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Prof. Dr. Anderson Sanches de Melo

Médico especialista em Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da HC FMRP-USP. CRM-SP 104.975
ciclos anovulatórios

Para os casais que estão tentando engravidar, o atraso menstrual é um bom motivo para comemorar! Afinal, este pode ser o primeiro sinal de que a gestação está a caminho! Entretanto, a ausência de ovulação cíclica e frequente (anovulação crônica) também pode levar ao atraso na menstruação, o que pode ser motivo de angústia e frustração porque a gravidez vai ficando mais distante.

A anovulação crônica é o fator mais frequente de infertilidade feminina. Irregularidade menstrual, aumento da quantidade de pelos e/ou espinhas, saída de secreção leitosa pela mama e obesidade são algumas das manifestações relacionadas a esse quadro.

A síndrome dos ovários policísticos é a causa mais frequentemente diagnosticada, mas outras alterações hormonais, como falência precoce do ovário (“menopausa precoce”), excesso da prolactina (hiperprolactinemia), alterações dos hormônios da tireóide, hipófise ou hipotálamo são outras causas de anovulação crônica.

A partir dessas informações, neste post, você vai aprender quando suspeitar da anovulação crônica, conhecer suas causas e aspectos gerais do tratamento e entender os ciclos anovulatórios. Acompanhe e tenha uma ótima leitura!

O que são ciclos anovulatórios?

Ciclos anovulatórios são definidos pela ausência da liberação periódica e frequente do óvulo, ou seja, quando não ocorre o rompimento da estrutura ovariana que contém o óvulo (folículo). Na prática, suspeita-se que o ciclo menstrual é anovulatório quando a mulher tem menstruações irregulares com fluxo pouco frequente, em intervalos maiores do que 35-60 dias. Nesses casos, não há periodicidade definida para ocorrer a menstruação – é imprevisível!

Fisiologicamente, os ciclos ovulatórios apresentam padrão bem definido! A menstruação ocorre, geralmente, a cada 31 dias (com atraso ou antecipação do fluxo de 3 dias). Assim, se uma mulher tem sangramento menstrual a cada 28 dias, mas em determinado mês o fluxo ocorre depois de 25 dias (antecipa 3 dias) ou após 31 dias (atrasa 3 dias), este padrão é considerado normal.

O ciclo menstrual é composto por 2 fases. A fase 1 é o período de desenvolvimento do folículo (estrutura no ovário que abriga o óvulo), tem duração variável e predomina a produção de estrogênio. Já na fase 2, ocorre o preparo final do endométrio (camada interna do útero) para receber o embrião. A duração desta segunda fase é fixa em 14 dias e, nesse momento, predomina a ação da progesterona.

A ovulação ocorre entre essas duas fases do ciclo menstrual e a sua data provável pode ser calculada subtraindo-se a duração da segunda fase (fixa em 14 dias) do número de dias de intervalo do ciclo.

Por exemplo: em uma mulher com fluxo menstrual que ocorre a cada 30 dias, sua provável ovulação será no 16º dia do ciclo (ovulação: 30-14=16); em outra mulher que menstrua a cada 26 dias, a ovulação provável será no 12º (ovulação: 26-14=12). É importante lembrar que a data da ovulação só é possível ser estimada em mulheres com ciclos menstruais regulares (ovulatórios).

Além da regularidade do ciclo menstrual, sinais ovulatórios (“dor do meio”, muco) e a presença da tensão pré-menstrual são outros sinais que reforçam a ocorrência da ovulação.

Quais são as causas mais frequentes de ciclos anovulatórios?

Classicamente, os ciclos anovulatórios ocorrem pelo desequilíbrio hormonal das glândulas relacionadas ao eixo hormonal reprodutivo (hipotálamo, hipófise, ovário) e tireoide. Além da irregularidade menstrual, outros sintomas podem ocorrer a depender da causa de anovulação crônica.

Podemos citar algumas entre as principais causas. Veja!

Disfunção hipotálamo-hipofisária

É a causa mais frequente de anovulação crônica, mas poucas vezes é diagnosticada. Trata-se de um desequilíbrio na produção hormonal do hipotálamo e hipófise, localizadas no sistema nervoso central (cabeça) que ocorre quando a mulher passa por algum estresse fora do habitual.

Na maioria das vezes, as mulheres que sofrem deste mal são altas e magras. O diagnóstico é difícil por dois principais motivos:

  1. o quadro é autolimitado — ou seja, quando a fase do estresse é amenizada, o quadro se resolve sozinho;
  2. o uso de contraceptivos hormonais pode mascarar o quadro porque não permite que ocorra a irregularidade menstrual.

Síndrome dos ovários policísticos

A síndrome dos ovários policísticos ocorre entre 5 a 14% das mulheres. Este distúrbio é caracterizado por um conjunto de alterações associadas ao excesso de androgênios (hormônio masculino) na circulação sanguínea da mulher.

Este desequilíbrio hormonal pode estar relacionado à infertilidade, acne (espinhas), aumento da quantidade pelos pelo corpo (hirsutismo), queda de cabelo (alopecia) e alterações metabólicas ao longo da vida (obesidade, hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2, entre outras).

O diagnóstico é realizado através da avaliação clínica e por exames complementares (sanguíneos e ultrassonografia dos ovários).

Excesso de prolactina (hiperprolactinemia)

Mulheres que têm excesso do hormônio prolactina, responsável pela produção de leite pelas glândulas mamárias fora do período da gravidez/amamentação (galactorréia) podem desenvolver ciclos anovulatórios.

Tumores na hipófise, uso de medicamentos (metildopa, cimetidina, antidepressivos, entre outros), lesões na parede do tórax, doenças crônicas, hipotireoidismo, entre outros, são algumas das causas de hiperporlactinemia. Além da galactorréia, problemas de visão, sinais de carência de estrogênio (vagina seca, ausência de lubrificação vaginal, ondas de calor) podem ser outras manifestações da hiperprolactinemia.

Falência ovariana precoce

A falência precoce dos ovários (“menopausa precoce “) está associada a cessação prolongada ou até definitiva dos ciclos menstruais. Além disto, essas mulheres apresentam ondas de calor, ressecamento da vagina, ausência de lubrificação vaginal durante as relações sexuais e osteoporose se não forem tratadas em tempo oportuno.

Na maioria dos casos, não há uma causa definida (idiopática), mas a cirurgia, quimio/radioterapia, doenças autoimunes, doenças genéticas são outros fatores associados a falência ovariana precoce.

Hipotireoidismo

A redução da produção hormonal pela glândula tireoidiana pode provocar a anovulação crônica através do desequilíbrio hormonal do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano. Ganho de peso, cansaço, sonolência, intestino preso e hiperpolactinemia com galactorréia são algumas das manifestações desta desordem tireoidiana.

Alterações na hipófise ou hipotálamo (centrais)

O estilo de vida também está ligado com a questão dos ciclos anovulatórios. A redução importante do peso nos casos de anorexia pode provocar a cessação quase que completa da produção hormonal pela hipófise e hipotálamo. Atletas competidoras, principalmente bailarinas e corredoras também podem apresentar anovulação crônica por este mecanismo.

Como suspeitar que eu tenho anovulação crônica?

A principal suspeita é a irregularidade menstrual com sangramentos infrequentes que não apresentam qualquer previsão. Além da irregularidade, os sintomas clínicos descritos acima conforme a causa de anovulação crônica podem auxiliar no diagnóstico. Entretanto, os exames sanguíneos e a ultrassonografia serão os fatores determinantes no diagnóstico.

Vale lembrar que mulheres com ciclos anovulatórios podem ovular esporadicamente mesmo sem menstruação. Por isso, essas mulheres podem engravidar mesmo sem ciclos regulares. O primeiro passo na investigação das causas de anovulação crônica é sempre afastar a gravidez.

E o tratamento?

O tratamento tem como objetivo dois fatores principais: 1) desejo ou não de engravidar; 2) evitar complicações ao longo da vida.

