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Dra. Camilla Vidal

Médica ginecologista com especialização em Reprodução Humana na HCFMRP – USP. CRM-SP 164.436
Embriões para tranferência

Quando um casal inicia um procedimento de fertilização in vitro (FIV), todo o processo é feito tendo em vista o momento final do tratamento: a transferência do embrião. É uma etapa delicada, que costuma gerar muitas dúvidas em todos os casais. Por isso, vamos abordar esse tema detalhadamente.

Selecionamos os questionamentos mais frequentes dos casais que pensam em fazer o procedimento e vamos respondê-los um a um. Boa leitura!

Muitas mulheres utilizam métodos contraceptivos hormonais, como a pílula, por anos seguidos. Porém, quando decidem interromper o uso e engravidar, têm receio de que os hormônios presentes no medicamento tenham interferido na sua fertilidade. Afinal, o anticoncepcional causa infertilidade?

A grande questão envolvendo o uso prolongado de métodos anticoncepcionais é que esse uso pode mascarar problemas que comprometam a fertilidade, como a endometriose ou síndrome dos ovários policísticos (SOP). Assim, ao suspender o uso e se deparar com esses problemas, algumas mulheres podem associar o uso ao surgimento deles, quando, na verdade, eles apenas puderam ser diagnosticados nesta fase.

Para entender melhor o assunto e conferir os efeitos dos anticoncepcionais no organismo, confira o nosso post!

Como o anticoncepcional age no organismo?

Para entender a ação do contraceptivo, é importante compreender como é o funcionamento de um ciclo menstrual normal. Em mulheres que não utilizam anticoncepcionais hormonais, a hipófise libera, de forma pulsátil e organizada, os hormônios FSH (hormônio folículo estimulante) e LH (hormônio luteinizante). O aumento do FSH, no início do ciclo menstrual, faz com que os folículos (estruturas que contêm os óvulos e produzem estrogênio) comecem a se desenvolver.

Com o desenvolvimento dos folículos, ocorre o surgimento do folículo dominante (aquele que cresce mais rápido que os demais), que leva a alguns mecanismos responsáveis por desencadear o pico do LH. O pico desse hormônio é responsável pela ovulação, quando o folículo dominante se rompe e libera o óvulo — este é o período fértil da mulher.

Depois disso, o folículo que se rompeu forma o corpo lúteo, estrutura que mantém a secreção de progesterona. O corpo lúteo tem um período de duração “fixa”, em torno de 14 dias. Após esse período, caso não tenha ocorrido gestação, o corpo lúteo regride, os níveis de progesterona caem, a mulher menstrua, e o ciclo se reinicia.

Os métodos anticoncepcionais hormonais como a pílula, contêm hormônios que substituem a função ovariana na produção de progesterona, associada ou não ao estrogênio. Com a presença desses hormônios no organismo, ocorre inibição da secreção de FSH e LH pela hipófise, bloqueando o pico de LH, e consequentemente, fazendo com que a ovulação não aconteça.

Como é possível entender, ao interromper o uso do contraceptivo, os hormônios exógenos (externos) não estarão mais presentes no organismo. Assim, a tendência é de que os hormônios naturais se regulem e a ovulação volte a ocorrer normalmente.

É importante ressaltar que o uso de anticoncepcionais não interfere na reserva ovariana. Ou seja, o fato da mulher não ovular não significa poupar os seus óvulos, pois independentemente da ovulação, estas estruturas são programadas para entrar em atresia (degenerar) ao longo dos ciclos. Em média, estima-se que independentemente do uso de anticoncepcionais, a mulher perca aproximadamente 1.000 óvulos por mês.

O que deve ser destacado quanto ao uso de anticoncepcionais e reserva ovariana é que os mecanismos de avaliação da reserva ovariana podem ser falseados pelo uso de alguns anticoncepcionais. Como na vigência do uso do contraceptivo, o ovário se mantém em repouso, pode ser visualizado um volume ovariano menor, com uma contagem de folículos também menor. Portanto, é importante conversar com seu médico sobre como avaliar a reserva ovariana e evitar surpresas no futuro.

Existe risco no uso prolongado de anticoncepcionais?

Em princípio, se a mulher estiver adaptada ao método, não deve haver problemas no uso prolongado. Vale destacar, no entanto, que o contraceptivo deve ser prescrito pelo médico, após a realização de consulta, exame físico, avaliação da existência de doenças que possam contraindicar o uso de alguma medicação, avaliação do histórico familiar e de exames, se houver necessidade. Após o início do uso, é importante também manter acompanhamento regular para avaliar surgimento de efeitos colaterais e padrão de adaptação ao método escolhido.

