Ep. 98 De médicas a pacientes: como é estar do outro lado | Podcast Papo de Tentante | CEFERP

No novo episódio do Papo de Tentante, os papéis se inverteram: quem assumiu a condução foi Jackeline Costa, do marketing, para conduzir uma conversa inspiradora com as médicas ginecologistas do CEFERP, Dra. Camilla Vidal e Dra. Ingrid Guedes.

Mais do que falar sobre medicina reprodutiva, elas abriram o coração sobre suas próprias jornadas como mulheres, seus desejos em relação à maternidade e como tudo isso se conecta com suas vidas profissionais.

Não perca este episódio especial e mergulhe em histórias que aproximam ainda mais a medicina da vida real!

Transcrição do episódio

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Olá, aqui é a doutora Camilla Vidal, médico especialista em reprodução humana do CEFERP. Seja bem-vindo ao podcast papo de tentante, vamos ao episódio de hoje. Oi pessoal, sejam bem vindos ao papo de tentante hoje, na verdade a gente vai fazer um episódio diferente. Eu só estou começando aqui, mas a gente vai inverter um pouquinho, porque hoje eu estou de convidada, eu e a Ingrid, para a gente falar um pouquinho sobre justamente estar do outro lado. Então quero.

Agradecer a presença de vocês e passar a palavra para nossa host, Jack. Oi, gente, estou muito feliz aqui de estar fazendo esse papel de host aqui no papo de tentante. Que lugar de honra. Mas vou substituir bem a doutora carlina. Espero que você goste.

Bom, a gente vai falar aqui hoje, né? Com os nossos convidados. Doutora Ingrid, seja muito bem-vinda. Obrigada. E, doutora Camilla, acho que para falar sobre o assunto da maternidade, o assunto da das tentantes de ser mãe de fertilidade, mas sobre o ponto de.

Revista de vocês que são médicas do CEFERP, médicas especialistas em reprodução humana, mas são acima de tudo, mulheres. Então eu acho que vai ser muito legal o público entender como que é a vivência de vocês. Então eu queria perguntar assim, é a primeira pergunta, eu acho que é, como vocês lidam com essa questão da fertilidade sendo médicas? É, isso impulsionou vocês a. A procurarem essa área da medicina se especializarem em reprodução humana.

Vamos começar com a doutora Camilla. Então, na verdade, acho que a primeira resposta é, a gente não lida, né? Pelo pelo menos falando por mim, porque assim, ainda mais, a gente dentro da da, da faculdade, de tudo, é sempre muito. Você tem que focar nos estudos, aí depois você tem que focar na residência, aí depois você tem que fazer um r mais da sua residência. Então você vai deixando meio que a sua, pelo menos falando por mim.

Assim, a sua vida pessoal meio de. Do meu lado, né? Você investe um tempo muito grande na sua formação e tudo mais. Mas uma das coisas, por exemplo, que me marcou, eu lembro quando eu tava terminando AA faculdade, eu tava muito em dúvida de qual especialidade escolher, apesar de ter go na família. Mas eu gostava muito de pediatria, eu gostava de anestese, umas coisas bem variadas assim.

E aí eu fui conversar com um dos professores da da faculdade. E ele falou assim, olha, uma coisa que você tem que pensar é que você é mulher, né? Ele falou assim, e eu não sei qual é o seu planejamento para sua vida assim, se você quer ter filhos ou não, mas eu acho legal você pensar numa especialidade que caiba isso no seu planejamento, falou. Lógico, tudo a gente consegue organizar, dar um jeito, mas tem aquelas que são mais simples e tem e tem aquelas que são mais difíceis. E acho que foi uma das primeiras vezes que me me soou um negócio assim pensando nisso, sabe?

É e aí assim, a gente tenta conciliar um pouco tudo isso, mas acho que a gente acaba, apesar da gente saber da parte técnica, ainda mais agora como Jo, como especialista, mas a gente acaba deixando meio que em segundo plano em alguns momentos. E não deveria. Não sei se como você foi assim também. Assim, acho que é isso, né? A gente vai deixando e eu acho que não só na medicina, né?

Eu acho que hoje em dia, de um modo geral. As mulheres vão se especializando cada vez mais. E a rotina, né? Do mercado de trabalho, da vida profissional, vai ocupando muito tempo e acaba que a gente vai adiando mesmo. Tanto é que acho que recente saiu, né?

