Ep. 7 Fala, Tentante! Dúvidas sobre maternidade, família e reprodução humana | Podcast Papo de Tentante | CEFERP

No Fala, Tentante!, Marina e Gabriela compartilham com Dra. Camilla Vidal experiências reais sobre maternidade, diversidade familiar, rede de apoio, o diálogo com os filhos e a construção de uma família formada por duas mães.

Uma conversa acolhedora, espontânea e esclarecedora sobre temas que muitas pessoas ainda têm receio de perguntar, mas que merecem ser tratados com naturalidade, respeito e informação.

Transcrição do episódio

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Olá, aqui é a doutora Camilla Vidal, médica especialista em reprodução humana do CEFERP. Seja bem-vindo ao podcast papo de tentante. Vamos ao episódio de hoje. Oi pessoal, vamos agora falar um pouquinho no nosso fala tentante, responder algumas dúvidas desse universo da reprodução humana e para isso tem um casal aqui muito querido, muito obrigada, Marina, muito obrigada Gabi pela participação de vocês. Tenho certeza que vai ser muito enriquecedora e que talvez essas dúvidas que a gente tem aqui sejam as dúvidas de muitas pessoas que às vezes não tem coragem de falar, fica meio ali, meio acanhado.

Então vamos falar um pouquinho mais sobre o assunto, né? Do tratamento da família e tudo mais. Então vou começar com uma pergunta. Bom, pra quem não sabe, a Marina e a Gabi tem a Clarice, então algumas perguntas são voltadas direto aqui pra Clarice, inclusive a primeira, porque a pergunta é, como a Clarice fala sobre ter 2 mães? Ah, ela fala muito tranquilamente.

Ela nomeia mamãe Marina mamãe Gabi. Ela entende que a família dela é composta por 2 mães, que ela não tem um papai, que a mamãe. Marina tem um papai, uma mamãe que é a mamãe. Gabi só tem uma mamãe. Para ela, é muito natural, aprendeu desde cedo e a vida dela é essa.

É só uma questão de ser diferente, né? Exato. Dentro da? Família ela já viu famílias diferentes, né também? Exatamente.

A gente tem outras famílias diferentes assim do do padrão homem e mulher ao nosso redor, uhum, então ela consegue ir nomeando mesmo. Então ela tem grupos de famílias que são só de 2 mães, tem casal de família de 2 pais. Então ela consegue olhar e já enxergar essa diversidade desde muito cedo. Perfeito e ela já surpreendeu vocês com alguma pergunta relacionada à família? Quer responder?

Não responde. Deixa eu pensar que não foi nenhuma pergunta. Acho que teve uma situação específica, não foi bem uma pergunta, mas ela trouxe uma colocação, como se o correto fosse ter um pai e uma mãe, porque uma amiguinha da escola falou isso na escola. E aí o dia que ela trouxe isso pra casa, eu lembro que primeiro ela falou pra Gabi, a Gabi ficou arrasada assim na hora que ela falou, porque a gente não esperava, né? Que ela fosse falar isso e ela tinha ficado chateada, sem entender e falando não, tem que ter papai e mamãe.

E aí a gente conversou com ela porque ela falou que não era de verdade. E aí a gente fez toda uma conversa ali com ela pra. Para poder entender o que que eu era dela, o que que a mamãe Gabi era dela, o que que ela era nossa e se a gente era de verdade. Então a gente falou para ela dar um beliscãozinho assim para gente ver se a gente é de verdade, então belisca aqui, AI eu sou de verdade belisca a mamãe, AI ela é de verdade e agora você para ela entender que a gente era real e o que que a gente é sua. Nós somos suas mães, ué, então sua família é 2 mamães e não tem nenhum papai, é?

E aquilo, para ela, acalmou o coração. Mas naquele dia a gente ficou meio em choque porque veio de uma outra pessoa dentro da escola, né? De uma outra amiguinha. Trazer isso como uma imposição, então foi. Foi meio chato assim, mas faz parte, a gente entende que vai acontecer.

E olha a importância dela estar preparada para reconhecer isso como uma coisa que que dói, né? Porque às vezes ela poderia simplesmente, entre aspas, aceitar, né? Esse padrão que vai que todo mundo está impondo se vocês não colocassem para ela de forma tão natural sobre a família dela, né? Então é importante, lógico, a gente gostaria que ela não passasse por isso em momento nenhum, mas é importante ela reconhecer. Como não?

A fala da amiguinha não tá certa, mamães, me ajudem aqui. Que que tá acontecendo, né? Exatamente. Até porque os sentimentos eles é, ela vai entendendo o que ela tá sentindo, né? Às vezes ela ficou com raiva, às vezes ela ficou triste.

E aí ela é tem a confiança de trazer pra gente e a gente trabalhar aquele tema. E eu acho que tem um outro ponto além da confiança, que é muito importante nessa questão, ela tem a confiança de trazer pra nós. É o fato de que a gente consegue explicando para ela, mostrar que naquele caso errada está amiguinha de não ter referências e não É Ela de ter uma família diferente. A gente tem que começar a deslocar o lugar do incômodo da da vítima, né? De quem está compondo aquela minoria, e jogar para o outro.

