Neste episódio do Papo de Tentante, recebemos a Dra. Carla Dias, especialista em Reprodução Assistida, para falar sobre um tema sensível, profundo e extremamente comum no consultório:
Quando o tratamento não dá certo, isso já é uma falha? Até quando insistir? Quando investigar mais?
Se você já passou por uma tentativa negativa ou está vivendo essa fase, este episódio foi feito para você.
Transcrição do episódio
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Olá, aqui é a doutora Camilla Vidal, médica especialista em reprodução humana do CEFERP. Seja bem-vindo ao podcast papo de tentante. Vamos ao episódio de hoje. Oi pessoal, sejam bem vindos ao papo de tentante e esse é o nosso episódio especial do fala tentante. Então só lembrando para você que tá começando a acompanhar a gente agora, é um episódio onde a gente recebeu as dúvidas de vocês.
Então a gente abre caixinha no Instagram do CEFERP para receber as perguntas sobre o tema e a gente recebe uma especialista para responder essas perguntas para vocês tirar um pouco das dúvidas, né? Desses tabus do mundo da reprodução. Então, para o fala tentante de hoje, eu estou com a doutora Carla, que vai responder às. Dúvidas falando sobre falhas no tratamento. Até quando tentar?
Então vamos entrar um pouquinho mais nesse assunto. Carla, é um prazer enorme te receber. Fica à vontade para se apresentar também para quem não te conhece ainda do outro episódio. Olá pessoal, primeiramente, né, gostaria de agradecer o convite. Eu sou a Carla, sou de Minas, né?
Sou de Belo Horizonte, vim para Ribeirão Preto fazer minha especialização e reprodução assistida aqui na USP e atualmente trabalho na CEFERP, né? Desde o ano passado e também trabalho no hospital das clínicas, no setor de reprodução humana. Maravilha, vou começar com as perguntas, então, que a gente recebeu na caixinha. Uma delas a pessoa mandou assim, existe um número normal de tentativas até o positivo, ou isso varia muito? Às vezes a gente recebe, né?
As pessoas falando de 83, 4 vezes, será que isso é normal? Então existe esse número. Na verdade, a gente não tem um número limite de tentativas. Pra gente falar aqui, chegamos no limite. Não, não é pra tentar mais, né?
O que existe realmente é alinhar a expectativa com o casal, ver até quando ele está disposto a tentar com base aí nas estatísticas, né? Nas taxas de sucesso que são esperadas do tratamento individual daquele daquele casal. E obviamente, né, lembrar que por vezes o tratamento ele pode ser desgastante, tanto do ponto de vista emocional quanto do ponto de vista financeiro e. Alinhar, né? Junto, né?
Equipe médica e paciente. Quanto que seria o limite ali, né? Óbvio que, dependendo do caso, avaliando a idade, reserva ovariana, muitas vezes a chance de sucesso ela é muito limitada, muito, muito inferior. Então é muito bom que a gente tenha bom senso aí também na hora da gente indicar um tratamento, né? O médico em conjunto falar que vamos tentar de novo com base aí nessa chance de sucesso.
Com certeza a transparência acima de qualquer. Coisa com certeza, Carla. Concordo e a essa pergunta é boa, Hein? Quando o tratamento não dá certo, isso já é considerado uma falha. Essa daí é, eu acho que é recorrente, né?
Acho que todo casal numa primeira consulta, uma coisa que eles sempre perguntam é, vai dar certo de primeira, qual que é a chance de dar certo de primeira, né? EEE não, na verdade, né, na reprodução assistida, AA gente tem mais chance de uma primeira tentativa, né, vir um negativo do que vir um positivo. Isso não significa falha, né? Isso faz parte do processo inerente às nossas técnicas, né? Infelizmente a gente não tem.
Como garantir para nenhum casal nenhum paciente, 100% de eficácia no tratamento? Tá, então o que a gente faz realmente é avaliar ali a reserva ovariana, a idade da mulher, fazer um cálculo ali de número de ovos, número de embriões que a gente pode formar e, de fato, ver qual que é a chance de implantação daquele embriãozinho, para que a gente avalie a chance de sucesso daquele tratamento de forma individual. Mas é o que conta, muitas vezes são as tentativas. Tentar, tentar, tentar para que a gente chegue ali no nosso positivo. É, e eu gosto muito de falar também que assim a gente avalia pistas, né?
