as nossas vontades são diferentes do do outro. Então. É uma grande possibilidade para aquela mulher que ela tem esse desejo de passar pela gestação e por qualquer motivo, ela, o parceiro ou até mesmo uma produção independente. Ela pense, não, eu queria adotar um embrião que já está formado.
Eu não, não tenho 11 sonho em ser dos meus gametas, por exemplo. E eu gostaria de adotar esse embrião para uma produção independente ou por algumas patologias, o casal não consiga essa gestação. É uma possibilidade da gente. Dá esse sonho, né, pra esse casal? Com certeza.
Né? Achei maravilhosa sua fala de respeitar, né? Porque quando a gente fala de gametas doado, já existe um certo julgamento. E esse julgamento vem de pessoas que não tem nem noção, né? De como é o universo da da infertilidade.
Você se deparar com a dificuldade, né? É pra nós, na nossa sociedade, principalmente pra nós mulheres, ainda foi muito. É incrustada a ideia de que é um papel social, que a gente vai engravidar e que a gente vai parir. Que a gente vai ter o filho e tudo mais. Nem todo mundo tem esse mesmo sonho, mas às vezes, quando a gente não consegue, se a gente quer e a gente não consegue, né, o estigma que isso traz, a cobrança que isso traz é muito grande e quem não vive essa realidade não consegue ter noção, né?
Então foi muito bom você tocar nesse ponto mesmo, porque julgamento é o que não falta para todo mundo que tá em tratamento, ainda mais tratamento com gameta adoado, mais ainda de adoção de embrião. Mas a gente tem que respeitar o sonho de cada um e graças, né? É a evolução da. Da medicina reprodutiva, das técnicas clínicas, laboratoriais, a gente tem essas outras ferramentas, como a adoção de embriões, né? E vocês tocaram já em alguns, vocês já até falaram algumas possíveis indicações, mas basicamente quem pra quem é a adoção de embriões?
Porque eu IA perguntar quem pode, mas quem pode é qualquer pessoa pode, né? Então assim é, pra quais pacientes a gente considera como uma possibilidade a adoção de embriões. A os casais homoafetivos femininos, né? Casais é que ambos possuem alguma infertilidade, acabam optando pela adoção de embrião, né? Então, quando existe um fator masculino, existe um feminino também.
É é possível também que casais homoafetivos masculinos façam adoção de embrião desde que possuam, de acordo com a resolução, uma acidente temporária do útero. Mas, mas comumente mesmo é. Pacientes que já possuem uma idade um pouquinho mais avançada, um fator masculino mais severo que a gente nota que é mais frequente a busca pela adoção. A gente notou bastante, bastante não, mas assim é alguns casos recentemente, por dificuldade de fertilização, né? Falha de fertilização.
Então, assim, é casais que fizeram já diversos ciclos de tratamento. É, é. Inclusive a gente tava conversando agora, né, recentemente sobre um caso que eles fizeram tratamentos em outras clínicas. Super. Super jovens, mas eles têm um fator masculino severo, não conseguiam formar embriões em vários óvulos já captados.
E aí falaram, não, a gente vai direto para o embriãozinho já formado, então esse é um ponto, né? A questão da fertilização, esses outros todos que você comentou, né, da idade, seja da mulher, seja do homem, mas basicamente qualquer pessoa pode, né? Então assim, eu tenho 2 casos, 3 na verdade que me marcaram bastante de adoção de embrião, é um deles, foi uma produção independente e ela era muito nova na época. Na época, ela tinha, se eu não me engano, 25 ou 26 anos e, ou seja, ela tinha tudo para fazer qualquer tratamento que ela quisesse ali para uma produção independente, né? É, ou até mesmo se ela falasse, não vou congelar meus óvulos, vou esperar, né?
É, mas ela chegou decidida, ela falou, eu vim aqui porque eu soube que dá para adotar o embrião e eu quero adotar o embrião, e Ela Foi lá, fez e, se eu não me engano, na segunda transferência e engravidou. Então esse caso me marcou muito. É um caso onde ele tinha o diagnóstico de azul. Dospermia e na época ele falou assim, eu nem quero investigar, AI eu não sei, pode ser que eu consiga espermatozoide, pode ser que não, mas eu prefiro nem fazer os exames. Eu descobri que tem essa opção de tratamento e a gente quer adotar um embriãozinho pronto, que para nós vai ser tão o nosso filho quanto e a gente não vai precisar ficar passando por todas essas outras etapas de investigação.