O preconceito é seu, não precisa estar comigo. Exatamente, a gente não é obrigada a aceitar, né? A receber isso, né? E Ah outra, vocês acabaram respondendo nessa. Se ela já tinha trazido dúvidas da escola pra casa, então vou pular.

É bom essa. Quem ouviu o outro episódio já sabe, mas vou perguntar, ela gosta de ouvir ou ela já perguntou sobre a história de como ela nasceu? Super. A gente tem um álbum. É do parto, né?

Que pega ali desde da da da casa, né? A gente ficou 11 longo período ali dentro de casa e depois foi. Para o hospital, né? Então a fotógrafa acompanhou todo todo esse passo a passo e a gente tem um álbum que ela, desde muito nova, lê como se fosse um gibi, e aí ela sabe exatamente, né, como como tudo aconteceu e ela pede todos os dias para ouvir essa história, então ela tem muito essa consciência, né? É muito vivo para ela como as coisas aconteceram, não é algo, sabe?

Parece assim. É, fica no imaginário, né? Uma coisa como se a criança não entendesse como ela chegou aqui não. Ela consegue ver o sangue que saiu. Ela sabe quem tocou ela primeiro, ela sabe quem tava ali esperando ela.

Então é muito legal ver como ela internalizou isso e como isso. Virou parte da história dela mesmo. Né? E como ela gosta disso, né? E como Pra Ela isso é normal, é natural, e não aquela coisa de ver a Cegonha.

E trouxe, deixou você aqui, né? Isso sim, a criança vai ficar perdida, né? Nessa realidade, né? E tem um vídeo também do nascimento dela. Então todo esse passo a passo contado nas fotos.

Também tem 11 pequeno vídeo assim que ela ama assistir uhum. Então a Clarice é a maior fã da própria história dela. Mas eu acho legal isso. Eu vi no Instagram uma vez. 11 moça também que a.

Ela filmou o parto, né? E aí na hora que a criança nasceu, ela estava muito emocionada e ela ficava, é o Conrado, é o Conrado, e aí o vídeo era o menininho falando mamãe, mamãe, como foi que você falou mesmo quando eu nasci e ele achava o máximo que ela falava, é o Conrado. Então pra criança é muito bonito, é muito gostoso isso, né? Ela percebe o quanto Ela Foi amada e desejada em todo esse momento, né? É?

Lindo, materializar é muito bonito. É, e alguma vez ela já perguntou sobre o doador? Não. Eu acho que essa parte assim, mais biológica, vamos colocar dessa forma. Eu acho que a gente não chegou aí exatamente nesse lugar.

Acho que ainda tá muito cedo. Ela precisa ainda depender outros conceitos, né? Não sabe ainda do que é necessário para formar um embriãozinho, né? Que uma parte vem do corpo macho, a outra vem do corpo fêmea. Isso ela ainda não sabe.

É muito complexo ainda pra cabecinha dela, então ela só entende. Que criou se ali o embriãozinho, né? No dentro da clínica e o médico colocou, mas ela não sabe o que foi necessário para chegar ali, então. Ela é pequenininha, mas pode ser que chegue esse momento, né? E a gente tenha que trabalhar, né?

Como? Como aconteceu. Mas assim, eu acho que até lá a gente também vai trazendo tantas camadas, né? Ah, sim. Ela já é uma criança tão segura, né?

Exatamente, sobre família, sobre, enfim, eu acho que tende a ser um. Um detalhe uhum, né uhum? É eu. Hoje, quando eu penso no doador, eu penso como se fosse doação de sangue. Assim eu penso numa numa doação de um fluido necessário para fazer alguma coisa.

Assim como eu doo o sangue, né? Para ajudar outras pessoas em outros tratamentos. É, ele doa sêmen e mulheres doam óvulos e assim a vida segue, né? Então eu hoje penso assim, como a gente vai traduzir isso no momento em que em que ela começar a compreender e tiver aulas, né? Talvez sobre isso, pra entender os gametas e toda aquela coisa.

Aí acho que a gente vai ter que ir explicando, adaptando pra linguagem, né? Da idade dela, mas eu não vejo grandes dificuldades assim. Ah, sim, porque vocês estão construindo isso já muito forte desde agora, né? É diferente do que se ela fosse surpreendida, né? Lá na frente e tudo fosse um tabu pra.

Falar da chegada dela, né, então? Concordo. É. E a gente escolheu também não tratar o doador como uma pessoa que fez parte do tratamento, porque a gente não vê dessa forma. A gente vê realmente como 11 doação de um fluido mesmo assim, sabe?

Então, assim, eu não buscaria saber quem doou sangue para que eu pudesse receber uma transfusão, caso eu precisasse. Então acho que se a gente já não coloca esse peso tão grande, que é diferente, né? As pessoas ainda falam com muita muito tabu sobre isso e achando nossa, o doador é o quem é o pai? Não, não é pai, sabe? Assim como você não, não não tem parentesco nenhum com a pessoa que você doa sangue ou qualquer outra coisa, né?

