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Prof. Dr. Anderson Sanches de Melo

Médico especialista em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da HC FMRP-USP. CRM-SP 104.975
diagnóstico genético pré-implantacional

Em algumas situações, o tratamento de reprodução assistida não resulta na gestação. Isso pode ser decorrente, entre outras coisas, de possíveis alterações cromossômicas no embrião, que interferem em seu desenvolvimento. Em tais casos, o diagnóstico genético pré-implantacional é uma alternativa que pode otimizar as chances de sucesso.

A técnica também é usada em situações específicas, como quando existe risco de doenças hereditárias, em históricos de abortamento de repetição ou mesmo em algumas condições, como idade materna avançada. Nesses casos, a análise do embrião é realizada antes da transferência para o útero materno, durante o tratamento de fertilização in vitro (FIV).

Quer entender melhor o que é e quando o diagnóstico genético pré-implantacional é recomendado? Continue a leitura de nosso artigo!

O que é o diagnóstico genético pré-implantacional?

O diagnóstico genético é uma avaliação da carga genética do embrião formado por reprodução assistida, durante a FIV. O objetivo normalmente é fazer uma busca ampla para detectar qualquer anormalidade ou alteração cromossômica que possa interferir no seu desenvolvimento, mas também pode ser realizado para identificar uma doença específica, presente no histórico dos genitores ou seus familiares.

A prática pode otimizar as taxas de sucesso dos tratamentos reprodutivos, uma vez que permite uma análise mais criteriosa dos embriões, e desta forma, mais assertividade na seleção para transferência. Normalmente, embriões com alterações genéticas não se desenvolvem de forma adequada, o que dificulta a implantação no útero materno ou, quando isso ocorre, a gestação pode ser interrompida por um aborto espontâneo.

Assim, esse teste é discutido em alguns casos específicos, como:

·        casais com histórico de doenças genéticas na família ou alterações no cariótipo;

·        idade materna acima de 40 anos;

·      insucesso em tratamentos de fertilização anteriores ou abortamento de repetição;

·        casais que desejam potencializar a transferência de embrião único;

·        entre outras possíveis indicações.

Desde 2018, os laboratórios de reprodução humana passaram a chamar essa análise diagnóstica de teste genético pré-implantacional (PGT), de forma a padronizar a nomenclatura dos diferentes procedimentos de diagnóstico genético, que passaram a ser denominados PGT-A e PGT-M. Confira, a seguir, as características de cada um.

PGT-A

A letra A da sigla refere-se à aneuploidia. Ou seja, nesse teste é feita uma espécie de varredura total nos 24 pares de cromossomos embrionários para identificar se existe alguma alteração, seja estrutural ou de número, como as síndromes de Down, de Patau ou de Edwards, que se relacionam a presença de cromossomos adicionais e normalmente estão relacionadas a fatores como idade materna avançada.

O PGT-A também possibilita identificar os casos de mosaicismo embrionário, que são mais raros e ocorrem quando há diferentes linhagens genéticas em um mesmo embrião.

PGT-M

Nessa sigla, a letra M é referente à monogenia, ou seja, um único gene. Esse diagnóstico do embrião tem o intuito de identificar doenças monogênicas hereditárias (ligadas a genes específicos), tais como fibrose cística, doença de Huntington e anemia falciforme.

Como é feito o teste genético?

Após a fertilização in vitro são retiradas algumas células do embrião, por meio de uma biópsia. Nesse processo são retiradas células do trofectoderma, que vão dar origem à placenta. Para que a biópsia seja realizada o ideal é que o embrião esteja na fase de blastocisto, estágio atingido após cinco ou seis dias da fertilização. A realização deste procedimento é considerada muito segura, desde que seja realizada por um embriologista experiente.

Depois de biopsiado, o embrião permanece criopreservado aguardando o resultado da análise genética, feita em laboratório específico, para posterior transferência ao útero.

Vale ressaltar que algumas doenças não podem ser detectadas por esse método de diagnóstico. É o caso, por exemplo, do autismo e de algumas malformações congênitas, como fissura labial. Isso ocorre pois algumas alterações do desenvolvimento embrionário e fetal não têm origem puramente genética, sendo decorrentes de múltiplas variáveis.

Quando o diagnóstico identifica os embriões viáveis, eles estão aptos a prosseguirem com o tratamento de reprodução assistida. Ou seja, o embrião está apto a ser transferido para o útero, quando for o desejo da paciente ou casal. Vale explicar que as etapas para a realização da FIV com o estudo genético dos embriões, a princípio, são as mesmas de qualquer tratamento de fertilização in vitro, ou seja, inicialmente é feita a estimulação ovariana, com a coleta de óvulos, que são fecundados com os espermatozoides em laboratório. A necessidade de realizar o PGT-M pode trazer algumas particularidades, sendo a principal delas a necessidade de confeccionar uma sonda genética prévia ao procedimento, com o intuito de identificar o(s) gene(s) que serão pesquisados no embrião. Outra particularidade é que quando realizamos o estudo genético embrionário, geralmente é indicado o congelamento dos embriões para aguardar a liberação do laudo do estudo e programar a transferência embrionária após.

Ficou em dúvida de alguma das etapas da FIV? Conheça o passo a passo da Fertilização in Vitro em nosso infográfico.

FIV com PGT

Como explicamos, o passo a passo da FIV com o teste genético pré implantacional é muito semelhante a uma FIV convencional. Porém, algumas particularidades podem ser discutidas individualmente. Ao realizarmos esse estudo genético, podemos obter mais segurança no tratamento (por excluir possíveis alterações hereditárias), bem como maior assertividade nas transferências. Isso pode levar a maiores taxas de sucesso em alguns casos específicos, após o diagnóstico.

Outro ponto importante da realização da análise genética é o objetivo de diminuição de tentativas sem sucesso, diminuindo o luto e a jornada das famílias. Como há um refinamento maior na seleção dos embriões, espera-se que a paciente necessite de menos transferências embrionárias, passando assim por menos testes de gravidez negativos. A análise genética não é garantia de gestação, mas possibilita que embriões não viáveis não sejam transferidos para o útero materno.

E o que é PGD?

Embora algumas pessoas ainda utilizem essa nomenclatura, o termo PGD, que se refere ao diagnóstico genético pré-implantacional, foi substituído pelo PGT. Ou seja, trata-se do mesmo procedimento descrito, de biópsia do embrião para análise pré-implantacional.

Antes da atual nomenclatura, o PGD equivalia ao PGT-M, identificando as doenças monogênicas. Já o termo PGS definia o rastreamento genético para várias anomalias cromossômicas, hoje conhecido como PGT-A.

O diagnóstico genético pré-implantacional é um procedimento ético?

Do ponto de vista médico, a resposta é afirmativa. Esse procedimento tem indicações específicas e sua realização está prevista na última Resolução (2.168/2017) do Conselho Federal de Medicina, que versa sobre a Reprodução Humana. No entanto, é importante ter cautela com a indicação do estudo genético. A seleção de características ou puramente escolha do sexo não são permitidas pelo Conselho Federal de Medicina. Além disso, a análise genética do embrião pode esbarrar em crenças individuais e religiosas do casal. Por isso, esse é um aspecto bastante pessoal, que merece ser analisado e discutido com cuidado.

De qualquer forma, existem muitos valores envolvidos. Casais que passam por inúmeros procedimentos e convivem com a frustração dos tratamentos sem sucesso, por exemplo, podem se beneficiar dessa técnica. Afinal, pode ser possível encurtar a jornada rumo à maternidade, otimizar as tentativas e, ainda, reduzir o risco de aborto ou de síndromes, tornando o caminho em busca do bebê mais tranquilo e seguro.

O tratamento individualizado e dentro dos limites éticos proporciona diversos benefícios, especialmente por reduzir o custo emocional ao qual os casais estão expostos. Isso envolve não só a própria realização do estudo genético, mas o atendimento e acolhimento do casal como um todo, proporcionando mais liberdade, transparência e muito diálogo com a equipe de especialistas para que se possa traçar o melhor caminho, único para cada paciente e sua história.

Como encontrar uma clínica que realize esse diagnóstico?

Normalmente, ao procurar um tratamento reprodutivo, o casal já pode estar fragilizado, seja pelo tempo de tentativas frustradas de gestação espontânea, seja pelo insucesso de outros procedimentos.

Assim, é fundamental buscar uma clínica em que o casal possa se sentir confiante e amparado, com um bom laboratório de reprodução humana, com profissionais qualificados e que utilizem os métodos mais modernos disponíveis nos tratamentos e procedimentos laboratoriais.