Então esse caso também me marcou bastante. Eles engravidaram, se eu não me engano na terceira transferência é e um outro caso também, que era um casal onde o pai. O venceiro já tinha feito vasectomia, ela nunca tinha engravidado, mas ele já tinha outros filhos. E aí eles chegaram e falaram, a gente sabe que dá para funcionar tudo, usar espermatozoide, mas a gente não quer. A gente quer direto adotar um embriãozinho para gente passar pela gravidez pelo nosso pré Natal.
E aí foram aí na primeira tentativa, engravidaram. Então acho interessante trazer para falar que pode ser em qualquer situação, né? É, a gente vai explicar as possibilidades, os prós e contras e que hoje em dia muitas. Famílias podem se beneficiar, né? Com certeza.
E a doutora Ingrid comentou, algo que que eu concordo muito, né? Que é a gente não pode medir a proporção, tamanho do sonho de ninguém, né? Fazer juízo de valor. Então, essas ideias, essa, esse preconceito que as pessoas às vezes supõe que não, Ah, não vai submeter a um tratamento de reprodução humana para adotar embrião? Não.
Mas né, às vezes, para muitas mulheres existe um sonho muito. Né é importante, especial de serem, né? De passar e experienciarem a gestação. EEA. Gente precisa quebrar, né?
Esse preconceito também. É. Eu acho que é importante também a gente falar que é algo sigiloso, né? Vai existir um sigilo. O casal que doou nunca saberá para quem foi doado e o casal que recebeu nunca vai bem quem doou.
Então tem todo esse sigilo, né? Durante a adoção, que eu acho que é muito importante porque às vezes eu acho que surge essa dúvida, né? E se essa pessoa procurar saber quem sou eu se entrar na justiça querendo saber? Ou perderar o direito sobre o meu filho? Tem muito essa questão.
Eu acho que essa questão da parte legal é uma questão que mexe muito, né? Se. Ah, se lá na frente procurar um juiz, realmente existe um sigilo, não tem como. Saber. Exato, isso é muito importante mesmo porque realmente é 11.
Dúvida, né? Bastante frequente é, e a partir do momento que a pessoa doa o embrião, ela não vai ter mais informação do que vai acontecer. Para quem foi destinado aquele embrião se gerou um bebê? Se não gerou um bebê, quem é, né? O casal que recebeu?
Com certeza. Até porque assim é, isso tudo também é regido. Como a gente tava falando, né? Pelo conselho federal de medicina e pela Anvisa. Não existe ainda legislação específica, né, que trate sobre reprodução humana.
Então a gente segue o que tá nessas normas éticas e técnicas, né? É, e o anonimato é um dos dos pilares realmente estabelecidos, né? E o que que a gente pode falar de principais diferenças de quem faz um tratamento? Da li estimular ovar, cole os óvulos, formar os embriãozinhos e transferir para quem tá adotando embrião. Ou então, qual é a diferença, por exemplo, da gente usar óvulo de doadora ou já adotar um embriãozinho pronto.
O que que a gente pode é orientar para as pacientes. Tem uma relação bem próxima com a quantidade de etapas, né? O número de etapas que essa paciente vai ser submetida. Então, num tratamento de estimulação variana, a gente tem um caminho um pouquinho maior, mais extenso, o uso das medicações para estimulação, a captação dos óvulos, um tempo maior de recuperação. Então, para quem vai adotar o embriãozinho precisa estar com esse útero bem preparado, né?
Para receber o embriãozinho, então, a até a medicação, o preparo, a forma que esse útero vai ser preparado, ele tende a ser mais leve, né? Então é um tratamento que tem um impacto, digamos, do ponto de vista é dos hormônios e dos procedimentos, mais leve. Então é, digamos que é um pouquinho mais tranquilo. Então, basicamente o foco é preparar o Endo metro para receber esse embriãozinho. Pensando em óvulos e embriões, a gente vai ter é que pensar um pouquinho a respeito das características, né?
