Neste episódio do Papo de Tentante, Dra. Camilla Vidal recebe Marina e Gabriela para uma conversa emocionante sobre amor, coragem e as diferentes formas de construir uma família.
Elas compartilham como nasceu o desejo pela maternidade, os receios antes da primeira consulta, a dor de uma tentativa que não evoluiu e a força que encontraram para recomeçar. Também falam sobre a experiência da mãe que não gestou, o apoio da família e a emoção da chegada de Clarice.
Um relato verdadeiro e acolhedor sobre Fertilização in vitro, maternidade em um casal de duas mulheres e a certeza de que cada família possui uma história única.
Assista ao episódio completo e permita-se conhecer uma jornada marcada por desafios, descobertas e muito amor.
Transcrição do episódio
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Olá, aqui é a doutora Camilla Vidal, médico especialista em reprodução humana do CEFERP. Seja bem-vindo ao podcast papo de tentante, vamos ao episódio de hoje. Oi, pessoal, sejam bem vindos ao papo de tentante. Hoje a gente vai falar com um casal muito maravilhoso, entender um pouco sobre a jornada do tratamento, sobre a família, sobre as conversas com a filha, com a família, né? Sobre todas as.
As dores e as delícias do tratamento da maternidade. Então, em primeiro lugar, queria agradecer imensamente a presença de vocês. Sei que a logística não é fácil, um criança pequena, então só de tirar um tempinho para vocês estarem aqui, agradeço muito. Tenho certeza que vai ser muito proveitoso para quem tá pensando em entrar nesse caminho ou quem já tá nessa caminhada, deixo vocês à vontade para vocês se apresentarem, para gente conversar. A gente que agradece AO convite de estar aqui, a gente.
Gosta muito de vocês? Então é parte da nossa história, né? Não tem como é não estar aqui aceitando esse convite, porque realmente é muito importante para nós. Realmente a logística com criança não é fácil, apesar dela estar com 4 anos já, né? Então o tempo voa.
Nem parece que faz 4 anos que a gente estava passando por todo esse processo, né? Mas estou muito feliz. Então eu sou a Marina, eu sou assistente social, tenho 33 anos. Estamos juntas já há quase 18, né? Quase 18 anos já.
Nosso relacionamento está atingindo a maioridade e uma das mães da Clarice, de 4 anos. Aí eu que queria agradecer também. É uma oportunidade muito legal, né? Compartilhar principalmente um casal de 2 mulheres, que é uma realidade diferente. Mas é uma realidade, né?
E a gente precisa também é expressar essa forma de de família também que a gente acaba vivendo. Meu nome é Gabriela, eu sou advogada, eu tenho 3132. Eu já nem lembro, né? Junto. E ela olhou pra Marina.
Vai fazer daqui alguns? Dias vai fazer daqui alguns dias e mais uma vez é um prazer. Prazer é meu de receber vocês. E recentemente eu gravei com 11 casal também, a Bruna e a Tainá. A gente estava falando um pouquinho sobre o tratamento e tudo, né?
É? E inclusive ela falou, nossa, muita gente hoje me procura porque fala que nem sabia que era possível e não sabe o que fazer, quem procurar e tudo. Então eu queria saber um pouquinho da história de vocês assim, quando vocês começaram há 18 anos, há 18 anos vocês nem pensavam em filho, né? Mas assim, quando começou a surgir assim esse pensamento. É, vocês já sabiam da possibilidade?
Vocês já pensavam em 1 dia procurar ou não? Era uma coisa que passaria pela cabeça de vocês. Você sabe que eu recebo muito essa pergunta de outras outros casais também interessados em fazer o tratamento, porque acompanham a gente nas redes sociais, né? Vem a Clarice, sempre vem uma pergunta, aonde que vocês fizeram o tratamento, como é que foi? Conta um pouquinho.
É porque realmente tem muito conhecimento hoje em dia, mas as pessoas não sentem ainda tanta segurança, né? Por onde que eu vou? É um tratamento muito caro. Ainda tem muitos mitos, muitos assim, a falta do caminho, né? Mas acho que assim, há 18 anos atrás eu não pensava em ter filhos, mas eu sempre tive a certeza que eu queria ser mãe, então é uma coisa que tava dentro do meu coração assim, eu sabia que um dia eu IA ser mãe, mas eu não sabia com quem, como quando.
Eu não sabia das formas de reprodução ainda, né? Então tava ali com meus 15 anos, mas eu queria ser mãe. Só que a gente demorou bastante, né, para falar sobre isso. É demorou e é uma. Uma realidade bem diferente, a mim, da Marina, inclusive, é interessante porque isso que é esse sentimento que ela tem, né?
Essa vontade que desde os 15 anos ela tinha, não era uma realidade minha. Eu não sentia exatamente essa. Essa vontade não é algo tão natural. Esse sentimento de ser mãe. Tanto que a gente fala, né?
Faz até um paralelo com os homens que vivem essa situação, que não fazem a gestação, né? Das mulheres é de casais, de 2 mulheres que também não gestam. Esse sentimento da maternidade que às vezes surge é durante ou depois do nascimento, né? Então, essa realidade da maternidade, ela Ela Foi surgindo, obviamente um pouco contaminada pela vontade muito exuberante da Marina, mas foi surgindo ao longo da da gestação. Mesmo, né?
Sendo construído, e isso é é interessante porque a gente vê essa realidade com os casais héteros, por exemplo. Né que muitas vezes AA mulher que está gestando ela fica incomodada que o parceiro não interage ou que, enfim, parece que não está ali, né? E na verdade, às vezes é uma construção que vai surgindo depois, né, a partir, obviamente, da sua disponibilidade, do seu interesse, né? Isso é uma realidade que a gente vivenciou. Né, e a gente começou a pensar efetivamente nisso.
Próximo ali da pandemia. Então 2020 21, que aí vocês estavam com os atendimentos online, né? Já estava nesse começando, a gente falou, bom, agora acho que agora é uma oportunidade, porque aí você tem um receio de ir atrás também, né, de de começar, de procurar, de se envolver nesse universo. E na época a minha irmã trabalhava na cefer, né? E aí ela falou, por que que você não faz uma consulta, marca uma consulta online?
Vem entender o que que é a fib, o que que é inseminação, entender as diferenças, entender como funciona. Questão financeira. Tudo para vocês se programarem de fato, né? Uhum. E aí comecei a entrar na mente aqui do lado, vamos fazer uma consulta, né?
Pelo menos a consulta, porque eu acho que. Essa falta do do desejo também travava um pouco, né? Então assim, bom, eu até quero ser mãe, mas assim não tanto quanto você, então vamos dar uma seguradinha, vamos esperar mais um pouquinho. E esse tempo não chegava, não chegava, e eu tava começando a já ficar angustiada, e aí a gente se casou em 2020, né, em outubro de 2020, e aí Na Na volta do nosso casamento assim, eu falei Pra Ela, vamos marcar uma consulta ano que vem, no começo do ano, e aí assim a gente fez, né? Em março de 2021 a gente marcou.