A gente avalia marcadores, mas o caminho mesmo a gente conhece, passando por ele, né? Então, às vezes tem aquela paciente que a gente fala, nossa idade favorável, a reserva é ótima, vai ser assim, né? Tem tudo para logo nas primeiras engravidar exatamente embrião, exploide, quantas vezes, né? A gente transfere, falou. Nossa embrião está lindo, é o bloide, aquele endometro maravilhoso.
Né? Agora vai. E aí acaba não implantando e às vezes aquele embriãozinho que ganhou 1° 3 ali na morfologia que foi, que só ele que foi formado é ele que implanta, né? Então tem muitas variáveis que não estão sob nosso controle, né? Caio.
É uma outra dúvida que a gente recebeu que eu vou te perguntar é, já que a gente tava falando, né? Dessa questão da falha e tudo mais, uma pessoa perguntou assim, quantas tentativas indicam que algo precisa realmente ser investigado melhor? Bom, então vamos falar sobre o que que é baseado em evidência, né? O que que AA as nossas sociedades nos dizem, né? AA gente vai considerar que houve uma falha ali de implantação quando o número de transferências de forma cumulativa tem uma chance de sucesso maior, né?
Que supera ali 60%. Né? Isso vai ser muito pautado principalmente na idade da mulher e no número de transferências que ela realizou e se esses embriões foram geneticamente testados ou não. Então, de acordo com a sociedade europeia de reprodução humana, ela nos diz que mulheres com menos de 35 anos, a gente só deveria considerar uma falha de implantação depois de 3 transferências de embriões não testados. Mulheres com mais de 35 anos após 4 transferências de embriões não testados, tá já embriões euploides após a transferência de 2 embriões euploides.
É o momento que a gente acende o sinal de alerta de que algo a mais deve ser investigado. Perfeito é. E como é importante esse conceito, né? Porque você vê às vezes uma paciente que tem mais de 35 tá lá com seus 40, né, pouco mais de 40 anos, passa por uma tentativa e tem o negativo, e às vezes vai falar poxa, mas o que que aconteceu, né? E aí, se a gente for olhar a estatística, né, a gente tem 11 resposta de que, nesse cenário, teoricamente, seria esperada uma quantidade maior de tentativas até o sucesso, né?
Então é é muito do que você falou numa das primeiras perguntas com relação. Então, AA transparência, né? Da gente olhar e falar, olha para o seu caso, a expectativa é essa, diante da sua reserva ovariana para formar esse tanto de embriões. A gente espera um caminho mais difícil ou mais fácil e então a nossa estimativa aqui de de chances, né, de perspectivas, é essa. Daqui para um casal poder entrar consciente na decisão, né?
Do do tratamento, né Carla? Exatamente, eu acho que que todo tratamento é essencial que a gente. Conheça todas as etapas, alinhe essas expectativas pra que a gente tenha leveza durante o processo, né? E saiba que eventualmente o caminho ele é um caminho que pode ser mais longo, pode ser mais trabalhoso e mas que estando dispostos a passar por ele, a gente tá junto, a gente sonha junto, a gente torce junto. Exato, e essa aqui é difícil, Hein?
Porque quando a gente fala nessa questão de chances de sucesso, né, igual a gente estava falando, Ah, depois de 3, depois de 4, é, às vezes tem pacientes que interpretam isso como aquela coisa assim, você vai esperar dar errado 3 vezes para você investigar, você vai esperar dar errado 4 vezes para você investigar. Então, foi justamente o que a pessoa perguntou, por que que o médico pede mais exames só depois de algumas tentativas? Gente, essa é uma reflexão que eu pessoalmente me faço muitas vezes quando eu atendo as pacientes e realmente eu acho que é individualizar, por mais que AAA sociedade nos recomendem, né? 3 transferências 4 transferências. Tem casais que a gente vai antecipar essa investigação e tem casais que a gente vai esperar o tempo, né?
Da falha de implantação para poder investigar. Realmente é individualizar caso a caso. Por que? Por que que a gente faz isso? Por que que a gente espera?