No CEFERP, a técnica é aplicada em parceria com a Igenomix, que conta com avançada tecnologia e uma equipe pioneira no estudo genético embrionário. Com o uso das melhores práticas e tecnologia de ponta, o diagnóstico genético pré-implantacional vem crescendo, ganhando espaço e proporcionando cada dia mais gestações saudáveis.

Continue a visita em nossa página para saber mais sobre essa técnica e os procedimentos necessários. Grande parte das dificuldades podem ser contornadas e, com o tratamento adequado, é possível realizar o sonho da maternidade!

duostim

Adiar a maternidade é muito comum no cotidiano da mulher moderna. Muitas estão inseridas no mercado de trabalho, são independentes e adiam a gravidez para uma fase de estabilidade profissional, financeira e conjugal. Entretanto, infelizmente, nem sempre esse planejamento coincide com a melhor fase para engravidar, pois o potencial reprodutivo começa a declinar de forma mais acentuada a partir dos 35 anos. Por isso, a American Society for Reproductive Medicine (ASRM) recomenda que mulheres com 35 a 40 anos tentem engravidar espontaneamente por no máximo 6 meses e para aquelas com mais de 40 anos, a investigação das causas de infertilidade deve ser imediata.

Como muitas mulheres vão precisar da FIV para engravidar porque apresentam redução do potencial reprodutivo (baixa reserva ovariana), estratégias que potencializem as taxas de nascimento do bebê podem tornar a jornada curta, segura e confortável. Nesse cenário, o Duostim tem apresentado resultados promissores. Acompanhe este post e saiba mais sobre o assunto!

O que é o Duostim?

Tradicionalmente, a estimulação ovariana na FIV se inicia nos primeiros dias da menstruação (fase folicular precoce) e tem duração média de 10 dias. Por volta do 12º dia é realizada a coleta de óvulos e, se não houver nenhuma intercorrência ou procedimento adicional, a transferência dos embriões para o útero é realizada após 2 a 5 dias.

Para mulheres com câncer que desejam preservar a fertilidade, a estimulação ovariana pode ser iniciada em qualquer fase do ciclo menstrual, pois essas mulheres não têm muito tempo para aguardar a menstruação para iniciar o tratamento. Quando possível, uma nova estimulação poderá ser realizada 2 a 5 dias da primeira coleta ovariana para tentar obter maior número de óvulos antes do tratamento oncológico (dupla estimulação ovariana).

Inicialmente descrito para mulheres com câncer, o Duostim é a dupla estimulação ovariana no mesmo ciclo menstrual, ou seja, no mesmo ciclo são realizadas duas punções ovarianas com o objetivo: de aumentar o número de óvulos e, consequentemente, de embriões.

Quando está indicado o Duostim?

Habitualmente o Duostim foi criado para economizar tempo antes do tratamento oncológico. Recentemente, o Duostim foi utilizado para mulheres com baixa reserva ovariana (redução do potencial reprodutivo). Essa estratégia foi realizada para aumentar o número de óvulos captados em um mesmo ciclo menstrual e, consequentemente, as taxas de gravidez.

Dados preliminares demonstram que o número de óvulos, embriões, taxa de embriões saudáveis geneticamente (euplóides) são semelhantes entre a primeira e a segunda coleta. Entretanto, ainda não há informações sobre a taxa de nascimento de bebês.

Do ponto de vista prático pode-se dizer que o Duostim é para quem pode e não para quem quer! O ideal é que a quantidade de folículos (estruturas do ovário que contêm o óvulo) antes da 2ª estimulação seja ≥ em relação a 1ª estimulação (basal), pois se for iniciada a segunda estimulação com número de folículos muito menor, a quantidade de óvulos captados poderá ser mais reduzida. Nos casos de menor número de folículos antes da segunda estimulação, seria prudente aguardar a menstruação e realizar nova avaliação em outro momento.

Assim, há duas indicações para o Duostim: 1. Pacientes oncológicas; 2. Mulheres com baixa reserva ovariana ou má resposta prévia (três óvulos ou menos captados em ciclos prévios).

Quais as vantagens e desvantagens Duostim?

A indicação do Duostim deve ser realizada com cautela! Ainda faltam estudos de boa qualidade para verificar a real eficácia dessa técnica!

As duas principais vantagens do Duo Stim são: possível aumento do número de óvulos/embriões e redução do tempo para alcançar a gravidez. Entre as desvantagens, pode-se dizer que a segunda estimulação do Duostim pode demorar mais e, consequentemente, a quantidade de medicamentos pode ser maior, o que eleva o custo do tratamento.

Converse com o seu médico especialista e verifique se do Duostim pode ser uma estratégia para você vencer a infertilidade. Acompanhe nossos canais e conheça outras alternativas para a baixa reserva ovariana.

Referências:

Ubaldi FM, Capalbo A, Vaiarelli A, Cimadomo D, Colamaria S, Alviggi C, Trabucco E, Venturella R, Vajta G, Rienzi L. Follicular versus luteal phase ovarian stimulation during the same menstrual cycle (DuoStim) in a reduced ovarian reserve population results in a similar euploid blastocyst formation rate: new insight in ovarian reserve exploitation. Fertil Steril. 2016;105(6):1488-1495.e1.

Vaiarelli A, Cimadomo D, Trabucco E, Vallefuoco R, Buffo L, Dusi L, Fiorini F, Barnocchi N, Bulletti FM, Rienzi L, Ubaldi FM. Double Stimulation in the Same Ovarian Cycle (DuoStim) to Maximize the Number of Oocytes Retrieved From Poor Prognosis Patients: A Multicenter Experience and SWOT Analysis. Front Endocrinol (Lausanne). 2018; 9:317.

Practice Committee of American Society for Reproductive Medicine. Definitions of infertility and recurrent pregnancy loss: a committee opinion. Fertil Steril. 2020; 113(3):533-535.

Embrião grudado na parede do útero na janela de implantação

Garantir o sucesso de uma gravidez necessita do cumprimento adequado de várias etapas. Uma das etapas mais importantes é a implantação do embrião no endométrio, processo que depende da chamada janela de implantação. Trata-se de um conceito muito importante, principalmente nos casos de Fertilização in vitro (FIV).

Conhecendo a janela de implantação, é possível programar a transferência do embrião para o melhor momento do endométrio, como explicaremos ao longo deste post. Quer aprender tudo sobre o assunto? Então continue a leitura!

Descubra o que é a janela de implantação

A janela de implantação é definida como o período mais propício para que o embrião consiga se fixar na camada interna do útero, conhecida como endométrio. Ou seja, é o momento no qual o endométrio encontra-se receptivo à implantação embrionária.

O endométrio é preparado ao longo de todo o ciclo menstrual, de acordo com o crescimento dos folículos e produção hormonal dos ovários, deixando tudo propício para que, após a fecundação do óvulo pelo espermatozoide, o embrião encontre um bom ambiente para se fixar. Esse processo de preparo endometrial e implantação ocorre em todas as gestações e no caso de um tratamento de Fertilização in vitro (FIV) é fundamental saber avaliar o endométrio para também identificar o melhor momento para a transferência embrionária.

Para entendermos melhor como se dá a avaliação do endométrio, a importância dessa estrutura e como conhecer a janela de implantação, vamos primeiramente compreender a relação do endométrio com a fertilidade e o preparo para o momento da transferência.

Qual a relação do endométrio com a fertilidade?

Sendo um tecido que reveste o interior do útero, o endométrio acolhe e nutre o embrião ao longo da gravidez, ou seja, é ele quem oferece as condições favoráveis para o pleno desenvolvimento embrionário até que se forme a placenta.

Por isso, é importantíssimo ter uma avaliação adequada do endométrio para aumentar as chances de gravidez. Essa avaliação deve, inclusive, contemplar o rastreamento de outras doenças que possam comprometer a cavidade uterina e consequentemente a implantação, como miomas, pólipos, cicatrizes e outras malformações uterinas.

Em um tratamento de FIV, após a formação do embrião, é necessário também avaliar as condições do endométrio para que seja possível a programação da transferência embrionária. Essa avaliação inclui a visualização da característica e da espessura endometrial durante o preparo, e após atingir o estágio desejado, será programada a transferência embrionária para o momento calculado como a janela de implantação para o embrião.