Esse cuidado é crucial, pois nem todas as mulheres podem usar qualquer tipo de anticoncepcional. Em algumas situações, é necessária maior cautela na escolha do método contraceptivo a ser escolhido, como nos casos de:

  • histórico pessoal de evento tromboembólico ou presença de fatores de risco para tal;
  • doenças cardiovasculares, principalmente se estiverem descompensadas;
  • hipertensão;
  • câncer de mama ou outros tipos de neoplasias relacionadas a hormônios;
  • doenças no fígado;
  • diabetes, principalmente se descompensada e com tempo longo de doença, que pode estar relacionado a lesões de órgãos alvo (como rim, por exemplo);
  • tabagismo;
  • idade avançada;
  • entre outros fatores.

Além dos quadros citados, outras condições, como por exemplo o uso de outros medicamentos que interfiram na eficácia dos hormônios, podem ser restritivas ao uso de alguns anticoncepcionais. Por isso, a orientação médica é fundamental.

No caso de impedimento do uso de pílulas contraceptivas, existem outros métodos para evitar a gravidez, hormonais ou não. Dentre os hormonais, há opções como o anel vaginal, adesivo, anticoncepcional injetável, implantes e dispositivo intrauterino (DIU) — nesse último caso, nem todos os tipos contêm hormônios.

Os contraceptivos hormonais, como explicado acima, agem liberando hormônios, que podem ser: estrogênio e progesterona (contraceptivos combinados), ou progesterona isolada. Ambos os métodos (combinados ou de progesterona isolada) têm o objetivo de inibir o pico do hormônio luteinizante (LH), que é o hormônio responsável pela ovulação. Nos contraceptivos combinados, a presença do estrogênio inibe também o hormônio folículo estimulante (FSH), responsável pelo recrutamento e crescimento folicular.

A presença do estrogênio nos anticoncepcionais pode também auxiliar no controle do fluxo menstrual e melhorar queixas relacionadas a outros aspectos, como a pele. Uma exceção aos contraceptivos citados acima é o DIU medicado com progesterona, pois apesar de ser um método hormonal, ele não necessariamente bloqueia a ovulação. A proteção anticoncepcional do DIU com progesterona é devida a alterações no endométrio e no muco cervical, apenas uma porcentagem pequena das mulheres tem a ovulação bloqueada com esse método.

Ao parar de utilizar o anticoncepcional, o retorno à fertilidade deve ser rápido — teoricamente, o próximo ciclo menstrual após a suspensão do método deve ocorrer normalmente. Nas pacientes que usam anticoncepcionais injetáveis, esse retorno aos ciclos ovulatórios pode levar mais tempo, pois uma parte da medicação pode demorar mais para ser metabolizada no organismo.

Portanto, embora possa levar um período até que a menstruação seja regularizada em alguns casos, não há risco de perda da fertilidade em decorrência do uso do método. Pelo contrário, a pílula anticoncepcional é, inclusive, utilizada em alguns casos de reprodução assistida, para programar o ciclo antes da estimulação ovariana.

Existem benefícios no uso de anticoncepcional?

Além de ser um método seguro para evitar a gravidez indesejada, os anticoncepcionais hormonais orais, transdérmicos ou injetáveis, quando corretamente indicados, podem oferecer outros benefícios (a depender do método escolhido):

  • redução dos sintomas da tensão pré-menstrual (TPM);
  • redução da cólica e também do volume do fluxo;
  • ao diminuir a quantidade do fluxo, o risco de anemia também é reduzido;
  • diminuição da oleosidade da pele e da acne;
  • menor risco de desenvolver câncer de ovário e de endométrio;
  • dependendo da composição do produto, é possível reduzir o inchaço;
  • no caso de mulheres que têm endometriose, a pílula pode ser uma alternativa de tratamento, por bloquear a produção hormonal endógena (do próprio corpo);
  • em mulheres com menopausa precoce, o estrogênio presente no contraceptivo ajuda a reduzir o risco de osteoporose e melhorar as queixas climatéricas;
  • entre outros benefícios.

O anticoncepcional causa infertilidade?

Como você percebeu, o anticoncepcional não causa infertilidade, isso é um mito. O que ocorre, na verdade, é que o uso prolongado mascara outras condições, como a endometriose, a SOP e a menopausa precoce.

O uso de anticoncepcional ameniza os sintomas dessas doenças, fazendo com que passem despercebidos pela mulher. Ao interromper o método contraceptivo e tentar engravidar, o problema é descoberto. Por isso, muitas pessoas associam (equivocadamente) a pílula à infertilidade.

Essa é mais uma razão que demonstra a importância do acompanhamento médico no uso de um método anticoncepcional. É comum, por exemplo, que a mulher interrompa o uso da pílula quando deseja engravidar, acreditando que isso acontecerá rapidamente. Quando a gestação espontânea não ocorre, vem a frustração e a sensação de que o problema foi o uso prolongado do contraceptivo.