Do quanto é possível fazer o refinamento dessas características, uma vez que esse embriãozinho que já está formado tem a as características desse casal genitor que fez a doação. Então, nem sempre a gente vai conseguir conciliar que o casal receptor vá ter todas as características do casal doador. Então a gente pode ter uma variação nessas características, né? É, então é um pouquinho mais difícil para o casal receptor de embrião refinar, tá? Ter um refinamento mais é apurado, digamos assim, do dos embrezinhos doados, diferente da recepção de óvulos, que aí você tem a possibilidade de realmente buscar OA espessura do seu cabelo, o tom do seu cabelo, dos seus olhos, a sua tipagem sanguínea.
Então eu acho que a adoção de embrião, ela está mais o processo de aceitação, né? De acolhimento desse tratamento. Ele está um pouquinho até mais avançado às vezes do que no caso da recepção de ovos. Então, o casal, ele tem que estar mais tranquilo sobre essa variação de características para poder aceitar adotar o embriãozinho. Então, o que mais é importante para para uma adoção, né?
A gente foca bastante em é mais nas características básicas, né? Então, pensando no fenótipo relacionado ao tom da pele, né? AA cor do cabelo, dos olhos, mas a variação da altura do peso acaba não sendo algo que a gente consegue refinar tanto a passa anão ser muito relevante. Exatamente. É o você.
Algumas vezes eu não me lembro certinho. Como é que foi que você comentou isso? Mas eu lembro que foi muito bonito o que você falou dessa questão, do de estar com o coração preparado, né? Pra pra adoção de embrião, olhar como 11 adoção realmente. Né?
Tem que estar com o coração aberto e o embriãozinho. Eu gosto de dizer que embriãozinho a gente aceita. Né? Então você aceita aquele embriãozinho e você já adotou ele no seu coração, né? Claro que a gente toma muito cuidado, a gente tem muita atenção, como eu falei.
As características principais relacionadas ao fenótipo do casal doador e receptor a gente não vai combinar o casal receptor com o casal que tenha um tom de pele muito diferente ou uma etnia totalmente diferente, né? Mas a gente tem algumas coisinhas aí que a gente vai precisar flexibilizar um pouquinho, ser mais maleável, né? Vai precisar ter uma maleabilidade um pouquinho maior na adoção de embrião. É, até porque o embriãozinho, já estando formado, é muito menos flexível do que se a gente vai selecionar, né? Óvulo de doadora ou se é meio de doador para formar o embrião.
E mesmo nesses casos, a gente falou bastante sobre isso, né? No episódio específico de como escolher a doadora de óvulos. Porque mesmo nesses casos, a gente tem que tomar muito cuidado para não ficar tão apegado a características, né? É, eu já falei no outro episódio, vou falar nesse também. Assim, eu tenho um irmão do mesmo pai, da mesma mãe, que tem uma pele completamente diferente da minha.
Ele tem olho verde, ele tem cabelo liso, se a gente, se eu olhar na rua, não diz que ele é meu irmão, né? Então, assim, a gente tem que tomar muito cuidado para não ser taxativo também com relação a essa questão das características, né? A gente tava falando No No episódio. Que a gente gravou sobre tipo tipo sanguíneo, de que existem outros fatores, né? A mesma coisa vale aqui tem muitos outros fatores, além da gente tentar refinar tanto as características, né?
Eu vejo que no caso dos dos embriões, é um outro fator que é muito importante pra gente. É pensar também é que normalmente esses embriões vem de um histórico favorável, né? A Ingrid mesmo tava comentando antes, né? Normalmente, quem doa embrião, o casal que já engravidou e que. Tenha certeza que não vai mais usar aqueles embriões.
Lógico que não é regra, né? Não é obrigatório que a pessoa tenha engravidado para doar, mas acaba que é o mais comum, porque se a pessoa ainda não conseguiu o sucesso, ou então conseguiu, mas tem dúvida se vai querer mais um filho ou outra, é muito difícil dela aceitar doar aquele embriãozinho por tudo que ela passou para chegar até ali. Então ela vai falar, não deixa ali, eu vou descansar, vou repensar. Então, normalmente os embriãozinhos doados vêm de casais que já já tiveram sucesso. E isso pra nós conta muito, né?
Quando a gente fala em qualidade do óvulo e do espermatozoide que formou aquele embriãozinho, né? E isso a gente tem que levar em consideração com certeza, né? Sim. Eu acho que uma questão também que às vezes as pacientes não tem conhecimento e às vezes, quando elas pesquisam ou quando falam, elas se assustam e elas começam a surgir mais dúvida ainda é sobre a classificação daqueles embriões, né, Lívia? Eu acho que é uma coisa, é.