Que foi o ano que mais teve gravidez em mulheres acima de 40 anos. Então eu acho que é algo que tá acontecendo, algo mais atual das mulheres estarem buscando mesmo o mercado de trabalho e tentando deixar a maternidade pro momento que elas estejam mais tranquilas do ponto de vista profissional e financeiro. E a gente vê muito lá da medicina mais. Quase todas as profissões, elas exigem um tempo de treinamento para a gente conseguir chegar naquele, vamos dizer, patamar, que a gente se sinta confortável para lidar com a gestação, com maternidade, né? O uso dos anticoncepcionais também possibilitou muito isso, porque antes era muito como essas.

A tô grávida, meio surpresa assim, né? E aí você não tinha um planejamento, acabava que acontecia geralmente mais jovem. Então tudo isso tá culminando para a gente ter gestações cada vez mais tardiamente, né? E quando que vocês é? Viram esse choque da questão da fertilidade, tanto do lado pessoal quanto do lado profissional de vocês?

Quando que isso é? Tem um momento em que vocês pararam e viram? Não. Agora eu preciso começar a escutar aquilo que eu falo no consultório. Ah, eu acho que quem acompanha quem me conhece assim, talvez pelo menos nas redes sociais, né?

Já tenha visto que eu meio que fui obrigada a pensar nisso, né? Porque eu acabei descobrindo um cisto no ovário. Já estava com uma época com 26 anos, mas até então eu já estava fazendo é 4 de reprodução tudo. Mas até então não era uma coisa que eu tinha pensado. Pensava, não vou terminar minha residência, talvez vou casar agora ou mais pra frente, não sei se eu vou ficar aqui, se eu vou embora, o que que eu vou fazer?

Então a última coisa que eu tava pensando era, Hum, será que é o momento que eu vou engravidar? Ou será que é o momento que eu vou congelar meus óvulos? Mesmo já fazendo r 4 de reprodução, estando ali próximo dos 26, não era uma coisa que eu tava pensando em congelar naquele momento ainda. Só que aí eu acabei descobrindo um cisto novário relativamente grande, comprometi ali um pouco a minha reserva ovariana, então esse foi o primeiro momento ali que eu tive que parar e pensar, tá, e aí, será que eu vou pensar engravidar em algum momento agora ou mais pra frente? Será que eu vou congelar, não vou congelar.

E aí, casa de Ferreira, espeto de pau, né? Quem acompanha e que já viu eu contando essa história já sabe, eu optei por não congelar, não façam isso em casa, não é o certo, não é o que a gente fala na consulta. Mas é eu. Eu hoje eu vejo que assim, eu não tinha maturidade emocional e do relacionamento que eu estava para tomar uma decisão. Eu estava num momento muito decisor da minha carreira, porque eu tinha que terminar a residência para entrar na clínica.

Eu tinha outras prioridades. E por mais que o congelamento, gente, é bem simples, né? A gente usa hormônio por um período curto, faz o procedimento e tudo mais. Mas não era a questão do processo em si, de estimular, fazer a coleta e congelar, era a decisão que eu não queria tomar. Então eu procrastinei mesmo, sabe?

Assim, do tipo tem muita coisa acontecendo na minha vida. Agora eu não vou pensar nisso, eu vou me dar esse direito. Depois eu vejo. Me arrependi, porque depois o cisto acabou voltando, tive que operar de novo, enfim, assunto para mais para frente. Mas então eu fui meio que forçada por conta disso, porque até então não era algo que tinha passado pela minha cabeça.

Não sei você. Ah, eu acho que sempre foi uma questão pra mim. Eu acho que eu sempre abordo isso, né? Acho que eu sou uma pessoa que tem uma relação meio problemática em relação ao tempo, então sempre sou muito ansiosa e eu acho que desde jovem assim eu tinha essa noção. De que a gente vai passando, né?

O tempo vai ficando mais difícil de engravidar. Então sempre foi uma coisa que me pegou, porque eu tinha muitas ambições profissionais, vamos dizer assim. Eu tinha metas profissionais muito definidas na minha cabeça do que eu queria, da onde eu queria formar, da onde eu queria me especializar, e isso era muito certo. Mas eu não tinha noção se eu queria de fato ser mãe ou não, então isso ainda era algo nebuloso. Essas decisões até hoje eu ainda não tenho essas decisões tão bem definidas.