Por que que a gente individualiza? Porque os exames para investigação são exames que por vezes, são exames caros. São exames desgastantes e são exames que eventualmente vão atrasar a gente seguir com o tratamento. Né? E às vezes vão nos dar informações ou vão indicar intervenções que muitas vezes a gente não não sabe ainda, não tem uma evidência robusta se aquilo realmente impacta positivamente no tratamento ou se às vezes pode até gerar o efeito colateral.
Então, assim, tendo em vista que são exames onerosos, é que que que despendem tempo e podem às vezes confundir a nossa interpretação. Acaba que a gente não solicita de primeira, a gente vai individualizando caso a caso, né? Avaliando ali o que temos potencial de encontrar e de fazer ajustes que realmente agreguem ao tratamento. Exatamente. E é uma coisa que a gente aprende desde a nossa formação médica, de que a gente não trata exame.
A gente trata um paciente, né? Então a gente tem que tomar muito cuidado. Uma paciente que não tem histórico de nada, a gente não tem suspeita de nada. De repente a gente vai lá, faz um exame super invasivo. Encontra ali um pontinho AI, será que esse pontinho é problemático?
Será mesmo que ele é problemático? Será que ele só não é um achado de exame? E aí às vezes a gente vai estar cometendo a tal da iatrogenia, né, que as pessoas não não estão familiarizadas? Mas assim é quando a gente, como médico, começa a tratar coisas que nem precisariam ser tratadas. Isso não é isento de efeito colateral, inclusive do tempo, né?
Oo principal que eu vejo como efeito colateral é a gente atrasar, falar não, agora você vai ter que fazer uma cirurgia, vai ter que fazer isso, vai ter que fazer um bloqueio, não sei o que lá, e isso demandar. Ali, meses, em vez da pessoa seguir para o tratamento, que era a maior ferramenta que ela teria para otimizar as chances, né? Então eu sei que é um raciocínio difícil de de ter, né? Porque às vezes gera essa sensação de perda de tempo. Mas é justamente o oposto, né?
A gente tá querendo economizar tempo e investimento de esforços para ser o mais efetivo possível, né, Carla? Porque exatamente isso a gente sabe que o que vai fazer, muitas vezes a gente chegar no positivo, vai tentar. Né? Vamos fazer de uma nova transferência. Não deu certo.
Vamos para um novo ciclo, né? Sem sombra de dúvida, isso é o que mais tem chance de dar certo do que a gente parar, fazer uma série de coisas, às vezes fazer uma cirurgia, fazer exames, que às vezes o paciente tem que juntar recursos para conseguir fazer. E, eventualmente, o que daria certo É Ela ir para uma nova. Tentativa, é lógico. E lógico que assim a gente não tá falando que não precise investigar, mas que a gente não.
Não precisa generalizar, né? Eu vejo que é muito importante nesse cenário AA confiança da paciente, do casal, com o médico e a equipe que ela escolheu, para que você saiba de falar assim, olha, estes profissionais estão olhando para mim e se não existe suspeita no meu caso de alteração, nós vamos seguir, né? Porque eu falo muito isso para paciente. Às vezes, quando a gente tá programando, eu falo, olha. Por mim, clinicamente a gente pode seguir, porque eu nesse momento não vejo nenhuma pista.
Você pode ter certeza que a qualquer momento tiver uma coisinha que chame atenção. Vou falar não, agora a gente vai parar e agora a gente vai investigar. Mas até agora, se a gente não tem essa suspeita, a gente poderia seguir. Então confiar na equipe que tá acompanhando, né, e que tem esse olhar individualizado, faz muita diferença, né? Com certeza, com certeza.
É, eu acho que AA consulta, né, é aquilo que eu falei no começo, o médico, ele sonha junto, então quando o paciente me procura, ele fala que olha, meu sonho é ter um filho, eu tô procurando atendimento porque eu quero fazer um tratamento, eu quero realizar esse sonho EEA, gente, fecha naquilo, né? Eu acho que eu pessoalmente eu embarco naquele sonho, então eu reviso o caso, eu olho os exames, eu avalio, é diversos aspectos. EOO negativo da paciente é o mesmo negativo também, sabe? Então, assim, sem sombra de dúvida, se tiver uma suspeita, algo que que seja, que faça a diferença, né? Positivamente para o tratamento, para a gente fazer, com certeza.
