O início de um novo ano renova as esperanças de quem sonha com a parentalidade. Neste episódio do Papo de Tentante, a Dra. Camilla Vidal recebe a Dra. Carla Dias para desmistificar as etapas da reprodução assistida e falar sobre resiliência.
Como alinhar a estatística médica ao seu bem-estar emocional? Por que perdas em certas etapas são esperadas e não significam falha? Qual o papel das trompas e quando exames invasivos são realmente necessários?
Confira a resposta dessas e de outras perguntas no episódio de hoje!
Transcrição do episódio
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Olá, aqui é a doutora Camilla Vidal, médica especialista em reprodução humana do CEFERP. Seja bem-vindo ao podcast papo de tentante, vamos ao episódio de hoje. Oi pessoal, sejam bem vindos ao papo de tentante. É muito, muito bom estar de volta nessa nova fase, um novo ano, né? Novas histórias, novos temas para a gente conversar.
E nesse tema, né, de mudanças, né, de renovação das esperanças. Um novo ano, 2026, eu recebo aqui a doutora Carla, depois ela. Ela vai se apresentar para vocês, para a gente falar um pouquinho sobre justamente essa questão, novo ano, novas expectativas. Até quando eu devo tentar? Quando que eu devo pensar em mudar de estratégia?
O que que significa uma falha de tratamento? Então? Vamos renovar as esperanças juntas no episódio de hoje? Carla, é um prazer enorme te receber e te deixo à vontade para se apresentar um pouquinho para quem acompanha a gente. Olá pessoal.
Primeiramente, queria agradecer o convite da doutora Camilla pra estar participando desse podcast. Eu já acompanhava nas redes sociais, então assim, eu estou realmente muito honrada de estar aqui hoje com vocês. Pra quem não me conhece, eu sou a Carla, estou começando aí desde o ano passado. Meus atendimentos Na Na clínica, né, na CEFERP. E sou mineira, sou de BH, vim parar aqui em Ribeirão Preto.
Fiz minha formação aqui Na Na USP Ribeirão em reprodução assistida. Atualmente estou trabalhando na CEFERP, trabalho também no hospital das clínicas, no setor de reprodução humana e estou muito feliz de estar aqui com vocês hoje. Maravilha. E quando a gente fala, né, num começo de ano, na verdade, assim, o que eu penso é, vem muito da questão das festas de fim de ano, né? Vem aquela parte das festas e vem junto, parece que é aquela coisa, um Novo Tempo, e aí você vai refletindo, né?
Então é Natal, e o que você fez? Teve uma paciente, uma vez que participou de um papo de tentante e ela falou, nossa, eu não aguentava mais todo Natal. Eu pensava, Ah, é mais um Natal sem o meu bebê. Então acaba que as festas de fim de ano fazem a gente ter essa, essa reflexão sobre a vida. Às vezes, quando a gente começa o ano, a gente começa com um misto de puxa mais 1 ano que eu estou nessa luta das tentativas, mas ao mesmo tempo a gente começa renovada, né?
É. E é importante a gente olhar, né, Carla, para essas expectativas do do tratamento, da jornada, para que a gente possa, né? É mostrar para as pacientes as AA expectativa mesmo de chances de sucesso e as opções de caminho que a gente tem, né? Que a gente tem várias formas da gente tentar ajustar as rotas em busca do sonho, né? Com certeza.
É, e esse esse janeiro foi bem isso. Assim, várias primeiras consultas, muitas pacientes procurando atendimento, justamente com essa meta. Doutora, esse ano eu vou ter meu bebê em casa. Até o final do ano eu estou grávida, então realmente é esse comecinho do ano. É bem característico essas novas metas.
É, até porque às vezes a gente fala aquela coisa assim, Ah, eu vou começar um tratamento, mas, Ah, já está em dezembro, né? Eu vou passar Natal, fazer um tratamento. Ah, não, larga a mão. Janeiro. Eu penso nisso, né?
Exato. Aí depois vem janeiro e vem ali AA nossa programação do do tratamento, né? Então, para a gente entrar um pouquinho nesse assunto, né, uma das perguntas que a gente mais escuta é assim, será que existe algum limite de tentativas, seja de tempo, seja de tipo de tratamento? Ah, eu já fiz uma five, não deu certo. Até quando eu posso tentar?
