No Fala, Tentante!, recebemos uma ex-tentante que hoje vive a maternidade com sua parceira Tainá para falar sobre união, parceria e transformação durante a jornada da fertilidade. Confira essa conversa sensível sobre como o tratamento pode aproximar o casal, ensinar sobre paciência, confiança no processo e mostrar que cada caminho até o sonho de formar uma família também pode ser vivido com leveza, cuidado e muito amor.
Transcrição do episódio
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Olá, aqui é a doutora Camilla Vidal, médica especialista em reprodução humana do CEFERP. Seja bem-vindo ao podcast papo de tentante, vamos ao episódio de hoje. Oi pessoal, sejam bem vindos ao papo de tentante. E hoje para o fala tentante, estou recebendo uma extentante porque agora, mamãe? E a gente vai falar um pouquinho sobre maternidade, transformações no relacionamento do tratamento.
Então vou fazer algumas perguntas. Bru, queria te agradecer muito pela sua participação e vou. Começar aqui com uma pergunta que é bem comum, né? Quando a gente fala em tratamentos em maternidade, quem trouxe o primeiro assunto maternidade para relação? Eu, eu que trouxe.
E foi tranquilo, mais ou menos. Não foi nada tranquilo? Não foi nada tranquilo. Recebi um nome bem grandão. Mas teve lá a resiliência de continuar, conversar, amadurecer a ideia, né?
Foi. Eu falava um ditado, hoje eu penso, falava que errado. Mas eu falava assim, o sonho de ser mãe veio antes do amor que eu sinto por você. Então, se você não quiser. Ah, mas muitas vezes eu já ouvi vários casais que falaram isso, do tipo, olha, eu sempre soube que eu quero ser vai ser com você, vai ser sem você.
Era isso. Eu não falava, é. Deu um jeito. Ela escolheu ser com ela, graças a Deus. Maravilhoso e hoje tenho essa família linda.
E uma palavra nossa, essa é difícil, uma palavra que define vocês nessa jornada. Acredito que a união. Nossa, é muito boa. Acredito que a união a gente sempre falava, principalmente a thainácia. Falava assim, AI, a gente é casada ou tem namorados, mas a gente não é amiga, a gente não sou casado e tal.
A gente é muito diferente. Acho que a gente percebeu com o processo. Da de tentar mesmo da fertilização foi que a gente. A gente é muito amiga, mas somos muito amigas. A gente se dá muito bem como amigas, que legal esse processo.
A gente mora em Matão, então de ir para Ribeirão de carro, às vezes bastante, e conversar no carro, escutar uma música. A gente se conheceu mais nesse processo, a gente conheceu particularidades ali, coisas. Que a gente não sabia que tinha. A gente se tornou amigas mesmo de uma ajudar a outra. Assim, Eu Acredito que a união que a gente se uniu de um jeito que a gente não era.
E tá vendo como usar de certa forma assim o tratamento AA nosso favor, né? Assim, já vai ter que fazer ultrassom, já vai ter que fazer um Monte de coisa, já vai ter que ficar ainda. Então pra que ser um momento pesado, né? Vamos usar esse momento pra se aproximar, que foi o que vocês fizeram, né? Sim, aproveitar cada.
A gente tentou aproveitar, a gente aproveitou cada, cada coisinha que fazia, o carro, a viagem do carro e até lá na CEFERP ali esperando, depois a gente saía, a gente comia alguma coisa ali no shopping, a gente vinha conversando, a gente assim se uniu bastante, a gente criou assim, eu tenho a gente não foi não, foi só o processo de tentar ter um filho, teve também a gente, a gente passando por isso de uma forma leve, a gente foi, foi bem gostoso, foi bem gostoso, apesar de tudo assim. Os prós e os contras teve muito mais prós e muito mais. Lado bom. E tudo isso não só lógico, pelo fato de eu ter dado certo, ter uma vida aí com a gente, mas também pelo fato do do nosso casamento. Assim, a gente aproveitou bastante essa fase também pra gente mesmo como casal.
Nossa, que legal o tratamento. Não precisa ser esse fardo, né? Que as pessoas colocam. Não é bom que seja mesmo. Né, se você levar, se você tentar, tentar, né?
Às vezes não dá levar ele o mais leve possível. Ele vai trazer muitos benefícios. Pro como como casal, pra como você como pessoa. EE pro casal também. É lógico, a gente sabe, momentos difíceis vão existir, isso não é possível.
Sempre vai ter dia que a gente vai estar nossa AI então andar de novo de carro pra ir lá? Então isso acontece com todo mundo. Mas a gente tentar não focar mais nesse nesses momentos, né? Sim, não focar nesses momentos. Eu estava em casa, é?
E aí eu estava escutando as musiquinhas. Eu falei assim, nossa, que gostoso. Vai voltar lá e vai fazer? Não sei. A gente lembra de como era assim.