Neste período, é quando teoricamente espera-se que o endométrio esteja “aberto” à implantação. Pode ser comparado a uma abertura para novas possibilidades. Nesse caso, a possibilidade de uma nova vida!

Como deve ser o preparo do endométrio?

Para o endométrio ser considerado preparado para a transferência, ele precisa oferecer algumas condições ideais.

Em gestações espontâneas, esse preparo do endométrio é realizado pelas próprias mudanças orgânicas ocasionadas ao longo do ciclo menstrual. Para a transferência de embriões pós FIV, é possível que o preparo endometrial ocorra de duas formas:

  • em ciclo natural: dessa forma, os próprios hormônios do ciclo menstrual são responsáveis pelo preparo do endométrio;
  • em ciclo artificial: nesse caso, são administrados hormônios para “substituir” a função dos ovários e simular o que ocorre ao longo do ciclo. Esse último costuma ser mais utilizado por permitir maior flexibilidade e controle do preparo endometrial.

Importante mencionarmos que os preparos acima se referem à transferência de embriões congelados, já que em ciclos de transferência a fresco, o próprio processo de estimulação dos ovários para a coleta se encarrega de também preparar o endométrio para a transferência.

Durante o preparo endometrial, o hormônio mais importante inicialmente é o estrogênio, responsável pelo espessamento do endométrio. Nesse período, o endométrio passa pela fase proliferativa. Após atingir a espessura adequada ou após a ovulação, a ação principal desejada é da progesterona, hormônio responsável pela transformação do endométrio para a fase secretora, passando por mudanças que determinam a receptividade do mesmo. Entre essas mudanças, podemos citar o alongamento das glândulas e o aumento do fluxo sanguíneo, aspectos essenciais para a nutrição do embrião.

Portanto, é esse preparo e principalmente o tempo de exposição à ação da progesterona no endométrio que determina a janela de implantação. A partir da identificação de um endométrio adequado e da consideração do período necessário de exposição à progesterona é que será definido o melhor momento para a transferência embrionária.

Entendendo esse conceito, podemos também compreender o porquê de a janela de implantação não ser um período fixo para todas as mulheres, já que depende de como são os ciclos menstruais, o tipo de preparo endometrial utilizado, entre outros fatores.

Mesmo em um ciclo de FIV em que hajam bons embriões e um bom preparo endometrial, infelizmente podemos nos deparar com o cenário da falha de implantação. Não há consenso para essa definição na literatura, e alguns autores consideram como falha de implantação quando não obtemos sucesso após duas transferências embrionárias com embriões de boa qualidade.

Nesse caso, uma das hipóteses aventadas é o deslocamento da janela de implantação. Ou seja, segundo essa hipótese, aproximadamente 20% das mulheres podem precisar de um período maior ou menor de preparo endometrial e ação da progesterona no endométrio, para que ele seja receptivo. No intuito de tentar avaliar a janela de implantação de forma mais individualizada, surgiu o teste ERA (Endometrial Receptivity Array).

O que é o teste ERA?

O exame conhecido como ERA (Endometrial Receptivity Array) ou teste de receptividade endometrial é feito para tentar identificar a janela de implantação de forma personalizada, encontrando o momento ideal para transferência embrionária em um endométrio receptivo.

O teste é realizado através de uma amostra endometrial obtida por biópsia. No material obtido, é feita uma análise, em laboratório específico, de 238 genes para se definir se o endométrio encontra-se ou não receptivo.

Geralmente, para ser realizado esse exame, é necessário que seja feito um preparo endometrial (em ciclo natural ou com uso de medicações) e que a biópsia seja programada para um período exato de tempo após o início da ação da progesterona. O procedimento de biópsia é simples, geralmente realizado através de exame ginecológico, sem necessidade de sedação.

Ao se obter o resultado do exame, ele informará se o endométrio no momento da biópsia apresentava sinais sugestivos de estar receptivo ou não receptivo, para que se possa adequar a janela de implantação conforme o resultado do exame.

Quando é necessário o ERA?

O teste ERA não deve ser interpretado como obrigatório para todas as mulheres e sua indicação deve ser avaliada sempre de forma individualizada, pesando-se vantagens e desvantagens na conversa com o especialista em reprodução humana.

Alguns fatores podem ser considerados ao se avaliar a possibilidade da realização do ERA. Entre eles, podemos citar os casos de falha de implantação, ou seja, que já tiveram algumas tentativas de fertilização in vitro sem sucesso, mesmo com embriões de boa qualidade.

É importante frisar que o teste ERA só pode ser realizado por especialistas e que sua aplicação se dá para os tratamentos de FIV, já que é nesses casos que teremos a programação de transferência embrionária.

Procure uma clínica especializada

Como você pôde perceber, o preparo do endométrio e a identificação da janela de implantação necessita do conhecimento de vários fatores envolvidos, que somente uma equipe especializada em reprodução humana poderá avaliar de forma mais precisa.

Assim, busque uma clínica que tenha credibilidade no mercado, laboratórios modernos e comprovação na eficácia dos tratamentos. Acima de tudo, busque um local onde você se sinta segura e livre para esclarecer suas dúvidas e receios com tranquilidade. Dessa forma, certamente a jornada em busca do bebê será mais leve e proveitosa!

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Homem dando beijo na cabeça da mulher com lenço, como alguém que passou por quilioterapia

Maternidade ou paternidade após tratamento de quimioterapia: conheça as técnicas de preservação da fertilidade

Entenda como a preservação da fertilidade, técnica de reprodução humana assistida, pode auxiliar quem vence o câncer a realizar o sonho de ter um bebê.

Aproximadamente 10% dos casos de câncer ocorrem durante a idade reprodutiva e, por causa do tratamento, muitas vezes a maternidade/paternidade necessita ser adiada.

Nos últimos anos, o desenvolvimento de tratamentos efetivos de combate ao câncer tem reduzido a mortalidade e, consequentemente, a sobrevida tem tido aumento significativo. Por isso, após período adequado livre da doença, muitas pessoas desejam concretizar o sonho de ter um bebê! Entretanto, se não houver um planejamento reprodutivo rápido, seguro e objetivo, pessoas com câncer poderão ter dificuldade para engravidar no futuro.

Apesar dos benefícios do tratamento oncológico, a redução da fertilidade devido à quimioterapia/radioterapia ou mesmo a cirurgia pode esgotar definitivamente a possibilidade de gestação com gametas próprios (óvulos ou espermatozoides). E após o controle efetivo do câncer, a infertilidade pode trazer repercussões emocionais/sociais, desrespeitando a autonomia e desejo da pessoa!

Para minimizar estes prejuízos, a preservação da fertilidade pode aumentar a esperança de ter filhos no futuro utilizando óvulos, espermatozoides ou embriões congelados antes do tratamento do câncer. Você quer saber mais sobre a preservação da fertilidade? Então continue lendo este post!

Quais as técnicas disponíveis para a preservação da fertilidade em pessoas com câncer?

Existem técnicas regulamentadas (congelamento de óvulos, embrião e sêmen) e experimentais (congelamento de tecido ovariano e testicular) para preservar a fertilidade. Mais recentemente, o Oncofertility Consortium, uma renomada sociedade internacional, tem considerado o congelamento de tecido ovariano como uma técnica regulamentada. Entretanto, o sucesso futuro para alcançar a gestação com esta técnica ainda apresenta resultados pouco efetivos. A seguir, serão descritas as principais causas de preservação da fertilidade:

  • Congelamento de embrião: o casal é submetido a fertilização in vitro (FIV) de emergência. A estimulação ovariana com hormônios pode ser iniciada em qualquer fase do ciclo, não sendo necessário aguardar a menstruação.
    No Brasil, a resolução nº 2168/2017 do Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda que os embriões devam ficar congelados por no mínimo 03 anos.
    O congelamento embrionário para preservação da fertilidade envolve a participação do casal e durante a fase do diagnóstico do câncer, a logística pode ficar complicada, principalmente se o parceiro for a pessoa acometida pelo câncer.
    Além disso, o congelamento de embriões para preservação da fertilidade retira a autonomia dos cônjuges, visto que o uso dos embriões deverá ser autorizado pelo casal no futuro (embora existam algumas cláusulas que podem garantir o uso futuro na ausência de um dos parceiros).
  • Congelamento de óvulos: a mulher é submetida a estimulação ovariana de urgência em qualquer fase do ciclo menstrual, mesmo se estiver utilizando anticoncepcional.
    Neste procedimento são realizados vários exames de ultrassom para controle do crescimento folicular (estrutura ovariana que contém o óvulo).
    Após um período de aproximadamente 10 a 14 dias de estimulação dos ovários, os óvulos podem ser captados através da punção ovariana sob sedação e posteriormente congelados em nitrogênio líquido (vitrificação).
    O congelamento de óvulos é a técnica de primeira escolha para mulheres com câncer porque os óvulos mantem a autonomia reprodutiva feminina e podem ser descartados a qualquer momento, sem necessidade de autorização do cônjuge.
  • Congelamento de sêmen: trata-se de uma técnica consolidada nos serviços de reprodução assistida para preservação da fertilidade masculina.
    Antes do congelamento, é necessário fazer alguns exames de sangue. Assim como os óvulos, não existe tempo limite para armazenamento das amostras seminais congeladas e estas amostras podem ser utilizadas/descartadas a qualquer momento, sem necessidade de autorização da parceira.
  • Congelamento de tecido ovariano e testicular: são técnicas experimentais que ainda necessitam de comprovação da eficácia. Por isto, não são realizados de rotina.
    O congelamento do tecido ovariano/testicular representa a única opção de preservar a fertilidade em crianças na fase pré-puberal ou em pacientes que tem poucos dias para iniciar a quimioterapia.
    Esta técnica consiste em retirar um pedaço do ovário ou testículo para realizar o congelamento. Após o tratamento oncológico, o fragmento pode ser descongelado e reimplantado no organismo.

Na figura abaixo estão representados as principais técnicas utilizadas na reprodução assistida para preservação da fertilidade de acordo com a fase da vida.

Técnicas de Preservação da Fertilidade

Tenho câncer! Se eu decidir preservar a fertilidade, vou atrasar o início do meu tratamento oncológico?

A maior barreira para a preservação da fertilidade é a falta de encaminhamento em momento oportuno, antes do início do tratamento oncológico.
Ao se indicar o tratamento do câncer, a paciente tem algumas semanas (2 a 3) para se preparar para a quimioterapia/radioterapia, e, na maioria das vezes, este tempo é suficiente para a realização da estimulação dos ovários e captação dos óvulos sem atrasar de forma significativa o tratamento do câncer ou alterar as chances de cura.

Tive câncer e já fiz o tratamento! Como posso gerar um bebê?

Se você já passou por algum tratamento de câncer e deseja gerar um bebê, a primeira coisa a se fazer é uma consulta com um especialista em reprodução humana. Inicialmente, você será submetida a história clínica e a avaliação da sua fertilidade (reserva ovariana).

Com a informação do tipo de quimioterapia ou o local da radioterapia ou o tipo de cirurgia, bem como após a avaliação ultrassonográfica dos ovários e a checagem dos exames de sangue, o médico poderá verificar qual a melhor alternativa para você: 1) FIV com óvulos próprios; ou 2) FIV com óvulos de doadora anônima.

No caso dos homens, é importante o congelamento seminal antes do tratamento oncológico. Após um período livre da doença, é importante repetir o espermograma para verificar como está a produção de espermatozoides depois do tratamento do câncer. Alguns homens podem voltar a produzir espermatozoides depois de vencer a doença.

No caso das amostras congeladas, após o descongelamento é possível obter a gravidez através da inseminação artificial ou da FIV. Para isso, é importante avaliar a parceira e verificar a quantidade de espermatozoides antes e após o congelamento.

Se você está enfrentando a batalha contra o câncer, converse com seu oncologista e discuta sobre a possibilidade de realizar a preservação da fertilidade. Armazenar seus gametas pode reduzir sofrimento no futuro e oferece a possibilidade de você aumentar sua família. Para saber mais sobre assuntos relacionados a reprodução assistida, acompanhe nossos canais!

mulher de 40 anos grávida sentada com colegas de trabalho

A cantora Ivete Sangalo anunciou sua gestação de gêmeos aos 45 anos, Eliana, Carolina Ferraz, Cássia Kiss são outras mulheres famosas que tiveram seus bebês após os 40 anos. Para algumas mamães, a oportunidade para ter um bebê chega mais tarde, mas a gravidez nestes casos apresenta particularidades e exige maiores cuidados com os riscos da gestação aos 40 anos ou mais.

Independentemente se a gravidez ocorreu de forma espontânea ou após a reprodução assistida, tanto o bebê quanto as mamães com mais de 40 anos podem apresentar potenciais riscos. Neste post, faremos uma discussão sobre estas complicações, sua prevenção e o aconselhamento que a futura mamãe com 40 anos ou mais deve receber antes de partir para a fertilização in vitro (FIV). Boa leitura!

Por que tantas mulheres optam pela gestação tardia?

Trabalho, carreira, esposa, casa, filhos, entre outras tarefas! Ao longo do tempo houve mudanças no comportamento feminino e a mulher moderna adquiriu múltiplas funções.

Algumas dessas transformações são consideradas fatores de expansão e conquistas para as mulheres, mas nem sempre a maternidade pode ser conciliada com esta fase de autonomia e independência. E, com isso, os planos de uma gravidez são adiados.

Paralelamente, a mulher tem experimentado o rejuvenescimento físico, o que aumenta a segurança em postergar a chegada do bebê. A

falta de informação sobre o declínio do potencial reprodutivo com o avanço da idade da mulher pode ser outro fator que contribui para encarar a maternidade aos 40 anos ou mais. Consequentemente, podem surgir complicações durante o pré-natal e parto, tanto para a mamãe quanto para os bebês.

Quais os riscos da gestação aos 40 para a mamãe e para o bebê?

Normalmente muitas doenças metabólicas e cardiovasculares (diabetes, pressão alta, obesidade, entre outras) começam a aparecer com maior frequência após os 40 anos. Esse quadro faz parte do processo de envelhecimento do nosso organismo.

Como a gravidez é um estado que exige mais do corpo da mulher, algumas doenças podem aparecer durante a gestação, mesmo em mulheres saudáveis antes de engravidar. Para a mamãe, as complicações mais frequentes são:

  • abortamento;
  • diabetes mellitus gestacional;
  • pré-eclâmpsia;
  • maior risco cesárea;
  • placenta prévia (> 45 anos);
  • prematuridade;
  • hemorragia pós-parto.

Se o pré-natal da mamãe não vai bem, o bebê também está sujeito a complicações. As mais frequentes são:

  • prematuridade;
  • maior necessidade de suporte ventilatório e UTI;
  • restrição de crescimento;
  • baixo peso ao nascer ou peso elevado (depende da saúde prévia da gestante e a intensidade da doença durante a gravidez).

Como reduzir os riscos da gestação em mulheres com 40 anos ou mais?

A melhor maneira de evitar complicações seria engravidar antes dos 40 anos, preferencialmente antes dos 35 anos. Isto porque após os 35 anos começa a ocorrer aceleração da perda da quantidade e qualidade dos óvulos e engravidar pode ser mais difícil após esta idade.

Por isso, se você pensa em engravidar após os 35, o ideal seria congelar seus óvulos para não ser surpreendida com a infertilidade no futuro. Entretanto, mulheres que não produzem mais óvulos podem gerar seus bebês através da FIV (Fertilização In Vitro) com óvulos de doadora anônima.

Se você não teve acesso à informação sobre o congelamento de óvulos e decidiu experimentar a maternidade em uma fase mais tardia da vida, o pré-natal é considerado de alto risco devido às potenciais complicações descritas acima.

Deste modo, um seguimento obstétrico rigoroso, minucioso e com equipe multiprofissional poderá minimizar o impacto negativo de possíveis doenças que podem ocorrer ao longo da gravidez e no parto.

Se a jornada está longa e o tão sonhado positivo não chega, o ideal é conversar com um especialista em reprodução humana para realizar a investigação das possíveis causas de dificuldade para engravidar e, desse modo, receber o aconselhamento sobre as complicações que podem ocorrer na gestação aos 40 anos ou mais. Algumas vezes a FIV poderá diminuir o tempo para alcançar a gestação.

Agora é com você: faça um planejamento reprodutivo e não perca tempo! Compartilhe este artigo nas redes sociais de seus contatos para que eles também fiquem por dentro de nossas publicações! Ajude a difundir conhecimento!

Referências:

Khalil A, Syngelaki A, Maiz N, Zinevich Y, Nicolaides KH. Maternal age and adverse pregnancy outcome: a cohort study. Ultrasound Obstet Gynecol. 2013;42(6):634–643.