A modificação do estilo de vida é a primeira linha de tratamento para mulheres com síndrome dos ovários policísticos e também com alterações no eixo central (hipotálamo-hipófise).

O uso de medicamentos geralmente é empregado para auxiliar no desequilíbrio hormonal e prevenir complicações ao longo da vida da mulher. Dependendo da causa, existem esquemas específicos que são suficientes para restaurar a fertilidade ou mesmo evitar a gravidez.

O namoro programado é a primeira opção para mulheres com síndrome dos ovários policísticos que desejam engravidar, desde que não haja alterações nas trompas ou espermograma. A fertilização in vitro com óvulos de doadora pode ser a primeira opção para as mulheres com falência precoce do ovário.

Enfim, de um modo geral, o tratamento deve ser conduzido de acordo com a causa da anovulação e deve-se levar em consideração aspectos relacionados a qualidade de vida e desejo ou não de engravidar.

Se você apresenta irregularidade menstrual e suspeita que tem a anovulação crônica, agende uma consulta com um especialista e conheça as estratégias específicas para reduzir o risco de complicações ao longo da vida.

Caso seu desejo seja engravidar, é necessário estabelecer um planejamento para não agir de forma precipitada, mas também reconhecer o momento de buscar ajuda profissional para otimizar a fertilidade. Conte conosco nessa jornada! Visite nosso blog, entre em contato e aumente seu conhecimento sobre a fertilidade!

análise genética embrionária

Além de realizar o sonho da maternidade e paternidade, a fertilização in vitro (FIV) possibilita a investigação de doenças genéticas no embrião por meio da análise das células embrionárias (biópsia). Tudo graças ao avanço da tecnologia!

Muitos casais têm dúvidas a respeito do estudo genético: será que a técnica é segura? O procedimento aumenta as taxas de gravidez? A biópsia pode trazer algum prejuízo para o bebê? Porque mesmo fazendo a biópsia, a gestação não acontece em alguns casos? Essas e outras perguntas serão esclarecidas neste artigo! Boa leitura.

reprodução homoafetiva

Um dos sonhos de inúmeros casais homoafetivos é formar uma família para compartilhar o amor, destinando uma educação adequada aos filhos. No entanto, muita gente ainda tem dúvidas sobre o procedimento de reprodução homoafetiva, totalmente legalizado no Brasil, inclusive com aval do Conselho Federal de Medicina (CFM).

Para ajudá-lo a entender melhor o assunto, além de trazer informações relevantes sobre os métodos existentes, elaboramos este post na forma de guia para você ir adiante no projeto de constituição de uma família ao lado de quem merece o seu carinho. Confira!

Entenda o que é a reprodução homoafetiva

A reprodução homoafetiva está autorizada no Brasil desde 2013 graças a uma resolução do Conselho Federal de Medicina, que foi ampliada em 2015.

A norma é bem detalhada e garante o direito aos casais de realizarem métodos de reprodução assistida, sendo um marco na luta pelos direitos civis dos homossexuais.

De acordo com a norma, os casais estabelecidos por duas mulheres poderão ter o óvulo fecundado. O de uma pode ser introduzido no da parceira. No caso de dois homens, é necessária a procura de uma mulher para dar continuidade à gestação.

O útero sempre deve ser de alguém da família com parentesco de até quatro graus.

Outro ponto que merece destaque é que a idade limite da mulher para ser submetida aos tratamentos de fertilização é de 50 anos, mesma faixa etária dos homens para doar esperma. Já na doação de óvulos, o limite estabelecido é de 35 anos.

A resolução estabeleceu ainda que os pais podem descartar os embriões que estejam preservados há mais de cinco anos para pesquisas com células-tronco, mas se optarem pela manutenção no laboratório, podem seguir adiante.

Assim, casais homoafetivos anônimos e famosos estão cada vez mais recorrendo às clínicas especializadas em fertilização para darem as boas-vindas ao novo integrante da família. Uma vitória que floresce a cada dia, mas que necessita de constante vigilância para não sofrer preconceitos na sociedade.

Conheça o lado jurídico da questão

Os filhos concebidos por reprodução assistida podem ser registrados com o nome de duas mães ou dois pais. A determinação é do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e deve ser respeitada em todos os Cartórios do País. Caso contrário, ações judiciais fazem valer o direito.

Para o processo de formalizar, os dois genitores devem ter participado do método de fertilização escolhido.

Trata-se de um direito garantido pelo art. 227 da Constituição Federal,q ue diz em seu parágrafo 6º:

Os filhos havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção terão os mesmos direitos!

Os filhos concebidos por fertilização artificial também estão protegidos pelo Código Civil no artigo 1.597:

I – nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecida a convivência conjugal;

II – nascidos nos trezentos dias subsequentes à dissolução da sociedade conjugal, por morte, separação judicial, nulidade e anulação do casamento;

III – havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que falecido o marido;

IV – havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões excedentários, decorrentes de concepção artificial homóloga;

V – havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia autorização do marido.

Dessa maneira, a reprodução homoafetiva é totalmente legal e vem sendo cada vez mais utilizada no Brasil, proporcionando novas vivências e mais motivação para os casais encontrarem novos sentidos na vida.

Uma forma de você assegurar os direitos e ainda tirar todas as dúvidas, é procurando uma clínica de reprodução assistida que ofereça uma assessoria nesse sentido.

No Centro de Fertilidade de Ribeirão Preto (CEFERP), existe uma parceria com o escritório Santos Advogados Associados, destinando todo suporte jurídicos aos casais homoafetivos que optarem pela reprodução assistida.

Afinal, apesar da lei e direitos assegurados, ainda há muitos mitos e desinformação, inclusive inúmeros casos de preconceitos envolvendo a causa. Portanto, nada melhor do que uma orientação adequada para você concluir o processo com sucesso em todas as etapas!

Guarda dos filhos

Um dos aspectos que causa muitas dúvidas na formalização do procedimento jurídico é sobre a guarda dos filhos.

Caso a escolha de uma mulher seja engravidar com sêmen de um amigo, por exemplo, ou de um homem de utilizar uma barriga de aluguel, as pessoas que ajudaram no processo podem requerer a guarda da criança.

Isso acontece pelo fato do recém-nascido possuir material genético de quem auxiliou no processo de formação do embrião. Por isso, contar com uma clínica especializada é fundamental para você realizar o sonho de educar um filho sem nenhuma dor de cabeça.

Conheça os métodos para casais femininos

A primeira orientação para casais homoafetivos que queiram realizar uma fecundação assistida é que o assunto seja amplamente discutido, com reflexões para que a decisão alimente o amor na relação.

Após a decisão, chega o momento da escolha sobre quem vai doar os óvulos. Uma boa dica é levar em consideração a idade da mulher, pois quanto mais avançada, menores as chances de fecundação.

A mulher que se submeter ao procedimento, deverá passar por várias avaliações com foco no sucesso da gestação.

De acordo com a avaliação do médico, a fecundação do óvulo poderá acontecer de inúmeras maneiras, tais como.

Fertilização in vitro (FIV)

Trata-se do método que é feito fora do corpo. Assim, um embrião será gerado no laboratório juntamente com os óvulos da mulher para depois ser implantado no útero de uma das mães.

A escolha do espermatozoide é feita de acordo com determinadas características físicas apontadas pelo casal, sendo utilizado um banco de sêmen autorizado legalmente.

Aí, ele será introduzido no ovário por meio de uma injeção intracitoplasmática (ICSI). Trata-se da técnica mais comum e com ótimas chances de sucesso no processo gestacional.

Inseminação intrauterina

Com a mesma técnica de indução à ovulação existente na fertilização in vitro, na inseminação intrauterina os espermatozoides são insemidados direto no útero para que consigam chegar naturalmente ao óvulo, ou seja, a fecundação acontece de maneira espontânea.

O procedimento é rápido e indolor. São aguardados 14 dias para que ocorra o exame para saber se houve ou não o sucesso na gravidez.

Assim como a fertilização in vitro, esse método também permite novas tentativas caso não haja a fecundação.