Então eu sabia que o tempo IA passando e eu precisava tomar alguma decisão sobre o que eu IA fazer. Vou congelar e vou deixar. Vou postergar essa decisão de querer ou não ser mãe ou não, vou tomar agora a decisão de que há, então não quero. Então não congelo, é de forma alguma. E o que a gente vê muito na prática profissional é sobre a mudança de ideia, né?

A gente muda de ideia muitas vezes, a gente não é a mesma pessoa hoje, é a pessoa que a gente vai ser amanhã, então a gente. Observa muitos casos assim, da paciente chegar e fez uma laqueadura há 5 anos, porque ela tem 3 filhos. E aí às vezes ela mudou de parceiro, conheceu outra pessoa e quer muito ter aquele sonho da gestação com essa nova pessoa ou até com o mesmo parceiro. Já vi, pacientes chegam com 4243 anos. Com os filhos que já às vezes estão mais velhos, falam, AI a gente cria muito um novo bebê, a gente tem esse sonho, a gente está com esse tempo e agora a gente vê que a maternidade nessa nova faixa etária vai ser diferente.

Então, de tanto observar os pacientes, mudando de ideia, eu pensei, não, eu não posso é, vamos dizer assim, cortar esse caminho. Eu tenho que ter pelo menos essa opção para caso ali na frente eu diga, não é o meu momento, eu tenho essa opção válida. Mas eu acho que uma questão que pega muito na gente é a gente ter a noção das estatísticas, né? De que não é porque você congelou um óvulo que você vai ter uma gravidez, que eu acho que às vezes as pacientes, elas se tranquilizam assim, Ah, então se eu congelo 12, tá suficiente? Então eu acho que é algo que a gente sempre bate no martelo sobre as chances, as possibilidades.

Para as pacientes ficarem bem cientes do que elas estão fazendo e do processo todo, né, Camila? Acho que. Mas eu acho que um pouco a gente sabe das estatísticas, mas falando por mim assim, acho que às vezes a gente fica com uma visão meio enviesada, negativa também, porque como a gente lida, lógico, a gente sabe, a parte é de números, mas a gente lida com realidades muito duras e que fogem às vezes desses números. Então, assim, pacientes jovens com uma reserva ovariana já. Muito mais reduzida do que o esperado para a idade.

Às vezes, aquele caso que a gente está conduzindo fala, nossa, lógico, a gente não tem garantia de sucesso, mas aquele que a gente pensa, não. Logo nas primeiras tentativas esse casal vai engravidar. E aí passam várias e isso não acontece e a gente não tem explicação. Então, além da gente saber da parte de número, a gente lida com uma realidade que foge negativamente desses números em alguns cenários. E aí eu acho que isso assusta um pouco, a gente também.

E aí cada pessoa tem um padrão de reação depois que assusta, né? Tem gente que assusta e reage, tem gente que assusta e paralisa, que foi, por exemplo, o que aconteceu comigo quando eu descobri Oo cisto ali da primeira vez. Tanto que, por exemplo, quando eu fui passar numa consulta com uma endócrino. E aí eu estava falando na época, eu estava programando fazer a cirurgia bariátrica. EE aí eu falei Pra Ela, eu falei, não, eu preciso fazer, porque aí se eu for engravidar, não vou conseguir com, né?

Eu tenho muitas comorbidades, como que eu vou levar uma gravidez e tudo mais que. E ela falou, não, mas você é nova. Eu falei nova, eu eu tenho quase 34, até eu operar, até eu emagrecer, até eu poder. Vai demorar muito tempo, eu não vou mais conseguir engravidar. Ela, calma, eu estou com 38, sem meus filhos e tal é que você trabalha com isso, então tem esse lado também da gente olhar as estatísticas e olhar os outros casos.

EE dar 11 assustada, mas por um lado acho que isso é bom para a gente poder se se programar também. Também se organizar um pouco melhor, né? Eu IA perguntar exatamente isso, o quanto que o conhecimento teórico e a experiência prática que vocês têm no consultório é influencia? Se às vezes é um Alívio que não. Olha, eu tenho muito conhecimento, eu vejo muitas vidas aqui, tá tudo bem?

Ou se, na verdade acaba sendo uma pressão no sentido de que AI olha, AA tem uma paciente com uma reserva Ariana menor e ela é muito nova. Meu Deus, e eu, vocês se se identificam porque, afinal de contas. É difícil separar, né, esse lado pessoal do profissional? Sim. Ah, eu acho que a pressão é grande, né, Camilo?