A primeira consulta, começamos todo o processo para já fazer a primeira transferência no mês seguinte. É que parece uma coisa muito grande, né? Eu imagino assim, marcar uma consulta é um passo muito grande, né? Você se abrir pra pra esse mundo e isso dá muito medo, né? Assim de de como vai ser e os resultados e os custos e as chances de sucesso, né?
Então dá 11 paralisada, né? Eu imagino. E você está concretizando aquilo, né? Então eu acho que todos os seus medos, você está se colocando mais próximo daquilo. Então, tanto para o meu desejo, para Felicidade do meu desejo, quanto para para os receios que ela tinha, né?
E para uma possível frustração, né, que foi o que aconteceu, inclusive, né? A gente teve a nossa primeira transferência em abril de 2021. Chegamos a ter um positivo, mas aí ele foi ficando fraquinho, fraquinho, fraquinho e infelizmente não vingou, né? Então foi muito difícil, porque quando isso aconteceu, é quando a gente viu que realmente era um negativo. Isso foi muito próximo do meu aniversário, nossa, e aí foi assim, um baque para mim, porque acho que se tivesse sido negativo logo de cara, teria sido triste, porém não tão frustrante quanto ter pego um teste positivo assim.
Exatamente aquilo para mim foi terrível e aí eu passei mal também, tive uma. A educação alimentar junto. Eu sei que meu corpo estava assim, pondo para fora. E aí foi um novo caminhar depois disso, né? Isso foi no fim de maio.
A gente foi tentar de novo em julho, então esperamos ali mais um ciclo. Mas foi legal essa, essa da frustração, né? A de fato a gente tomar uma decisão de tentar novamente, que eu acho que é é deve ser um momento para muitos casais. Meio complexo, né? Porque é uma frustração muito grande, não só financeiramente, mas assim, psicologicamente falando.
EE, naquele momento eu lembro da gente conversando com o doutor Anderson, né? Porque a gente achou que o corpo teria que passar por um período muito longo para se. Recuperar. Exatamente para só depois fazer uma transferência. E aí ele foi explicando, falando, né?
Que assim teria a primeira menstruação e já poderia. Realizar a transferência? E aí a gente ficou, voltou a ficar animada. Né? É, eu lembro até dele falar, olha, se você quiser no próximo mês já dá, mas vamos esperar mais 1 mês, porque como eu tinha tido essa intoxicação, né?
Então assim, eu tava fragilizada, vamos esperar um mês. Mas ele falou, se você quiser no próximo mês, tá? Então a gente tem muito desconhecimento ainda sobre esse tema e quando você vive esse processo, você percebe que pode acontecer de ser uma coisa muito rápida, é você começar, pensei antes dado certo, no primeiro é positivo. Ativo ali a gente começou em março com a consulta, abriu com a transferência. Exato.
Bom, 23 meses. E mas também vocês chegaram decididas, né? Que legal. Também já chegou também. Vocês foram para consulta já assim, agora é para fazer, né?
Então mês que vem já vamos fazer. Exato. E até para a transferência. Assim, não para a primeira, mas eu digo até para a segunda, porque o baque do desse positivo, que não evoluiu, realmente é muito grande. É.
E às vezes tem casais que se fecham um pouco, né? De dar, falar, não. Deixa eu dar uns meses, deixa eu pensar em outra coisa. E vocês se permitiram curar. Aí já falou, não vamos voltar, já vamos transferir, porque faz parte.
Vocês imaginavam como parte? Lógico que o nosso lado racional entende que faz parte do processo, mas ninguém vive Oo tratamento esperando passar por isso, né? Então assim vocês estavam, vocês entendem que vocês estavam um pouco mais preparadas para esse, não ou não? Eu acho que eu acho que não. Mas eu acho que a idade talvez tenha ajudado assim, porque a gente não tinha uma pressão uhum tão grande.
Sabe tempo, né, de. Tempo, eu acho. Nem só a idade. Eu acho que eu tinha todos os fatores para dar certo. Isso me dava muita segurança.
Uhum. Então assim, tinha dado errado. Porque tinha dado errado, não tinha nada que me levasse a crer que eu IA ter outro problema. Então era uma gravidez exectópica ou era algum outro problema biológico, mesmo que tivesse ali no meu corpo, que eu tivesse. Que fazer uma intervenção?
Não tinha nada, tava tudo perfeito, então assim, não tinha porque eu ter medo de uma nova tentativa. Acho que me convenci muito disso. Eu quero muito, não tem nenhum empecilho. Vai dar certo e vamos embora. Mas nesse sentido assim, por exemplo, vocês não tem diagnóstico de infertilidade, né?
Então assim, esse é um ponto que eu vejo que joga nos 2 cenários, porque assim ajuda no sentido igual. Você falou assim, não, eu tava convencida que IA dar certo, eu não tinha nada. Mas também quando não dá, a gente fala, mas porque eu tenho tudo normal? O que aconteceu que esse embrião não implantou até o final, né? Então, por outro lado, também eu vejo que para alguns casais é um pouco mais difícil essa aceitação, porque se você passa por um tratamento óleo, eu tenho uma endometriose severa, óleo eu tenho, né?
Ali um vao policístico, parece que a pessoa fala não, eu tenho ali um fator que eu estou tentando contornar. Agora, quando vocês não tem fator nenhum, fala, tá, mas então o que aconteceu é. Difícil parte da frustração mesmo, mas eu acho que a gente tem que se preparar para todos os cenários possíveis e eu lembro muito. De quando a gente IA para as consultas e o doutor Anderson trazia muito para gente, os dados, as estatísticas. Olha, num casal, homem e mulher, pra uma gestação natural, a probabilidade de engravidar é muito baixa.
Eu nunca tinha ouvido falar disso. A gente ficou assustadíssima, é? Quando ele falou isso pra nós, a gente a. Gente vê tanta gente engravidando assim, né? As engravida tem um, depois logo já engravida de outro.
Você fala, gente, parece que é tão comum. E quando você vê os dados, quando alguém te mostra, então, assim, entender esses dados, entender essas probabilidades, pensar racional. E não só emocionalmente. Mesmo que na hora você não tenha como controlar os sentimentos, o inconsciente trabalha a seu favor, eu acho. Então você traz esses dados, você consegue trazer esse cenário de alguma certa forma, vai te dar um pouco mais de paz no coração para você escolher o caminho de seguir.
Mas acho que cada um vai ter seu tempo também, né? Exato, é. Cada um tem uma história, né? Acho que falou isso. Eu ouvi isso esses dias e é real.
Que a pessoa se conforta muito quando alguma coisa der errado, entendendo que cada um tem uma história literalmente, né? É seja. E a perspectiva é muito diferente, né? Principalmente para quem não gesta. Eu já já tinha essa perspectiva, nossa, É Ela.