Veja os métodos para os casais masculinos

Os casais masculinos que não querem adotar uma criança também encontram na reprodução assistida um excelente meio para se tornarem pais.

Diante das possibilidades existentes, um dos parceiros vai doar o sêmen que será introduzido no útero de algum familiar de até quarto grau, podendo ser mãe, irmã, avós, tias e primas de qualquer um dos parceiros.

Após as partilhas e definições, está na hora de realizar o processo para a chamada barriga de aluguel, feita por meio da fertilização in vitro.

No caso dos casais masculinos, é a doação dos óvulos que será feita por um banco por alguém desconhecido. É importante informar que tanto nos casos das mulheres quanto dos homens, a identidade dos doadores nunca será divulgada.

Após a coleta dos óvulos, a fertilização acontece dentro do laboratório utilizando o sêmen de um dos parceiros. São necessários cerca de cinco dias para que o método se conclua.

Nesse momento, os embriões são transferidos para o útero da doadora parente de um dos homens por meio da injeção intracitoplasmática. É importante informar que o sucesso da técnica também necessita da saúde da mulher tão quanto uma idade adequada.

Saiba porquê a barriga de aluguel paga é ilegal

No entanto, muitos homens não contam com parentes que queiram se submeter ao procedimento ou até mesmo pelo fato de já terem atingido uma idade superior aos 40 anos.

Nesse momento, diante da extrema vontade de realizarem o sonho de formação de uma família, muita gente recorre à barriga de aluguel paga.

Trata-se de uma conduta ilegal, criminosa e antiética, inclusive com riscos para a mulher em razão da utilização de laboratórios não credenciados. Mas a barriga solidária é permitida e totalmente com ótimos resultados.

Saiba em que casos a barriga solidária pode ser utilizada

Além dos casais homoafetivos que tenham a participação de um parente, a barriga solidária pode ser utilizada por mulheres que retiraram o útero, que tenham tido malformação ou determinada anormalidade no órgão.

Entram também no rol as mulheres que têm histórico de doenças que aumentam o risco de morte em caso de gravidez, como renais ou cardíacas.

Busque uma clínica de confiança

Após observar todos os detalhes referentes à reprodução homoafetiva, é importante você realizar uma pesquisa bem apurada sobre as clínicas que oferecem o serviço.

A primeira dica é observar se o local conta com profissionais especializados, se é credenciado pelo Conselho Regional de Medicina, se conta com equipamentos modernos e credibilidade no mercado.

Assim, certamente a saúde de todos estará em boas mãos, inclusive com uma devida assessoria jurídica. São aspectos fundamentais para que o sonho de formação de uma família aconteça tranquilamente e dentro da legalidade.

Dessa maneira, a reprodução homoafetiva contribui com o surgimento de novos sentimentos entre os casais, trazendo no seio familiar a grande motivação de que a vida realmente é um momento de aprendizados e novos desafios!

E você, quer realizar esse sonho? Então entre em contato agora mesmo com a nossa equipe e seja feliz!

tratamentos para engravidar

Karina Bacchi, 42 anos, está na quarta Fertilização in vitro (FIV) para alcançar sua segunda gestação. Ivete Sangalo, 45 anos, engravidou na primeira FIV com óvulos congelados aos 42-43 anos. Ana Hickman, Carolina Ferraz, Fátima Bernardes são outras famosas que trilharam a jornada da reprodução assistida. Porque mulheres com características semelhantes têm taxas de sucesso diferentes?

Muitas mulheres decidem ter filhos na fase de declínio da vida reprodutiva (após os 35 anos) e podem precisar de tratamento para a infertilidade, algumas vezes, mais de uma tentativa. Além disso, a função reprodutiva pode ser diferente entre as mulheres de mesma faixa etária (o número de óvulos pode ser diferente). Outro ponto importante é que existem diferentes fatores que podem interferir na fertilidade masculina e feminina.

Neste post, elaboramos informações sobre as taxas de sucesso que você precisa saber antes de iniciar qualquer tratamento para a infertilidade. Vamos em frente!

Conheça as chances de gestação espontânea

Independentemente da idade, o ser humano tem limitações biológicas para engravidar. Mais da metade das gestações são interrompidas até o início da menstruação e a mulher/casal nem tem o conhecimento de que teve a gravidez.

Isso acontece porque temos uma particularidade reprodutiva: o número de embriões que produzimos com alteração genética é elevado se comparado com outras espécies de mamíferos. Por isso, a interação do embrião com o útero fica prejudicada e, na maioria das vezes, a gravidez não evoluiu — são as chamadas perdas gestacionais invisíveis: a mulher engravida, mas a gestação é interrompida antes do atraso menstrual.

Na figura abaixo estão as taxas de gravidez espontânea no primeiro mês de tentativa e após 12 meses de acordo com a idade da mulher. Ela demonstra que as taxas de gestação espontânea são de, no máximo, 18-20% para mulheres com 26 a 30 anos, e estes números caem pela metade dos 35 aos 40 anos. Isso acontece porque o número de embriões comprometidos geneticamente e a quantidade de óvulos diminuem conforme o avanço da idade da mulher.

Em contrapartida, após 1 ano, a taxa de gravidez aumenta em todas as idades porque todos os meses a mulher libera novos óvulos. Por isso, a chance de ter óvulo e embriões saudáveis aumenta ao longo de 6 meses a 1 ano.

Esse é o motivo pelo qual o ASRM (American Society for Reproductive Medicine) e o ESHRE (European Society of Human Reproduction and Embryology) recomendam tentar engravidar por 6 meses (mulheres com 35 anos ou mais) ou 1 ano (mulheres com menos de 35 anos). Após esse período, os casais devem buscar auxílio para o tratamento da infertilidade.

Todos os tratamentos para a infertilidade podem potencializar essas taxas, mas tenha em mente que engravidar tem limitações naturais (produção de embriões geneticamente alterados), que acompanham os casais em qualquer tratamento, uma vez que a reprodução assistida não modifica o patrimônio genético do óvulo e espermatozoide.

É importante conversar com seu médico sobre possíveis estratégias para reduzir o tempo para alcançar a gravidez e proporcionar maior conforto e segurança durante o tratamento. Essa fase deverá ser de tranquilidade e alegria, afinal, você está em busca do seu bebê!

Porque as taxas de sucesso variam entre as clínicas e no mundo?

Existem diferentes formas de se avaliar as taxas de sucesso de um tratamento de reprodução assistida. Por isso, é possível verificar grande variação entre as clínicas de reprodução humana. Muitas delas têm considerado esse percentual com base no resultado positivo do teste de gravidez. Entretanto, essa informação não é considerada pelo ASRM, ESHRE, e não deveria ser utilizada como referência.

Outra forma de analisar o sucesso da FIV é a taxa de gestação clínica, ou seja, a visualização do saco gestacional e seu conteúdo na ultrassonografia realizada após 02 semanas do beta hCG positivo. Entretanto, a avaliação considerada internacionalmente é a taxa de nascimento de bebês, que varia entre 30 a 40% para mulheres com até 39 anos, 10-15% dos 40 aos 42 anos e é de 0 a 5% para mulheres com mais de 42 anos utilizando óvulos próprios. Se a reserva ovariana estiver diminuída, as taxas podem variar entre 0 e 15%, a depender da idade da mulher.

E o namoro programado? A inseminação artificial? As taxas são menores?

O namoro programado e a inseminação artificial são técnicas não invasivas que otimizam a fertilidade natural porque a fecundação do óvulo pelo espermatozoide é espontânea e ocorre dentro do corpo da mulher, na trompa.

Quando essas técnicas são bem indicadas, as taxas de nascimento de bebês são boas: 15% para mulheres com até 30 anos, 9-10% entre 35 e 39 anos e 2% para mulheres com 40 anos ou mais. Após 6 meses, as chances de sucesso podem atingir 30-50% a depender da idade da mulher. Por isso, casais que recorrem a esses tipos de tratamento devem pensar a médio e longo prazo (3 a 6 meses), pois a maioria precisará de mais de uma tentativa para engravidar.

