Câncer e infertilidade nas mulheres: entenda a relação!

Câncer e infertilidade nas mulheres: entenda a relação!

Câncer e infertilidade nas mulheres: entenda a relação!

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Entender a relação entre o câncer e a infertilidade é fundamental para entender também a importância de adotar as medidas mais adequadas à tentativa de assegurar uma gestação futura, após ter realizado algum tipo de tratamento contra o câncer. Vale destacar que há, sim, muitas possibilidades de engravidar, desde que a mulher tenha orientações adequadas e acompanhamento especializado com profissionais de medicina reprodutiva.

Nesse contexto, a proposta deste artigo é explicar por que pode ocorrer a infertilidade após esse cenário. Veja, ainda, quais são os fatores que precisam ser considerados, as causas que mais influenciam essa condição e as soluções mais viáveis para alcançar uma gravidez de sucesso. Boa leitura!

Por que pode ocorrer infertilidade após um tratamento de câncer?

Às vezes, o tipo de tratamento indicado para o caso pode interferir na possibilidade de engravidar no futuro. Essa redução da capacidade de conseguir uma gestação saudável e segura ocorre por diferentes razões.

Além disso, o grau de reversão do problema depende do caso. Ou seja, a infertilidade após o tratamento do câncer pode afetar homens e mulheres em diferentes graus, desde mais brandos até mais severos. Isso também interfere nas chances de gestação espontânea após o tratamento e liberação para gravidez.

Os fatores que levam a essa interferência na fertilidade podem ser devidos à própria cirurgia, como, por exemplo, necessidade de retirada de parte ou todo o testículo ou ovário, nos casos de câncer que acometa diretamente o sistema reprodutor. Porém, mesmo nos casos de câncer em outros órgãos ou localizações, um fator importante que também afeta o potencial reprodutivo é a realização de quimioterapia ou radioterapia, principalmente na região pélvica.

Essas terapias podem prejudicar a fertilidade porque, no caso da quimioterapia, as medicações utilizadas são potencialmente tóxicas aos ovários e levam a prejuízo na reserva ovariana da mulher. Esse dano pode ser variável a depender do quimioterápico utilizado, da idade da mulher e do tempo de tratamento, entre outros fatores. Já a radioterapia, principalmente na região pélvica, também pode interferir na reserva ovariana e nos órgãos reprodutivos devido ao efeito local da radiação. Por isso, esse tratamento também pode afetar as estruturas germinativas e reduzir a capacidade de reprodução.

Quando ocorre dano aos ovários, devemos lembrar também que além da fertilidade ser comprometida, pode haver comprometimento da produção hormonal desses órgãos. Com isso, podem surgir sintomas devidos principalmente à deficiência de estrogênio, o que a coloca em uma condição semelhante à que acontece na menopausa.

Abaixo, vamos entender melhor os danos relacionados aos tratamentos citados!

Radioterapia

Na radioterapia, o processo que prejudica a fertilidade se dá quando a radiação alcança também a região pélvica. Como o procedimento de radioterapia precisa abranger a margem de segurança, outras estruturas envolvidas na gestação também podem ser comprometidas durante uma terapia para tratar câncer de útero, por exemplo.

Quimioterapia

Já na quimioterapia, há o risco de afetar diretamente as estruturas responsáveis pelos mecanismos ligados à função hormonal e reprodutiva das gônadas (ovários ou testículos). O próprio mecanismo de ação das medicações usadas nas terapias quimioterápicas danifica os folículos ovarianos e também os óvulos.

Enquanto os óvulos são as células que serão fecundadas pelo espermatozoide, os folículos são as estruturas responsáveis por armazenar esses óvulos, e têm a função de produzir os hormônios sexuais. Porém, quando esses órgãos e estruturas são afetados pelo tratamento contra os tumores, não só a reserva ovariana pode ser danificada, mas também a capacidade de produção hormonal dos ovários, levando a diversos mecanismos cuja consequência é a diminuição das chances de gravidez.

Essas são alguns exemplos de como os tratamentos oncológicos podem afetar a capacidade reprodutiva.

Portanto, a relação entre câncer e infertilidade precisa ser considerada sob um contexto mais amplo. Os casais que pretendem ter filhos, mas que um dos cônjuges recebeu um diagnóstico de câncer, ou mesmo pacientes ainda sem parceiro ou parceira mas que tenham sonho de ter filhos no futuro devem buscar, paralelamente ao tratamento de câncer, orientações com um especialista em medicina reprodutiva.