Acho que é isso. A gente vai vendo muitos casos e a gente vai ficando mais assustado. Eu acho que eu comparo muito com a Ingrid na época de residente que ficava na maternidade. E aí parecia que todo mundo engravidava, você viu a mesma paciente chegando aí no ano seguinte, estava grávida de novo, e aí você ficava, AI, meu Deus, pra engravidar é assim, muito fácil. Você tem essa essa visão meio enviesada do ambiente que você tá, e a gente trabalhando com reprodução, realmente a gente acaba, né?

Vendo mais casais que tiveram dificuldade e a gente já fica mais tensa. Foi como a Camila falou, até acho que é bom essa atenção, porque a gente sempre tá ali com a, vamos dizer assim, com a necessidade de alertar o outro que é preciso. Preciso também pensar lá na frente e pensar em congelar e empreservar a facilidade, caso esteja em dúvida. Eu acho que é 11. Atenção que que é boa para o trabalho que a gente está exercendo, porque eu acho que se a gente ficasse muito tranquila no sentido Ah, não vai dar certo e espera o tempo passar, a gente estaria prejudicando muitas pacientes que talvez esse tempo fosse essencial para ela ter um sucesso lá na frente ou não.

É, e assim é. A gente tem Oo conhecimento técnico, mas no fim do dia, somos todos pessoas lidando com pessoas. Né? Então assim é. E ainda mais eu vejo que na nossa área a gente acaba se se ligando muito aos casos, né?

A gente lida com uma coisa muito sensível, a gente acolhe pessoas num momento que normalmente é de muita fragilidade. E aí, principalmente se a gente tem 11 perfil falando por mim assim, eu sou uma pessoa muito emotiva, muito próxima e tal. Então a gente acaba é se se apegando aos casos e as situações. A gente comemora junto e a gente sofre junto também, é? E às vezes a gente acaba se identificando.

Então, por exemplo, hoje eu tenho um ovário só porque eu já precisei operar o mesmo ovário. Primeira vez que tirei isso ao cisto, da segunda vez não deu pra tirar, teve que tirar o ovário inteiro. E aí eu sempre ficava preocupada que AI, porque eu tenho um só e agora, né? E se esse um acontecer alguma coisa com ele e tudo mais, e aí toda paciente que eu atendo que fala AI, porque eu tive um teratoma que eu cisto, que eu tive uma das Ah, eu também tive e aí tem. Às vezes eu brinco, tenho paciente que tem um ovário só, eu lembro certinho de uma que eu sempre falo para ela, eu falo, você é minha Esperança, porque você é igual a mim.

Nós temos o mesmo ovário, a mesma reserva overança, você vai engravidar depois? Mais para frente eu vou também, então não tem como a gente não não se colocar no. Lugar do outro nesse sentido. Mas se colocar da gente como paciente também, né? É, mas eu acho que isso é bom, tanto por essa questão da gente ficar mais mais atenta.

É quanto pela questão da gente conseguir enxergar sob a ótica do outro, sabe? É igual aquelas coisas que às vezes o paciente vai fazer ultrassom e fala, AI, que bom que você é mulher, porque você sabe como é, porque a gente realmente a primeira vez que foram fazer ultrassom transvaginal em mim, que coisa horrorosa, que sensação péssima, ainda mais que tudo bem, que assim era uma pessoa que eu conheço, era 11, professora minha, ela me explicou, eu sabia o que estava acontecendo, mas é horrível fazer um exame de ultrassom transvaginal. E se é uma pessoa que nunca passou por isso, talvez ela não tenha essa mesma noção da experiência. Vai acho. Nossa, né, que frescura.

Ultrassom rapidinho nem incomoda. Então eu acho que viver tudo isso leva a gente um pouco para esse lugar de fragilidade que eu acho que é bom também, sabe? Porque às vezes chega algum momento da da consulta, porque assim, ainda mais na reprodução, a gente não tem um. Um caminho só, né? É diferente de eu chegar e falar assim, ó, Ingrid, você está com infecção urinária, tá?

Essa bactéria aqui é esse antibiótico trata, depois você repete, é muito mais prático, é muito mais Preto no Branco a reprodução não olha, você pode congelar, a sua estatística é essa talvez você responda sim, talvez você não responda, pode ser que você consiga, pode ser que você não consiga se você não quiser congelar também, está tudo bem. Lide com as consequências dessa escolha e. Então é um meio que um aconselhamento, né? Então chega 1 hora que as vezes eu falo, falo, olha, eu, tá, o que eu faria pensando nos meus princípios? Eu faria isso, isso e isso.