Para otimizar o resultado do namoro programado ou da inseminação artificial é importante que a indicação dessas técnicas sejam adequadas. De um modo geral, o tempo de infertilidade menor do que 2 a 3 anos otimiza o sucesso dos tratamentos.

O namoro programado é uma boa opção para mulheres com a síndrome dos ovários policísticos ou para casais que têm incompatibilidade de horário (quando um dos cônjuges fica longe por muitos dias). A inseminação artificial pode ser a primeira escolha nos casos de esterilidade sem causa aparente, endometriose mínima ou leve ou mesmo nos casos de alterações leves do espermograma.

Como escolher a clínica de reprodução quando eu receber as orientações sobre as taxas de sucesso?

Fuja de clínicas milagrosas! Verifique se o especialista informa as taxas de sucesso reais indicadas pelas grandes sociedades internacionais. Você pode acessar o site da Rede Latino-americana de Infertilidade e verificar se as taxas informadas pela clínica são semelhantes às descritas pelas Sociedades internacionais e pelas clínicas brasileiras (RedLARA).

Lembre-se de que o ser humano tem limitações para engravidar e nenhum tratamento é capaz de garantir a gestação. Entretanto, é obrigação da clínica tornar a jornada mais curta, segura e confortável, sempre com informação, honestidade e transparência!

Quer se aprofundar mais no assunto? Então baixe agora mesmo o nosso E-BOOK sobre os principais tratamentos de fertilidade!

exame fsh

A gravidez figura entre os sonhos de inúmeras mulheres ao redor do mundo. Sabemos, infelizmente, que nem todas têm a mesma facilidade para engravidar, o que pode ser motivo de grande ansiedade e tristeza. No entanto, os constantes avanços da medicina reprodutiva já oferecem uma série de tratamentos efetivos para o desenvolvimento da gestação.

Além disso, existem hoje recursos para a avaliação da fertilidade e o aconselhamento adequado sobre a probabilidade da gravidez. E, entre esses recursos, podemos citar a dosagem do FSH como um dos grandes aliados da medicina reprodutiva.

Mas, afinal, o que é e para que serve esse exame? Neste artigo, separamos as principais informações sobre o assunto. Confira a seguir e tire todas as suas dúvidas!

O que é o FSH?

A sigla FSH representa as iniciais em inglês do hormônio folículo estimulante (follicle-stimulating hormone), que é produzido na glândula hipófise. Em conjunto com outro hormônio dessa glândula — o hormônio luteinizante (LH) — o FSH atua de forma sincronizada para otimizar a fertilidade tanto masculina quanto feminina.

No organismo masculino, o FSH tem a função de estimular a produção dos espermatozoides nos testículos. Já nas mulheres, seu objetivo é estimular o crescimento dos folículos ovarianos (estruturas do ovário que contêm os óvulos). Isso acontece por meio da produção e secreção de estrogênio, que age no endométrio e na própria hipófise contribuindo com a sincronia do eixo hormonal reprodutivo (eixo hipotálamo-hipófise-ovariano).

Nos tratamentos de reprodução assistida, a maioria dos hormônios injetáveis são similares à estrutura do FSH — são as chamadas gonadotrofinas sintéticas, mas que também podem ser naturais.

Qual é a importância do FSH para o ciclo menstrual?

O ciclo menstrual consiste na variação hormonal rítmica que ocorre mensalmente no organismo de uma mulher. Os hormônios que participam desse ciclo têm protagonismo na manutenção da fertilidade, ou seja, são fundamentais para garantir a possibilidade de gravidez.

Como dissemos, a ação do FSH nas células da granulosa do ovário promove a secreção de estrogênio pelos folículos ovarianos. Com isso, esses folículos vão crescendo ao longo da primeira fase do ciclo menstrual, podendo ser vistos na ultrassonografia como imagens arredondadas e pretas. Após 14 dias, eles começam a aumentar a produção de progesterona, com o que o nível do LH aumenta e ocorre a ovulação.

Considerado um dos principais hormônios femininos, a progesterona tem a função principal de preparar o útero para receber o embrião após a fecundação, além de desencadear o pico de LH antes da ovulação.

O ovário também consegue controlar a liberação do FSH na hipófise por meio da produção da inibina — que, como o seu nome sugere — tem a função de inibir a liberação de FSH. Para que a gravidez ocorra, é importante que tudo isso ocorra no tempo certo, de forma organizada e sincronizada. Como uma orquestra bem organizada!

Para que serve o exame FSH?

A dosagem do FSH pode ser utilizada como uma ferramenta para diagnosticar causas de ausência de ovulação, as conhecidas anovulações crônicas. Nesse grupo se encontra, por exemplo, a síndrome dos ovários policísticos — a principal causa de infertilidade feminina atualmente — em que a dosagem do FSH é normal ou levemente diminuída.

Outras situações em que o exame auxilia o diagnóstico são a falência ovariana precoce (em que o FSH é muito alto) e causas centrais, problemas na glândula hipófise ou no hipotálamo (em que o FSH é muito baixo ou suprimido). Crianças com suspeita de puberdade precoce (desenvolvimento de mamas e pelos ou aumento do tamanho dos testículos) também podem se beneficiar dessa avaliação.

Por outro lado, numa investigação de infertilidade feminina o exame não deve ser realizado de rotina. Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (American Society for Reproductive Medicine), a dosagem não deve ser feita em mulheres com ciclos menstruais regulares, ou seja, quando o seu fluxo menstrual ocorre a cada 24-35 dias com antecipação ou atraso da menstruação de 3-4 dias.

Nos casos suspeitos de anovulação crônica ou situações associadas a redução da reserva ovariana (diminuição da quantidade prevista de folículos a ultrassonografia), pode ser considerado dosar o FSH.

Vale dizer, ainda, que esse exame não mudará a conduta na fertilização in vitro, mas pode auxiliar o aconselhamento sobre as taxas de sucesso. Entretanto, a idade da mulher, o AMH (também não realizado de rotina) e a contagem dos folículos ovarianos na ultrassonografia já são fatores suficientes para tal aconselhamento.

Como é feito esse exame?

Ao longo do ciclo menstrual, existe uma variação das concentrações de FSH no organismo da mulher. Por isso, a realização desse exame pode apresentar resultados distintos dependendo do dia do ciclo em que ele for realizado.

Para avaliar esses resultados com maior precisão e eficácia, existe uma recomendação para o melhor período de avaliação. Isso aumenta as chances de se confirmar a suspeita clínica, além de evitar a possibilidade de repetição do exame. Em geral, considerando o primeiro dia do ciclo menstrual como sendo o primeiro dia da menstruação, recomenda-se que o exame FSH seja dosado no sangue entre o 3º e 5º dia do ciclo.

Enfim, gostou de saber mais sobre a avaliação do FSH e a sua relação com a fertilidade? Agora, aproveite para assinar a nossa newsletter e receba mais conteúdos relevantes como este em primeira mão!

Referências

American College of Obstetricians and Gynecologists Committee on Gynecologic Practice and Practice Committee. Female age-related fertility decline. Committee Opinion No. 589. Fertil Steril. 2014;101(3):633–634.

Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Diagnostic evaluation of the infertile female: a committee opinion. Fertil Steril. 2015;103(6):e44–e50.

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recepção de óvulos

A maternidade é um momento único, mágico, que aflora os sentimentos mais puros e sinceros da mulher! Com a crescente participação feminina no mercado de trabalho, a mulher tem adquirido múltiplas funções. E o sonho de ser mãe muitas vezes necessita ser adiado. Por isso, um bom planejamento reprodutivo com aconselhamento sobre o congelamento de óvulos pode oferecer conforto e segurança para alcançar a gestação em fases mais avançadas da vida reprodutiva.

Apesar da possibilidade de congelar óvulos, muitas mulheres não têm acesso a essa informação e, consequentemente, enfrentarão dificuldades para engravidar, devido à redução da qualidade/quantidade de óvulos em função do avanço da idade.