Que que você vê que a gente pode orientar os pacientes nesse sentido? Bom, eu acho que a gente como médico, muitas vezes a gente é muito Preto no Branco. A gente acaba indo pela estatística e a gente faz lá uma avaliação de idade, reserva ovariana, faz uma estimativa ali de número de óvulos, número de embriões que eventualmente a gente vai conseguir formar e a chance de sucesso de cada embriãozinho implantar. Então, para nós, como médicos, é tudo meio que Preto no Branco a tal das porcentagens, né? Mas pra pra quem está do outro lado é essa informação, ela tem um outro significado.
Então, no final das contas, a gente não tem um limite de tentativas, né? A princípio, aquele casal, ele pode tentar quantas vezes for possível, quanto o financeiro, o emocional permitir, mas aí é que pega. Eu acho que muitos casais, quando eles vão de fato vivenciar essa jornada. E por vezes, essa jornada ela pode ser desgastante, emocional, fisicamente. Acaba que muitas vezes, à medida que a gente parte para as tentativas, a gente vai de fato alinhando, EEEE, vendo até quando aquele casal está disposto a tentar, sabe?
Então, no final das contas, não existe uma regra, uma receita de bolo. Quantas vezes que eu vou tentar? Né? Mas sim, o que? Individualmente, aquele casal tá ali, preparado e alinhado, resiliente, pra atravessar aí essa jornada aí da das tentativas.
É, concordo. E eu vejo que tem muita essa questão de alinhamento, de expectativa, né, que é o que você colocou e são coisas que podem mudar, né? Eu já tive paciente, por exemplo, que falou assim, Ah, eu vou fazer uma vez só, não é só isso pra mim, se der, Deus, se não der, não deu também. Aí ela fez a primeira vez. No caso, foi um segundo.
Ciclo de inseminação eu lembro direitinho, fez a primeira vez, não deu certo ela, Ah, mas não foi tão difícil assim, né? Dá para tentar de novo, né? Vamos mais um pouquinho, então às vezes isso muda, né? É, então às vezes a gente nem tentar também se colocar essa pressão, né? Eu vejo que às vezes as pessoas têm muito isso de que Ah, não, mas essa agora é a minha última tentativa e, lógico, a gente quer que todo mundo faça, se possível, uma vez só, né?
Eu costumo até brincar na nas consultas eu falo, olha, eu sei que não é o sonho de ninguém estar sentado aqui pra gente conversar. Sobre reprodução, então não era o plano a seu tá aqui, né? Então com certeza não é o plano a de ninguém fazer vários tratamentos. Todo mundo quer que seja o mínimo possível, mas talvez não se colocar essa essa pressão tão grande até de de ter essa clareza, né? AI, mas como vai ser?
Quantas vezes eu vou tentar, eu vou tentar essa vez aqui da melhor forma possível, né? E quando a gente alinha as expectativas das chances de sucesso, eu vejo que isso fica um pouquinho mais aceitável, porque assim é a gente tomar a decisão por fazer um tratamento. Já não é uma decisão fácil, eu falo até como paciente assim, quem né? Ouve os outros podcasts, sabe, eu hoje tenho meu filho, mas deu um trabalhinho ali para engravidar e eu mesmo trabalhando com isso, eu ficava naquela AI, meu Deus, mas será que é hora de fazer uma five? Será que eu vou, será que eu não vou?
Então assim, não é uma tarefa fácil tomar essa decisão, né? Mas uma vez que a gente toma, a gente precisa ter um pouco de de clareza do caminho que a gente vai passar, né? Porque senão a gente vai tendo alguns baques e que na verdade não são baques. Que são realidades do tratamento. E a gente vai falar, tá vendo, não era para eu, tá fazendo, não tá vendo, tá dando errado, não tá vendo, não Era Para Ser e na verdade não.
O tratamento tem 11 funil, tem algumas perdas que são esperadas. A gente foca um pouco nas chances cumulativas. Acho importante a gente falar sobre isso, né? Exato, eu acho que Oo casal a paciente, né? Os envolvidos entenderem as etapas.