Para quem não conhece, ainda não está familiarizado, mas os embriões, eles recebem uma classificação das embriologistas baseado em número de células, taxa de fragmentação, que não necessariamente vai dizer se aquele embrião vai vingar ou não e que definitivamente essa classificação embriológica não diz para gente se vai ter alguma patologia, nada disso. Mas eles recebem essa classificação no momento que eles são congelados. E às vezes são números que ficam aleatórios, que elas não conseguem entender. E olha, a gente tem esses embriões e eu acho que surgem ainda mais dúvidas sobre o que que significa isso, o que que isso vai me trazer. E eu acho que é uma informação que é muito importante, né?
Lá no cefé que a gente tem a Lívia para auxiliar, mas também para cada paciente conversar com o seu médico sobre o que que essa classificação vai me dizer, o que que essa classificação vai me ajudar a escolher, porque eu acho que. Essas informações tão, vamos dizer assim, diferentes no nosso dia a dia. A gente precisa ter autonomia, né? De entender o que eu estou escolhendo, porque se eu estou escolhendo uma coisa que eu não estou entendendo nada, não, não faz sentido, né? Para mim.
Então, acho que é muito importante a gente se inteirar de que que embrião eu estou escolhendo, quais são as minhas possibilidades, do que eu vejo. Muitas vezes a paciente escolhe o embrião, Ah, eu escolhi esse porque ele tem 11. Os doadores tem um olho igualzinho ao meu. E aí é um embrião que tem uma taxa de sucesso, né? De implantar um pouco mais baixa.
E aí a gente tem outro embrião que tem muitas características e tem um potencial maior, melhor, um potencial maior de implantação. E às vezes, a paciência não é que ela queria só aquele, é que ela não teve conhecimento suficiente para saber qual embrião ela vai escolher. Mas também já vi o caminho inverso de conversar. Tem um casal muito querido que tá passando por esse processo de adoção. Até conversei bastante com a Lívia deles, que eles me mandaram vários para eu dar minha opinião.
E aí eu fui dando minhas opiniões, né? Sobre a parte biológica, assim de de cada embriãozinho. Mas no final eu sempre falei, olha, não adianta eu dizer do ponto de vista médico esse embrião. Tem uma chance de sucesso um pouco maior que esse. E você escolheu um embrião só baseado nisso?
Se na verdade o embrião que mais chamou sua atenção foi o outro em relação a características, tudo, a gente tem que medir as 2 coisas. E, claro, a autonomia é do casal, de que embrião vai escolher. Mas eu acho que ficar claro para eles todas essas taxas. Todos esses essas características é muito importante esclarecer, né? Durante o atendimento, durante a consulta.
E também para cada um isso tem um peso diferente, né? Então assim vai. Eu já atendi casais pacientes que falaram, olha, eu nem quero saber, não faço a menor questão de característica. Para mim, pode ser qualquer um. Vou olhar só para morfologia e talvez nem tanto para morfologia também.
Só quero transferir esse embrião. Agora tem pacientes que isso é um ponto mais importante, então é o que você falou, é o que o paciente ou o casal vai se sentir tranquilo para transferir, né? Mesmo que não seja talvez o embrião todo do lado de morfologia a ou o embrião todo com os olhos exatamente iguais o que estavam buscando, né? Mas eles tem que olhar e sentir no coração, né? Aceitar é que é realmente aquela ficha.
Você estava comentando dessa questão das características, eu até lembrei, não sei se foi o que veio na sua mente também de 11 casal que tinha seleção. Pressionado, um embriãozinho baseado principalmente nas características, tudo. E eu lembro que as características eram realmente bastante parecidas, mas era uma morfologia um pouquinho mais inferior, né? E aí a gente conversando, olhou, olhou, falei, Ah, Lívia, mas tem esses outros aqui, porque esse era um blastocisto. Falei, mas tem esses outros aqui que são de D3, eles são tão bonitos, será que eles não topariam trocar por esses de D3?
E aí, conversando, o casal topou, trocou por esse de D3 e engravidou. Nos embriãezinhos de b 3. Né? Sim, e eram embriãozinhos semelhantes também, né? Variava um pouquinho.