Como a gente tem bastante tempo, não tem uma pressão, então tá tudo bem, não dá certo, sabe? Tipo entendendo que de fato não é algo comum. É algo que acontece no momento que tem que acontecer. É, eu até IA te perguntar sobre isso. Gabi, um pouquinho mais para frente é essa questão de viver AA gestação de vocês, mas não gestando, né?
Você como AA mãe que não gestou é, o que que isso significou para você? Você achou que foi mais difícil de cair a ficha, porque, por exemplo, quando eu estava grávida e eu fui para consulta de pré Natal, né? A obstetra, eu falei para ela, falei, parece que eu não estou grávida, não estou sentindo nada, não acontece nada. Ela falou, não vai começar a cair sua ficha quando você sentir mexer e a do seu marido só vai cair no dia que nascer no e pegar no colo, porque senão não vai. E eu tive muita essa sensação.
Você comentou antes, né? Das pessoas que as vezes falam AI porque a pessoa não se envolve, não entende e tudo mais. Como foi para vocês e principalmente para você, Gabi, viver tudo isso? É, foi bem diferente, porque que nem eu disse é, não era exatamente um sonho, né? Ele foi se desenvolvendo.
Hoje eu não consigo imaginar minha vida sem a Clarice, né? Mas, ao mesmo tempo, eu acho que a ficha começou a cair depois do nascimento, sabe? Com a vida acontecendo mesmo é não estar conectada naquele momento ali, de forma biológica. Talvez tenha me afastado um pouco dessa compreensão, né? Que é ser mãe da maternidade.
E também porque acho que na minha infância também eu. Sei lá, acho que me desconectei um pouco desse universo também, às vezes, até pela questão da sexualidade, pela minha família não conseguir ter trabalhado exatamente esse tema. Sabe? E aí muitas vezes, quando você é lésbica, as pessoas te fazem a leitura ou tentam te jogar para um universo mais masculino e isso te desconecta do universo feminino. Se você não, não tem essa essa contraforça, né?
E eu acho que talvez muito do que eu tenha sentido. Nesse momento, tenha vindo desse lugar, né? Dessa desconexão. Mas, enfim, as coisas foram andando muito pela vontade da Marina, muito pela decisão dela, né? Do da, da maternidade.
E aí eu me encontrei em algum momento, depois que a Clarice nasceu no meu lugar, ali, naquele na, num papel que é completamente diferente da Marina. É, e descobri a maternidade. Descobri realmente que, na verdade, eu eu queria ser mãe, mas mãe do meu jeito. Né? Exatamente.
Achei muito legal essa colocação. Nunca tinha parado pra pensar nisso que você comentou dessa questão, né, das pessoas te colocarem num num universo mais masculino e realmente faz muito sentido mesmo, né? E o quanto isso muda às vezes, né? AA forma de você é enxergar e lidar, né? Com com essa situação, com o assunto da maternidade, né?
É muito. É uma desconexão muito grande. E aí, óbvio, né? AA, maternidade ela está muito vinculada ao feminino, né? E aí quando você não se encontra, né?
Nesse lugar você acaba não passando sobre esse tema. Né? Esse tema fica distante. Parece que você não pode ser aquilo. E aí eu acho que jovem, né?
Enfim, querendo ou não, é nós mulheres. É, fomos obrigadas a sermos, né? Muito independentes, né, pela pela questão não só de ser o que nós somos, mas também do da geração em si, né? E a gente também concentrou muito os nossos esforços em outras áreas da vida, né? E aí é junto com essa ideia que eu trouxe, isso me distanciou ainda mais, né?
Porque minha vida realmente tava muito atrelada. Ao trabalho, né? Precisamos ser mulheres Fortes, independentes, né? Tocar a nossa vida, independente de qualquer coisa. E aí isso, né?
A Marina trouxe um outro olhar para isso depois. Tanto é que o maior medo assim da das mães, dos pais, de. Pessoas LGBTs é que os filhos não. Não terão netos, né? Não trarão netos pra família, né?
Então, quando um pai, uma mãe, descobre que a filha é lésbica, que o filho é gay, fala, meu Deus, meu sonho de ser avô morreu. Então, parece que não tem opção, né? Não aconteceu com você? Aconteceu. Minha mãe tinha uma das coisas que frustrava ela nisso era essa certeza.
Era a certeza de de não ser mãe, de não ser. A. Voz aham e como foi para vocês essa questão da família? Existia muita cobrança, muita expectativa. Vocês falaram sobre o tratamento.
A gente falou, eles participaram, a primeira tentativa, eles estavam todos sabendo, estava todo mundo sabendo de todas as etapas, de que a gente IA tentar tudo bonitinho. Quando a gente teve um negativo, a gente teve que contar para todo mundo, né? Porque isso a gente teve um positivo que virou um negativo. Então foi uma frustração muito grande. A gente tinha um grupo mais próximo de amigos na época, é pequeno esse grupo, a gente.
Compartilhou com eles e com os nossos familiares, né? E aí depois da primeira tentativa, a gente sentou e conversou e falou, a próxima a gente vai fazer em segredo. A gente não vai contar para ninguém, a gente só vai contar com 12 semanas. E assim até me arrepia a pensar nisso, porque foram 12 semanas muito desafiadoras, porque eu tive sangramento, as 12 semanas inteiras. Então, assim, não podia falar com?
Ninguém mais, né? Então, assim, se você está gestante, tem sangramento, calma, acalma seu coração porque encontra um jeito de acalmar seu coração, porque eu sei que você passou e assim não podia. Eu só podia levantar pra caminhar até o banheiro e já sentar de novo. Então eu tomava banho sentada. Eu passava o dia inteiro é deitada no sofá assim eu eu deitava e ficava só reclinadinha trabalhando.
Então comprei aquelas mesinhas de por de por na cama pra por no notebook e essa era a minha vida por 12 semanas. Então ela tinha que pegar água pra mim, deixar do meu lado. E era isso. Então foi muito difícil, porque é uma tristeza, é um medo, uma insegurança, e você não pode falar pra sua mãe, você não pode falar pro seu pai, não é que você não pode, mas é que a gente tinha feito esse Combinado? EE, era uma coisa que a gente não queria se frustrar e ter que frustrar o outro de novo, porque é muito difícil você ter que dar essa notícia pra pessoas que você ama, que estão vibrando ali com você.
Porque eu lembro que no dia do positivo, do primeiro positivo, lembra, nossa, nossos amigos foram em casa, foi uma festa, mas assim. Foi bonito demais. E aí a gente falou, com que cara que a gente conta isso para eles? Eles voltaram é vira uma cobrança, né? E mesmo que não é uma cobrança de tem que dar certo, mas é todo mundo querendo junto e você se sente cobrado.
É a gente que transforma isso em cobrança. Então, nessa segunda a gente fez em sigilo. Passamos por 12 longas semanas e milagrosamente, quando a gente completou as 12 semanas e a gente foi no dia seguinte para poder fazer o ultrassom. Parou o sangramento. Olha só, não acredito.