É essencial isso ficar muito claro desde o primeiro contato, porque realmente, como esse é um processo que envolve etapas, as primeiras consultas, os exames de investigação, o ciclo de estimulação, a coleta de óvulos, a fibe, transferência, tudo isso são muitas etapas. E realmente aquilo que você falou é se a gente se frustra logo no primeiro exame ou logo no primeiro ultrassom. Ou já gera ali uma expectativa, uma ansiedade logo de começo. Isso vai tornar esse processo, sem dúvida, muito mais gastante, muito mais penoso. E não é pra ser assim, faz parte do processo, né?
É na. Então acho que é mais ou menos é a essa a minha dica aí para todo mundo que vai começar um tratamento como esse. É, até porque eu sei que pode ser uma visão assim, meio romântica, mas eu penso muito nisso. Assim é a é a história da vida do seu filho, né? Você está fazendo um tratamento pro.
O seu filho chegar, então assim, a vidinha dele tá começando ali. Lógico, o tratamento é desgastante, tem uma questão financeira, física, emocional, mas a gente tem que tentar viver ele da melhor forma possível, né? Pra gente poder olhar pra trás, pra toda essa história com carinho, né? É, e essa questão da das chances, eu vejo que isso permite da gente respirar e falar, tá tudo bem, dá para tentar de novo, né, porque esse o tratamento eu sempre falo muito isso, assim ele dá muita sensação de controle, né, porque a gente tem a foto do embrião, a gente sabe o dia que o embrião chegou tem ali e fala, bom, tô grávida, né? Tá aqui o embrião, tô usando os hormônios, é só fazer o teste e começar o pré Natal, então na hora que vem o negativo, parece que o chão abre, a gente fala meu Deus, o que que aconteceu?
Tava tudo certo até ali, é? E aí, às vezes, se a gente se toma por esse desespero, lógico, a gente tem que se permitir chorar nesse momento do negativo, né? Mas se a gente se toma por esse desespero, talvez isso vai minar a nossa coragem para tentar de novo, né? E quando a gente consegue ter um olhar um pouco mais racional, mais leve de falar, tá tudo bem? Essa limitação é esperada e vamos ver o que que a gente pode ajustar de rotas.
Às vezes isso deixa a gente mais tranquila para uma nova tentativa, né? Com. Certeza, com certeza. Hoje mesmo eu tava atendendo um casal, tinha feito uma transferência, um embriãozinho em estágio de clivagem, e eles assim perdidos, assim afundados, AI veio negativo, que que aconteceu? E aí na hora que a gente vai ver AA chance, estatisticamente tá tudo bem, né?
Faz parte, né? De uma primeira transferência de não dar certo, a gente espera mais um negativo na primeira do que um positivo. Então acho que é isso é televeza mesmo durante o processo. Para encarar as próximas etapas. Né?
E às vezes se permitir e respirar um pouco, descansar, né? Porque eu vejo que às vezes a visão é muito zero ou 100. Assim é, ou eu vou fazer uma coisa atrás da outra, tal, ou então também não quero mais saber desse tratamento. Estou cansada e. E às vezes a gente precisa dar um tempo para respirar, né?
Quantas vezes a gente passa numa situação estressante na vida que se a gente responder naquela hora, depois a gente vai se arrepender, né? Uhum, então, às vezes você passou por alguma situação estressante com alguém. Eu tenho muito esse costume. Falar agora não é uma Boa Hora para conversar, eu estou muito irritada nesse momento, deixa, depois a gente conversa e. E aí, conforme o tempo vai passando, você vai entrando, você vai olhando de outra forma.
É como se você se afastasse um pouco daquele problema e pudesse ter 11 visão um pouco mais clara, né? Então eu vejo que do tratamento é a mesma coisa, às vezes tem paciente que tem negativo e quando a gente liga para conversar já está assim, mas e se a gente fizer isso e se a gente fizer aquilo? E agora eu não quero, eu sempre falo, olha, agora não é um bom momento para você decidir, vamos dar um tempinho, vamos se permitir chorar, vamos se permitir respirar. E aí depois, com calma, com o coração tranquilo, a gente conversa, né? Que vai ser sempre uma decisão mais racional realmente, né?