Às vezes eu falo, casal receptor, coloca lá que tem um cabelo liso, de repente a gente tem ali 11 casal doador com cabelo ondulado, cacheado, uma é mais baixinha, o outra é mais alto. Mas tá, existe um equilíbrio, né? Pensando nessa miscigenação que a gente tem entre os. Dos brasileiros, eu acho que é muito tranquilo. Como a doutora mesmo comentou, entre irmãos, a gente pode ter variação no tom de cabelo, na textura do cabelo, né?
No tom da pele. Então é muito maior do que a gente imagina, né? Para restringir algo que pode deixar a gente. Passar pelo tempo aí e trazer mais desgaste? É e às vezes, quantas pessoas na família nascem a cara?
Por exemplo, a cara do vô, com certeza do tio, né? E muda tanto. Bebezinho que muda, né? Filhos que não se parecem em nada com os pais uhum, né? Ou que se parece em determinado momento e de repente deixam de se parecer e começam a ficar, a ficar parecidos com outras pessoas?
É exatamente meu irmão. Quando nasceu, era a cara do meu avô, igualzinho. Aí ele foi mudando. Hoje ele é a cópia da minha mãe e assim do meu avô paterno, né? Justamente.
Então muda muito, não tem jeito. Fora a as questões de influência ambiental mesmo, né? A nossa cor da pele muda pelo sol, nosso cabelo muda pela chapinha, então. Tem tanta coisa, né? Combinação de genes, né?
Falando pela minha família. Né? Marido e cunhada o utilismo mesmo, né? Oo os genitores tem que ser portadores do gênio. Então você pode ter um filho que um irmão que é ruivo e o outro não ser.
Então aí você tem você sendo ruiva, você tem um irmão que tem um cabelo castanho. E aí? É, vire às às vezes eu comento também com o doutor Anderson. Eu tenho uma. Filha, uma filha de cada cor de cabelo é.
Do mesmo pai e da mesma mãe que tem a ruiva Moreira, a loirinha exatamente é gente. É assim, nós somos miscigenados, né? E um outro ponto, né, que eu acho importante da gente falar um pouquinho, é sobre chances de sucesso, né? Quando a gente faz um tratamento com adoção de embriões, as chances são iguais a de um tratamento. De fertilização in vitro e assim, já vou me adiantar aqui na resposta que acho que é a resposta que eu dou para quase tudo que é depende, né, depende de qual é o caso, depende de quanto histórico, né, de cada paciente, dos tratamentos anteriores.
Mas em alguns cenários esse tratamento pode inclusive otimizar as nossas chances de sucesso, né? Você estava falando a questão da idade avançada, né? Então, por exemplo, se uma mulher tem lá uma reserva muito reduzida, principalmente depois dos 4042. A dificuldade que ela pode passar para chegar até a etapa da formação do embriãozinho, né? Traz uma carga financeira de tempo emocional muito maior que se a gente já tem um embriãozinho pronto, vai ser a etapa ali de preparar o útero para transferência.
Então ele pode inclusive otimizar, né? As chances em alguns cenários, né? Sim, a gente pula algumas etapas, né? A gente fala, acho que quem está mais familiarizado, que já está há mais tempo na. Nessa jornada ouvi muito falar do funil da five, né?
Que as a cada etapa a gente vai passando por uma redução da chance. Então a gente, sei lá, contagem de folículos, depois a gente coleta os óvulos. Esses óvulos precisam ser fertilizados pra depois formar o embrião. Então, todas essas etapas gera ansiedade e a cada um a gente vai diminuindo até a gente chegar nessa etapa que é o embrião formado. Então pra paciente que vai começar o estímulo em relação a paciente que vai adotar, já o embriãozinho formado, ela já passou por todas essas etapas.
Então a gente já tá lá com o embrião formado, que às vezes, infelizmente, em alguns casos, aquela paciente que vai estimular pode nem conseguir informar o embrião naquele processo, né? Então, de fato, a gente já otimiza um pouco as chances quando a gente chega nessa etapa. EAA chance de sucesso? Ela vai estar muito atrelada também a idade, né? Daquele casal que formou o embriãozinho para adoção?
E por essa questão da gente ter um pouco menos de etapas. É, existem diferenças financeiras também, né? Então, o tratamento com adoção de embriões acaba sendo uma opção de tratamento que algumas vezes é mais acessível, principalmente se a gente for pensar naqueles casais que tem que tentar muitas vezes, né? Então, uma baixa reserva, onde a mulher tenha que fazer vários estímulos, às vezes, porque passa por um cancelamento, não tem óvulo, não forma embrião e aí volta do zero, começa tudo de novo. O desgaste financeiro também precisa ser colocado na conta, né?