Foi assim, o timing perfeito. A gente foi fazer um outro ultrassom com o doutor Anderson e ele falou, está tudo bem, está tudo maravilhoso, está tudo certo. Saí de lá, não sangrava mais. Que maravilha aí vocês contaram? Tá todo mundo e eu ouvi o coração da Clarice pela primeira vez.
No dia do aniversário do meu pai e eu não podia falar para ele aquilo nossa, foi o seu. Que agonia é, eu imagino e esperamos firme e forte. E aí? Depois vocês contaram, falaram seu aniversário, eu não podia te falar. Contamos, né?
A gente fez um videozinho, né? Reunindo todas as etapas ali com foto e tal, com a música que a gente escolheu para transferência. AI, que gracinha. Aí eles foram lá em casa, a gente colocou na TV, falou, Ah, tem um negocinho para mostrar para você. Senta aí.
Aí colocamos, eles ficaram assim, em choque, e a hora que chegou no final que ou colocava ali a batida do coração, aí que eles caiu a ficha, sabe? Vocês tentaram de novo. E aí foi um. Cantinho e hoje são avós e a avós super babões dos 2 lados. E aí essa resistência caiu, né?
Aham, porque depois você materializa. Eu acho que durante a gestação ainda não tanto. Eu, pelo menos não. Talvez eu tenha sentido um pouco mais, porque eu estava gestando, né? Então assim, meus pais estão vendo a filha ali, gestante, mas a sogra, eu acho que ainda é um pouco meio o que que está acontecendo, talvez meio que nesse lugar dela sabe de não é muito comigo, então é isso, né?
Depois que nasceu é caiu por. Agora tudo é Clarice. Né, e a beta? Chegou nada com a Clarice, ela vem em cima. Exatamente, não tem como.
AI, que delícia. E hoje ela está com 4. Troninhos, né? Super esperta, falante, já conversadeira. Nossa senhora, ela fala mais, come da gente, ela fala muito.
Ela é muito esperta, muito assim, desde muito bebezinha, né? Agitada, conversadeira. Quando eu não sabia falar, já gritava. Então já sabia que de algum jeito ela. É comunicativa?
É uma figura. A gente só não trouxe ela aqui hoje porque senão ela IA botar abaixo o estúdio. Mas ela é pura energia. AI, mas que bom né? E ela já perguntou alguma coisa pra vocês da chegada dela ou ela ainda é muito novinha pra pensar nisso?
Nossa. É a história preferida, não? Acredito que delícia. Todo dia eu tenho que contar a história. A gente tem 111 álbum, né?
De fotos do parto, e é uma. E ele é bem bonito, né? O álbum em si, né? Da Carol. E aí ela vê esse álbum todos, todos os dias.
A gente tem que contar como se fosse um gibi, as fotos. Conta a história, mamãe. É Ela? Sabe exatamente ela sabe quem estava, né? Nome da equipe?
Nome da equipe? Do pato de tudo, gente que. Delícia a gente. Foi a gente foi recentemente lá na cefer. É no Dia das Mães.
Ela viu a sala onde a gente ouviu o coração dela a primeira vez. E vocês explicaram tudo isso para ela? Bom, vamos sim. Convenhamos que o nosso caso é mais fácil. Explicar como a sementinha foi parada dentro da gente é, então é um pouco mais tranquilo literalmente, né?
É mais fácil, mas ela sabe exatamente assim. A gente não, a gente não tem crise para falar com a Clarice, ou é? Acho que isso é uma coisa que a gente teve desde muito eu sempre fui muito comunicativo. Então, falar eu IA falar agora, como a gente IA falar uma coisa que a gente constrói muito junto? E a gente percebeu que as nossas histórias assim traziam muito em comum esse lugar do tabu na conversa.
Então, falar sobre sexo, contracepção, sobre orientação sexual, identidade de gênero, sobre tudo, sabe que envolve esse esse universo da sexualidade, do relacionamento sexual, tudo a gente. Teve isso, então a gente pensou, como que a gente vai trabalhar isso com ela, pensando em cada fase da vidinha dela? Então, hoje ela é uma criança de 4 anos, mas se a gente não começar a introduzir algumas coisas dentro da capacidade que ela tem e qual que é o objetivo hoje? Não é falar sobre sexo, é falar sobre prevenção, consentimento, para que ela não seja uma estatística, porque infelizmente a gente sabe que os dados são assustadores, né? De de abuso é de crianças e adolescentes, então assim.
É importante falar sobre o corpo, sobre as partes íntimas, então a gente começou desde muito cedo a nomear e falar tranquilamente. Então, quando ela perguntou a primeira vez, conta a história de quando você estava grávida? E aí eu contei a história de quando eu estava grávida, e aí ela, de tanto ela ouvir, ela começa a fazer perguntas das lacunas que ficam aham. Então assim, mas espera, quem colocou, quem colocou dentro da sua barriga? A gente foi no médico e o médico pegou uma seringuinha pegou você e colocou lá dentro da minha barriga, por onde ele colocou, ele colocou pela pepeca da mamãe e vai colocando, né?
E aí vai inserindo nas conversas. Então assim Pra Ela é natural aham, ela não vê isso como um problema. Então, Ah, por onde eu saí, você saiu pela ppeg da mamãe, aí a amiguinha tal, Ah amiguinha tal, saiu pela barriga, fez um cortinho, tirou ela dali. Então assim ela vai entendendo tranquilamente. A gente percebeu que se a gente falasse tranquilamente não viraria algo muito complexo, né?
Exatamente. Às vezes é a gente que coloca esse peso todo, né? Se a gente só explicar o que você falou de uma forma que ela entenda pra idade dela, está tudo bem, não tem pra que trazer, né? Essa? Essa não vou dizer negatividade, mas essa pressão toda sobre esse assunto, né?
Esse tabu, né? Enfim, e aí a gente só fala realmente quando acontece situações piores, aí já é tarde. Né? Exatamente. Hoje em dia a gente tem que ter muito.
Enfim, eu trabalho na área criminal, então não, eu não consigo desvincular, né? Essa ideia AA pressão que a gente acaba exercendo é mais nesse lugar, né? Porque eu sei que hoje os abusos acontecem. Em relação a pessoas próximas, não é a pessoa estranha que vai cometer alguma coisa, né? Então ela precisa entender quem é a pessoa de confiança, quais são as partes do corpo dela, como que pode tocar ali, quem pode tocar ali.
Então essa conversa, trazer esse, esse debate, né, pra uma criança, ainda que seja uma criança de 4 anos, é muito importante justamente pra prevenção, porque infelizmente os crimes existem, eles não vão deixar de existir. E na realidade a gente tem uma tem notícia de que tá cada vez mais. É acontecendo. Né? Mas é por esse tabu que as pessoas acham que falar de educação sexual é falar de sexo, né?
Como a Marina falou. E na verdade não tem nada a ver, né? É muito mais, né? É. A gente dá essa orientação para a criança, né?
Conforme ela consegue ir compreendendo, né? É para chegar no sexo? Tem tanta coisa antes, né? Exato, exatamente. É que, na verdade, não falar beneficia.