Acho que que que o médico que tá junto, que a gente confia, tá junto é, é julga, né, que precisa fazer. Eu acho que que vai ser feito. Perfeito e sobre, né? A questão de das tentativas e chances causar o tratamento atrapalha as chances ou pode ajudar? Depende.
Eu acho que depende. Depende muito. É por exemplo, né? Quando a gente identifica que, por exemplo, a paciente tem um MC elevado. Ali, por exemplo, com 11 síndrome metabólica, né?
11 descontrole pré sórico. Eu acho que faz todo sentido. A gente dá uma pausa, porque a gente sabe que esses fatores, né, ambientais, comportamentais, estilo de vida, eventualmente vão fazer diferença, né? Outro ponto também é a questão mesmo de saúde mental. Às vezes, o casal ele passou por uma jornada ali de de, de desafios, eventualmente de negativas, e precisa daquele tempinho para reestabelecer uma saúde mental, né?
As expectativas, a resiliência para ir para um novo tratamento. Então eu acho que tanto condições clínicas. Quando, eventualmente, condições emocionais seriam justificativas importantes para a gente poder dar uma pausa antes de partir para uma nova tentativa. Mas lembrando, é claro, a questão da idade, né? A gente não pode deixar também perder de vista que quanto mais jovem, quanto mais precoce a gente fizer um novo tratamento, melhor do ponto de vista de qualidade de ovos.
Então eu acho que na verdade é um equilíbrio, né? O empenho aí da do, do casal, mas também levando em consideração outros aspectos que são muito importantes para o tratamento. Maravilha, concordo. E uma outra pergunta que a gente recebeu na caixinha, endometriose. Nuterossacro precisa tratar para realizar a tech ou ela não impede de ter sucesso?
Bom, a endometriose gente é uma Pedra no sapato e a gente sabe que ela é muito comum, né? Ainda mais hoje em dia, né? Com a com a melhora dos aparelhos de ultrassom, acaba que que muitas vezes a gente tá, tá tem observado, né? Um aumento aí da. Dos diagnósticos de endometriose e na verdade é a endometriose é 11, doença que a gente não tem ali, um protocolo estabelecido de condutas, né?
Quando que eu tenho que fazer uma cirurgia? Quando que eu tenho que fazer, por exemplo, um bloqueio hormonal antes da transferência, né? Isso não existe. A gente não tem essa evidência aí, esse guideline de como manejar a endometriose, a no contexto da infertilidade, né? Por.
Isso que todo Congresso é sempre igual, né? Sempre tem o debate da endometriose quando opera, quando não? Espera quando bloqueia, quando não bloqueia porque ninguém sabe ninguém. Sabe? Então assim é.
São achados que a gente vai ter que individualizar. Exato, exatamente. Então precisa conversar com o especialista que está acompanhando? Não tem jeito. Né?
E bom, essa aqui você até já respondeu. Mas porque em muitos casos não ocorrem a implantação na primeira transferência? Bom, vamos lá, né? É, eu acho que, em primeiro lugar, nenhum tratamento de reprodução assistida vai garantir 100% de sucesso, né? Então a gente tem que ter isso em mente, a gente como como médico, como um profissional aí da da ciência, né?
A gente não sabe tudo, a gente não tem todas as respostas. Eventualmente, no futuro, né, a gente consiga identificar e consiga realmente ter ali. É 11 taxa maior de sucesso no tratamento de reprodução. Assistida, mas infelizmente a gente ainda, né, tem mais negativos do que positivos numa primeira transferência, mas sem dúvida, né? Tem 2 fatores que são muito importantes quando a gente considera aí chances de sucesso.
A primeira embrião e a segunda endométrio, né? EOOO embriãozinho, ele é um embrião que ele depende muito da questão, principalmente da idade do óvulo, a idade da mulher, né? E a que vai levar, né? Corroborar pra sua carga genética, então, sem sombra de dúvidas, quanto mais avançada a idade feminina, menor a chance de implantação a gente vai ter pra aquele embriãozinho, do outro lado a gente vai ter o endométrio. Então, o endométrio, ele é 11 entidade aí que a gente também olha com muito carinho quando a gente vai considerar uma transferência, tá?