É e nesse. Nesse sentido, fazer o tratamento com adoção de embriões por a gente não ter, né? Todas essas outras etapas, né? Porque elas já já se passaram, né? É torna o tratamento mais acessível, o que é um ponto importante, né?
Encurta o caminho do financeiro também um pouquinho. Exatamente. Mas um ponto que às vezes as pessoas podem sentir dúvida é no sentido assim, mas se é adoção mesmo, adoção. Vocês estão falando de financeiro num tratamento de adoção, né? E na verdade, assim.
É, a gente fala em em questões financeiras, porque é um tratamento, ainda assim, né? A gente precisa submeter a um preparo do endométrio. Isso envolve usar hormônios, isso envolve fazer ultrassom de acompanhamento, fazer toda uma avaliação daquela mulher e avaliar a aptidão dela para receber aquele embriãozinho e para a possibilidade da gestação. Existem as etapas laboratoriais do do descongelamento da transferência, né? Então tudo isso tem 11 custo envolvido, né?
E por isso o. O tratamento tem realmente um custo, mas ainda assim é muito menor em comparação aos outros tipos de tratamento. Né? Isso é muito importante. O que a senhora tá falando, doutora?
Porque muitos pacientes confundem, né? Usam um termo equivocado, né? Na adoção de embrião a mas eu comprei o embrião, né? É como se o embriãozinho ele fosse algo, né? Que estivesse disponível para venda.
E não, não é isso que que ocorre. O embriãozinho, ele está disponível para ser adotado. O custo do tratamento envolve os recursos que são necessários para implantação desse embriãozinho, né? Então, realmente todo o tratamento necessário até chegar a transferência desse embriãozinho, mas. Realmente é uma adoção, não há o custo para comprar esse embriãozinho embriãozinho, mas sim para que você possa utilizar de todos os recursos necessários médicos e laboratoriais até chegar a transferência.
Exato, não é um objeto, são serviços. Exatamente, são serviços prestados. Exames, né? Técnicas, essa é a questão. Bom, acho que a gente conseguiu falar bastante, né?
Abordar todos os pontos que eu me lembro aqui que são mais relevantes. E quero deixar então o espacinho para a gente deixar uma mensagem final para quem está ouvindo a gente conhecendo ou tirando as dúvidas desse tipo de tratamento, para abrir o seu coração para essa possibilidade, se for o caso, né? Eu gostaria de dizer para as tentantes que eu estou à disposição para auxiliar em todas as dúvidas e eu espero que. Mais uma vez, esse episódio possa ampliar o conhecimento sobre essa possibilidade. Tanto para quem tá em dúvida em doar os embriãozinhos excedentes e para quem quer adotar, né embriãozinho e que é 11 atitude, um gesto muito bonito, muito nobre.
Queria estimular, né? Fazer esse convite para os casais doadores refletirem um pouquinho mais sobre essa possibilidade. E para os casais que já estão um pouquinho mais desgastados, né? Cansados? Tendenciosos a talvez encerrar essa jornada, pensar um pouquinho em talvez ajustar a rota para adoção de embrião e encurtar um pouquinho esse desgaste financeiro, físico e emocional que a doutora mencionou tão bem.
A Lívia falou tudo, acho que é muito sobre isso mesmo, né, Lívia? Ajustar a rota. Às vezes a gente não sabe nem dessa possibilidade, dessa alternativa, dessa rota. Então eu acho que foi 11 episódio bem interessante para elas terem conhecimento dessa possibilidade também, porque eu acho que poucas pessoas conhecem e a gente tá aqui sempre disponível para conversar e retirar as dúvidas, né? Perfeito, com certeza.
Muito obrigada pela participação de vocês, por todos vocês que estão acompanhando a gente. Aguardamos dúvidas, sugestões, relatos vão mandando para gente para vocês participarem dos próximos episódios também. Tchau e até o próximo episódio. Obrigada por assistir ao papo de tentante. Aproveite e acompanhe o CEFERPno Instagram e no YouTube para ficar por dentro das novidades.
Te vejo no próximo episódio até lá.