Nessas situações, a fertilização in vitro com óvulos de uma doadora (ovorecepção) é uma alternativa efetiva para vencer a infertilidade. Esse tratamento também pode ser uma opção para mulheres que tiveram a falência precoce do ovário, para papais que desejam produção independente ou mesmo para casais homoafetivos masculinos.

No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece alguns critérios para o procedimento de recepção de óvulos. Quer saber mais sobre essa técnica e entender quando ela é indicada? Então, acompanhe nosso artigo e esclareça suas dúvidas!

Quando a recepção de óvulos é indicada?

As principais indicações da ovorecepção são:

  • falência ovariana precoce, também conhecida por menopausa precoce;
  • baixa qualidade dos óvulos: idade avançada;
  • baixa reserva ovariana;
  • ausência dos ovários devido a cirurgia ou mesmo doenças genéticas (ex.: síndrome de Turner);
  • doenças genéticas ou hereditárias em que não é possível identificar o gene relacionado à doença para o estudo posterior dos embriões;
  • casais homoafetivos masculinos;
  • produção independente masculina.

Em princípio, a recepção de óvulos é indicada para qualquer situação que se enquadre nas situações acima, desde que tenha haja saúde para gestar e manter a gravidez de maneira saudável.

Como funciona o processo de recepção de óvulos?

A técnica consiste na injeção de um espermatozoide do parceiro em cada óvulo da doadora anônima com o auxílio de uma agulha e de um microscópio. Esse procedimento é realizado por uma FIV específica, a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides (ICSI).

Os passos até receber os embriões no seu útero são os seguintes:

  • inicialmente, a paciente deve agendar uma consulta médica e seguir as orientações do profissional e realizar os exames necessários;
  • caso a futura mamãe opte por óvulos de banco internacional é necessário que o médico responsável oriente corretamente os passos necessário para escolha e aquisição;
  • caso a opção de tratamento seja utilizando óvulos nacionais, é necessário aguardar a disponibilidade da doadora para que seja feito o embrião. Quando a doadora estiver pronta para a doação, o parceiro da receptora será chamado para a coleta de sêmen. Esse procedimento normalmente ocorre separadamente da coleta de óvulos da doadora e o material é congelado;
  • essa separação se faz necessária para que a família da doadora e da receptora não se encontrem, preservando a identidade e sigilo da doadora;
  • no dia do procedimento, o sêmen é descongelado e a união do espermatozoide com o óvulo é realizada no laboratório por meio da injeção intracitoplasmática (ICSI) ;
  • os embriões irão se desenvolver ainda no laboratório, podendo ser transferidos a fresco no período de três a cinco dias após a coleta, mas isso irá depender do preparo endometrial da receptora. Caso não seja possível transferir a fresco os embriões serão congelados para serem transferidos em outro momento;
  • caso os embriões sejam congelados, a paciente deve aguardar a próxima menstruação para iniciar o uso de medicamentos que têm a finalidade de preparar o endométrio para receber o embrião, ou o preparo do endométrio poderá ser inciado a qualquer momento para mulheres que não menstruam;
  • após a transferência dos embriões deve-se aguardar 14 dias para realizar o teste de gravidez.

O que diz o CFM?

De acordo com a Resolução 2168/2017 do Conselho Federal de Medicina (CFM), além da doação compartilhada, é necessário preservar o sigilo e o anonimato das duas partes. A idade limite da doadora deve ser 35 anos e suas condições de saúde atestadas pela clínica que realizará o procedimento (história clínica e exames complementares).

Além disso, não pode ocorrer pagamento para potenciais doadoras e mulheres que não têm infertilidade, já foram mães ou que podem doar voluntariamente seus óvulos. As instituições que realizam o procedimento devem manter um banco de dados com os registros de informações clínicas de caráter geral, características físicas e uma amostra de material celular das doadoras, de acordo com legislação vigente.

Ao resolver receber os óvulos, a clínica é responsável por selecionar uma doadora com as características físicas da receptora, bem como o tipo sanguíneo (este último é opcional). No CEFERP, a doadora preenche um questionário com suas características físicas, bem como de seus pais. Na sequência, o setor de ovodoação e recepção da clínica, em conjunto com o médico, seleciona as opções e uma ficha com o resumo das características é enviada para aprovação ou não do casal que utilizará a ovorecepção.

Por que optar pela recepção de óvulos?

Você pode estar se questionando sobre as razões de optar pela recepção de óvulos em vez de adotar uma criança, já que, em princípio, esse bebê não terá o seu material genético. Mas existem muitas motivações para escolher esse procedimento:

  • possibilidade de vivenciar todas as etapas da gestação e amamentação da criança;
  • o bebê gerado terá o material genético do companheiro;
  • o processo de adoção, no Brasil, é lento e burocrático;
  • ausência da judicialização exigida no processo de adoção;
  • no caso de casais homoafetivos masculinos que queiram gerar um bebê com o material genético de um deles, o procedimento legalmente permitido é o chamado “útero solidário”, que pode ser alguém com até quarto grau de parentesco consanguíneo. Nesse caso, a legislação também determina o uso de ovodoação.

A recepção de óvulos é uma possibilidade de o casal conseguir formar uma família, passando por todas as etapas da gestação e construindo o sentimento da maternidade desde o início da vida do bebê. Se você e seu companheiro têm esse desejo, saiba que essa é uma alternativa segura e efetiva!

Gostou deste post? Então, aproveite para se aprofundar no assunto e veja o que é e como funciona o tratamento de ovodoação!

Atraso na menstruação: até quanto tempo pode ser considerado normal?

Futuras mamães que estão em busca da gravidez ficam na expectativa para que ocorra o atraso na menstruação. A cada dia de atraso, a ansiedade pelo teste de gravidez positivo aumenta e o sonho de ter um bebê parece ficar mais próximo! Entretanto, nem todo atraso menstrual é sinônimo de gestação!

Stress, uso de medicamentos, distúrbios hormonais, uso de anticoncepcional, alterações uterinas, entre outros, são fatores que podem atrasar o início do fluxo menstrual! Quando o atraso ocorre entre 3 a 6 meses, o nome técnico para a ausência da menstruação é amenorreia.

Você se identificou com essa situação? Então, não se sinta sozinha! A irregularidade no ciclo menstrual é uma das queixas mais comuns no consultório de ginecologia. Entre as mulheres com infertilidade, a irregularidade menstrual com ausência de ovulação representa 32% das causas femininas de dificuldade para engravidar.

Quer saber quais as principais situações que podem causar o atraso na menstruação? Então, confira mais informações em nosso artigo e descubra quando procurar ajuda médica!

Até quando o atraso na menstruação é normal?

O ciclo menstrual normal tem duração média de 28 dias. Entretanto, ciclos com intervalo entre 21 e 35 dias associados à antecipação ou atraso de três dias são considerados normais (21-35 dias ± 3 dias). Períodos mais longos não são necessariamente um problema, desde que o ciclo apresente um padrão de regularidade.

Em mulheres que não apresentam o padrão cíclico do fluxo menstrual (irregularidade menstrual, como no caso de mulheres com síndrome dos ovários policísticos, por exemplo), a avaliação do atraso menstrual é complexa. Nesses casos, a mulher pode ovular sem apresentar ciclos menstruais frequentes. Por isso, é fundamental afastar a gestação e a confirmação da ovulação necessita ser realizada por ultrassonografia ou pela dosagem hormonal no sangue.

Quando é importante procurar ajuda médica?

Para definição da irregularidade menstrual é necessário tempo! A avaliação não pode se basear em apenas um ciclo. Mulheres que menstruam regularmente necessitam, inicialmente, fazer um teste de gravidez e, se houver irregularidade ou atraso da menstruação por três ciclos ou mais meses, um especialista precisa avaliar possíveis causas relacionadas ao ciclo menstrual irregular.

Já em mulheres que não apresentam padrão cíclico, o ideal é avaliar o calendário menstrual por seis meses e, caso realmente ocorra irregularidade, a mulher deve procurar um especialista.