Mas aí você fica à vontade para entender o que for melhor para você. Então acho que a gente ter essa visão do outro lado facilita também até na relação médico paciente, né? E vocês 2 congelaram óvulos, vocês 2 têm óvulos congelados? Sim. Temos.

Mas Ingrid é um show dos horários. É, eu tenho mais modestamente. Até porque eu tenho um filho único, né? Num lugar só. Mas congelamos.

Mas foi 111, pelo menos pra mim. Foi um processo ali pra decidir. Isso que eu IA perguntar, como é que foi esse processo? Foi fácil de tomar porque vocês tinham essa é já sabiam todas as informações ou AI não teve medo de segurança? Você falou né, doutora, que teve aquele receio No No começo que não queria, mas como que foi todo o processo, tanto de decisão quanto o processo de congelamento mesmo?

Ah, eu. Na minha cabeça eu já sabia que eu queria congelar e eu só estava esperando um melhor momento assim, de logística, de agenda, tudo de que momento IA ser melhor para eu estar congelando. Então essa decisão eu já tinha assim em mente há muito tempo, porque eu não queria engravidar agora. Então tá bom, vou congelar e vou deixar para pensar sobre isso lá na frente. O processo foi difícil, mais suportável, mas.

Mas porque você teve muitas, muitos efeitos colaterais? Sim, mas assim, efeitos até meio atípicos, né? Camila fala assim para as pessoas, eu tive muito, muito, muita náusea. Eu sou uma pessoa que já tem meio estômago fraco, vamos dizer assim. Então qualquer coisa diferente que eu como, eu já fico mais nauseada.

E as medicações, elas me nausearam um pouco e eu não consigo lidar tão bem com estar nauseada. Então era algo que ficava. E aí eu nossa, durante os dias de estímulo, fiquei um pouquinho assim, mas é algo suportável. Mas do ponto de vista de dor, nada disso. Assim, tudo foi bem tranquilo.

Acho que o que mais me incomodou mesmo foi a questão das medicações me deixarem um pouquinho enjoada durante o processo, mas depois da coleta ficou tudo tranquilo. Mas. Você vê que isso é tudo uma questão de personalidade, né? Assim, eu vejo você, por exemplo, como uma pessoa muito mais prática. AI tem que fazer isso aqui, vamos resolver, não tem que congelar, vamos congelar.

Eu já sou uma pessoa muito mais, mais. Disse isso, mas isso e aquilo, mas vamos analisar, mas veja bem e tal, e foi a mesma coisa para o congelamento, mas acho também que depende muito do momento de vida que a gente tá, né? Então assim, eu sempre tive um sonho muito forte de ser mãe, eu sempre falava que eu queria e tal, eu vivi o meu irmão, tem uma diferença grande, né, de 12 anos comigo, então assim, eu vivi uma relação com meu irmão, que eu sou irmã, mas ao mesmo tempo eu já era grande, tinha um vínculo diferente com ele. Tenho até hoje, né? É?

Então, eu sempre quis muito ser mãe e acabou que eu já estava em um relacionamento quando eu descobri meu primeiro cisto e tudo mais. Então eu sempre ficava naquela ideia romântica de Ah, mas vai que vai ser o momento, né? Quem sabe como o relacionamento vai evoluir e tal. Então sempre ficava assim, Ah, eu sei que tem que congelar, mas daqui a pouco eu olho para isso. Só que aí esse daqui a pouco o tempo vai passando, vai passando e nesse ponto assim, a gente como médico, eu pelo menos eu sou uma péssima.

Paciente, eu sou ginecologíssima rotina ginecológica ficou atrasadíssima por muito tempo. Então é aquela coisa do tipo, Ah, deixa ver, mas também não vê, né? Também não fica olhando. EE, eu tava decidida a esperar o momento certo e eu pensei, não, se até os 30 e poucos ali não tiver decidido nada, depois eu repenso. Só que aí nesse meio tempo eu fui surpreendida pelo cisto, que apareceu de novo e que precisou operar e tudo mais.