Então, assim, a gente lidar nesse lugar de anão personificar. Esse doador já ajuda com. Certeza. Excelente. Achei excelente.

Sua, sua é seu exemplo, sua colocação. Vou pegar pra mim. Gostei muito. E alguma pergunta dela alguma vez deixou vocês sem resposta? Olha, eu não tenho medo de falar que eu não sei Pra Ela assim, quando ela perguntar algo que eu não sei, eu falo que eu não sei mesmo assim.

É, às vezes eu pesquiso para depois responder, mas eu acho que nenhuma pergunta que ela tenha me deixado sem resposta por eu ficar encabulada. Acho que até hoje não. Assim, até hoje eu consegui responder todas as perguntas e quando eu vi, estava começando a complicar. Ela mesma mudava de assunto assim, que acho que estava complexo. Até para ela ela já deixa.

De falar, então acho que. Até agora, não. Que bom. E deixa eu achar minha aqui, como os avós participaram dessa jornada? Eu acho que foi caindo a ficha aos poucos, né?

E eles participaram como a gente No No começo, né? Pelo menos Na Na segunda tentativa, evitou falar. Até as 2 semanas a gente é começou a ter esse acompanhamento, mas depois, né? E aí eu acho que a participação mais ativa assim dos avós. Foi depois que ela nasceu de fato, né?

Na rede de apoio, como a gente já tava muito entregue, né? Especialmente a Marina. É pra viver aquilo, né? E aí vem aquela situação, né, do preparo, da vontade de ter o filho. A gente realmente tava entregue naquele momento, então a gente precisou mais de.

De da rede de apoio, depois do que de fato um alicerce ali para para movimentar essa vontade, né? E aí eu acho que entra os avós por eles morarem aqui na cidade também, como uma rede de apoio muito forte. Então hoje eles são, né, indispensáveis. Não só porque a Clarice gosta de estar, né, mas também porque nos ajuda, né? Para que a gente não, não, não seja, por exemplo, o que a minha mãe foi, né?

Esse peso todo da maternidade. É ou o que a mãe da Marina foi, né? De ter 3 filhos morando em outra cidade e não ter uma rede de apoio e ter que fazer tudo, né? Tendo que fazer tudo, porque aquela geração já pedia que a mulher trabalhasse e fosse mãe, né? Então eles eles apoiam muito nesse lugar.

E eu acho que é um privilégio, né? Não só pela Clarice ter aí a participação dos avós, mas. Por a gente também ter uma rede de apoio forte, né? É acho que a gente ressignifica muito a relação com os nossos pais depois que a gente se torna. Assim, com certeza é um.

Um bônus da maternidade, você vai fazer uma? Pro mal, né? Exato, você pode reciplicar pros 2 lado, né? Exatamente, você pode descobrir coisas que você não queria. Mas acho que mexe assim, de de todo modo, você sai daquele lugar, você dá uma mexida nas relações.

Acho que se você souber aproveitar EE. E guiar você consegue extrair alguma coisa de positivo sem positividade tóxica. Mas assim é alguma coisa você consegue pelo menos entender. Eu acho que a gente cura algumas das nossas feridas também, né? De vivenciar a maternidade.

É impossível você olhar para outra mulher que foi mãe e não falar, desculpa, eu não sabia, eu não sabia, né? Então, assim, e aí olhar para as nossas mães e fazer esse, essa, esse mesmo movimento. É muito rico, não justifica tudo, mas explica muita coisa, então isso já por si só deixa para trás alguns fardos assim. Não tem toda razão, concordo com vocês. E houve alguma conversa difícil com familiares?

Eu acho que foi quando a gente começou a é colocar limites, né? Então a gente, por exemplo, a questão da televisão, a questão do doce, essas conversas mais iniciais ali, eu acho que. Deu 11 certa, um certo choque assim de. Cultural, né? Cultural é exatamente.

Mas depois eu acho que eles, de uma certa forma, se alinharam ao que a gente estava esperando e o que a gente queria trilhar. Como? Maternidade, né? Eu acho que esse foi o. É, a gente foi abrindo as exceções, né, e acho que ampliando esse limite aos poucos, mas eles sempre nos respeitaram muito.

Mas acho que é esse momento de colocar para eles, olha, é assim que a gente quer fazer, e esse assim às vezes é muito difícil de como eles fizeram isso, traz um choque cultural grande assim. Então tiveram sim conversas difíceis que aconteceram ao longo desse caminhar. Ah, eu não quero dar chupeta, eu não quero dar doce até os 2 anos. E aí? E eles precisaram entender que essa maternidade era nossa, né?

Essa maternidade não é dos avós e que a gente é muito contra aquela ideia de que os avós função do avô é estragar o neto, sabe? Eu acho que isso é um desrespeito absurdo, uma violência gigantesca. Eu acho que a função do avô e da avó é é muito maior, é. É algo assim, que só vendo os nossos pais se transformarem em avós para a gente conseguir entender AO quão bonito pode ser isso todos os ensinamentos que eles podem dar. Tudo que eles podem vivenciar com os netos, que talvez eles não puderam vivenciar com a gente porque eles estavam numa época de trabalho.