Essa questão pode ser ainda mais séria, dependendo da idade da mulher. Aquelas que, por razões pessoais, decidem postergar a maternidade, correm maior risco de não conseguirem engravidar naturalmente.

Não são raros os casos de mulheres que param de usar o contraceptivo por volta dos 35 anos ou mais, aguardam vários ciclos em tentativas frustradas, até resolverem procurar aconselhamento médico. Em tais situações, além de ser possível que os hormônios tenham disfarçado os sintomas de uma doença preexistente, a idade materna também contribui para a redução da fertilidade.

Quando procurar orientação profissional?

Sempre é importante consultar um profissional especializado, que poderá indicar o método contraceptivo adequado e orientar sobre o uso seguro. As visitas de rotina ao ginecologista também contribuem para a manutenção da saúde reprodutiva feminina, evitando a frustração futura, quando o desejo da maternidade surgir. É importante também, que cada dia mais, seja incluído nas consultas de rotina com o ginecologista o questionamento quanto ao desejo da maternidade. Pois assim, a mulher pode ser devidamente orientada e programar a gestação futura, caso deseje, com segurança e tranquilidade.

Assim, fica claro que a ideia de que o anticoncepcional causa infertilidade é um erro. Caso você tenha interrompido o método contraceptivo hormonal há alguns meses e seu ciclo ainda esteja irregular ou a gestação espontânea esteja demorando a acontecer, procure um profissional especializado para orientá-la sobre o tratamento reprodutivo adequado para contornar a dificuldade.

Quer saber também como avaliar sua reserva ovariana e quando procurar um especialista para um diagnóstico adequado? Confira o vídeo que preparamos para esclarecer essas dúvidas!

Descubra em nosso post como ter a notícia mais linda da sua vida: a chegada do bebê arco íris!

Quem não se emociona ao ver um arco-íris no céu? As cores que tanto nos sensibilizam revelam alegria e sempre surgem após uma tempestade, deixando as nuvens escuras para trás. Pois é justamente para simbolizar uma grande vitória que existe o termo “bebê arco-íris”!

Essas são as crianças que nascem após tentativas de gestação sem sucesso, geralmente marcadas por abortos espontâneos ou mortes prematuras. Assim, o momento é de extrema alegria, fazendo com que a vida do casal tome um novo e estimulante rumo alimentado pela concretização do sonho da maternidade.

Para você se aprofundar no assunto, vamos mostrar neste post depoimentos emocionantes de mães que não desistiram e tiveram força até conseguirem engravidar por meio do auxílio de uma clínica de reprodução humana. Confira e continue acreditando!

Qual é o significado de “bebê arco-íris”?

Como já mencionado acima, o termo bebê arco-íris se refere às crianças que chegaram ao mundo após uma batalha de anos dos pais para conseguir ter um bebê em seus braços. Isso mostra que a esperança deve ser nutrida diariamente.

Além da chegada após uma morte prematura ou aborto espontâneo, o bebê arco-íris pode ainda ser uma criança que nasceu após a luta de um casal para engravidar, mesmo que não tenha ocorrido perda. Afinal, a gravidez nesses casos também é vista como um milagre.

Mesmo que você esteja tentando a gestação há alguns anos e já se sentindo sem esperança, os exemplos revelam que é possível engravidar por meio da reprodução assistida, pois existem vários métodos que contribuem para a chegada do bebê arco-íris. Em outras palavras, sempre acredite e vá atrás do seu sonho!

Como houve uma evolução muito grande nos métodos nos últimos anos, as boas notícias têm ganhado espaço na vida de muitas famílias. Exemplos mostram que a união dos casais se fortalece após a notícia da gravidez, e o tempo de espera não pode ser um limitador nesse caso — como você verá agora, por meio de depoimentos reais de mulheres que não desistiram e, hoje, são mães com muito orgulho e dedicação.

Como manter a esperança como alicerce nessa busca do sonho da maternidade?

São inúmeros exemplos de que é, sim, possível conquistar a maternidade, mesmo que você esteja há mais de 10 anos sem ainda ter conseguido as duas listras no teste de gravidez.

H., hoje mãe de uma linda menina, vivenciou três anos de notícias negativas. Nesse caminho, ainda teve uma perda que chegou a abalar as suas estruturas emocionais. A tempestade parecia que não teria fim até que um ponto de luz chegou à sua vida.

Foi um processo difícil, mas gratificante, o que ajudou a reconstruir a relação como família. A hora que eu falei que eu queria engravidar, não parei mais de tentar. A recompensa supre qualquer sofrimento.