Aí eu falei, não tem mais escolha, então agora vai ter que congelar. E aí meu dilema foi um pouquinho diferente, porque aí eu já sabia que precisava, não tinha muita escolha, mas aí tinha aquela coisa assim, tá, mas agora eu já estou casada, porque quando eu operei agora eu já estava casada. E aí congela óvulo, congela embrião, e se eu congelar esses embriões e não usar, que que eu vou fazer com esses embriões congelados? É, a gente sabe das estatísticas e mais uma vez, isso é nesse ponto, é duro, porque assim estatística de embrião é melhor que estatística. De óvulo.

Porém, eu sempre falo para os pacientes, a burocracia do embrião também é muito maior que a burocracia do óvulo. O óvulo é uma célula só. O embrião você já juntou, já fecundou, já formou, então eu fiquei num num processo ali de de gerir tudo isso, até que, no fim, decidi congelar óvulo mesmo. A etapa em si do tratamento, para mim foi muito tranquila. Assim, a parte da estimulação e tudo de usar os hormônios.

É, até porque normalmente a gente consegue usar protocolo com mais comprimido do que injeção, né? Então isso facilita bastante, porque por mais que a gente prescreva nos outros todos os dias, mas aplicar injeção da gente mesmo não é nada agradável. Então os dias que tiveram injeções foram dias um pouquinho inchados. Mas no restante, assim, de efeito colateral, essas coisas foi bem, bem tranquila a partir da sedação também. Um ponto que até me não vou dizer assustou, porque senão assusta quem está escutando a gente também.

Mas assim que foi um pouquinho diferente foi o pós coleta de óvulos, porque assim é, a gente sempre orienta, né, ó, talvez você vai ter uma coliquinha, talvez você vai ter um sangramento e tal. E foi tudo muito tranquilo durante a estimulação, no dia do procedimento e tal. Então eu cheguei em casa, pleníssima, medicada, após sedação, sem nada, tudo. E aí eu sentei no sofá para ver televisão, acabei dormindo. No que eu acordei, eu tinha o celular abstraído da ideia que eu fiz uma coleta de óculos.

Então eu acordei e eu fui sentar no sofá e. Eu senti uma dor absurda. E aí foi aquele momento que eu falei, gente, não, não é possível que minhas pacientes sentem isso e eu falo para elas que é normal, porque está doendo muito. Aí foi o único ponto que eu falei, nossa, realmente é chato, né? Esse pós coleta?

Não tinha pensado. Lógico que depende. Tem paciente que não sente nada, né? Mas foi o único ponto que para mim foi O Fora do habitual, tanto que hoje eu já falo para os pacientes, eu falo, olha, eu vou te dar a minha experiência pessoal. Dói, tá?

Dói, mas vai passar, toma remédio, fica tranquilo, qualquer coisa você avisa. Então achei que foi tranquilo e foi válido a gente ter esse conhecimento também pra poder trocar experiência, né? E quanto a cobrança? Porque assim, a gente que é mulher, a gente tem cobrança em todo momento sobre essa questão de fertilidade, de filhos. É, é isso.

Existe. Existe tanto uma cobrança externa da família, dos colegas de trabalho, de todo mundo, quanto a cobrança interna, né? Vocês sentiram que, por serem médicas, essa cobrança talvez tenha sido. Maior ainda, médicas especialistas e em reprodução humana essa cobrança foi maior ainda. Ah, eu acho que um pouco assim em relação às outras amigas da reprodução, acho que todo mundo meio que conversa, Ah, você já congelou.

Quantos você congelou? É quase uma competição, né? É quase uma competição. Mas ela deu um show e eu não. É que é um assunto que fica em pauta, né?

Porque vocês estão conversando, é isso. Então vamos conversar. Não, mas tem 111 papo ali sobre congelar e eu acho que é isso. Está todo mundo meio assustado, porque quem? Quem não quer ainda ficar?

AI meu Deus, as minhas pacientes que estão tentando e fica todo mundo meio que conversando esse assunto. Eu acho que tem uma aceleradinha em querer congelar logo e AI não vou congelar logo e pronto. Pelo menos tomar a decisão, né? Mas é engraçado assim, eu também concordo com você, mas, por exemplo, eu acho que a pressão para congelar. Eu sinto que é maior, mas para engravidar eu acho que é até menor.

Sabe que isso é duro? Porque a sensação que eu tenho, pelo menos No No meu meio, assim, eu não sei se é porque a gente já está tão habituado a falar, ó, tem que congelar, ó, tem que congelar e tudo mais. E falar de estatística de tudo mais. Que e eu acho que a gente lida tanto com a frustração das pessoas por não conseguir. Que eu acho que isso meio que transforma a gente, da gente não ficar cobrando os outros, porque a gente sabe o quanto isso dói, das nossas pacientes serem cobradas.