Então, assim, não é sobre fazer coisas escondidos, sobre estragar e entupir a criança de doce, fazer o oposto do que seu filho está pedindo, sabe? Eu acho que é. Eles precisam transcender essa ideia. E a gente precisa parar de achar graça nessas coisas. Quando a gente vê esses conteúdos na internet também, porque isso só prejudica relações.

E querendo ou não, é mães e pais de pessoas LGBT. Sabem que os filhos e filhas são disruptivos minimamente, né? Porque ser quem você é é assumindo essa essa carga por si só, AA mãe. E o pai já sabe que vai ter uma outra vivência com aquele filho ou com aquela filha quando for mãe ou pai, né? E aí eles já tinham essa noção, né?

Já tinham essa noção que não seria da forma como eles queriam. Então a gente teve que pôr daquele jeitinho alguns limites, pensando que é uma troca, né? A gente também precisa. E eles querem também ter essa convivência com os netos. E a gente também tem condição de ensinar.

Eu acho que isso quando você tá nessa questão geracional, né? Os avós entendendo, eles agora são avós, mas eles são nossos pais. Então, de uma certa forma, eles sempre vão achar que eles ensinam e a gente aprende. E quando eles entendem que a gente também tem coisa para ensinar. É uma Barreira a ser rompida, mas quando isso se rompe, é tão bonito de ver eles conseguindo falar e aprender coisas novas, enxergando o que que é saudável, o que que é uma brincadeira, o que que é um cuidado?

Sobre o abuso, sobre atenção, sobre nomear o corpo. Eles aprendendo coisas que talvez quando eles eram pequenos ou quando eles foram pais, eles nunca tiveram esse tipo de. De conhecimento? Então que bonito, né? A gente poder oferecer isso para eles também.

Com certeza. Maravilhosa. A resposta de vocês também. E o que mudou na família depois da chegada da Clarice? Tudo.

É outra família. Tudo a bagunça, tudo. Eu acho que mudou tudo. A nossa relação mudou. A nossa forma de ver o mundo mudou.

A forma de se relacionar com a casa mudou. Eu acho que a gente se reencontra, se reconecta, entende de novo ao longo do tempo quem você é e o que você deseja ser. Algumas partes de quem você é, você deixa para trás e você fala, que bom que eu deixei para trás. Outras você deixa e fala que triste. Gostaria de fazer ainda, mas agora não dá.

Mas a vida mudando, com a chegada de uma criança, te apresenta muitas possibilidades e eu acho que a gente escolheu viver essas possibilidades. É olhando por um lado de evolução, do positivo, do novo, de de coisas boas, né? A gente vê muitos casais aí, é enfrentando muitas dificuldades, separando os primeiros anos de nascimento da criança, porque é desgastante, é muito difícil, é. Vocês vão duvidar de muitas coisas nesse processo, sabe? E a gente também passou por tudo isso e agora a Clarice, com 4 anos, eu acho que a gente tá começando a.

A ter mais tranquilidade, porque é um furacão mesmo. A vida muda completamente, vai mudar um pouco mais para quem gestor, porque você tem questões hormonais, biológicas, então assim que a gente não tem como explicar, não dá para por em palavras, né? Você se perde completamente de quem você é, mas quando você se permite, né? Reconstruir isso? EE remodelando a vida eu prefiro muito mais a vida pós Clarice do que a vida pré Clarice.

É, eu acho que eu essa ideia de aceitar a mudança, sabe? Eu acho que eu briguei muito. É insistindo ser o que eu era depois da Clarice, sabe? É, é que eu era antes, depois da Clarice, depois que ela nasceu, manter essa mesma pessoa, né? EE, eu acho que depois que eu aceitei, que mudou.

Sabe? E que eu teria que trilhar um novo caminho e reorganizar as minhas prioridades. Depois que eu aceitei de fato, isso aí começou a ficar mais leve, sabe? Eu consegui de fato enxergar. Porque é interessante, né?

Parece que que vira 11 negocinho assim que você entende e fala, não, realmente eu não vou voltar mais para aquela vida daquele dia. Porque no começo, pelo menos falando por mim, você tem a sensação assim, nossa, eu tô num furacão, mas é só até eu me localizar depois que eu me localizar tudo. Vai me dar normal, é? E aí passa um mês, 2 meses, e você não se localize, 3 meses, 6 meses, até que chega 1 hora você fala, não, gente, não vai. A nossa família é diferente.

Agora tem um integrante a mais, tem outras rotinas e aí é aceitação. Gabi, acho que é a palavra do que mais define mesmo. Né? Mas é um processo quase de luto, né? É.

Porque você era, né? Porque o seu relacionamento era a sua rotina, né? Exatamente, e eu acho que é um, mas é um momento que a gente tem que se permitir, olhar e falar. Cara, talvez o que a gente vivia antes não era tão perfeito quanto pode ser agora, porque a gente idealiza muito as coisas, né? É aquele tal do eu era feliz e não sabia, mas será, será que não tinha problemas?