E às vezes, essa essas pausas são importantes pra um tratamento e elas não podem ser encaradas como uma desistência, como uma fraqueza, né? Então cada pessoa conhece o seu limite, né? Exatamente, acho que faz todo sentido assim, porque realmente na hora que a gente pega o teste de gravidez, né? Após uma transferência de embrião. Então, né?
O que a gente quer ver é o positivo e eventualmente o negativo. Pode perturbar tudo ali, naquele momento realmente nos deixar ali, como uma visão meio nebulosa da situação. É eu. Uma coisa que eu vejo que seria interessante nesse episódio a gente pontuar é o que que a gente considera como realmente uma falha, né? Porque às vezes, por exemplo, quando eu abro caixinha de perguntas, vem ali assim, AI fiz uma primeira tentativa e não deu certo.
Por que que meu tratamento falhou? Por que que o tratamento? E na verdade, não é bem que o tratamento falhou, né? A gente tá vivenciando o tratamento como a gente espera que ele seja, que é o que a gente tá falando, né? Até no conceito de falha de implantação, esse conceito não vem de uma tentativa só, né, justamente pela questão estatística.
Então, acho que a gente deixar isso claro para para as pessoas pode ajudar nessa na tranquilidade das etapas, né? Porque quando a gente fala em em conceito, a gente tá na no conceito da falha de acordo com algumas sociedades, né? Em reprodução, a gente tá falando em 23 tentativas. Dependendo da idade, da qualidade do embrião, né? Justo, né?
AAA gente segue muito a sociedade europeia, né? De reprodução humana. E ela deixa muito claro, né, que a gente consideraria uma falha de implantação quando a chance de implantação chegasse de forma cumulativa a 60%. E é exatamente isso, né? Após ali 3 transferências, né?
Um beta negativo seria, aí sim, o momento da gente reavaliar. A depender da idade, se o embrião foi biopiciado ou não, então realmente é ter um pouquinho de calma, clareza, conversar com o médico, ter um pouquinho de de, de realmente clareza, reavaliar o ciclo, ver o que que poderia ter sido feito diferente antes de de fato partir para uma intervenção, uma investigação. Acho que isso é muito importante, é? E para falar nessa questão, né, de Ah, quando a gente deve ajustar rota, quando a gente deve investigar. Isso acaba sendo muito individualizado, né, Carla?
Porque às vezes eu vejo que as pessoas esperam 11 listona padrão assim, tem paciente que às vezes até vai marcar um atendimento. Ah, pede para doutora me mandar os pedidos de exame. Não tem como a gente mandar, porque a gente não é suspeita, né, de do que exista ali realmente de alteração. E eu vejo que isso é um ponto importante para as pessoas se. Tranquilizarem também, porque às vezes tem muita comparação no sentido de assim, Ah, mas eu tenho uma amiga que fez esse exame aqui, por que que eu não fiz esse exame?
Então a gente entender que existem sim, investigações adicionais, mas que a gente precisa investigar se existir alguma suspeita de achar alguma coisa e de ter algum benefício de tratar, né? Não, perfeito, perfeito. E esse tem um respaldo também. Científico, né? Os exames que a gente pede eles não, não são por acaso.
Né, não existe ali uma lista de exames, 11 receita de bolo, né, que a gente vai aplicar para todas as pacientes, né? Ah, eu vou pedir para todo mundo ali, trombofilias é histeroscopia, vou pedir pesquisa de células, tal célula y então, assim, é importante a gente, a gente ter essa essa noção de que tudo que a gente vai investigando, tudo que a gente vai propondo, vem por trás um respaldo, né, científico e também uma individualização é caso a caso. É, até porque eu costumo falar muito isso em atendimento, porque assim eu entendo que possa aparecer um raciocínio lógico de falar assim não. Mas eu quero saber tudo. Eu quero saber tudo o que pode atrapalhar antes de fazer um tratamento.