Para as futuras mamães que estão em busca da gravidez, tanto a American Society for Reproductive Medicine (ASRM) quanto a European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE) recomendam que a mulher com irregularidade menstrual procure um especialista em reprodução humana após seis meses de tentativa para engravidar com relações sexuais frequentes e sem métodos contraceptivos.

Quais as causas mais frequentes de atraso na menstruação?

Ansiedade ou estresse

Esta é a causa mais frequente de atraso ou irregularidade do ciclo menstrual. A mulher moderna acumula múltiplas funções com excesso de responsabilidades (mãe, esposa, profissional etc) e esse quadro pode levar à alteração na produção hormonal. Na maior parte das vezes, o quadro é autolimitado e se resolve sozinho após ultrapassar o período de stress.

Se o estímulo que desencadeia a irregularidade menstrual for mais duradouro, a mulher pode evoluir para o quadro de amenorreia. Um exemplo comum sobre esse caso são as mulheres que têm anorexia. O quadro também pode ocorrer em mulheres que estão na jornada para engravidar.

Obesidade ou peso muito baixo

Mulheres com maior quantidade de gordura corporal tendem a produzir mais estrogênio. Esse hormônio, quando em excesso, leva à ocorrência de ciclos irregulares e anovulatórios. Sem a ocorrência da ovulação, a mulher não vai menstruar. Por outro lado, mulheres com peso corporal muito baixo também podem ter ciclos irregulares, já que a falta de tecido gorduroso reduz a capacidade do organismo de produzir estrogênio.

Da mesma forma, mudanças bruscas no peso corporal, para mais ou para menos, também interferem na regulação hormonal, podendo provocar ciclos anovulatórios. No caso de mulheres obesas que perdem peso rapidamente, por exemplo, o organismo pode entender que está em uma fase de privação e, portanto, não preparado para suportar uma gestação.

Interrupção ou uso errado de anticoncepcionais

Os anticoncepcionais orais procuram imitar o ciclo hormonal natural da mulher. Depois de um longo período fazendo uso desses medicamentos, o organismo feminino pode demorar algum tempo até se normalizar e ter um ciclo natural. Existem contraceptivos que apresentam maior associação com amenorreia ou mesmo irregularidade menstrual com períodos de atraso. É o caso dos compostos à base de progestagênio isolado.

Excesso de atividades físicas

Muitas atletas de alto desempenho sofrem alterações hormonais que podem interferir na regularidade de seus ciclos. No entanto, vale destacar que isso não afeta a maioria das mulheres, mesmo que façam exercícios com frequência. Essa é uma situação comum apenas no caso de atletas de nível muito elevado e de competidoras profissionais, como bailarinas e maratonistas.

Disfunção na tireoide

Alterações na glândula, como hipertireoidismo ou hipotireoidismo, também afetam a produção hormonal, causando alterações no ciclo menstrual. Se houver qualquer problema no funcionamento da tireoide, é fundamental consultar um médico e tratar o problema.

Síndrome dos ovários policísticos

Quem sofre com essa síndrome, conhecida como SOP, geralmente tem atrasos menstruais ou mesmo ausência de menstruação em determinados períodos, em função da produção excessiva de androgênio, um hormônio que interfere no ciclo menstrual. A SOP é uma das causas mais frequentes de atraso ou irregularidade na menstruação.

Amamentação

Se você já tem um filho e ainda amamenta, é comum não menstruar. Esse é um quadro conhecido como amenorreia transitória. A prolactina, que regula a produção de leite interfere na ovulação.

Há casos em que a mulher não está amamentando e apresenta excesso desse hormônio. Esse quadro é conhecido como hiperprolactinemia, que pode acontecer em decorrência do hipotireoidismo, em função da SOP, por estresse, como efeito colateral de determinados medicamentos, tumores da hipófise, entre outros fatores.

Menopausa e pré-menopausa (insuficiência ovariana prematura)

A maior parte das mulheres chega à menopausa por volta dos 50 anos de idade. No entanto, a menopausa propriamente dita é a ausência de menstruação, que acontece ao final da vida fértil da mulher (após os 40 anos — quando se inicia a fase do climatério).

É comum que na fase que antecede a menopausa, denominada perimenopausa (cinco anos antes até um ano após a menopausa), as mulheres sofram com irregularidade e atraso menstrual. Algumas mulheres também têm a insuficiência ovariana prematura (falência precoce do ovário), quadro definido pela amenorreia associada à elevação dos níveis do FSH antes dos 40 anos.

Como você percebeu, um eventual atraso na menstruação pode ser comum e não é motivo de alarme. No entanto, se o quadro continuar se repetindo em outros ciclos, é fundamental afastar a gravidez e também procurar seu médico para investigar possíveis causas e tratar o problema.

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Referências:

Practice Committee of American Society for Reproductive Medicine. Current evaluation of amenorrhea. Fertil Steril. 2008; 90(5 Suppl):S219-25.

Practice Committee of the American Society for Reproductive Medicine. Diagnostic evaluation of the infertile female: a committee opinion. Fertil Steril. 2015; 103(6):e44-50. doi: 10.1016/j.fertnstert.2015.03.019.

redução transitória da fertilidade

Existem situações ou comportamentos que podem reduzir temporariamente o potencial reprodutivo. É o caso de homens que fazem uso de medicamentos específicos (anabolizantes ou quimioterapia, por exemplo) ou mesmo mulheres com certas doenças como a falência precoce do ovário.

A grande limitação nos casos de redução transitória da fertilidade é que em algumas vezes não é possível prever quando ou em quais pessoas ocorrerá o retorno do potencial reprodutivo.

Essa situação pode gerar grande ansiedade e angústia ao casal porque a jornada em busca do bebê pode ficar longa. Você está passando por isso? Então continue a leitura de nosso artigo e esclareça suas dúvidas sobre a redução transitória de fertilidade.

Como saber se você está enfrentando a redução transitória da fertilidade?

A diminuição temporária da fertilidade pode acontecer tanto na mulher quanto no homem, ou, ainda, afetar ambos. Hábitos inadequados, abuso de algumas substâncias, como anabolizantes, álcool ou ainda o uso de determinados medicamentos, podem levar ao surgimento do quadro.

O que é a redução transitória da fertilidade?

Trata-se de um quadro de infertilidade temporária, que pode ser revertido com a eliminação da causa ou pode não estar associado a qualquer fator identificável.

A história clínica detalhada pode identificar alterações que interfiram de forma permanente ou transitória no potencial reprodutivo. Além disso, a avaliação de hábitos inadequados e o uso de alguns medicamentos podem sinalizar que os problemas com a fertilidade possam ser resolvidos com medidas de readequação destes fatores.

Como identificar a infertilidade transitória?

A investigação para a dificuldade em engravidar deve ser iniciada quando o bebê não chega após um ano de tentativa com relações sexuais frequentes (pelo menos duas vezes/semana) e sem métodos contraceptivos. Este tempo de espera vale apenas para mulheres com menos do que 35 anos, sem patologias.

Mulheres com alguma doença que reduza a fertilidade (síndrome dos ovários policísticos, endometriose, obstrução tubária bilateral, por exemplo) ou quando a idade é maior ou igual a 35 anos ou ainda quando o parceiro apresenta alterações discretas no espermograma, o tempo de espera para engravidar deve ser no máximo de seis meses.

Entre as causas de infertilidade, os problemas acometem homens e mulheres na mesma proporção (1/3 das causas em mulheres, 1/3 nos homens e em 1/3, as alterações ocorrem em ambos).

Não é fácil saber se a dificuldade para engravidar é transitória. Para tal diagnóstico é necessário realizar a investigação das principais causas femininas e masculinas de infertilidade, bem como afastar possíveis hábitos inadequados ou uso de substâncias que conhecidamente podem reduzir temporariamente a fertilidade.

Muitas vezes, sabemos que a infertilidade foi temporária após a obtenção da gravidez durante a realização de exames para investigação da infertilidade ou mesmo enquanto o casal se planeja para a realização de algum tratamento específico.