Será que não tinha dificuldades? Porque agora também vai ter o que que a gente vai fazer com essas dificuldades, né? Então, acho que quando a gente para de problematizar também tanto as coisas ou achar que antes de ter filhos era perfeito, eu era livre, leve e solta. Era tinha dificuldades também, a gente só talvez não olhava tanto para elas. E a maternidade?

Ela escancara as dificuldades do casal, da família, da casa, de tudo. Ela joga um holofote para todos os problemas. É uma oportunidade, a gente pode escolher, né? Olhar para isso como uma oportunidade ou como fim da linha, exato, então. Exato, é, mas a gente não tem.

É o que você falou antes, né? É da gente olhar para para mãe e falar, me desculpa, eu não sabia como era pesado. Esse eu acho que é outro assunto que a gente só entende quando está do outro lado, né? Realmente, porque é uma mudança. Mas concordo com vocês que assim depende da da forma como a gente vai olhar para essa mudança.

Ela com certeza pode ser muito positiva, né? E. É, e às vezes a gente vai precisar de ajuda nesse caminho também, que isso é importante, né? Às vezes a gente vai precisar de ajuda. A gente não vai conseguir chegar nesse pensamento positivo, nesse olhar positivo sozinho.

Então às vezes a gente vai precisar procurar uma terapia, né? Então psicólogos, psicólogas, às vezes psiquiatras, então assim, existem tratamentos, existem outras formas de apoio para dar esse. Esse plus ali que você precisa, terapia de casal então assim, tem vários mecanismos que podem ajudar, porque às vezes é algo seu, às vezes é algo do casal, mas você não precisa lidar com isso sozinho, sabe? Ficar ali no fundo do poço sofrendo ou acabar com a relação. Existem mecanismos pra pra esse tipo de apoio, então nem sempre a gente consegue sair sozinho.

Às vezes sim, às vezes não. E é tão importante a gente falar sobre isso, né? Porque parece que vem uma culpa. Eu lembro muito de uma paciente minha. Ela fez vários tratamentos até o sucesso e.

E aí ela engravidou de gêmeos e ela sempre foi muito querida, muito presente. Ela estava sempre alto astral, respondendo tudo tal e a gente faz o acompanhamento, né? Depois do da gravidez, do parto e tudo. E aí depois que os bebês nasceram, a gente tentava falar com ela e não conseguia e a gente achou as vezes, tá na correria, né? Tudo e manda uma mensagem, manda outra e tal.

Meses depois ela apareceu e ela AI desculpa, não consegui responder antes e tudo foi um período muito difícil depois do nascimento dos gêmeos. Eu tive uma depressão pós parto muito severa e aí ela fala na mensagem, ela coloca assim, e eu me culpei muito por isso, porque eu sempre quis muito ter esses bebês. Eu lutei muito por eles e eu não aceitei que eu estava em depressão pós parto. E é bem essa a sensação, né? Parece que se a gente fala dessa, dessa sensação de luto, dessa tristeza, parece que você está sendo ingrata pela maternidade, quando na verdade não, né?

Isso é normal, é a vida mudando e a gente sendo obrigada ainda. Mais quando você faz um tratamento, poxa, você foi? Você pagou, você fechou, você fez isso, não foi? Às vezes, né, aquela coisa natural assim, Ah, aconteceu e depois eu fiquei triste, não e assim, a depressão pós parto, o baby blues, tem várias coisas que acontecem que são biológicas, ali a gente não consegue saber se a gente vai ter ou não, né? Por mais que a gente tenha desejado, eu poderia ter tido, mesmo tendo a certeza que eu IA ser mãe desde a adolescência, então assim como saber, né, você tem que buscar ajuda, eu acho que Oo pra tudo, não só.

Pós parto, mas eu acho que na vida, se a gente percebe que não tá legal, que eu não tô conseguindo sozinho, a gente não pode ter medo de buscar ajuda, porque quanto antes a gente buscar ajuda, mais fácil é o tratamento, mais rápido a gente consegue se recuperar, porque às vezes você tá tão lá no fundo do poço que vai ficar difícil, vai ser mais custoso, vai ser mais demorado, né? E aí agora você é mãe, você depende, aquela criança depende, aquelas crianças dependem de você, né? Aí você vai é culpa em cima de culpa, em cima de culpa, não. Realmente. E Ah, essa aqui vamos ver.

Vocês acham que a Clarice se parece mais com o? Jeitinho de quem? AI depende. Eu acho que é uma mistura boa. Né não só.

Fisicamente, mas. Mas eu acho que o jeito assim, por exemplo, essa parte comunicativa, com certeza da Marina, mas a parte assim, de meio curiosa meio. É desconfiadas. É, eu acho mais parece que a Gabi, eu acho que depende assim, ela Ela Foi pegando muito jeitinho de nós 2, então tem coisas que ela faz às vezes o jeito que ela dorme, às vezes estão as 2 dormindo assim, elas estão na mesma posição, é inacreditável. Então tem coisas que se parece muito com ela, tem coisas que se parece muito comigo nessa parte mais extrovertida e faladeira é realmente meu, mas assim, tem outros comportamentos que que lembra muito a Gabi, então é uma.