E. E a gente entende esse raciocínio, mas ele acaba não fazendo tanto sentido, né? É até porque muitas dessas coisas que a gente pesquisa, a própria ciência ainda tem muito questionamento, AI, será que isso atrapalha mesmo ou não? Às vezes, se a gente faz, por exemplo, um exame de ressonância e acaba encontrando ali um achado super discreto, que não se não se manifestou em nenhum outro exame, será que aquilo realmente é algo que iria atrapalhar? Então assim, a gente entende que dá essa vontade, né, de de controlar tudo.
Às vezes a gente acaba vendo variáveis que nem atrapalhariam, né? E são os exames que a gente tem na reprodução humana. Eu vejo que muitas vezes eles são de certa forma invasivos, né, como você bem pontua, fazer uma histeroscopia é um exame simples, mas é invasivo. A gente vai passar uma câmera, vai fazer sedação, né? Muitas vezes esses exames também trazem um custo financeiro, porque alguns não dá para fazer pelo convênio ou demora muito tempo, paciente acaba fazendo particular, trazem 11 custo de tempo que a gente precisa colocar na conta, então se a gente falar.
Assim, Ah, não, primeiro a gente vai virar você do uma vez para só depois fazer um tratamento. A gente vai falar o quê? 3 meses? 6 meses para essa mulher passar pelo tratamento. E aí a gente troca o certo pelo duvidoso, né?
Encontra uma coisa que as vezes nem teria relação com nada, mas a gente perdeu 6 meses de uma reserva ovariana valiosíssima para fazer, por exemplo, né? Uma estimulação, uma transferência. É, então é por isso que a gente não faz esse esse pacotão para todo mundo, né? Mas dentro dos exames, assim, a gente até já fez alguns episódios atrás para falar um pouco sobre exames para falha de implantação, mas eu queria trazer um especificamente para a gente conversar um pouquinho. É que é a avaliação das trompas, né?
É um exame que a gente faz bastante no universo da da reprodução humana, até para entender o quanto dá para contar com as trompas, tratamento de baixo ou de alta complexidade. E que às vezes nem todo mundo sabe. Mas mesmo na fertilização, em muitos cenários, a trompa pode atrapalhar se ela tiver alguma alteração, né, Carla? Não perfeito, acho que a avaliação de de trompas uterinas é uma avaliação, uma investigação básica, né? Todo casal que tá tentando engravidar e aí já aí, né?
Há 1 ano, menores de 35 anos de idade ou há 6 meses, quem tem aí mais de 35 anos de idade pra esses perfis de pacientes que já estão tentando e não estão conseguindo? A avaliação da permeabilidade tubaria ela acaba sendo é um pré requisito aí, né? E nesse sentido, o que que a gente poderia eventualmente encontrar e que poderia nos atrapalhar, né? Primeiro, a obstrução tubaria acaba sendo uma indicação, né? Clássica, de alta complexidade, né, do tratamento de fertilização in vitro ou até mesmo, por exemplo, a dilatação das trompas, né, a hidrossalpinge.
A introssalpinge ela é uma condição que a gente vai ter ali, uma trompa inflamada, né, com acúmulo ali de líquido, com fatores pré inflamatórios e esse líquido, eventualmente ele pode refluir para a cavidade uterina e atrapalhar a implantação embrionária. Então, sim, eu acho que a avaliação de trompas é uma avaliação, que ela é um exame complementar essencial e que pode sim nos ajudar aí a identificar potenciais causas aí dessa, dessa implantação, não está acontecendo. É, é, acho ótimo, né, a gente pontuar sobre essa questão, porque às vezes, quando a pessoa fala em fazer fertilização, fala, mas não depende da trompa para que que você tá me fazendo esse exame agora, né? Esse exame é chato, para que que eu vou mexer com isso? É só para tranquilizar também, porque eu já recebi essa pergunta algumas vezes assim, Ah, todo mundo que vai fazer uma fertilização precisa fazer exame de trompas?
Não necessariamente, né? Mas se a gente tem alguma suspeita de que havia uma imagem que talvez seja uma dilatação, ou então a gente já tem uma quantidade maior de tentativas e não tem. E nenhuma outra suspeita. Será que vale a pena procurar? Mas ela acaba entrando assim no na lista, vamos dizer assim dos outros, de que a gente precisa ter uma certa cautela, né, para quando fazer?