Quem está abusando? Né? Exatamente. Então, na verdade, a gente precisaria entender isso, né? Que não trabalhar esse tema na escola, dentro de casa, uhum a gente beneficia a pessoa que vai cometer o crime.
Né, exato. Que vai se beneficiar de que a criança não sabe nem AO nome da parte do corpo, né? Quanto AA gente, se a gente pesquisar, se der um Google, rapidinho você encontra assim. É casos horríveis de crianças que nomeavam, por exemplo, a vulva, como florzinha, e aí depois vão contar na escola que tal pessoa cheiro a florzinha beijou a florzinha, tocou na florzinha, então, o quanto às vezes o nosso medo de nomear corretamente, e aí, como eu falei, às vezes é muito pequenininho, você vai dar outros nomes, mas assim pepeca alguma coisa. Π tá muito mais próximo de pênis, né, do que você inventar um nome pra fugir.
É como se e também a gente tem muito um tabu de que o corpo, principalmente o corpo da mulher, é um lugar sujo, é um lugar que não pode ser tocado, é um lugar que a gente não pode falar sobre isso, a gente nem aprende na nossa própria vida adulta, a se tocar, a se conhecer. Então, quantas mulheres adultas hoje confundem os próprios canais, né? Não sabe por onde sai o xixi, não sabe por onde sai menstruação? Então, assim, parece besteira, mas não é muito Sério. Então a gente escolheu trazer pra Clarice e esses temas com tranquilidade.
Claro que né, a gente não senta ela e faz uma aula sobre educador sexual, né, gente? A gente deixa assim ela trazer as perguntas e aí, conforme ela vai perguntando, a gente vai respondendo, né? Trazendo muita leveza assim. Mas ela é bem questionadora, é. E é uma curiosidade natural das crianças em geral, né?
Elas têm a fase do porquê, o que que acontece, como que é e aí vai da gente. Que o quanto a gente vai conseguir guiar aquilo, a gente vai cortar, né? Porque assim, porque assim não é. Não é pra sua idade, não é pra você saber. Então é aí vocês, de de certa forma, não.
Vocês estimulam, né? Essa essa curiosidade saudável dela, né? E eu percebo que se você responde a curiosidade da criança, muitas vezes ela acaba ali. É, quanto menos você fala ou esconde da criança, mais instigada ela fica. Eu lembro que quando a gente tava na adolescência, a gente escutava, muito proibido é mais gostoso, né?
E no. Fundo hoje, adulta, eu entendo que tem um fundo de verdade, porque parece que quanto menos você pode fazer, mais instigante fica. Então, assim, se você não der, é justificativa, né? Ficar naquela de não, porque não, não porque eu não quero. Ela vai dar o jeito dela de descobrir essa informação e aí depois entra na escola, começa a ver os outros amiguinhos.
Quando entra muito pequenininho na escola, É Ela vai ver outros corpos, vai estar ali no banheiro com os outros amiguinhos, vai ver o amiguinho sem roupa, porque a professora está limpando, está cuidando, né? Não vai ser um de cada vez. Então ela vai começar a questionar. Então aí a gente tem que fazer essa escolha. A gente vai fingir que nada tá acontecendo e criar ela numa bolha, como se isso fosse saudável, só porque a gente não sabe lidar com esse tema.
Ou a gente vai se olhar e falar, e aí, e agora que que a gente responde nessa pergunta e. Isso era algo que vocês já tinham conversado entre vocês desde antes da gravidez? Sim, eu acho que é um. Pra gente assim, não que isso seja uma facilidade, né? Pra casais homoafetivos, porque muitas vezes tem essa ideia, né?
Ah, como é um casal homoafetivo, você, você é mais liberal ou você tem mais facilidade no tema quando envolve sexo, né? Existe 11 ideia assim, mas eu acho que pela minha profissão e pela profissão da Marina, até pela parte acadêmica dela, eu acho que era muito natural a gente. Trabalhar esse tema de uma forma muito, muito simplificada, né? Pensando também que a gente, pelo menos na minha realidade, assim, minha mãe, mesmo sendo da área da saúde, ela escondeu muitas coisas assim, sabe? EE aí eu fiquei muito naquele lugar do proibido.
É mais gostoso. Tive que descobrir muitas coisas e. E isso coloca a gente em risco, né? Isso a gente coloca a gente em risco. É natural.
Se tem uma coisa que a gente tem certeza quando nasce uma mulher é que ela, em algum momento, ela vai sofrer algum tipo de violência e quanto menos ela souber sobre o corpo dela, sobre os riscos que ela corre naturalmente, mas ela tende a se pôr em risco, né? A se colocar em situações que elevam o risco de sofrer algum tipo de violência. Então, acho que é natural assim, eu não consigo nem viver de outra forma. É sendo menina ou menina, inclusive. Né?
É, e eu sempre pesquisei muito sobre isso. Então na minha área acadêmica, então tanto na graduação quanto no mestrado, eu já pesquisava sobre educação sexual. Então aí eu só miguei assim um pouquinho a faixa etária, né? Eu trabalhava mais com jovem adolescente e aí fui olhar para criança, agora na prática mesmo. Mas eu lembro que assim, na época da gestação da Clarice, eu via muitas mães.
Pesquisando sobre introdução alimentar, amamentação, sono, eu pesquisava sobre tudo isso também, mas eu já tinha a lista dos livros que eu queria comprar, então o livro que falava de educação sexual, o livro que falava disso, disso e disso. E aí aos poucos, né? Conforme Ela Foi crescendo, a gente já foi amadurecendo e botando em prática. Então já era um tema que fazia parte das nossas vidas pela rotina profissional, como a Gabi falou, e aí a gente. Encaixou ele na maternidade.
Como que a gente quer trazer isso pra Clarice? Porque não tinha muito como fugir, né? Às vezes a gente tem até que se policiar um pouco, porque a gente trabalha isso o tempo inteiro, né? Então, calma, deixa ela perguntar, e aí? Em algum momento ela já fez alguma pergunta assim?
Por exemplo, agora ela vai na escolinha, né? Ah, por que que eu tenho 2 mães e a amiguinha não tem? Na verdade, é até engraçado isso, porque eu fico treinando com ela, tipo karatê Kid, assim se alguém falar alguma coisa. Coitada, a criança já estava prevendo a violência. Acontecer, Ah, mas acaba tendo que não tem jeito, né?
Mas ela ela assim, olha, ela é. Eu não sei o que acontece ali com a Clarice, mas ela ela não tem a curiosidade. Tipo assim, porque que eu tenho 2 mães? É natural para ela, né? A gente, em algumas festinhas, algum amiguinho vem e pergunta, a Clarice tem 2 mães aí, a gente, a Marina fica com essa parte que ela ela é mais.
Então os amiguinhos já perguntaram. Já, já perguntaram, ela é mais é afeita ali, as crianças? Digamos assim, não. E as crianças? Elas recebem a resposta muito tranquilamente.