Uma misturinha boa? Mas isso é uma coisa boa da gente trazer também, porque, por exemplo, eu já tive algumas pacientes que quando a gente tava falando sobre óvulo de doadora, né, como opção de tratamento, uma vez uma resposta de uma paciente me marcou muito, que ela falou assim, Ah, mas eu vou olhar e eu não vou reconhecer nada meu. Se alguém falar assim, Ah, mas a criança tá fazendo isso, puxou você? Eu vou saber que não puxou porque não era do meu óvulo e na verdade é tão maior do que isso, né? A maternidade, o desenvolvimento da criança, né?

É, e eu sempre respondo dessa forma. Eu falo, olha, se a gente for vir. Vincular puramente ao DNA, né? Mas a maternidade é tão maior do que o DNA, né? A parentalidade é tão maior, né?

Você gestar, você ter o parto, puerpério, você passar pela a educação daquela criança, né? O desenvolvimento de um ser humano. Ali, né? E mesmo assim, quando a gente vai escolher as características de um doador, por exemplo, a gente escolhe coisas superficiais, pensando que as pessoas se parecem. Então assim, Ah, a cor do cabelo da Gabi é a cor dos olhos da Gabi.

Então a gente procura todas essas. Semelhanças? Então assim, ela tem pais, né? Os pais miscigenados, então vamos buscar essa miscigenação no doador também. Então assim, coisas que esse doador poderia ser completamente diferente dela, mas quando você traz para características.

Se parece e não atua. Muitas pessoas falam que a Clarice é a cara dela. Então assim, depois, no dia a dia, é natural que as pessoas fiquem procurando semelhanças físicas. Então é, os avós vão fazer isso, todo mundo vai fazer isso, as pessoas vão comentar. Eu acho que é importante.

A gente tá muito seguro de si, de entender que. A minha maternidade não depende do DNA, a maternidade não dela não depende do DNA, porque e os 2 lados precisam trabalhar isso. Então por mais que eu tenha utilizado um óvulo meu, eu preciso trabalhar isso também, porque pra que eu não envalide a maternidade dela e tampouco ache que o doador tem qualquer participação na maternidade, então assim as 2 partes precisam. Está muito alinhadas para ficar tranquilas, para poder enxergar isso como uma coisa natural. As pessoas buscam se reconhecer, né?

A gente faz essa leitura visual antes de falar com alguém uhum é. É natural, é impossível a gente controlar. Né? Então a gente olha para o outro, a gente já vê se ele está recetivo para conversar ou não, então essa primeira leitura é impossível e mesmo assim a gente vê como essas características ali, na hora de escolher o doador, você ainda consegue encontrar. Então a minha sogra via, via a Clarice bebezinha e falava nossa, era a cara da Gabi quando era bebê, então ela jurava de pé junto que era idêntico aham e meus pais faziam o mesmo do lado de lá.

Então assim cada um vai buscar a referência que tem uhum, então as pessoas vão olhar para ela, vão olhar para a Clarice e falar. Cara, crachá. Aí vai olhar para mim e falar, cara, crachá. E aí segue o vale. Acho que mais a gente está segura de entender o que que é maternidade para você.

E tem muita gente que ainda está preso, né? Na maternidade biológica. E aí assim, não é que seja o fim do mundo, mas é que precisa ser trabalhado, porque se você está entrando no tratamento para recorrer a um alvo de doação ou a um doador de sêmen, também. Você precisa saber disso antes, porque aí você evita esse, esse transferir isso. Também para criança.

Exatamente, exatamente. É é engraçado falar isso, porque é aquela ideia da da maternidade, da não gestante, né? Eu não consigo nem falar muito porque para mim é é muito mais valioso essa construção do que de fato eu ter uma participação biológica. É na vida da Clarice, sabe? Então, para mim, fica muito nesse lugar.

Não, não, não é um problema, sabe? Nunca foi. Inclusive, a gente talvez nunca tenha nem discutido sobre isso, porque realmente não passa por esse. Mas tem muita gente que mas tem. Muita gente que me pergunta isso sabe chega pergunta como que você lidou?

Aí eu tipo, tá tudo bem, EE, aí eu me apoio nisso, é a construção, eu participo, eu vou participar da maior parte da vida dela, né? Não só da formulação biológica dela. Então assim, eu não consigo entender, talvez tenha sido pela minha experiência também, ok? Eu tenho um pai que teve uma participação biológica Na Na minha construção, né? Só que parou por aí.

E o que que ele é? Eu consigo denominar ele como pai. Eu nem consigo denominar ele como pai, entendeu? Ele não teve nenhuma participação direta na minha vida. Então isso reduz ele a um lugar que nem é isso, né?

Então eu acho que essa compreensão ela me me fortaleceu ou justifica em mim. É essa relevância na vida da Clarice que não tem a ver com a parte biológica, sabe? Que lindo, exatamente. E deixa eu ver a próxima pergunta, em algum momento vocês tiveram receio de como ela enxergaria a própria história? Não.