E aí, dependendo do resultado, logicamente indicar algumas intervenções, né? Porque às vezes tem alguns achados, assim como dei o exemplo da ressonância na própria esterossal pingo esterossono, às vezes tem alguns achados que não teriam repercussão em outras, em outras avaliações, em outras tentativas. Então, individualizar. Como você colocou, né? Em que momento vale, se é que vale a pena realmente a gente fazer?
Para qual perfil de pacientes, né, Carla? Sim, eu concordo assim, eu acho que tem. Tem casais que de imediato, por exemplo, fator masculino grave, eles não vão precisar de uma avaliação de trompas, porque pelo fato de ter um fator masculino severo, a gente já vai ter uma indicação aí para fertilização in vitro. Mas sim, se durante o tratamento, né? Teve uma falha ali na nas transferências, teve uma identificação, por exemplo, de uma trompa um pouquinho mais suspeita, um achado no anexo que você tá na dúvida do que que pode ser reavaliar, revisitar essa, esse exame eu acho que vale a pena, sim.
Com certeza, e um ponto que eu vejo que é importante também da gente trazer, né? Dessas tentativas. É que muitas vezes elas permitem que a gente vá fazendo alguns ajustes de rota, né? Ajustes de protocolo, ajustes de como estimular o ovário, de como desencadear a ovulação, de como preparar o endométrio pra transferência, né? Porque eu gosto muito de falar para as pacientes de que assim, olha, no primeiro tratamento, a gente não sabe como o seu organismo vai resolver, vai responder.
A gente tem que tratar como a média dos organismos responde. Agora, a partir do momento que a gente já passou por esse primeiro tratamento e o seu organismo trouxe informações. Pra gente. A gente vai tentar tatear de acordo com aquilo que a gente teve de informação, né? Então é, às vezes, tentar de novo faz com que a gente tenha um pouco mais de informação do seu caso particular, pra que a gente possa ajustar estratégias que podem ajudar a mudar o desfecho, né, Carla?
Eu me lembrei de um caso muito interessante. Teve uma paciente que ela ela compareceu, Ela Foi pra pra pra uma consulta e ela falou que já tinha tentado fazer o tratamento em 2 lugares diferentes. Num primeiro lugar tinha dado tudo errado, aí foi pra um segundo lugar foi muito melhor, mas ainda assim não tinha dado certo. Aí compareceu pra consulta falando a, então não deu certo no primeiro, não deu certo no segundo, e aí, e aí é que eu acho que é, é. Para para quem está pegando, já um caso que já evoluiu é muito mais tranquilo, porque você já pegou o erro dos outros ou eventualmente os ajustes que foram feitos nos tratamentos e.
E aí fica muito mais. É muito mais fácil conhecer a paciente, saber como que ela responde, saber qual que, qual que foi o perfil, o que que deu certo, o que que não deu tanto certo Pra Ela, né? Então muitas vezes, né? Eu vejo que às vezes Oo paciente, ele vai mudando de clínica, vai mudando de médico, achando que tá dando errado. Né, o tratamento dele, na verdade, não.
Na verdade, aqui, à medida que a gente vai é colocando as tecnologias, colocando os tratamentos na a prova, né, do organismo do paciente, a gente vai vendo aquilo que funciona mais aquilo que não funciona, como que responde melhor e vai realmente aprimorando aquela aqueles tratamentos, né? Então acho que é bem isso. Acho que numa primeira tentativa, muitas vezes a gente não, não, não conhece, não sabe como que vai responder, a gente vai mesmo pela média. Pra pra aquilo que dá certo pra maioria dos casos, né? Então assim é se apavorar numa primeira tentativa, já sai trocando, já sai mudando.
AI não deu certo aqui, eu quero tentar em outro lugar, com outro profissional. É, por vezes parece que funciona, mas na verdade também faz parte do processo esse essas novas tentativas, né? Essas, essas novas individualizações. Acho que que é mais ou menos por aí, fica muito mais fácil a gente ver retrospectivamente. E aí acho que às vezes as pessoas não tem dimensão do quanto essas informações são importantes para nós, né?