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Homem em consulta médica após realizar o espermograma

A avaliação da fertilidade é um passo fundamental para casais que não tiveram o tão esperado positivo. O tempo de espera para a chegada espontânea da gestação depende da idade da mulher e da presença de doenças que possam diminuir a fertilidade do casal. No entanto, os homens também podem apresentar determinado problema que influencia negativamente na fertilidade. Por isso, é indicada a realização do espermograma.

Nessa hora, é importante deixar preconceitos de lado e partir para o ataque! Muitos confundem a dificuldade para ter filhos com potência sexual! E estes dois aspectos são completamente diferentes: um casal pode ter relações sexuais diariamente e apresentar infertilidade, enquanto outro casal pode ter uma relação sexual/semana e engravidar facilmente. Elaboramos este post com dicas imperdíveis para os futuros papais. Confira!

O que é o espermograma?

O espermograma é um exame realizado para avaliar o potencial reprodutivo masculino através da contagem de espermatozoides e análise de algumas características destes gametas. O sêmen é coletado por masturbação e, após alguns minutos, uma amostra seminal é avaliada no microscópio.

Diversos parâmetros são analisados: volume seminal ejaculado, total de espermatozoides, concentração de espermatozoides/ml, motilidade (% de espermatozoides que tem movimentação ou não), vitalidade (% espermatozoides vivos), morfologia (avalia o formato dos espermatozoides), pH, cor, presença de leucócitos, viscosidade, entre outros. A partir de 2010, a Organização Mundial da Saúde (OMS) padronizou o resultado do espermograma conforme a tabela abaixo.

espermograma

Para a coleta do exame, é indicado que o homem fique de abstinência sexual entre dois a cinco dias, inclusive sem masturbação. A coleta é realizada em espaço reservado da clínica, mas em alguns casos pode ser realizada na residência. Nesse último caso, o material ejaculado deve ser enviado ao laboratório em um prazo de até trinta minutos para manter a qualidade do resultado do exame.

Quando a coleta é realizada na clínica ou em laboratório específico, o homem fica em uma sala reservada com cadeira confortável. Nesse ambiente, há revistas e/ou vídeos para auxiliar a excitação e a masturbação. O ideal é que o ambiente seja tranquilo, permita privacidade e a entrada de um acompanhante se for o desejo do homem.

A coleta é feita em um frasco com “boca larga” (semelhante ao frasco de coleta de urina) que será colocado em uma janela que tem comunicação com o laboratório de andrologia, evitando possíveis constrangimentos. Vale lembrar que não é necessário encher o frasco, pois segundo a OMS, volume acima de 1,5 ml já é considerado normal. O que é a capacitação espermática?

Antes de entender o que é esse tipo de exame, é necessário conhecer o caminho que o espermatozoide percorre para fecundar o óvulo na trompa. Durante a fase ovulatória, na região inferior do útero (colo), ocorre a produção de uma substância rica em enzimas, o muco cervical. Durante o período fértil muitas mulheres têm percepção do muco, o qual tem dupla função:

  • é responsável pela interação com o espermatozoide e romper a membrana externa desse gameta. Se a qualidade reprodutiva do espermatozoide é adequada, ele sobrevive e pode fecundar o óvulo, caso contrário, o espermatozoide perde sua capacidade reprodutiva e não consegue fecundar o óvulo. Desse modo, o muco cervical tem a função de selecionar os espermatozoides de melhor qualidade reprodutiva para a fecundação ( a esse processo, denomina-se capacitação espermática;
  • após a capacitação espermática (também conhecida por recuperação espermática), o muco facilita a motilidade dos melhores espermatozoides, o que contribui para a ascensão deste gameta até a trompa para a fertilização. Por isso, de todos os parâmetros avaliados no espermograma, a quantidade de espermatozoides móveis é o fator mais importante para o estudo do potencial reprodutivo masculino.

A capacitação espermática nada mais é do que um tipo específico de espermograma que tenta imitar o que ocorreria no corpo da mulher durante a interação do espermatozoide com o muco do período fértil. Todo tratamento de reprodução assistida (fertilização in vitro, inseminação artificial, injeção intracitoplasmática do espermatozoide) utiliza os espermatozoides após a realização da capacitação espermática (exceto nos casos de alterações muito graves do espermograma). Esse exame deve ser solicitado apenas se o espermograma convencional estiver com alterações.

Para o homem, o procedimento não muda nada e a coleta é realizada por masturbação. No laboratório, inicialmente é realizado um espermograma convencional — após, uma amostra é processada e é realizada uma nova leitura da quantidade de espermatozoides. Por meio da avaliação feminina e com base nessa segunda leitura dos espermatozoides recuperados, pode-se definir o tratamento da infertilidade.

Além do espermograma, existem outros exames para a avaliação masculina da infertilidade? O espermograma e a capacitação espermática (apenas se espermograma inicial alterado) são os exames mais realizados para a avaliação da fertilidade masculina. Entretanto, nos casos de redução grave da quantidade de espermatozoides, outros exames podem ser considerados:

  • exames hormonais – a avaliação do eixo reprodutivo pela dosagem do FSH, estradiol, testosterona, prolactina podem auxiliar na investigação dos casos de oligozoospermia (concentração reduzida de espermatozoides) ≤ 5 milhões/ml;
  • ultrassonografia testicular – permite avaliar o volume testicular, verificar a presença de varizes (varicocele) na bolsa escrotal, avaliar a presença dos ductos deferentes, etc.;
  • cariótipo – nos casos de azoospermia (ausência de espermatozoides no ejaculado) ou oligozoospermia ≤ 1-2 milhões/ml, é necessário afastar causas genéticas;
  • pesquisa microdeleção do cromossomo Y – exame solicitado na presença de azoospermia não obstrutiva (quando a anatomia dos órgãos genitais masculino é normal);
  • pesquisa da mutação do gene da fibrose cística – solicitada quando ocorrer a azoospermia obstrutiva por falta de uma estrutura chamada canal deferente. Nesses casos, a produção de gametas está normal, mas não ocorre sua saída devido a obstrução entre o testículo e a uretra;
  • fragmentação do DNA espermático – avalia se há algo de errado com o patrimônio genético (DNA) do espermatozoide. Quanto maior a taxa de fragmentação, menor o potencial reprodutivo. Como o resultado não muda a conduta, esse exame não deve ser solicitado de rotina.

Como quebrar preconceitos?

A realização do espermograma é uma atitude que deveria ser natural por parte dos homens, mas ainda existem muitos preconceitos e estigmas em torno do exame porque muitos confundem função sexual e masculinidade com o potencial reprodutivo. Um homem pode ter várias relações sexuais/semana e ter infertilidade, enquanto existem pessoas com baixa frequência sexual do ponto de vista reprodutivo (1x/semana ou a cada 15 dias) sem dificuldade para engravidar. Veja em quais momentos a busca deve acontecer:

  • quando a mulher tem menos de 35 anos e o bebê não chega dentro de 01 ano de tentativa, é hora de procurar um especialista;
  • para mulheres com 35 anos ou mais, a busca por ajuda deve ocorrer após seis meses de relações sexuais regulares sem a tão sonhada gravidez. Este tempo de espera também deve ser considerado para mulheres com doenças que reduzam a fertilidade (endometriose, síndrome dos ovários policísticos, obstrução tubária unilateral, etc) ou homens com alterações leves no espermograma.

Há poucos meses, a American Society for Reproductive Medicine (ASRM) sugere que a investigação das possíveis causas da infertilidade seja imediata para as mulheres com 40 anos ou mais. Essa orientação também se aplica para homens vasectomizados, mulheres que fizeram laqueadura tubária ou quando o espermograma não demonstra espermatozoides (azoospermia).

A avaliação da infertilidade deve incluir a abordagem do casal. Aproximadamente um terço das causas são representados por problemas masculinos, um terço por alterações femininas e em um terço, o comprometimento da fertilidade ocorre em ambos os parceiros. Apesar da história clínica auxiliar na investigação dos problemas da fertilidade no homem, o espermograma é o principal exame realizado para avaliar o potencial reprodutivo masculino.

Na verdade, o que a parceira deseja é companheirismo e colaboração. A investigação da infertilidade exige muito mais da mulher (elas tem que fazer mais exames e, geralmente, necessitarão utilizar hormônios para engravidar). Entretanto, sem o espermograma o processo pode ficar travado e isso pode gerar angústia e sofrimento. Se o homem fizer a sua parte, a jornada pode ser leve, reduzir conflitos e aumentar a união entre o casal.