Então fazer o preparo adequado, monitorizar o crescimento daquele endométrio, a proliferação daquele endométrio, ver se não tem nada ali naquela cavidade, é uterina que possa estar nos atrapalhando também. Seria um fator aí muito importante para a gente ter sucesso aí nessa implantação. Então eu destacaria esses 2 embrião e endométrio. E aí, nesse caminho, a idade feminina, sem sombra de dúvida, é o que mais vai nos dar aí, dados estatísticos para a gente definir chance ou não de implantação. É, eu vejo que assim é muito na verdade da dessa resposta.
Vem do fato de que é o que você pontuou. A gente não tem o conhecimento suficiente de um bom desenvolvimento embrionário, de um bom ambiente uterino para receber o embrião. Do que impacta nessa interação entre eles, né? Então, às vezes numa visão simplória, né? Quando a gente olha.
De fora, Ah, mas o meu endomento tava grosso, ele tava bonito, não tinha nada lá dentro, meu embrião ganhou uma nota boa, tá tudo certo, né? Mas tem tantos outros mediadores ali que precisam acontecer, né, que é conversar entre si e a gente não sabe, então com isso, o tratamento não traz mesmo assertividade ainda que a gente busca, né? A gente tenta se cercar de respostas daquilo que a gente tem até hoje de embasamento, né, Carla? Exatamente, né? E é por isso que eu acho assim que no final das contas, a gente a gente sempre tenta acertar, né?
Sempre tenta fazer tudo da melhor, melhor maneira, baseado em evidência, dentro daquilo que a gente sabe que dá certo. Mas no final das contas, né, depois que você injetou o embriãozinho lá, existem coisas que a gente não controla, né? Que fogem um pouquinho do nosso, do nosso controle e. É isso? E essa também é uma pergunta um pouco difícil de responder assim, de uma forma mais genérica, né?
Mas doenças autoimunes na tireoide também podem dificultar a implantação. A tireoide também é outro assunto muito polêmico em reprodução humana. Todo o Congresso, sem dúvida, vai ter esse tema aí acontecendo, né? E até hoje realmente a gente é. Se fica aí aí um pouco em cima do muro sobre níveis, né, da da do TSH, alto anticorpos da tireoide, se existe ali um ponto de corte do TSH que seria ideal, a partir de quando que a gente deveria prescrever tratamento pra tireoide?
Então esse é um assunto muito polêmico. Mas o que que a gente sabe, a tireoide, ela é uma glândula, uma das glândulas aí mais importantes, né? Durante o nosso metabolismo como indivíduo, e durante a gestação, no qual a gente vai precisar. Realmente de de ter um organismo apto a desenvolver 11 novo, ser vivo dentro da do organismo materno. Então, sem dúvida, se a tireoide está desregulada tanto para mais quanto para menos, isso pode impactar na chance de implantação, na chance de abortamento, na chance de complicações, inclusive no período da gestação.
Então, toda vez que a gente for considerar tratamento de produção assistida, pode ter certeza que esse é um exame que vai constar na nossa lista. Com certeza. E a gente falou um pouquinho sobre a questão da idade, então teve uma pergunta na caixinha e ela colocou assim, tenho 35 anos, preciso agilizar minha five. Olha, eu acho que essa essa é uma pergunta muito comum de consultório, paciente, mulher, né? Vem em consulta e pergunta, e aí, sou fértil, vou ter dificuldade para engravidar?
Não vou ter dificuldade para engravidar. Já deveria estar fazendo alguma coisa, algum tratamento. E a verdade é que, antes de qualquer coisa, é importante tentar, né? A gente sabe que a maioria dos casais vai conseguir engravidar de maneira espontânea após um período de tentativas, né? Então assim, primeira dica para essa mulher de 35 anos é, tente, comece a tentar, né?
E após 6 meses de tentativas espontâneas, procurar atendimento para poder fazer uma investigação e avaliar se há a necessidade de fazer algum tipo de intervenção. E até mesmo uma five, né? Mas primeiro tentar. Com certeza. E uma outra pergunta da caixinha, quem pode receber um embrião proveniente de doação?
Tive menopausa precoce. A menopausa precoce é uma indicação clássica aí de overrecepção, né? A gente sabe que AA gente precisa do óvulo para formar um embrião, né? Então, quando a gente tem a condição da menopausa precoce, esse estoque de óvulos, ele está ali exaurido, né? Ele acabou.