Parece tão longe. Parece tão longe, mas vi tem 2 meses. E meio 2 meses e era muito gostoso. Foi uma fase que a gente passou assim, que fortaleceu muita gente. Assim uhum fortaleceu a gente muito como casal.
Que bom. E qual foi a maior descoberta sobre a parceira nesse processo? Nossa, foi uma desculpa enorme. Eu descobri uma Tainá que eu sempre soube que que existia, só que não, não, não aparecia. Era mais uma menina, a Tainá.
Eu via a Tainá com mais uma menina ali, e a Tainá hoje é 11, esposa, uma mãe, uma amiga, uma companheira. Excelente assim, não? Eu descobri nela uma pessoa maravilhosa, uma pessoa assim, super forte, ela, nossa maravilhosa. E ela consegue fazer 1000 coisas ao mesmo tempo e ainda no final consegue ser amiga. Eu falo, eu descobri ela.
A maior descoberta, né? A maior descoberta acho que é força. Descobri ela muito forte. Ela achava que ela não era capaz. Eu vejo ela às vezes até mais capaz do que eu em alguns.
Momentos quando ela aflorou, né? Com tudo isso, né? Se permitiu, né? Viver tudo. Isso sim é esse ponto mesmo, se se permitir você virar aquela chavinha e se permitir.
Muito bom. E essa aqui, de certa forma, você já respondeu, mas planejar juntas aproximou vocês. Sim. Sim, com certeza. E quem de vocês costuma ser a que mais organiza, quem costuma ser a que mais tenta trazer calma pra situação?
Eu acho que não tem como responder uma pessoa só, porque oscila muito. Às vezes é, eu tenho. Eu tentei me manter mais firme durante todo o processo. Então ele. Ah, não, eu consigo, eu consigo.
Só que 1 hora a gente cai, a gente não consegue ser firme o tempo todo. E aí quando eu cai, no exato momento que eu, ela já me levantou, então não OAA resposta, na verdade não é quem é você dividir isso não pode ter um quem se tiver um, quem não vai dar certo. Eu não lembro agora certinho como era a ideia, mas eu vi 11 vídeo da da abren le Brown falando de relacionamento, que ela falou assim, Ah. Nunca as 2 pessoas vão estar 100% no relacionamento. A gente tem que ter os 100%, mas tem 1 dia que eu vou conseguir dar 20 e meu parceiro, minha parceira, vai ter que dar aos 80 e no outro dia o inverso.
E a gente vai se construindo assim dia após dia, né? E é bem isso, né? Tem que ser assim, nunca, nunca pode ter uma pessoa só. É lógico. Tem aquela que é geralmente é aquela que no caso sou eu que tento mais assim é me manter firme, dar conta e falar que não, que vai dar certo em todos os casos da nossa vida, mas.
Ela, se não tiver a outra pessoa pra levantar a gente, quando a gente quando a gente tá mais assim baixinho, não? Dá certo e complete construir nossa maternidade nos ensinou que. Que nada acontece no tempo que a gente quer. Isso é verdade? Desde antes, desde as tentativas para engravidar.
Eu falo isso que eu sou uma pessoa muito controladora. Eu gosto de ter tudo ali, né? Do jeito. Ah, eu fiz a rotina assim, assim, assim, e isso me ajudou bastante. Tipo assim, não, você não está no controle de nada, não está no controle de nada.
E, às vezes, o próprio tratamento lembra gente que a gente não está no controle da situação, né? Não é o tratamento, lembra? Total. A gente aprende a ser muito paciente. A gente aprende a aprende a trabalhar com a paciência e confiar na gente.
Confiar no processo, confiar nos médicos que estão guiando a gente, que às vezes a gente duvida de tudo. A gente fala assim, não, não é possível não, eles não sabem do que eles não, não é assim que faz, não é desse jeito. Mas a gente tem que confiar, a gente tem que ter paciência, a gente tem que esperar, respeitar os processos. Se a gente respeitar os processos, respeitar as pausas, vai ser tudo muito mais leve pra. Gente maravilhosa, e o que vocês aprenderam sobre parceria nessa caminhada?
O que a gente aprendeu? A gente aprendeu que pra existir a parceria é a gente tem que ter uma manutenção no relacionamento. A gente não pode deixar o relacionamento. Pra parceria existir, a gente tem que falar o que a gente pensa. A gente não pode seguir sozinho nisso igual aí, tá?
Tá sendo muito difícil, por exemplo. Fazendo muito difícil para mim que eu tô fazendo a estimulação e tá cansativo e não tô conseguindo. Divide com o outro, fala o seu medo, que você tem medo, não guarda tudo para você, que você vai chegar 1 hora que você vai só desabar e o outro nem sabe o que tá acontecendo. Conversa tenta levar, é como vocês, vocês 2 estão passando por esse processo, vocês 2 estão. Dividam as alegrias, mas também dividam as dores.
É, tem que é. Tem que ser desse jeito. Se você tentar levar sozinho, AI eu consigo. Eu não vou falar para outra pessoa que seja uma coisa boba. Fale tudo, converse sobre tudo, para.