Quanto maior for a colaboração masculina, mais fortalecidos estarão os laços afetivos. Quer saber mais sobre esse assunto? Aproveite e baixe o nosso e-book!

médico segurando um modelo anatomopatológico de um útero para demonstrar ciclos anovulatórios

Para os casais que estão tentando engravidar, o atraso menstrual é um bom motivo para comemorar! Afinal, este pode ser o primeiro sinal de que a gestação está a caminho! Entretanto, a ausência de ovulação cíclica e frequente (anovulação crônica) também pode levar ao atraso na menstruação, o que pode ser motivo de angústia e frustração porque a gravidez vai ficando mais distante.

A anovulação crônica é o fator mais frequente de infertilidade feminina. Irregularidade menstrual, aumento da quantidade de pelos e/ou espinhas, saída de secreção leitosa pela mama e obesidade são algumas das manifestações relacionadas a esse quadro.

A síndrome dos ovários policísticos é a causa mais frequentemente diagnosticada, mas outras alterações hormonais, como falência precoce do ovário (“menopausa precoce”), excesso da prolactina (hiperprolactinemia), alterações dos hormônios da tireóide, hipófise ou hipotálamo são outras causas de anovulação crônica.

A partir dessas informações, neste post, você vai aprender quando suspeitar da anovulação crônica, conhecer suas causas e aspectos gerais do tratamento e entender os ciclos anovulatórios. Acompanhe e tenha uma ótima leitura!

O que são ciclos anovulatórios?

Ciclos anovulatórios são definidos pela ausência da liberação periódica e frequente do óvulo, ou seja, quando não ocorre o rompimento da estrutura ovariana que contém o óvulo (folículo). Na prática, suspeita-se que o ciclo menstrual é anovulatório quando a mulher tem menstruações irregulares com fluxo pouco frequente, em intervalos maiores do que 35-60 dias. Nesses casos, não há periodicidade definida para ocorrer a menstruação – é imprevisível!

Fisiologicamente, os ciclos ovulatórios apresentam padrão bem definido! A menstruação ocorre, geralmente, a cada 31 dias (com atraso ou antecipação do fluxo de 3 dias). Assim, se uma mulher tem sangramento menstrual a cada 28 dias, mas em determinado mês o fluxo ocorre depois de 25 dias (antecipa 3 dias) ou após 31 dias (atrasa 3 dias), este padrão é considerado normal.

O ciclo menstrual é composto por 2 fases. A fase 1 é o período de desenvolvimento do folículo (estrutura no ovário que abriga o óvulo), tem duração variável e predomina a produção de estrogênio. Já na fase 2, ocorre o preparo final do endométrio (camada interna do útero) para receber o embrião. A duração desta segunda fase é fixa em 14 dias e, nesse momento, predomina a ação da progesterona.

A ovulação ocorre entre essas duas fases do ciclo menstrual e a sua data provável pode ser calculada subtraindo-se a duração da segunda fase (fixa em 14 dias) do número de dias de intervalo do ciclo.

Por exemplo: em uma mulher com fluxo menstrual que ocorre a cada 30 dias, sua provável ovulação será no 16º dia do ciclo (ovulação: 30-14=16); em outra mulher que menstrua a cada 26 dias, a ovulação provável será no 12º (ovulação: 26-14=12). É importante lembrar que a data da ovulação só é possível ser estimada em mulheres com ciclos menstruais regulares (ovulatórios).

Além da regularidade do ciclo menstrual, sinais ovulatórios (“dor do meio”, muco) e a presença da tensão pré-menstrual são outros sinais que reforçam a ocorrência da ovulação.

Quais são as causas mais frequentes de ciclos anovulatórios?

Classicamente, os ciclos anovulatórios ocorrem pelo desequilíbrio hormonal das glândulas relacionadas ao eixo hormonal reprodutivo (hipotálamo, hipófise, ovário) e tireoide. Além da irregularidade menstrual, outros sintomas podem ocorrer a depender da causa de anovulação crônica.

Podemos citar algumas entre as principais causas. Veja!

Disfunção hipotálamo-hipofisária

É a causa mais frequente de anovulação crônica, mas poucas vezes é diagnosticada. Trata-se de um desequilíbrio na produção hormonal do hipotálamo e hipófise, localizadas no sistema nervoso central (cabeça) que ocorre quando a mulher passa por algum estresse fora do habitual.

Na maioria das vezes, as mulheres que sofrem deste mal são altas e magras. O diagnóstico é difícil por dois principais motivos:

  1. o quadro é autolimitado — ou seja, quando a fase do estresse é amenizada, o quadro se resolve sozinho;
  2. o uso de contraceptivos hormonais pode mascarar o quadro porque não permite que ocorra a irregularidade menstrual.

Síndrome dos ovários policísticos

A síndrome dos ovários policísticos ocorre entre 5 a 14% das mulheres. Este distúrbio é caracterizado por um conjunto de alterações associadas ao excesso de androgênios (hormônio masculino) na circulação sanguínea da mulher.

Este desequilíbrio hormonal pode estar relacionado à infertilidade, acne (espinhas), aumento da quantidade pelos pelo corpo (hirsutismo), queda de cabelo (alopecia) e alterações metabólicas ao longo da vida (obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2, entre outras).

O diagnóstico é realizado através da avaliação clínica e por exames complementares (sanguíneos e ultrassonografia dos ovários).

Excesso de prolactina (hiperprolactinemia)

Mulheres que têm excesso do hormônio prolactina, responsável pela produção de leite pelas glândulas mamárias fora do período da gravidez/amamentação (galactorréia) podem desenvolver ciclos anovulatórios.

Tumores na hipófise, uso de medicamentos (metildopa, cimetidina, antidepressivos, entre outros), lesões na parede do tórax, doenças crônicas, hipotireoidismo, entre outros, são algumas das causas de hiperporlactinemia. Além da galactorréia, problemas de visão, sinais de carência de estrogênio (vagina seca, ausência de lubrificação vaginal, ondas de calor) podem ser outras manifestações da hiperprolactinemia.

Falência ovariana precoce

A falência precoce dos ovários (“menopausa precoce “) está associada a cessação prolongada ou até definitiva dos ciclos menstruais. Além disto, essas mulheres apresentam ondas de calor, ressecamento da vagina, ausência de lubrificação vaginal durante as relações sexuais e osteoporose se não forem tratadas em tempo oportuno.

Na maioria dos casos, não há uma causa definida (idiopática), mas a cirurgia, quimio/radioterapia, doenças autoimunes, doenças genéticas são outros fatores associados a falência ovariana precoce.

Hipotireoidismo

A redução da produção hormonal pela glândula tireoidiana pode provocar a anovulação crônica através do desequilíbrio hormonal do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano. Ganho de peso, cansaço, sonolência, intestino preso e hiperpolactinemia com galactorréia são algumas das manifestações desta desordem tireoidiana.

Alterações na hipófise ou hipotálamo (centrais)

O estilo de vida também está ligado com a questão dos ciclos anovulatórios. A redução importante do peso nos casos de anorexia pode provocar a cessação quase que completa da produção hormonal pela hipófise e hipotálamo. Atletas competidoras, principalmente bailarinas e corredoras também podem apresentar anovulação crônica por este mecanismo.

Como suspeitar que eu tenho anovulação crônica?

A principal suspeita é a irregularidade menstrual com sangramentos infrequentes que não apresentam qualquer previsão. Além da irregularidade, os sintomas clínicos descritos acima conforme a causa de anovulação crônica podem auxiliar no diagnóstico. Entretanto, os exames sanguíneos e a ultrassonografia serão os fatores determinantes no diagnóstico.

Vale lembrar que mulheres com ciclos anovulatórios podem ovular esporadicamente mesmo sem menstruação. Por isso, essas mulheres podem engravidar mesmo sem ciclos regulares. O primeiro passo na investigação das causas de anovulação crônica é sempre afastar a gravidez.

E o tratamento?

O tratamento tem como objetivo dois fatores principais: 1) desejo ou não de engravidar; 2) evitar complicações ao longo da vida.

A modificação do estilo de vida é a primeira linha de tratamento para mulheres com síndrome dos ovários policísticos e também com alterações no eixo central (hipotálamo-hipófise).

O uso de medicamentos geralmente é empregado para auxiliar no desequilíbrio hormonal e prevenir complicações ao longo da vida da mulher. Dependendo da causa, existem esquemas específicos que são suficientes para restaurar a fertilidade ou mesmo evitar a gravidez.