É muito mais fácil você ensinar uma criança, gente. As pessoas acham que é complexo você falar sobre isso com uma criança. Complexo é falar com um adulto que tá ali dando murro em ponta de faca, querendo, achando que a ideia dele é a certa do universo. Todo mundo tem que seguir a criança pequena. Ela vai perguntar, tia, por que que a Clarice tem 2 mães?
Você vai olhar para ela e falar, porque tem vários tipos de família, tem família que tem papai e mamãe, família que tem mamãe e mamãe, família que tem papai e papai, família que só tem uma mãe, família que só tem um pai. Aí eu paro por aí porque tem tantas, né? Mas eu paro para confundir a criança. E aí ele te olha e fala, Ah, tá, e acabou, né? E sai e fala de outra coisa, nada a ver.
Então, assim, para criança, ela se satisfaz com o simples, porque é natural para eles. Não, não precisa se tornar um preconceito, não precisa se tornar um problema. Eu falo muito que. A diferença, ela é transformada em desigualdade por nós mesmos. A gente olha para uma diferença e coloca ela como um lugar de desigualdade, porque isso representa manter um padrão.
Então, quando eu coloco que AA, sua família é diferente, portanto, ela é uma minoria. Ela tem que ser tratada de outro jeito. É para eu continuar beneficiando e privilegiando um outro tipo de família. Mas assim, se a gente for olhar que tem espaço para todo mundo, todas as famílias vão continuar existindo. Quando uma família homoafetiva surge?
Ou se casa, por exemplo, ou tem um filho. Não morre uma fadinha, não morre uma família hétero. Todo mundo continua sendo feliz e tendo filhos e se casando. Não altera em nada a vida do outro, sabe? Então, assim, o preconceito, ele é muito aleatório.
Não precisaria se se ocupar da vida do outro, sabe? Exatamente isso, mas ela trabalha com muita tranquilidade assim, não. Não vejo uma resistência até por conta disso. Ela sabe a história dela. A gente vem contando a história.
A gente está se. Escondendo não é um tabu Pra Ela, né? Não é uma coisa que ela não sabe que aí ela vai ficar instigada, né? Exatamente levantar teorias e tudo mais. Né?
E a gente tem um grupo, né? A gente. Fazer até uma menção honrosa que. É o nosso grupo. É a gente tem um grupo de casais de 2 mulheres, que a ideia é a gente ter representatividade, né?
Então a Clarice vai saber que o Chico, o Arthur, a Lavínia, a Maria e o Bento e. Eles têm, e a Tarsila e a Tarsila eles têm é 2 mães. Ela vai ter uma referência, porque às vezes ela não vai ter dentro da escola, é sabe? Às vezes ela não vai ter na natação, no inglês, mas ela vai ter um espaço que ela vai poder falar não. Mas eu não sou única, eu tenho amigos que também têm 2 mães, né?
Então a gente é criou, né? Foi surgiu até naturalmente, mas assim a gente criou esse grupo justamente para que a gente mantenha sempre essa referência. Que ela consiga identificar que é a vida dela é igual de todo mundo, né? Começou com esse objetivo. Ganhamos grandes amigas que a gente leva pra vida e com quem a gente trabalha, essas angústias quando um deles questiona, né, o pai, o Dia dos Pais ou qualquer coisa, a gente tem outras referências pra poder trocar.
Porque realmente, apesar de existirem muitas famílias homoafetivas, a gente tá muito espalhadinho a gente ainda não são poucos os grupos que se moram. Então, assim que se organizam, sabe, existe um grupo nacional, existe grupos estaduais, mas assim ainda não são tão expressivos para chegar em todos os casais e conseguir ter essa rede mesmo de articulação. E é isso que a Gabi falou no geral, quando você olha para dentro do ambiente da escola do seu filho, ela vai ser uma minoria. A gente vai ter que escolher como é que a gente vai trabalhar isso com ela? Isso sendo algo negativo ou isso sendo só uma particularidade da sua vida que poderia ser outra?
Esse grupo foram vocês que montaram ou vocês foram se conhecendo e Ah, vamos chamar mais gente? A gente conhecia algumas delas e aí a gente existia um outro grupo, né? A gente se conheceu, teve mais afinidade e aí fechamos AA panela, né? E ficamos. Não, porque é muito legal.
Eu já conversei com um casal também e aí elas falaram sobre isso e elas falaram que elas acharam um grupo, mas aí eu acho que é outro, que elas não são daqui, é e que elas acharam. E elas falaram justamente isso aí a gente faz, encontra no fim de semana, vai no parque, faz piquenique, pra o nosso filho perceber que ele é igual a todos. Todas as outras crianças, né? E que tem várias famílias iguais a dele. E eu achei isso muito legal.
Mas até então eu achei que era algo pontual delas. Eu não sabia que existiam outros. É muito. Bom que Ribeirão tem 11 grupo, né? De dupla maternidade maior, onde era justamente essa proposta.
Então, encontros mensais para poder reunir as crianças. Só que aí disso a gente foi se conhecendo mais entre esse grupo. Virou um grupo segregando mesmo. Então, assim, foi natural. O que foi acontecendo não foi nem intencional, mas é.
Você foi tendo mais a afinidade mesmo e virou um grupo de amigas. Deixou de cumprir só esse papel da dupla maternidade, isso ficou, é acessório assim. Eu acho que agora as crianças têm essa referência porque temos amigas que são mães também, sabe? Mas começa assim, e isso é ótimo, porque é o movimento social. Ele é importantíssimo em todas as áreas, né?
Então seria diferente nesse caso também. E você tocou num ponto que eu também não tinha pensado e eu não sei se esse questionamento chegou a vocês, como por exemplo, a questão do Dia dos Pais. Ela já perguntou isso pra vocês? Perguntou recentemente. Porque agora em agosto, né?
Vai ser o Dia dos Pais. Então, pela primeira vez esse ano ela teve o Dia das Mães na escola, que até então ela estava numa escola que não tinha grandes expressões assim, dessas atas comemorativas. E esse ano ela teve então aquela coisinha bem clichê, apresentando a musiquinha, dando presente para as mães, né? E aí a gente tá. Está fazendo um trabalho educativo com a escola também, porque para escola também é novo, né?
Não deveria, né? Estamos em 2026. A gente já sabe que as as instituições, de modo geral, não precisariam esperar que famílias homoafetivas ou outras composições da família que só tem uma mãe, que só tem um pai estivessem naquele espaço para pensar. Mas. Seguimos, né?
Porque acho que a gente tem um pouco essa função obrigatória, né? Essa carga educativa obrigatória é é o ônus mesmo. EE aí a gente vem fazendo essa função assim junto com a escola, então. No Dia das Mães, a gente conversou sobre o Dia das Mães, sobre a necessidade de serem 2 presentes, então ela não tem uma mãe só, ela tem 2, então ela faz 2 presentes, ela apresenta para nós 2 e aí assim, tudo muito tranquilo. Aconteceu exatamente do jeito que a gente tinha conversado, ela ficou muito feliz assim, né?