Então, pelo menos no meio assim nosso. Eu não acho que tem tanto essa pressão para engravidar. É só para se planejar mesmo, né? É. Algo mais para o planejamento mesmo.

Eu acho que é isso mesmo, né? A gente ter essa sensibilidade de perceber que não é legal, é sem interferir no tempo do outro, né? Né? Mas é verdade. A gente, eu acho que dessa parte para engravidar eu acho que não.

Não tem essa cobrança. Eu acho que é mais para congelar mesmo e para se programar. E assim é. A gente conversou aqui, né? Vitalmente?

A doutora Camilla falou muito sobre como é uma péssima paciente. Isso eu já escutei também que os médicos são os piores pacientes e vocês algumas vezes se é, sentiram culpa? Por não estar fazendo aquilo que vocês falam no consultório ou ou pelo menos adiando, é algumas orientações, assim, você também é uma péssima paciente. Eu acho que eu consigo é, eu acho que eu, na verdade, eu acho que eu esqueço que eu sou médica quando eu estou no tratamento assim. Tanto é que eu perguntava para Camilo o que que ela achava melhor assim.

Eu acho que quando é comigo, me dá meio que um branco assim, Ah, o que que você acha melhor fazer aqui? E mas eu acho que eu fui a uma péssima paciente em em algumas questões de cuidados, assim é o meu pós coleta. Né? Eu não senti dor, mas também eu saí da coleta e eu fui pro show do menos é mais assim, meu Deus. Você foi pagou de ar?

E foi nem um show sentadinha, né? Assisti uma banda tranquila no teatro, não. E aí, um dia recente assim faz uma ou 2 semanas, uma paciente chegou pós coleta dela. E aí ela me chamou assim, tinha coletado tudo, tinha passado Por Ela, estava super feliz com os ovos, né? Aí ela chegou, doutora, é, tenho uma pergunta para fazer, eu posso ir para o show do menos é mais hoje porque mais tem show na minha cidade.

E eu estou tão feliz com a coleta, porque eu consegui os óvulos que ela, essa paciente em específico, ela tinha passado por uma coleta que a gente não tinha conseguido óvulos, e nessa outra a gente conseguiu os óvulos e ela estava muito feliz. Ela, eu posso ir para ela comemorar. Aí eu olhei assim, eu falei, então não posso nem dizer que não, porque vai ser muita hipocrisia. É então. Vai pro show Ela E Eu posso beber uma cervejinha?

Vai pro show derme, uma cerveja. Não vai ser isso. Se hidrata bastante depois. Mas eu acho que eu sou meio tigrona assim, de achar que eu posso fazer as coisas, Ah não, Ah, eu dou conta de fazer com as pacientes. Geralmente eu fico AI, cuidado, se hidrata muito durante todo o tratamento, evita atividade de alto impacto, vai sentir dor, pode tipo tomar remédio, não precisa ficar suportando a dor.

Qualquer coisa você me liga, qualquer coisa você manda mensagem. Então eu acho que com as pacientes eu fico com mais receosa assim dos sintomas, dos efeitos colaterais, e comigo eu meio que suportava tudo, não vai dar certo. É a gente. Parece que tem uma sensação que com a gente, eu não sei se é a sensação que com a gente não vai acontecer ou que assim, Ah, não, mas se acontecer tá tudo bem. Eu sei que é assim mesmo, a gente dá um jeito, né?

E eu acho que tem um pouco disso de dar um branco, né? Eu eu sofri um acidente de carro uma vez e eu tive um traumatismo crânio cefálico porque eu bati no volante, né? E aí quando chegou Oo Socorro, eu estava com hemorragia conjuntival, tinha cortado um pouquinho aqui, mas eu estava bem consciente, levantando, andando, tudo. Isso aqui é protocolo pra quem teve TCE, né? Você tem que ir lá prancha, colar cervical, vai na ambulância e tudo mais, e eu lá plena andando, né?

Aí o cara chegou, deita aqui agora, falou não vou deitar, gente, eu falei, eu não preciso, eu estou bem, preciso, é protocolo e aí parece que na hora você sai, você esquece tudo, aí o que ele falou, você esquece, eu não preciso não, tá ótimo, tal ele, então você assina aqui que você não vai deitar. Falei, então eu vou deitar. O que a gente deita aqui? Então a gente esquece mesmo, é muito engraçado, né? Não dá muito uns brancos.