O namoro programado é a primeira opção para mulheres com síndrome dos ovários policísticos que desejam engravidar, desde que não haja alterações nas trompas ou espermograma. A fertilização in vitro com óvulos de doadora pode ser a primeira opção para as mulheres com falência precoce do ovário.

Enfim, de um modo geral, o tratamento deve ser conduzido de acordo com a causa da anovulação e deve-se levar em consideração aspectos relacionados a qualidade de vida e desejo ou não de engravidar.

Se você apresenta irregularidade menstrual e suspeita que tem a anovulação crônica, agende uma consulta com um especialista e conheça as estratégias específicas para reduzir o risco de complicações ao longo da vida.

Caso seu desejo seja engravidar, é necessário estabelecer um planejamento para não agir de forma precipitada, mas também reconhecer o momento de buscar ajuda profissional para otimizar a fertilidade. Conte conosco nessa jornada! Visite nosso blog, entre em contato e aumente seu conhecimento sobre a fertilidade!

análise genética embrionária

Além de realizar o sonho da maternidade e paternidade, a fertilização in vitro (FIV) possibilita a investigação de doenças genéticas no embrião por meio da análise das células embrionárias (biópsia). Tudo graças ao avanço da tecnologia!

Muitos casais têm dúvidas a respeito do estudo genético: será que a técnica é segura? O procedimento aumenta as taxas de gravidez? A biópsia pode trazer algum prejuízo para o bebê? Porque mesmo fazendo a biópsia, a gestação não acontece em alguns casos? Essas e outras perguntas serão esclarecidas neste artigo! Boa leitura.

reprodução homoafetiva

Um dos sonhos de inúmeros casais homoafetivos é formar uma família para compartilhar o amor, destinando uma educação adequada aos filhos. No entanto, muita gente ainda tem dúvidas sobre o procedimento de reprodução homoafetiva, totalmente legalizado no Brasil, inclusive com aval do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Para ajudá-lo a entender melhor o assunto, além de trazer informações relevantes sobre os métodos existentes, elaboramos este post na forma de guia para você ir adiante no projeto de constituição de uma família ao lado de quem merece o seu carinho. Confira!

Entenda o que é a reprodução homoafetiva

A reprodução homoafetiva está autorizada no Brasil desde 2013 graças a uma resolução do Conselho Federal de Medicina, que foi ampliada em 2015.

A norma é bem detalhada e garante o direito aos casais de realizarem métodos de reprodução assistida, sendo um marco na luta pelos direitos civis dos homossexuais.

De acordo com a norma, os casais estabelecidos por duas mulheres poderão ter o óvulo fecundado. O de uma pode ser introduzido no da parceira. No caso de dois homens, é necessária a procura de uma mulher para dar continuidade à gestação.

O útero sempre deve ser de alguém da família com parentesco de até quatro graus.

Outro ponto que merece destaque é que a idade limite da mulher para ser submetida aos tratamentos de fertilização é de 50 anos, mesma faixa etária dos homens para doar esperma. Já na doação de óvulos, o limite estabelecido é de 35 anos.

A resolução estabeleceu ainda que os pais podem descartar os embriões que estejam preservados há mais de cinco anos para pesquisas com células-tronco, mas se optarem pela manutenção no laboratório, podem seguir adiante.

Assim, casais homoafetivos anônimos e famosos estão cada vez mais recorrendo às clínicas especializadas em fertilização para darem as boas-vindas ao novo integrante da família. Uma vitória que floresce a cada dia, mas que necessita de constante vigilância para não sofrer preconceitos na sociedade.

Conheça o lado jurídico da questão

Os filhos concebidos por reprodução assistida podem ser registrados com o nome de duas mães ou dois pais. A determinação é do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e deve ser respeitada em todos os Cartórios do País. Caso contrário, ações judiciais fazem valer o direito.

Para o processo de formalizar, os dois genitores devem ter participado do método de fertilização escolhido.

Trata-se de um direito garantido pelo art. 227 da Constituição Federal,q ue diz em seu parágrafo 6º:

Os filhos havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção terão os mesmos direitos!

Os filhos concebidos por fertilização artificial também estão protegidos pelo Código Civil no artigo 1.597:

I – nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecida a convivência conjugal;

II – nascidos nos trezentos dias subsequentes à dissolução da sociedade conjugal, por morte, separação judicial, nulidade e anulação do casamento;

III – havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que falecido o marido;

IV – havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões excedentários, decorrentes de concepção artificial homóloga;

V – havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia autorização do marido.

Dessa maneira, a reprodução homoafetiva é totalmente legal e vem sendo cada vez mais utilizada no Brasil, proporcionando novas vivências e mais motivação para os casais encontrarem novos sentidos na vida.

Uma forma de você assegurar os direitos e ainda tirar todas as dúvidas, é procurando uma clínica de reprodução assistida que ofereça uma assessoria nesse sentido.

No Centro de Fertilidade de Ribeirão Preto (CEFERP), existe uma parceria com o escritório Santos Advogados Associados, destinando todo suporte jurídicos aos casais homoafetivos que optarem pela reprodução assistida.

Afinal, apesar da lei e direitos assegurados, ainda há muitos mitos e desinformação, inclusive inúmeros casos de preconceitos envolvendo a causa. Portanto, nada melhor do que uma orientação adequada para você concluir o processo com sucesso em todas as etapas!

Guarda dos filhos

Um dos aspectos que causa muitas dúvidas na formalização do procedimento jurídico é sobre a guarda dos filhos.

Caso a escolha de uma mulher seja engravidar com sêmen de um amigo, por exemplo, ou de um homem de utilizar uma barriga de aluguel, as pessoas que ajudaram no processo podem requerer a guarda da criança.

Isso acontece pelo fato do recém-nascido possuir material genético de quem auxiliou no processo de formação do embrião. Por isso, contar com uma clínica especializada é fundamental para você realizar o sonho de educar um filho sem nenhuma dor de cabeça.

Conheça os métodos para casais femininos

A primeira orientação para casais homoafetivos que queiram realizar uma fecundação assistida é que o assunto seja amplamente discutido, com reflexões para que a decisão alimente o amor na relação.

Após a decisão, chega o momento da escolha sobre quem vai doar os óvulos. Uma boa dica é levar em consideração a idade da mulher, pois quanto mais avançada, menores as chances de fecundação.

A mulher que se submeter ao procedimento, deverá passar por várias avaliações com foco no sucesso da gestação.

De acordo com a avaliação do médico, a fecundação do óvulo poderá acontecer de inúmeras maneiras, tais como.

Fertilização in vitro (FIV)

Trata-se do método que é feito fora do corpo. Assim, um embrião será gerado no laboratório juntamente com os óvulos da mulher para depois ser implantado no útero de uma das mães.

A escolha do espermatozoide é feita de acordo com determinadas características físicas apontadas pelo casal, sendo utilizado um banco de sêmen autorizado legalmente.

Aí, ele será introduzido no ovário por meio de uma injeção intracitoplasmática (ICSI). Trata-se da técnica mais comum e com ótimas chances de sucesso no processo gestacional.

Inseminação intrauterina

Com a mesma técnica de indução à ovulação existente na fertilização in vitro, na inseminação intrauterina os espermatozoides são insemidados direto no útero para que consigam chegar naturalmente ao óvulo, ou seja, a fecundação acontece de maneira espontânea.

O procedimento é rápido e indolor. São aguardados 14 dias para que ocorra o exame para saber se houve ou não o sucesso na gravidez.

Assim como a fertilização in vitro, esse método também permite novas tentativas caso não haja a fecundação.

Veja os métodos para os casais masculinos

Os casais masculinos que não querem adotar uma criança também encontram na reprodução assistida um excelente meio para se tornarem pais.

Diante das possibilidades existentes, um dos parceiros vai doar o sêmen que será introduzido no útero de algum familiar de até quarto grau, podendo ser mãe, irmã, avós, tias e primas de qualquer um dos parceiros.

Após as partilhas e definições, está na hora de realizar o processo para a chamada barriga de aluguel, feita por meio da fertilização in vitro.

No caso dos casais masculinos, é a doação dos óvulos que será feita por um banco por alguém desconhecido. É importante informar que tanto nos casos das mulheres quanto dos homens, a identidade dos doadores nunca será divulgada.

Após a coleta dos óvulos, a fertilização acontece dentro do laboratório utilizando o sêmen de um dos parceiros. São necessários cerca de cinco dias para que o método se conclua.