Embora a ansiedade e o estresse possam interferir na produção hormonal da mulher e levar a anovulação (ausência de liberação do óvulo para a fecundação), é um erro deixar de analisar outros fatores que talvez estejam comprometendo a fertilidade do casal.

Como a fertilidade feminina declina com o avanço da idade, atribuir que a dificuldade tem relação exclusiva com problemas emocionais e não investigar as causas em momento oportuno pode levar a mulher a acumular frustrações e perder seu tempo precioso para o planejamento reprodutivo.

Em quais situações ela pode acontecer?

Várias circunstâncias podem causar a infertilidade transitória. Tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de drogas, obesidade ou desnutrição (anorexia), excesso de exercícios físicos, entre outros, podem provocar alterar a fertilidade.

Nesse caso, é importante conversar com um profissional especialista em fertilidade, para identificar qual (ou quais) fatores podem estar dificultando a tão sonhada gravidez. Não é incomum que as mulheres ouçam conselhos como “relaxe e pare de tentar que logo você engravida”, atribuindo a dificuldade apenas a questões do stress ou ansiedade.

Conheça algumas das causas mais comuns de possível redução transitória da fertilidade:

  • abuso de substâncias como bebidas alcoólicas, cigarro ou outras drogas;
  • estresse crônico elevado;
  • obesidade ou, por outro lado, anorexia;
  • prática excessiva de exercícios físicos em nível de competição;
  • uso de anabolizantes;
  • uso de medicamentos hormonais, tais como GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas);
  • anticoncepcional hormonal: o retorno a fertilidade pode ocorrer após 1 a 12 meses da suspensão do método (depende do tipo de contraceptivo);
  • uso de determinados medicamentos, como finasterida, para combater a calvície;
  • falência precoce do ovário;
  • quimioterapia ou radioterapia.

Vale destacar que nem todas as pessoas que se enquadram nas situações citadas terão problemas relacionados à diminuição da sua fertilidade. Afinal, cada organismo pode reagir de forma diferente aos efeitos provocados pelo hábito em questão ou ao consumo da substância ou mesmo a intensidade.

Porém, se você ou seu parceiro se enquadram em alguma das condições listadas e estão enfrentando dificuldades para engravidar, é importante conversar com seu médico e avaliar de modo abrangente o impacto desses fatores na fertilidade. Em princípio, ao eliminar os possíveis elementos causadores da infertilidade, os níveis hormonais podem retornar à normalidade com a restauração da fertilidade.

Entretanto, se os problemas não forem combatidos, existem riscos de que a infertilidade se torne permanente. É o caso do uso crônico por período prolongado dos anabolizantes, pois pode ocorrer maior risco de azoospermia (ausência de espermatozoides no ejaculado).

Um caso em que a infertilidade pode se tornar permanente é quando um dos membros do casal precisa realizar tratamentos como radioterapia e quimioterapia. Nessa situação, é recomendado congelar tanto os óvulos quanto os espermatozoides antes do início do tratamento, para possibilitar gerar filhos com o próprio patrimônio genético no futuro.

Como prevenir a infertilidade transitória?

O conselho mais óbvio para eliminar os fatores que causam a infertilidade transitória é adotar hábitos de vida saudáveis. Melhorar a alimentação, adotar rotina adequada de exercícios físicos, eliminar os fatores que possam interferir na fertilidade, entre outras ações, são passos fundamentais para melhorar suas chances de gravidez.

No entanto, é importante destacar que, em muitos casos, não é possível identificar o que está comprometendo a fertilidade. Uma consulta com o especialista em reprodução humana poderá ajudar a realizar um planejamento adequado, inclusive com o apoio de equipe multiprofissional.

O congelamento de óvulos ou espermatozoides pode ajudar?

Há casos em que não é possível a restauração da fertilidade. Pessoas que necessitam de radioterapia pélvica e/ou quimioterapia, por exemplo, correm o risco de perder sua fertilidade de forma definitiva após o tratamento do câncer. Nessas situações, vale a pena procurar uma clínica especializada para conhecer melhor sobre a criopreservação (congelamento de óvulos/espermatozoides).

Homens que farão vasectomia também devem ser orientados em congelar seus espermatozoides para possível uso futuro, se necessário. Quando a mulher resolve adiar a tentativa de gestação por razões pessoais, o congelamento de óvulos é uma excelente opção porque a fertilidade feminina declina com o avanço da idade da mulher.

Dependendo da causa da redução transitória da fertilidade, o congelamento de óvulos/espermatozoides é uma alternativa importante que pode possibilitar a concretização da maternidade. Converse com um especialista em medicina reprodutiva para discutir sobre possíveis fatores que possam estar interferindo em sua fertilidade. Acesse nosso site e conheça melhor nosso trabalho.

endométrio fino

Para ganhar força e resistência no combate a infertilidade, nada melhor do que conhecer histórias de pessoas/casais que venceram os desafios da jornada para engravidar. A seguir, vamos compartilhar histórias reais de pessoas que enfrentaram o endométrio fino para ter um bebê.

Vovó grávida de gêmeos! Conheça a história da vovó que tinha endométrio fino e solidariamente emprestou a “barriga” para seu filho!

Aos 23 anos, Mario decidiu que era hora de partir para a produção independente! Os bebês foram gerados com óvulos de doadora anônima fertilizados com seus próprios espermatozoides através da fertilização in vitro (FIV). A mãe de Mário, Valdirene, concordou com a hipótese de gerar seus netos. A jornada não foi fácil… Foram 04 transferências embrionárias (dois testes de gravidez negativos, uma gestação anembrionada e a tão sonhada gestação que está dando certo). Atualmente, a vovó Valdirene está gerando seus netos gêmeos (isto mesmo, gêmeos!). Além das tentativas iniciais sem sucesso, a jornada de Mario e Valdirene foi longa na preparação do endométrio: primeiro foi tentado o uso do estrogênio via oral e transdérmico, mas o endométrio não alcançava a espessura desejada; depois usamos o ciclo natural, e nada; como terceira opção, induzimos a ovulação da Valdirene com indutor via oral e finalmente o “forninho” estava preparado…. Agora, Sol e Lucas estão a caminho!

De repente, somos quatro! A mamãe de trigêmeos que decidiu partir para o tratamento solo!

Rose já havia passado por duas FIVs com óvulos de doadora anônima em outro serviço. Quando chegou no CEFERP, a saga começou! Após discutir sobre estratégias para diminuir o tempo de espera para engravidar, o endométrio não queria colaborar. Mesmo depois de realizar as medidas acima, o endométrio atingia espessura máxima de 5,6mm. Por opção, Rose ainda desejava utilizar o estrogênio injetável, mas, pelo custo elevado e a falta de confirmação do benefício pela ciência, Rose decidiu não utilizar este medicamento. Como o endométrio não espessava, ficou combinado de realizar a transferência de dois embriões com o endométrio de 5,6 mm. Conclusão: gestação trigemelar! Nem sempre o endométrio precisa estar acima de 6-7 mm para receber os embriões. A grande lição deste caso é que devemos respeitar o limite biológico de cada mulher. Também vale lembrar que este tipo de gestação é de alto risco e as clínicas de reprodução devem ter menos de 1% das suas gestações com este resultado. No caso da Rose, um dos embriões dividiu e os três embriõezinhos encontraram o seu lugar no útero.

Perseverança, fé, persistência e confiança: ingredientes para vencer o endométrio fino!