Então é a as tentativas de estimular o ovário, de obter um óvulo deste ovário já meno pausado. São tentativas frustras, né? Nós não vamos conseguir obter aí com sucesso, óvulos para formação de embriões com gameta própria. Então, sem dúvida, na menopausa precoce, o nosso tratamento de eleição é com recepção com a ovo da ação. Perfeito.
Então, no caso dessa pessoa que perguntou, ela poderia sim receber inclusive já um embriãozinho? Pronto também, né? Perfeito. E aí a última pergunta, eu deixei ela por último porque ela tem um. 11.
Que de encerramento mesmo, porque ela perguntou assim, como não perder a Esperança depois de tantas tentativas? É, eu acho que é no final. É isso que que resta assim, né? Eu acho que. A gente tem um sonho.
Eu acho que sonhos são coisas muito valiosas. Eu acho que a maternidade, né? Dentre os sonhos que a gente pode ter na vida, talvez seja a mais preciosa que a gente tem. EEA gente tem que cuidar desse sonho com muito carinho, sabe? Então assim, eu acho que se há vontade, se há sonho, se há esse desejo, né?
Eu acho que ele é um desejo válido e a gente tem que correr atrás dele. É óbvio que às vezes, nem tudo que a gente quer vai vai acontecer amanhã, vai ser pra ontem, né? Muitas vezes a gente tem ali testes no meio do caminho que a gente precisa trabalhar. Resiliência. Expectativa é, mas não deixar essa Esperança morrer, sabe?
Às vezes não vai ser o plano a, uma gestação espontânea, às vezes não vai ser o plano b, contratamentos, às vezes vai ter que ser lá no plano c, uma ovoduação, por exemplo. Mas eu acho que todos os caminhos aí eles são válidos. Se a gente tem esse sonho que é tão valioso, tão precioso, então acho que é isso. Com certeza é. A gente tem em mente o porquê da gente tá nessa caminhada, né?
Então é natural que vão ter momentos que a gente vai ficar mais desanimada, mais frustrada, né? Que vai bater uma sensação de de falta de Esperança, né? Mas que nesses momentos a gente se permita é viver ali o luto, o sofrimento, mas sem desistir, né? A gente olhar e falar, olha, eu tenho um propósito maior dentro dessa caminhada, né? E ter ter fé, né, que tudo tem o seu, o seu momento, né?
Muitas vezes as pessoas perguntam assim, AI, mas até quando eu vou ficar tentando? E eu sempre gosto de responder, olha, até enquanto faça sentido para você. Se chegar o momento que você olhar para trás e disser, olha, eu tentei de tudo, eu cheguei no meu limite, para mim essa conta não fecha mais, está tudo bem, né? Mas isso é pessoal, tem gente que não vai querer fazer tratamento nenhum, tem gente que vai tentar várias vezes, né? Então é se se conhecer, né, e se permitir é viver essas etapas, né, e entender, para falar assim, olha, a minha parte está feita da melhor forma possível, né?
E abro mão do do controle do que não é meu, do que não me cabe para que eu viva, né? AA melhor. Vida possível, né? Diante daqueles sonhos que eu tenho e que eu possa conquistar, né? Nó perfeito.
Achei que a fala foi foi um fechamento assim, perfeito. Não tem jeito, né? Eu acho que na vida da gente as coisas vão acontecendo e a gente vai ressignificando EE trazendo aí sentido na nossa vida, pra que a gente não não perca a Alegria de viver, não perca o sentido de da vida. E a gente vai se transformando, né? A gente passa por dificuldades, que na hora são gigantes, mas depois a gente vê que a gente mudou, né?
Depois daquela dificuldade a gente teve, né, algum fortalecimento, algum aprendizado, né? Então a gente vai ressignificando mesmo tudo isso, concordo. Muito obrigada por responder as dúvidas, tenho certeza que tá todo mundo muito mais tranquilo agora de entender um pouco mais sobre as expectativas do tratamento e espero você nos próximos episódios. Combinadíssimo para mim. É enorme ter participado.
Espero ter contribuído aí para vocês que estão ouvindo e estou à disposição aí para próximos. Maravilha até o próximo episódio, tchau, tchau, gente. Tchau. Obrigada por assistir ao papo de tentante. Aproveite e acompanhe OCEFEP no Instagram e no YouTube para ficar por dentro das novidades.
Te vejo no próximo episódio até lá.