Eu acho que a gente tem muita segurança. Que bom. Sobre quem a gente é primeiro, né? Eu acho que. Isso é o primeiro passo, que é o que a gente falou, né?

Muito. Eu acho que a decisão de ter um filho tem muito passa muito por aí, né? Essas decisões que você tem na vida, de quem você é, o que você quer, né? Essa expectativa que você cria, porque isso vai, não só é aumentar sua frustração caso não dê certo, ou ainda pior, né? Se der certo e não for o que você tá imaginando, a frustração talvez seja ainda.

Maior EE. Acho que o mais danoso, você transfere isso pra criança e transfere pro casamento e vai transferindo pra família, e aí, enfim, não para até acabar destruindo esses espaços que você tanto queria, né? Eu acho que talvez essas certezas individuais, elas são muito relevantes antes de você de fato decidir. É tentar, né? Com certeza, com certeza e.

Ah, essas vocês. Vou. Vou perguntar, mas vocês já responderam No No outro episódio, de uma forma bem bonita também. Como vocês falam sobre as diferentes formas de família? A gente fala muito naturalmente assim pra Clarice, entendendo que é.

A gente não quer trazer desigualdade na nossa fala, a gente quer trazer diferenças mesmo. Então, entender que cada pessoa é de um jeito, que cada Constituição de família é de uma forma. Dentro da nossa própria família a gente tem histórias diferentes, né? Então eu tenho um pai, uma mãe. A Gabi tem só a mãe, mas tem uma presença muito forte da tia, do tio, o que eu já não tenho.

Então assim é os nossos amigos mais próximos. Também tem construção de famílias de 2 mães, famílias de 2 pais, então ela está cercada de famílias. Pronto então ela. Está cercada de famílias assim, diferentes do do padrão, para que ela não precise enxergar com tanta diferença, para que ela tenha cada vez mais repertório. A ponto de que algum dia a gente fala para ela que a família dela é diferente, ela vai perguntar por quê?

Então a gente lida com muita tranquilidade, trazendo e isso não só para famílias, mas para os indivíduos também. Porque a criança vai crescendo e vai começando a perceber que o fulaninho tem o cabelo liso, ela tem o cabelo cacheado, o fulaninho é gordo e o outro é magro, o fulaninho é negro e o outro é branco. Ou uma criança que é altice, que tem um comportamento diferente e ela começa a perceber uma interação diferente no parquinho e ela vai perguntar por. Por que aquela criança age assim? Como é que a gente explica essas diferenças sem trazer 11 problema, uma repulsa, um site perto, né?

Esse, esse tabu. Então a gente aos poucos vem tentando encontrar caminhos para poder trazer essas diferenças, como o que elas realmente são, que são coisas da vida. Perfeito. Essa é uma curiosidade que eu tenho também. É, ela já viu a foto dela como embrião?

Já, já viu? Já tem na geladeira? AI meu Deus. Então ela deve adorar. Ficava olhando também.

A gente fez uns é imãs de geladeira, que são umas tirinhas, como se fosse. Várias polaroides assim, na verdade, parece aqueles. É quando a gente revelava foto antigamente, que tinha aquelas tirinhas. E aí a gente tem uma só foto do Bernardo, que é o nosso cachorro, uma só foto da Olívia, que era nossa cachorrinha que faleceu, uma só fotos da do nosso casamento e uma só fotos dela. Mas era naquela época.

Então tem a foto do embrião, a foto da gente na transferência, a foto do positivo. E tem mais alguma foto? Eu não lembro agora, acho que são 3 ou 4 fotos cada um, mas tem a foto lá, então ela sabe que ela era aquele amontoadinho. De célula. AI.

Que fofinho, meu Deus. Deixa eu ver aqui o que mais? Ela só não sabe. Aí um fanfect, né? Ela só não sabe que a gente tem outros embriões.

Ah. Imagino que ela IA ficar meio assim, né? Ela não sabe. Aí ela IA perguntar, quando vocês vão lá buscar esses outros embriões? Eu?

Acho que isso IA. Criar um triplex na cabeça dela, irmãos, e associar. E aí? Então isso a gente não fala, porque a gente não sabe se a gente vai é querer ter outros filhos, enfim, a gente ainda não tá pensando sobre isso nesse momento. Por enquanto é um não, mas a gente não sabe, então vamos deixar.

E ela nunca perguntou, vou ter irmão, vou ter. Irmão, as pessoas perguntam Pra Ela, né? Então é muito comum que as pessoas perguntam, você quer ter um irmãozinho, uma irmãzinha? Cada hora ela responde uma coisa. Ela já respondeu não.

Ela respondeu sim. Ela já respondeu um irmão e uma. Irmã, só a menina. Só a menina, depois os 2, então cada hora ela fala uma. Coisa, então está tranquilo por.

Enquanto não está pressionando? E o que mais emociona vocês quando vocês contam a história dela? AI, AI, eu sou uma manteiga derretida. Eu me emociono com qualquer coisa assim que diz respeito à Clarice. Assim.