Então duplamente feliz, entregando os presentinhos dela assim, toda fofa. E agora no Dia dos Pais, a gente não sabe como vai ser na prática, mas antes das férias escolares e já começaram a ensaiar porque vai ser mais ou menos. Parecido, né? Assim em apresentação e um presentinho. E a gente conversou tanto com a escola quanto com ela, o que a gente entendeu que é para nós é novo, mas a gente escolheu tentar dessa forma.
É realmente não esconder nada dela. Então assim, é uma data comemorativa, é uma data comercial, então. Fora da escola, ela também vai ver. Eu tenho pai, então eu vou presenteá lo, eu vou falar sobre isso. Então, assim, isso é uma coisa aqui, é?
Uhum, né? Meu pai faleceu, enfim, não tinha contato e uhum. Eu vivi uma realidade parecida com a da Clarice. Exato, exato em relação. Ao dia.
Exato. Então assim, ela não vai ter como fugir. A proposta não é esconder da Clarice que pessoas têm pai, sabe? Então. Faz o menor sentido.
E tudo bem os pais serem valorizados? Poxa, a gente ficou super emocionada sendo valorizada no Dia das Mães, então eu acho. É realmente que a escola deveria se ocupar do dia da família e promover isso mais vezes ao longo do ano. Eu acho que seria mais efetivo para evitar esse desgaste, pensando que não são só famílias homoafetivas que se encaixam. Sim, como a Gabi bem colocou.
Exato. O caso da Gabi seria um desse crianças que às vezes, e assim no caso da Gabi, teve uma essa questão, como ela falou de não ter um pai presente, isso já por si só traz uma situação. Mas se a gente for pensar até em crianças que os pais faleceram e tinha realmente esse ELO, então que tristeza, né? Você tem que estar ali. Lembrando disso o tempo todo.
Então assim, são vários os cenários. Acho que já tá na hora da gente começar a evoluir nessa temática e a gente se contentar com essas com essas outras ações, né? Ninguém precisa ser valorizada só naquela na escolinha, no Dia das Mães, né? Então. Agora a gente vai ver como é que vai ser o Dia dos Pais, mas ela entende que vai ter uma comemoração, que os amigos estão fazendo atividades para isso.
E a gente conversou com a escola para que ela fizesse atividades semelhantes, né? Então assim, Ah, vou pintar de giz, ela pinta de giz, vou pintar de guache, ela pinta de guache, mas com outra temática. Mas falando para ela, e aí foi interessante, porque a gente foi conversar com a escola e a gente falou, falem claramente para ela. O que tá acontecendo, Clarice? Hoje a turminha vai fazer uma atividade.
Para O Presente do Dia dos Pais, qual atividade você quer fazer? Você quer pintar um outro desenho porque ela pode escolher pintar aquele desenho? Não É o Fim do mundo? Exatamente, sabe? Né, não tem problema.
Mas ela precisa entender que ela está pintando um desenho que não vai para ninguém, sabe? E aí a gente trouxe muito isso de não trabalhar esse tema com pesar, né? Lógico, lógico. De não ser uma coisa assim. Nossa, coitadinha.
Ela não tem um pai, sabe? Não é? Nesse lugar a gente quer trazer tranquilidade para escola, então a gente sabe que ainda é um tabu. Que as professoras ficam meio sem saber como fazer. E aí a gente foi claro e falou, ó, a gente está aqui com vocês, a gente está dando carta branca pra vocês poderem falar, Clarice é Dia dos Pais, sua família tem 2 mamães e não tem um papai, vamos fazer uma atividade diferente, mas você vai pintar junto com os amigos, tudo bem?
Ah, eles vão ensaiar a musiquinha, você quer cantar a musiquinha junto mesmo sabendo que você não vai vir no dia da apresentação ou você quer fazer uma outra atividade? Ah, eu quero e voltou cantando, né? Voltou cantando. E super tranquila. Feliz e você é meu e ficou cantando a música lá e nós falando é isso aí, canta música.
Mas está certo, não é isso não é nenhum, nenhum sofrimento para ela, né? Não, não precisa ser. Eu acho que ela ficou mais chateada de não participar da apresentação do que pelo tema em si. Aham, ela não está entendendo assim, nossa, eu não tenho pai. Ela está entendendo assim, ó, como assim?
Eu não vou participar da apresentação, gente? Bom que ela gosta, porque tem tanta criança que chora porque não quer ir subir o pau com ele. É uma mostrada, ela gosta, ela adora, então então assim, é um. Acho que é 1 ano após o outro. Também, né?
É criança com 2, com 3, com 4. Muda tanto, né? De 1 ano. Muda a compreensão de mundo, então. Mas.
Essa forma de lidar com esse tema, ela é muito importante porque, por exemplo, eu, meu pai, não me acompanhou durante a infância. Uhum é assim como? Eu não sei qual que é AA porcentagem, mas assim, Ah, mas. Vão ser muito? Muito grande, não é?
Minha mãe, enfim, deu conta da de tudo sozinha. Tinha aquele papel que a gente fala lá. Que é a mãe e o pai, né, que é até meio equivocado, mas enfim, é. E aí o meu pai tinha sempre aquela expectativa, ficava com a expectativa dele vir você criar e minha mãe não sabendo lidar, obviamente, como a gente sabe, né? Minimamente entende um pouco pra poder trabalhar esse tema de outra forma.
Então ela alimentava essa expectativa. Então você imagina trabalhar esse tema com alguém que não morreu existe que, mas que no fundo você sabe que não quer vir, então. Então é, tem que ter um trabalho da escola para poder entender, porque não é nenhuma, nem 2, nem 3 crianças que vão ter essa realidade. São inúmeras crianças que vão ter essa realidade, né? E a gente fala também de um de um lugar também, que eu noto e que às vezes a gente não.
Não fala muito. É da violência, né? O papel, o pai violento e que muitas vezes a criança tem que presentear alguém que está cometendo uma violência contra ela, né? Pode ser a mãe também, mas em como a gente está falando desse contexto? E querendo ou não, é uma representatividade bem volumosa de pais que acabam.
Sendo violentos, né? E aí a gente também coloca a criança nesse lugar de desconforto tendo, né? Que fazer com que ela faça algum presente pra essa pessoa. Enfim, a gente tem que realmente abrir esse debate, principalmente nas escolas, pra tentar buscar um bem-estar da criança, né? Não só do pai, da mãe, enfim, dos avós.
E que bom que vocês encontraram uma escola que deu abertura pra isso, né? Porque eu imagino que isso também ainda seja um pouco difícil, né? É, acho que a gente está construindo isso com eles. E o mais importante é que eles abriram as portas para ouvir, entender e tentar. Eu acho que isso é o suficiente e da experiência que eu tenho, assim palestrando fazendo informações sobre esse tema.