Vocês estarem na mesma página? Na mesma sintonia, na mesma página? Sim, com certeza. E houve alguma conversa de vocês que mudou a forma de vocês enxergarem a família? Mudou a forma de enxergar a família?
Teve uma conversa que é tive o cartanaca, a gente começou a se ver como família. Eu acho que quando começou nós 2, não sei se a gente meio que isso assim de Ah, é só as 2. Então não, só tem família se for o filho, só tem família se é um filho, se for vocês 2, não tem família não, não é assim. A gente já era uma família, só que a gente não se via como família e esse processo. Da da fertilização, a gente começa a idealizar um futuro, idealizar ali, então a gente começa a se ver mais como família, uma ajudando a outra.
A gente vai, vai criando e a gente teve uma conversa, quando a gente conversou, a gente indo pra CEFERP, a gente planejou como seria tal tudo. E a gente, a gente mudou o jeito de falar, a gente viu assim, nossa, mudou o jeito de falar, a gente tá. A gente fez um plano assim de uma família. A gente tá, não era mais a Bruna e a Tainá, era a Bruna, a Tainá como casal. O processo da fertilização ajudou a gente bastante a se ver como casal.
Acredito que ele foi a virada de chave para a gente se ver como? Realmente como família a gente. Era uma família. Exatamente, e um momento marcante da jornada até aqui. Ah, é um momento marcante, com certeza foi o dia da.
O dia da consulta o dia da consulta online, o doutor Jorge Barreto, foi que eu achava na minha cabeça que a Tainá não IA muito, não estava na fase e tal tudo, e ela se permitiu, sei, ela participou daquele momento e fez perguntas. EE quis estar junto, quis perguntar e eu lembro dela perguntando, AI, tem algum suplemento? Tem o orfolato e tal tudo? E ela já saiu dali daquele dia e já foi. AI tem que comprar, lembra de comprar, lembra de fazer os exames?
E esse dia mudou. Virou assim, começou novo, novo capítulo pra gente. Aham e olha que interessante. Eu tinha certeza que você IA falar 11 melhor um que marcou o positivo, o dia do ultrassom, mas na verdade foi um momento que marcou lá de. Foi um momento que marcou lá de trás, porque os outros só foram.
Lógico, Ah, eu iria tentar de todo jeito, só que a história teria sido outra, totalmente diferente. A história só foi assim, então é lógico, tem altos e baixos, AI a gente vê muito, AI tudo é muito perfeito. A gente tava falando de jornada, maternidade é muito perfeita, não, não é só que eu vendo tudo foi tudo tão bonito, foi tudo tão e só foi assim por conta desse dia tudo, tudo outro, só foi todas as outras. Até o nascimento dele, até ela estar ali comigo No No momento criança, foi por causa desse dia. Esse dia foi assim, aquela chavinha, aquela sementinha que colocou assim.
Germinou nela também, germinou nela. E Ah, essa resposta eu já sei, mas vou perguntar, o amor ganhou um novo significado depois dessa experiência? Com certeza, com certeza. É, não tem como, né? Transformador em todos os sentidos, né, bru?
É, a gente fala que o amor tem muitas, muitos lados, né? O amor é é muito grande. A gente descobriu um amor ali que a gente não nem sabia que a gente sentiu uma pela outra, um cuidado também. E pra gente encerrar com chave de ouro, então uma palavra pra definir a família que vocês estão construindo. A gente está construindo uma família de verdade, porque é uma família a gente somos 2 mulheres que a gente passou pelos processos de fertilização, que a gente teve uma vizinha aqui com a gente.
E a gente está construindo uma família que não é menos que nenhuma outra heterocessual, que é uma família de verdade. A gente passou por tudo isso junta. A gente passou por todas essas fases juntas, tantos medos. É que ainda vão vir pelo fato de sermos 2 mulheres que a gente tá com com filho no meio desse mundo tão preconceituoso, tão difícil, no meio dessa, dessa loucura que a gente tá vivendo. E é uma família que eu estou tentando, que a gente tá tentando construir, que traz a nossa essência desde lá do começo.
Por isso que eu tinha falado até daquele momento, que traz o nosso amor desde lá do começo que sem aquilo, que sem Eu e Ela. Não existia. Essa família que tem vem agora com muita verdade, com muita autenticidade. Em tudo que a gente tá fazendo. A gente doa 100%.
Isso é muito nítido, viu? Na família de vocês no relacionamento. Parabéns, obrigada mais uma vez obrigada pela participação, por levar tanto amor para as tentantes futuras mamães que estão assistindo a gente que a gente possa se ver mais vezes com uma vizinha já cada vez maior. Ah, sim, com. Certeza, é isso que a gente espera também.
Parabéns, obrigada, viu? Obrigada. Obrigada por assistir ao papo de tentante. Aproveite e acompanhe o CEFERPno Instagram e no YouTube para ficar por dentro das novidades. Te vejo no próximo episódio até lá.