Às vezes a gente atende, por exemplo, esse caso que você deu exemplo, eu não sei se ela te trouxe AAAO histórico dos tratamentos anteriores. Ah, que bom. Que bom. Porque você vai identificando certinho na sequência, muito. Chata com isso, você falou, mas você não tem um relatório pra gente ver o que que você usou de remédio, quanto tempo foi de estimulação, qual que foi a sua taxa de óvulos maduros.
Então, às vezes a pessoa se apega bem o que você falou. Assim, se apega de que, Ah, eu fiz no lugar x não deu certo, fiz no y, não deu certo, então eu vou pro z. Ah, mas o que que OX fez, o que que OY fez, o que que a gente pode repetir que pra você foi bom? E o que que a gente pode tentar mudar que pra você não foi tão bom, né? É, você falou de um caso, eu lembrei de um exemplo também, porque assim, uma das coisas, né, que a gente pode ter que dificultam um tratamento é a ovulação precoce, né?
Então. Só pra contextualizar quem está escutando a gente. Quando a gente está estimulando pra fertilização, a gente precisa que os folículos cresçam até um determinado tamanho pra que a gente possa fazer a coleta dos óvulos. E a gente tem meio que 11. Timing perfeito pra isso, né?
Porque eles precisam estar maduros o máximo possível e eles não podem ter ovulados, senão eles foram embora. A gente não consegue buscar e a gente vai meio que na média pra maioria das pacientes, de quando a gente espera que eles vão estar maduros, mas em uma porcentagem pequena de casos. Acaba que o que funciona para média não funciona para aquelas pacientes. Elas acabam ovulando antes da hora, né? É, e isso limita a quantidade de óvulos que a gente consegue.
Tem pacientes que a gente não consegue óvulo nenhum se ela ovula, né? Ou uma quantidade muito menor. E aí, nesse caso, foi isso que aconteceu. Assim, ela tinha respondido super bem a estimulação. Mas quando a gente foi pra coleta de óvulos, ela já tinha ovulado, a gente conseguiu alguns, mas bem menos do que era o previsto por conta, né?
Da ovulação, é e aí a gente conseguiu formar os embriões e a gente IA seguir pra transferência. E antes da gente seguir pra transferência, eles perguntaram, mas por que que a gente não fez a coleta antes, se a gente tá fazendo um tratamento desse? Se a gente sabia que ela IA ovular, por que que a gente não fez de madrugada? Por que que vocês não vieram à noite pra fazer? Eu falei, olha, se eu se eu soubesse que ela IA ovular, você pode ter certeza que 3 horas da manhã eu tava aqui.
Para a gente fazer essa função, só que a gente não sabe, né? A gente tem como interpretar a média ali, a gente fez AA injeção, precisa esperar ali as 3436 horas para fazer a função para ela, esse tamanho de folículos e esse intervalo não foi favorável, então assim, num próximo, se ela precisar, a gente vai ajustar, né? Mas é porque realmente não tinha como a gente prever, né? Nesse caso especificamente, ela engravidou dessa transferência, não precisou de uma outra estimulação, então que isso sirva também além dessa questão. De que a gente vai tateando tudo para que a gente não perca as esperanças, porque às vezes a gente tem alguns deslizes no tratamento, mas isso não significa o fim, né?
Então, assim, ela ovulou, mas ela conseguiu formar o embrião que nasceu. A gente já teve paciente que ovulou, a gente não conseguiu o óvulo nenhum e ela engravidou espontâneo. Eu sempre brinco que assim a gente não usou o óvulo, mas Ela Foi lá e usou para ela, que era o que precisava mesmo. Então assim, às vezes paciente que vai fazer formar embriãozinho forma embriãozinho de morfologia inferior e às vezes esses são os embriãozinhos que conseguem implantar ou faz análise genética, tem aquele tanto de embrião e tem poucos embriões exploides de carga genética normal, mas é aquele que precisa para nascer. Então que a gente não não leve também esses esses impasses como 11 obstáculo final, né?