Assim. Não, gente, por favor, sigam os protocolos. Se tem placa, tem história, então assim, não façam isso. AI, gente, eu queria pedir para vocês que se vocês pudessem dizer alguma coisa para todas essas mulheres que não sabem a hora de agir ou que estão esperando, é, às vezes tem mulheres que nem sequer fizeram a avaliação da reserva ovariana, né? Que elas estão passando.

Tem gente que ainda não entende, tem mulher que já fez e tá nesse dilema, se congela, se não congela, que que vocês falariam para elas? Pensando na experiência de vocês como como mulheres aqui, quero que vocês pensem como mulheres e médicas que que vocês falariam? Olha, eu falaria que a gente tem muito uma tendência de assim, Ah, eu não vou procurar não, porque se eu não se eu procurar, vai que eu acho. E aí parece que se a gente não achar, não tem o diagnóstico, né? Então acho que a gente tem que é evitar pensar desse jeito assim, da gente se esquivar.

Então manter um acompanhamento de rotina. Depois de tudo que eu passei eu já aprendi, hoje eu faço tudo certinho, meus sistema de rotina, então assim, manter um acompanhamento de rotina hoje em dia, com as ferramentas que a gente tem, assim, eu vejo que. Fundamental a gente conhecer a nossa reserva ovariana para que a gente possa ter 11 planejamento. Eu falo isso para todo mundo que passa em consulta, eu falo, não significa que você tem que sair daqui, que você tem que congelar, mas você tem que ter a informação para você ter o embasamento para tomar sua decisão, sabe? É igual, por exemplo, depois que apareceu o meu outro cisto, a primeira coisa que eu pensei foi, puta, por que que eu não congelei?

Lá atrás eu tinha muito mais reserva ovariana, eu era mais jovem e tudo mais. Até que eu cheguei à conclusão de que, olha, eu tinha o conhecimento na ocasião, mas eu não tinha o preparo emocional naquele momento para tomar essa decisão e tá tudo certo. Então o importante é a gente conhecer a nossa realidade de verdade é e saber, né? Receber a orientação das estatísticas, das possibilidades, para que a gente tome uma decisão consciente, seja essa essa decisão, congelar, esperar mais um pouco, reavaliar, tentar engravidar o que for, para não existir nenhum arrependimento lá na frente. Então, procurar um médico, né especial.

Lista fazer uma avaliação e colocar esses prós e contras na balança pra não ter nenhuma nenhum arrependimento no futuro. Eu. Acho que é isso mesmo, né? Procurar pra ter informação. É, acho que a gente muda o tempo todo, as nossas ideias mudam o tempo todo.

E acho que às vezes você tem uma certeza muito clara, mas que aquela certeza muito clara naquele momento não vai ser a mesma certeza que você vai ter dali a 23 anos. Então você buscar se informar pra você ter informação e saber a decisão que você vai tomar. Bem formulada, né? Bem centrada ali do i que Ah, não sei, deixa pra lá, deixa ir passando, porque às vezes lá na frente pode ter um arrependimento e você diz, porque que lá atrás eu não fiz aquilo? Então acho que é isso, procurar se informar mesmo.

Excelente gente, vocês gostaram desse novo formato? Gostei, foi? Legal, né? Gostei do outro lado e da gente conversar de de temas mais leves. Assim, sair um pouco só da parte técnica, né?

Acho que. Ficou bom. Quem está a Ludmila, né? Gostei dessa mudança. Do.

Cenário muito bom. Gente, então eu gostaria de agradecer novamente doutora Ingrid pela presença. Doutora Camilla também hoje eu como host aqui, vou encerrar o papo de tentante. Foi maravilhoso conversar aqui com você e você que está aí do lado. Se tiver mais questões sobre a fertilidade, dúvidas se você está em tratamento, se você não está em tratamento, não esqueça de sempre perguntar aqui pra gente, porque nós temos uma equipe de profissionais aqui, maravilhosas, que são especialistas no assunto e estão aqui pra ajudar.

É isso? É isso. Tchau, tchau, tchau. Obrigada por assistir ao papo de tentante. Aproveite e acompanhe o CEFERPno Instagram e no YouTube pra ficar por dentro das novidades.

Te vejo no próximo episódio até lá.

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