Tudo que a pessoa precisa é estar disposta. O resto? Naturalmente vai acontecendo, sabe porque você planta algumas sementinhas, você comunica o desconforto, né? Então quando a gente comunicou lá atrás, né, na Ah, tem a taxinha do presente do Dia das Mães, então a gente paga 2 taxinhas, certo? Você já traz o desconforto, você já coloca para pensar, poxa, não tinha pensado nisso realmente, e aí isso causa, é, é consequências.
Tanto que agora no Dia das Mães, na hora de comunicar do presente, elas pensaram antes, elas falaram, não manda para mamãe Gabi e para mamãe Marina. Por quê? Porque a gente precisa falar. Com elas, primeiro isso só aconteceu porque a gente pontuou lá. Então é foi muito importante ter encontrado um espaço aberto e aí também, né?
Convidar todas as escolas a pensar sobre isso, porque isso não é um bicho de 7 cabeças. Você não vai precisar mudar toda sua escola, não vai precisar mudar todo seu quadro de funcionar. Não são pequenos ajustes, se você for ver. A documentação, quando você vai visitar uma escola, né, geralmente você faz um cadastro para eles poderem tentar entrar em contato depois, normal, isso acontece em todo lugar. Qual é a necessidade de você colocar pai e mãe nesse cadastro?
O nosso RG não é, mas assim, sabe? Então assim é fácil, é um papel, uma folha de papel que você muda e coloca filiação 1 e 2, então assim você deixa aberto, você evita desconforto, você evita com que famílias como a nossa, por exemplo, eu cheguei lá, eu rabisquei. Né? Então assim, mas eu rabisquei para sinalizar, olha, não, não é isso. Então é, são pequenos ajustes.
Não é nada muito complexo. Dá para dá para ser feito sem ter que investir grandes coisas. Quando você vai falar sobre diversidade? É, mas é. Eu estou agora nessa de procurar escolinha também, e eu visitei uma e eu nossa, na hora que eu fui preencher o papel, eu falei, nossa, que legal, porque eu preenchi o cadastro, né?
E aí estava lá responsável, um responsável 2 falei, pronto, estava ótimo se todo mundo fizesse o cadastro assim, né? Exatamente que teve lugar. Lugar, porque eu fui sozinha na maioria das escolas, meu marido não conseguia ir e tudo, e teve escola que eu fui tipo, cadê o pai? A minha vontade, eu já botei um negócio, o que que você tem a ver com isso? E se não tiver, por que que te interessa, né?
Então, realmente. Assim vai pagar. Exato, é bem isso, né? Ah, será que ela vai pagar? Então vamos ver quem vem.
É muita coisa, né? Que vem, vem junto dessa pergunta, né? Então realmente precisa estar disposto. Já é um grande primeiro passo, né? Deixa eu ver se tem mais alguma coisa.
Mas se vocês lembrarem de alguma coisa, vocês me falam aqui porque Ela Foi colocando várias perguntas, mas foi surgindo tanto assunto que, no fim, acho que a gente já cobriu a maioria das perguntas que ela colocou, do tratamento, de conversar com ela. Não tem alguma coisa mais que vocês acham que é importante a gente falar nesse episódio que a gente não tenha falado? Deixa. Eu pensar. Eu acho que a gente falou.
É, eu acho que a gente falou tudo uhum. Então vou fazer a pergunta de de encerrar, na verdade, o assunto aqui de de encerramento, está. E aí assim pra a gente encerrar, senão a gente IA ficar aqui muito tempo, que é muito gostoso, né? Falar de tudo isso. Mas hoje com tudo isso que vocês comentaram, né, que vocês foram passando pra Clarice todos esses é cuidados em ter realmente essas conversas tão importantes.
Ela saber da origem dela. Se ela fosse explicar com as palavrinhas dela a origem dela, Oo sonho de vocês da chegada dela, como vocês acham que ela explicaria? AI, que bonito pensar nisso, você quer responder primeiro? É que eu lembro dela falando, perguntando pra gente no shopping, foi aqui, mamãe, que que eu nasci? Não foi que eu nasci, né?
Foi. Aqui que o médico colocou na sua barriga. Exatamente, então assim, eu acho que essa naturalidade de que cada um de fato tem uma origem, né? E que você ter essa essa gratidão, conseguir reconhecer de fato da de onde você veio e essa história ser narrada, parte das pessoas que estão ao seu lado, que amam você, sabe, eu acho que isso no futuro ela vai olhar pra pra isso e vai sabe se sentir honrada. EE agradecer a gente.
Eu tenho muito essa essa noção assim, porque eu acho que a gente tá de fato. Tentando, né? Tentando exercer da melhor maneira possível nosso papel como mãe. Se eu acho que a gente tá conseguindo. Eu acho que ela contaria mais ou menos assim.
Um médico um dia colocou uma sementinha na barriga da mamãe Marina. E a mamãe Marina ficou barriguda. É porque ela fala isso. A mãe ficou barriguda. Ainda mais que ela vê as fotos.
E ela conta a história inteirinha. E a mamãe ficou no chuveiro que a mamãe estava com dorzinha nas costas. E depois a mamãe foi no hospital e ela tomou uma injeção nas costas para parar a dor. E aí depois eu nasci. E aí ela conta assim que a gente conta para ela que quando ela nasceu, É Ela.
Eu estava sentada na banqueta e aí ela veio direto para o meu colo. E aí você pergunta, quando tiraram você? Você veio para onde? Para o colinho da mamãe, Marina. E aí que que a mamãe Marina falou para você, chora, filha, chora, mamãe tá aqui, eu te amo.
E aí ela teve um olharzinho espertinho para mamãe Gabi, porque ela tem uma foto linda que elas estão se olhando assim. E aí ela fala, meus olhinhos espertinhos, olhando a mamãe. Gabi, Ah, não. Acredito. Que dê ela.
Se perguntasse da família, ela falaria que ela tem o vovô é LA Vovó Rose, a Vovó é Lena, tia, juro, tio Luís, o tio João e por aí vai. E o irmão de 4 patas, o Bernardo. E a Olívia que já se foi, mas é a irmã de coração. AI, tá vendo, gente? Não.
Ela falaria de uma forma linda, simples, natural, né? Sabendo o quanto Ela Foi planejada em cada detalhe, o quanto ela é amada desde muito antes dela chegar nesse mundo, né? Exatamente. Gente, muito obrigada. Mais uma vez.
Foi uma delícia a nossa conversa. Tenho certeza que ajudou muito a trazer paz, né? Trazer clareza para as pessoas, né? Pros casais que estão no tratamento, que estão pensando aí em aumentar a família. E mais uma vez, parabéns pela família de vocês, viu?
Pela Clarice. Ela é linda, eu acho ela o jeitinho da Gabi, pelo menos do que eu vejo, não é? A gente escolheu muito bem. Muito do jeitinho da Gabi, a gente. Escolheu muito bem.
Foi rápido. Foi foi escolher a dedo. Escolheu bem, gente. Obrigada de coração por vocês estarem aqui, viu a gente que agradece. Obrigada por assistir ao papo de tentante.
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