Lógico, a gente quer o máximo possível, mas a gente precisa de um óvulo e um bom embriãozinho, né? Para chegar naquele. Que vai ser o bebê, né, Carla? Exato, eu acho que a gente tem que olhar Oo final, né, o percurso, às vezes a gente tem curvas, né, a gente às vezes tem tem algumas pedras no caminho, mas sem dúvida a gente tem que olhar o objetivo final, né? Às vezes a gente vai ter, por exemplo, uma coleta de óvulos maravilhosa nossa, coletou vários óvulos e formou eventualmente 12 embriões, né?
E tá tudo bem, o que a gente quer que ele implante, eu quero ter um bebê, então assim. É, a gente tem que ter essa leveza, né, ao encarar essa, esse percurso, porque sim, né, nem todas as pacientes vão responder igual, nem todas as pacientes vão vão gabaritar ali todas as etapas perfeitamente, né? Cada organismo é de um jeito, né? O que a gente tem que mentalizar e focar no futuro é realmente o beber no colo, né? E entender que as etapas que precedem isso fazem parte do processo.
E não o são Ponto Final. Uma sentença, né? Ah, eu tenho uma ovulação precoce, então isso é uma sentença de que eu não vou conseguir nunca. Ah, eu tenho uma baixa reserva, então estou sentenciada que eu não vou ser mãe, né? Eu acho que que é mais ou menos isso, sabe?
É cuidar muito dos rótulos, né? Às vezes eu vejo muito isso. As pacientes marcam a consulta e elas já colocam assim, porque eu tenho baixa reserva, porque eu tenho endometriose, porque eu tenho meu. Tudo bem, mas isso não define a logística, a jornada do seu tratamento, né? A gente consegue na muitas vezes buscar estratégias para contornar isso, né?
Então a gente não se deixar rotular. Achei perfeito a sua colocação. E, bom, quero agradecer que a gente poderia ficar aqui um tempão falando sobre estratégias, né? Mas espero que esse nosso papo tenha servido para trazer um pouco mais de ânimo, de confiança para quem está colocando aí o bebê nos planos de 2026. Queria te agradecer imensamente por tirar um tempinho da da correria que eu sei que você está sendo minha mão, meu braço.
Meu tudo também. Ajudando. Então eu sei o quanto é difícil, né? O quanto é puxado para poder sair, para vir aqui um pouquinho. Então muito obrigada pela sua disponibilição.
Pelas palavras, pelo acolhimento e queria te deixar um espaço para deixar uma mensagem final para as nossas tentantes que estão escutando. Nossa, que responsabilidade deixar uma mensagem final. Mas nossa, é, eu acho que bom, refletindo aí ao longo da da dos casos que a gente vê as pacientes que a gente atende, né? É minha mensagem final é que muitas vezes a gente não controla tudo, sabe? E muitas vezes a gente fica numa ansiedade, né?
De de de querer AO resultado para ontem, querer realizar aquele objetivo para ontem. E a gente esquece que é aquilo que tá para vir, vai vir na hora certa. Que que for para acontecer, vai acontecer, né? Seja aí é gabaritando todas as etapas aí do tratamento ou tendo desafios no meio do caminho. Sem sombra de dúvidas se tá na se tá na num plano aí superior, né?
Tudo vai dar certo, tudo vai correr bem. Então aí tenho muito calma, tenho muita resiliência. 2026 é tá só começando. Tenho certeza que que tudo que a gente quiser de bom vai acontecer e desejo aí para todos nós um bom ano. Ah, se Deus quiser, lindas palavras, você falou dessa questão do que tiver que acontecer.
Tive uma paciente esses dias que conversando por vídeo, ela falou assim, ela já tentaram algumas vezes, não deu certo né? Ela falou, Ah, a gente segue tentando, a gente vai entender 1 hora o que que a natureza espera de nós para vir esse bebê, e é bem isso, né? Então vamos dar dar Tempo Ao Tempo e acreditar, né, que tudo tem o tempo certo né, de que a gente não não entende aqui na Terra, mas tudo tem seu seu melhor momento para acontecer, né? Obrigada mais uma vez pela sua. Participação pelas palavras.
Obrigada vocês por começarem o ano com a gente e a gente se vê nos próximos episódios. Obrigada por assistir ao papo de tentante. Aproveite e acompanhe o CEFERPno Instagram e no YouTube pra ficar por dentro das novidades. Te vejo no próximo episódio até lá.