Neste caso, os traumas eram grandes! Ana e Pedro poderiam ter cruzado os braços e acreditar que não nasceram para ter um bebê. Este casal estava tentando engravidar há 09 anos, perderam um bebê por problemas cardíacos e a segunda gestação evoluiu para um aborto que necessitou de curetagem uterina. Se não bastasse, ela já havia sido submetida, sem sucesso, a uma inseminação intra-útero, duas FIVs e agora tinha 47 anos. A recepção de embriões gerados com óvulos doados foi o tratamento de escolha nesta situação, mas após a curetagem e depois da necessidade de realizar uma grande incisão no útero para salvar o bebê da gestação de 7 meses, o endométrio não colaborava. Além das medidas utilizadas nos casos anteriores, foi utilizado o filgrastin e o sildenafil, sem sucesso. Nesta batalha, ainda foi realizada a histeroscopia com lise de aderências (sinéquias) com melhora da amplitude da cavidade uterina; empiricamente, realizamos o plasma rico em plaquetas (PRP). Não teve jeito! O endométrio da Ana atingia no máximo 5,0 mm e, sem alternativa, decidimos transferir dois lindos embriõezinhos!  Após 14 dias, a gestação foi confirmada… Para nossa surpresa, mais duas vidinhas chegaram ao mundo! O interessante do caso da Ana e do Pedro é que o diálogo, apoio, troca de informações, persistência, tanto do casal quanto da equipe, foram fatores determinantes para dar apoio nesta jornada tão tempestuosa!

Mas o que é endométrio fino?

Endométrio é o tecido que reveste a parede interna do útero e tem função primordial na implantação e nutrição do embrião nas primeiras semanas de gestação. Se o endométrio não se desenvolve adequadamente e sua espessura não aumenta o suficiente (menor do que 6-7 mm) para receber o embrião, definimos o diagnóstico de endométrio fino. Na fertilização in vitro, este quadro ocorre em 1 a 2,5% dos casos.

Quais as causas do endométrio fino?

As causas de endométrio fino podem ser divididas em três grupos, que você confere a seguir.

Causas inflamatórias

Neste grupo estão as infecções uterinas.

Iatrogênicas

Alterações secundárias radioterapia ou a procedimentos cirúrgicos, tais como curetagem uterina, retirada de nódulos uterinos (miomas) ou pólipos pela histeroscopia. No caso da curetagem existe uma situação conhecida por Síndrome de Asherman, que ocorre pela destruição da camada regenerativa do endométrio (camada basal).

Em consequência dessa destruição pode haver a formação de aderências fibrosas no endométrio, que estão associadas à atrofia endometrial. O uso indiscriminado de alguns medicamentos também pode prejudicar o espessamento endometrial (citrato de clomifeno, por exemplo).

Idiopático

Quando não há uma causa conhecida. Nestes caos, a anatomia e arquitetura do endométrio apresenta sua particularidade sem que demonstre prejuízo real para a obtenção da gravidez.

Quais os sintomas e como é realizado o diagnóstico do endométrio fino?

O endométrio fino pode apresentar sintomas inespecíficos comuns a diversas outras patologias ginecológicas ou mesmo ser completamente assintomático. Quando os sintomas relacionados ao endométrio fino estão presentes, a infertilidade, o risco de aborto e a redução do volume do fluxo menstrual são os sintomas mais frequentes.

O padrão e espessura do endométrio na ultrassonografia transvaginal é a forma mais utilizada no diagnóstico do endométrio fino. A histeroscopia também pode auxiliar nesta avaliação.

Quais os possíveis prejuízos para a mamãe e o bebê?

Mulheres com endométrio fino podem ter maior risco para a implantação anormal da placenta (placenta acreta – os vasos da placenta invadem a camada mais externa do útero, o miométrio), descolamento placentário, necessidade de extração manual da placenta após o parto e pre-eclâmpsia; já para os bebês, pode ocorrer maior risco de nascer prematuro e/ou pequeno para a idade gestacional.

Quais os tratamentos disponíveis?

O sucesso do tratamento para endométrio fino na reprodução assistida apresenta resultados limitados. A seguir, vamos descrever os tratamentos mais utilizados na prática clínica.

O preparo endometrial com uso de estrogênio e progesterona é o esquema mais utilizado para a programação da transferência de embriões congelados. Embora a ciência não demonstre vantagens, o preparo endometrial em ciclo natural pode ser uma alternativa para a resolução do endométrio fino. Na prática, pode-se observar que algumas mulheres podem responder melhor aos hormônios naturais produzidos pelo seu corpo. Outro ponto importante, é que o ciclo natural parece estar associado a menos complicações obstétricas como o acretismo placentário e a pressão alta na gestação e também está associado a menor risco de diabetes na gestação.

A prescrição de sildenafil, estrogênio injetável, doses elevadas de estrogênio oral ou transdérmico podem induzir maior aporte sanguíneo para o útero, o que pode favorecer o aumento da espessura endometrial. Entretanto, a taxa de nascimento de bebês parece não aumentar com o uso destas medicações nos casos de endométrio fino.

O uso do Filgrastin intrauterino (um tipo de granulocyte colony-stimulating fator) pode melhorar a espessura do endométrio, mas a taxa de sucesso da FIV parece não modificar. Por isto, o uso desta medicação ainda necessita ter seu benefício confirmado.

A histeroscopia pode representar estratégia adequada quando há suspeita de aderências na cavidade uterina (sinéquias – Síndrome de Asherman).

Atualmente, o uso de plasma rico em plaquetas autólogo dentro da cavidade do útero (ou seja, obtido do próprio sangue da mulher) parece aumentar o aporte sanguíneo para o endométrio, aumentando a sua espessura. Estudos preliminares realizados na China demonstraram maior taxa de sucesso da FIV, mas esta informação necessita ser confirmada em estudos científicos com maior número de pessoas.

No último congresso europeu de medicina reprodutiva em junho/2019, o uso do indutor de ovulação (letrozol) parece estar associado a melhores taxas de gravidez em relação ao uso de estrogênio/progesterona em mulheres que não apresentam ovulação.

Você sofre com o endométrio fino? Entre em contato por meio do nosso site, agende sua consulta e venha conversar com nossos especialistas sobre possíveis estratégias para você!

Referências:

Chang Y, Li J, Wei LN, Pang J, Chen J, Liang X. Autologous platelet-rich plasma infusion improves clinical pregnancy rate in frozen embryo transfer cycles for women with thin endometrium. Medicine (Baltimore). 2019;98(3):e14062.

Kasius A, Smit JG, Torrance HL, Eijkemans MJ, Mol BW, Opmeer BC, Broekmans FJ. Endometrial thickness and pregnancy rates after IVF: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod Update. 2014;20(4):530-41.

Kim H, Shin JE, Koo HS, Kwon H, Choi DH, Kim JH. Effect of Autologous Platelet-Rich Plasma Treatment on Refractory Thin Endometrium During the Frozen Embryo Transfer Cycle: A Pilot Study. Front Endocrinol (Lausanne). 2019;10:61

Liu KE, Hartman M, Hartman A. Management of thin endometrium in assisted reproduction: a clinical practice guideline from the Canadian Fertility and Andrology Society (CFAS). Reprod Biomed Online. 2019 Mar 20. pii: S1472-6483(19)30340-2.

Mahajan N, Sharma S.  The endometrium in assisted reproductive technology: How thin is thin? J Hum Reprod Sci. 2016; 9(1): 3–8.

Oron G, Hiersch L, Rona S, Prag-Rosenberg R, Sapir O, Tuttnauer-Hamburger M, Shufaro Y, Fisch B, Ben-Haroush A. Endometrial thickness of less than 7.5 mm is associated with obstetric complications in fresh IVF cycles: a retrospective cohort study. Reprod Biomed Online. 2018;37(3):341-348.

Xie Y, Zhang T, Tian Z, Zhang J, Wang W, Zhang H, Zeng Y, Ou J, Yang Y. Efficacy of intrauterine perfusion of granulocyte colony-stimulating factor (G-CSF) for Infertile women with thin endometrium: A systematic review and meta-analysis. Am J Reprod Immunol. 2017;78(2).

Mulher grávida fazendo coração com as mãos em volta do umbigo

Recentemente a atriz e modelo Karina Bacchi teve um filho através da fertilização in vitro (FIV) com uso de sêmen obtido nos EUA. Mas, será que também é possível gerar um bebê aqui no Brasil a partir da utilização de óvulos internacionais? Neste post, vamos conhecer as diferenças entre o uso de óvulos nacionais vs. internacionais, bem como o processo para receber embriões gerados pela FIV de óvulos doados.

Perfil no Doctoralia
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