Nesse momento, os embriões são transferidos para o útero da doadora parente de um dos homens por meio da injeção intracitoplasmática. É importante informar que o sucesso da técnica também necessita da saúde da mulher tão quanto uma idade adequada.

Saiba porquê a barriga de aluguel paga é ilegal

No entanto, muitos homens não contam com parentes que queiram se submeter ao procedimento ou até mesmo pelo fato de já terem atingido uma idade superior aos 40 anos.

Nesse momento, diante da extrema vontade de realizarem o sonho de formação de uma família, muita gente recorre à barriga de aluguel paga.

Trata-se de uma conduta ilegal, criminosa e antiética, inclusive com riscos para a mulher em razão da utilização de laboratórios não credenciados. Mas a barriga solidária é permitida e totalmente com ótimos resultados.

Saiba em que casos a barriga solidária pode ser utilizada

Além dos casais homoafetivos que tenham a participação de um parente, a barriga solidária pode ser utilizada por mulheres que retiraram o útero, que tenham tido malformação ou determinada anormalidade no órgão.

Entram também no rol as mulheres que têm histórico de doenças que aumentam o risco de morte em caso de gravidez, como renais ou cardíacas.

Busque uma clínica de confiança

Após observar todos os detalhes referentes à reprodução homoafetiva, é importante você realizar uma pesquisa bem apurada sobre as clínicas que oferecem o serviço.

A primeira dica é observar se o local conta com profissionais especializados, se é credenciado pelo Conselho Regional de Medicina, se conta com equipamentos modernos e credibilidade no mercado.

Assim, certamente a saúde de todos estará em boas mãos, inclusive com uma devida assessoria jurídica. São aspectos fundamentais para que o sonho de formação de uma família aconteça tranquilamente e dentro da legalidade.

Dessa maneira, a reprodução homoafetiva contribui com o surgimento de novos sentimentos entre os casais, trazendo no seio familiar a grande motivação de que a vida realmente é um momento de aprendizados e novos desafios!

E você, quer realizar esse sonho? Então entre em contato agora mesmo com a nossa equipe e seja feliz!

Casal comemorando o exame positivo do tratamentos para engravidar

Karina Bacchi, 42 anos, está na quarta Fertilização in vitro (FIV) para alcançar sua segunda gestação. Ivete Sangalo, 45 anos, engravidou na primeira FIV com óvulos congelados aos 42-43 anos. Ana Hickman, Carolina Ferraz, Fátima Bernardes são outras famosas que trilharam a jornada da reprodução assistida. Porque mulheres com características semelhantes têm taxas de sucesso diferentes?

Muitas mulheres decidem ter filhos na fase de declínio da vida reprodutiva (após os 35 anos) e podem precisar de tratamento para a infertilidade, algumas vezes, mais de uma tentativa. Além disso, a função reprodutiva pode ser diferente entre as mulheres de mesma faixa etária (o número de óvulos pode ser diferente). Outro ponto importante é que existem diferentes fatores que podem interferir na fertilidade masculina e feminina.

Neste post, elaboramos informações sobre as taxas de sucesso que você precisa saber antes de iniciar qualquer tratamento para a infertilidade. Vamos em frente!

Conheça as chances de gestação espontânea

Independentemente da idade, o ser humano tem limitações biológicas para engravidar. Mais da metade das gestações são interrompidas até o início da menstruação e a mulher/casal nem tem o conhecimento de que teve a gravidez.

Isso acontece porque temos uma particularidade reprodutiva: o número de embriões que produzimos com alteração genética é elevado se comparado com outras espécies de mamíferos. Por isso, a interação do embrião com o útero fica prejudicada e, na maioria das vezes, a gravidez não evoluiu — são as chamadas perdas gestacionais invisíveis: a mulher engravida, mas a gestação é interrompida antes do atraso menstrual.

Na figura abaixo estão as taxas de gravidez espontânea no primeiro mês de tentativa e após 12 meses de acordo com a idade da mulher. Ela demonstra que as taxas de gestação espontânea são de, no máximo, 18-20% para mulheres com 26 a 30 anos, e estes números caem pela metade dos 35 aos 40 anos. Isso acontece porque o número de embriões comprometidos geneticamente e a quantidade de óvulos diminuem conforme o avanço da idade da mulher.

Em contrapartida, após 1 ano, a taxa de gravidez aumenta em todas as idades porque todos os meses a mulher libera novos óvulos. Por isso, a chance de ter óvulo e embriões saudáveis aumenta ao longo de 6 meses a 1 ano.

Esse é o motivo pelo qual o ASRM (American Society for Reproductive Medicine) e o ESHRE (European Society of Human Reproduction and Embryology) recomendam tentar engravidar por 6 meses (mulheres com 35 anos ou mais) ou 1 ano (mulheres com menos de 35 anos). Após esse período, os casais devem buscar auxílio para o tratamento da infertilidade.

Tabela de chances de gravidez por ciclo menstrual

Todos os tratamentos para a infertilidade podem potencializar essas taxas, mas tenha em mente que engravidar tem limitações naturais (produção de embriões geneticamente alterados), que acompanham os casais em qualquer tratamento, uma vez que a reprodução assistida não modifica o patrimônio genético do óvulo e espermatozoide.

É importante conversar com seu médico sobre possíveis estratégias para reduzir o tempo para alcançar a gravidez e proporcionar maior conforto e segurança durante o tratamento. Essa fase deverá ser de tranquilidade e alegria, afinal, você está em busca do seu bebê!

Porque as taxas de sucesso variam entre as clínicas e no mundo?

Existem diferentes formas de se avaliar as taxas de sucesso de um tratamento de reprodução assistida. Por isso, é possível verificar grande variação entre as clínicas de reprodução humana. Muitas delas têm considerado esse percentual com base no resultado positivo do teste de gravidez. Entretanto, essa informação não é considerada pelo ASRM, ESHRE, e não deveria ser utilizada como referência.

Outra forma de analisar o sucesso da FIV é a taxa de gestação clínica, ou seja, a visualização do saco gestacional e seu conteúdo na ultrassonografia realizada após 02 semanas do beta hCG positivo. Entretanto, a avaliação considerada internacionalmente é a taxa de nascimento de bebês, que varia entre 30 a 40% para mulheres com até 39 anos, 10-15% dos 40 aos 42 anos e é de 0 a 5% para mulheres com mais de 42 anos utilizando óvulos próprios. Se a reserva ovariana estiver diminuída, as taxas podem variar entre 0 e 15%, a depender da idade da mulher.

E o namoro programado? A inseminação artificial? As taxas são menores?

O namoro programado e a inseminação artificial são técnicas não invasivas que otimizam a fertilidade natural porque a fecundação do óvulo pelo espermatozoide é espontânea e ocorre dentro do corpo da mulher, na trompa.

Quando essas técnicas são bem indicadas, as taxas de nascimento de bebês são boas: 15% para mulheres com até 30 anos, 9-10% entre 35 e 39 anos e 2% para mulheres com 40 anos ou mais. Após 6 meses, as chances de sucesso podem atingir 30-50% a depender da idade da mulher. Por isso, casais que recorrem a esses tipos de tratamento devem pensar a médio e longo prazo (3 a 6 meses), pois a maioria precisará de mais de uma tentativa para engravidar.

Para otimizar o resultado do namoro programado ou da inseminação artificial é importante que a indicação dessas técnicas sejam adequadas. De um modo geral, o tempo de infertilidade menor do que 2 a 3 anos otimiza o sucesso dos tratamentos.

O namoro programado é uma boa opção para mulheres com a síndrome dos ovários policísticos ou para casais que têm incompatibilidade de horário (quando um dos cônjuges fica longe por muitos dias). A inseminação artificial pode ser a primeira escolha nos casos de esterilidade sem causa aparente, endometriose mínima ou leve ou mesmo nos casos de alterações leves do espermograma.

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Como escolher a clínica de reprodução quando eu receber as orientações sobre as taxas de sucesso?

Fuja de clínicas milagrosas! Verifique se o especialista informa as taxas de sucesso reais indicadas pelas grandes sociedades internacionais. Você pode acessar o site da Rede Latino-americana de Infertilidade e verificar se as taxas informadas pela clínica são semelhantes às descritas pelas Sociedades internacionais e pelas clínicas brasileiras (RedLARA).

Lembre-se de que o ser humano tem limitações para engravidar e nenhum tratamento é capaz de garantir a gestação. Entretanto, é obrigação da clínica tornar a jornada mais curta, segura e confortável, sempre com informação, honestidade e transparência!

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