É só eu sair desse lugar mais Sério que eu já é capaz de chorar, porque ela, Ela Foi muito desejada assim, muito, muito desejada. E eu lembro quando a gente fez OA voz, já até embarga, quando a gente fez o chá revelação assim, eu não tinha dúvidas que era menina, porque isso é uma coisa muito louca assim no meu coração. Eu sabia que eu IA ser mãe, eu sabia que IA ser mãe de uma menina e era um destino traçado, não tinha como ser diferente, sabe? E eu acho até que por isso que talvez na minha cabeça, né, é óbvio que não tem nada vozes da minha cabeça, gente. Mas assim, eu acho que a minha primeira gestação foi um menino e ele veio e ele foi, cumpriu o papel dele e ele abriu espaço pra Clarice chegar, porque era isso que eu precisava viver, sabe?

Então eu me realizo diariamente nas pequenas coisas. Nas primeiras vezes dela sempre falei isso pra Gabi, assim eu sou fascinada, nas primeiras vezes eu sou fascinada. EE se tem uma coisa que eu posso dizer para para as mães, pais, enfim, que tiverem vivenciando isso, né? Que forem parir em breve ou que o bebê tiver chegado agora, fiquem atentos as primeiras vezes, porque daqui algumas horas só vai ficar na sua memória. Sabe aquela noite mal dormida que você fica depois, demora uma semana para se recuperar?

Parece que no dia seguinte você descobre que é porque o bebê conseguiu aprender a fazer o caminhãozinho com a boca. E você fala, gente, que loucura. Hoje ela fala pelos cotovelos. Então, assim, já foi a primeira vez que ela entrou na piscina, a primeira vez que ela comeu uma fruta azeda, a primeira vez que ela andou de avião, a primeira vez que ela experimentou uma coisa nova, que ela chutou uma bola, que ela pisou na grama, sabe? Coisas que a gente não consegue lembrar, porque né, mas que.

É apresentar o mundo para um serzinho novo. Então isso é incrível. Ver um serzinho se assim evoluir na sua frente, um ser humano ser criado na sua frente, tirando quando eu penso. Que o meu corpo foi capaz de gerar o ser humano. Isso é impressionante, não é?

Eu acho também muito. Impressionante, eu olho aquele pé, aquela mão e eu falo, eu fiz isso? Você não fica orgulhosa? AI eu falo pra Gabi, eu falo pra Gabi que às vezes eu tenho sensação que parece um pouco alien, né? Aquela coisa assim, meio né, uma coisa gerando, outra coisa que gera.

Mas a hora que eu olho eu falo, meu Deus, o corpo é incrível, como é sensacional essa possibilidade. Assim, eu fico muito orgulhosa de ter, de ter ido atrás, desse sonho de ter, sabe? Conseguido e enfim, né? E realizei muitos sonhos na maternidade, Oo parto foi do jeito que eu pensei. Felizmente tive percalços, como todo mundo tem, né?

Começo da amamentação, aquele sofrimento. Então assim, todo mundo tem seus percalços. Mas no geral, eu sou muito realizada assim. Que lindo. Não tinha pergunta melhor para a gente ferrar esse episódio, porque, nossa, foi muito emocionante.

Não chorei. Mas foi difícil falar a. Verdade. Foi difícil? Foi difícil.

Ela não precisa de muito para mim. Fazer namorada AI, tenho certeza e tenho certeza que olhar para trás faz vocês verem que tudo valeu a pena, né? Todo aquele friozinho na barriga de AI será que a gente vai atrás mesmo? AI será que a gente marca essa consulta? AI vamos começar então, AI transferiu e não deu certo.

Vamos de novo. Olhar para trás e saber que é a historinha da vida da Clarice, né? É isso que cada dificuldade faz, vai dando espaço para outra, né? Hoje eu não tenho mais a dificuldade de amamentação e nem da da noite mal dormida, mas assim é outra dificuldade. Então assim a vida vai tendo fases, vai tendo momentos, mas o combo nisso também é o quanta gente evolui nesse processo.

A gente fala muito de ver o outro ser humano crescendo e se desenvolvendo. E o quanta gente se desenvolve junto, né? Que a gente tem que. Se transformar constantemente para poder educar uma criança, então é uma oportunidade única na vida mesmo. Com certeza.

E que eu tenho certeza que vocês estão desempenhando maravilhosamente bem, viu? Muito obrigada mais uma vez pela presença, pelas palavras. Foi um bate-papo delicioso. Voltem mais vezes com a Clarice. A gente arruma os brinquedos aqui para ela, não tem problema.

Ela vai ficar 2 horas gravando esse episódio aqui nesse microfone, gente? Não, não faz mais podcast de madrugada, né, porque. Na casa dos podcasts das 4 da manhã. Se. Deixar fácil?

Se deixar. Se acordar e for conversar com ela, Gabriela da corda gente, obrigada mais uma vez, viu? Até a próxima. Obrigada por assistir ao papo de tentante. Aproveite e acompanhe o CEFERPno Instagram e no YouTube para ficar por dentro das novidades.

Te vejo no próximo episódio até lá.

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