Como esse é um tema que precisa ser cada vez mais discutido, garantindo acesso a informações de qualidade para pacientes que se encaixem nessas situações, nós do CEFERP criamos uma campanha voltada exclusivamente para a importância de se atentar à fertilidade e os possíveis fatores que possam levar à sua redução. Para saber mais sobre isso, conheça o nosso Bikezoide.

Afinal, a adoção de técnicas específicas para preservação da fertilidade constitui um importante aliado dos planos de aumentar a família no futuro, tentando evitar possíveis danos psicológicos e emocionais causados pelo diagnóstico da infertilidade.

Como solucionar problemas relacionados ao câncer e infertilidade?

Listamos algumas alternativas que podem ser utilizadas como estratégias para reduzir os impactos do tratamento de câncer na fertilidade. Confira!

Congelamento de óvulos

Nesse tipo de técnica, a paciente é submetida a uma estimulação ovariana como ocorre na fertilização in vitro. A particularidade da estimulação nesses casos é que, para otimizar o tempo de tratamento, ela pode se iniciar a qualquer momento, não sendo necessário aguardar a menstruação. Outra particularidade é que, a depender do tipo de câncer, medicações podem ser associadas à estimulação como forma de proteção da paciente. Após a estimulação, é feita a coleta de óvulos, e os óvulos maduros serão congelados por tempo indeterminado. Geralmente, surge aqui a dúvida de muitas pacientes quanto ao risco de atrasar o tratamento. Porém, na maior parte dos casos, como a estimulação pode se iniciar em qualquer fase do ciclo, o tempo de estimulação até a coleta de óvulos é o mesmo que seria necessário para realizar exames pré-operatórios ou pré-quimioterapia, por exemplo.

Congelamento de sêmen

Assim como as mulheres podem armazenar seus gametas previamente a um tratamento oncológico, os homens podem recorrer ao congelamento dos espermatozoides. O procedimento é rápido e simples, geralmente sem exigir preparo prévio. É realizada uma coleta de sêmen por meio de masturbação e o material obtido é avaliado no laboratório para congelamento. A critério do laboratório e qualidade do material obtido, pode ser necessária mais de uma coleta para garantir maior quantidade de espermatozoides viáveis no futuro.

Congelamento de embriões

Para realizar o congelamento de embriões, o procedimento é muito semelhante aos anteriores, já que a mulher realiza a estimulação ovariana e coleta dos óvulos, e o homem realiza a coleta dos espermatozoides. Por meio da técnica de fertilização in vitro (FIV), os gametas se encontram no laboratório e é possível congelar embriões para utilizar posteriormente, já que eles também podem permanecer congelados por um período indeterminado.

Essas técnicas citadas permitem que o paciente ou casal armazene gametas ou embriões previamente ao tratamento oncológico. Assim, caso haja dano ao potencial reprodutivo em consequência de cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, o material congelado e armazenado previamente fica disponível por tempo indeterminado para uso no futuro.

Com o aumento dos casos de câncer em pacientes em idade reprodutiva e, principalmente, o aumento da sobrevida desses pacientes devido aos avanços diagnósticos e terapêuticos, é cada vez mais fundamental uma abordagem completa quanto ao potencial reprodutivo desses pacientes durante e após o tratamento. Pensando nisso, nossa equipe buscou muitos estudos em oncofertilidade e publicou um trabalho em uma grande revista científica sobre o tema. Confira aqui.

Como você pôde perceber, existem alternativas para tentar minimizar os efeitos nocivos da relação entre câncer e infertilidade e, assim, aumentar as chances de conseguir uma gravidez de sucesso. Porém, para maior segurança nesses procedimentos, é necessário buscar ajuda especializada em instituições experientes e com boa referência em tratamentos de reprodução assistida.

Esperamos ter conseguido esclarecer suas dúvidas sobre a relação entre câncer e infertilidade. Então, que tal assinar a nossa newsletter e receber mais conteúdos como este em seu e-mail?

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Dra. Camilla Vidal

Médica ginecologista com especialização em Reprodução Humana na HCFMRP – USP. CRM-SP 164.436
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