Nos três longos anos em que ela e o marido tentaram, sem sucesso, engravidar, o que manteve a esperança do casal acesa foi justamente a fé, como ela mesmo revela.

Nos fortalecemos muito em questão de família. No dia que abrimos o exame, em um 1° de janeiro, foi uma sensação bem mágica.

H. aproveita para deixar o recado para quem está na luta para conseguir engravidar:

Não desista, persevere. É preciso ter resiliência e muita fé. Eu gosto sempre de citar um trecho de uma letra do Raul Seixas que faz muito sentido nesse processo: queira, basta ser sincero e desejar profundo. Queira mesmo e vá em frente!

A fé e a esperança também foram os alicerces da C., hoje mãe. Após três tentativas frustradas e a vivência de um aborto espontâneo, ela passou por todo o processo de luto e, finalmente, conseguiu realizar o grande sonho da família: engravidar!

Assim que o resultado do exame de gravidez chegou, ela já começou a sentir o que é ser mãe, a concretização de um sonho sempre alimentado com muito amor. C. aproveita para deixar uma mensagem para quem ainda está no processo:

A gente não pode desistir. Acredite. Sempre busque tratamentos e nunca perca a fé e a esperança.

Graças a uma clínica de reprodução humana, P., hoje mãe de um casal, conseguiu engravidar após dez anos de tentativas frustradas. Apesar do longo tempo, ela não desistiu, e hoje aproveita cada minuto ao lado dos filhos. Uma nova vida para quem experimentou momentos de tensão e falta de aceitação.

Foi muito difícil porque eu não aceitava o que os médicos falavam. Depois de engravidar, percebi o quanto é importante buscar a fertilização por meio de uma clínica. Aquele ser cresce e ilumina a nossa vida. É um amor que cresce a cada dia

De que maneira uma clínica de reprodução pode ajudar?

Como você percebeu nos depoimentos, sempre existe uma luz no fim do túnel. Da mesma forma que essas mulheres conseguiram ver a chegada do bebê arco-íris, você também pode vivenciar a concretização desse sonho.

Para isso, procure uma clínica de reprodução humana de qualidade e com credibilidade no mercado. Existem hoje vários tipos de tratamentos, e certamente um deles será o ideal para o seu caso.

Tudo é resultado de um processo que começa com o estudo do histórico do casal e um diagnóstico preciso. Assim, o médico saberá indicar o procedimento, podendo ser fertilização in vitro, namoro programado, recepção de óvulos, adoção de embrião, inseminação intrauterina, entre outros.

Portanto, analise se a clínica tem uma infraestrutura moderna, se os seus profissionais são altamente qualificados e têm tradição nessa especialidade, e como é a avaliação no mercado como um todo.

É importante contar com um auxílio de qualidade para as chances de gravidez aumentarem. No mais, tenha confiança e siga as orientações médicas! Assim como percebido nos depoimentos das mães que já deram à luz um bebê arco-íris, você também vivenciará essa experiência que muda vidas e faz com que o seu dia a dia fique bem mais colorido, repleto de novas vivências.

Então, quer conhecer uma clínica que tem alto índice de sucesso na reprodução humana? Entre agora em contato com a nossa equipe e marque uma consulta!

pólipo uterino

Um problema que preocupa muitas mulheres é o pólipo uterino. Trata-se de lesões localizadas no interior do útero que podem, dependendo do caso, interferir na concepção.

Você já ouviu falar nele? Pois é disso que vamos tratar neste post! Então, continue lendo para entender como ele é formado e quais são os tipos de tratamento, entre orientações que valem a pena ser absorvidas.

O que é o pólipo uterino?

O pólipo uterino surge por meio do crescimento desordenado de células na parede interna do útero, o endométrio. Em outras palavras, forma-se um tipo de espessamento, como uma protuberância, no interior da cavidade uterina.

Esse problema pode atingir mulheres em idade reprodutiva ou até as que já entraram na menopausa. Geralmente, ele tem características benignas, com baixo índice de malignização. No entanto, caso ele seja percebido, são necessários cuidados especiais com foco na saúde da mulher.

Os pólipos podem ser divididos em dois tipos:

  • endometrial — caracterizado pelo crescimento excessivo de células no interior da cavidade uterina (endométrio);
  • endocervical — aparece nas células da parte interna do colo do útero, sendo constatado por meio de uma protuberância no exame especular (exame ginecológico).

É importante deixar bem claro que, em muitos casos, esses pólipos são benignos e não apresentam riscos à saúde. Por conta disso, a recomendação é que as mulheres sempre realizem os exames de rotina com seu ginecologista visando o devido acompanhamento da situação.

Quais são as causas dessas lesões?

Basicamente, o pólipo uterino pode ser formado em razão de alterações hormonais e influência genética. No entanto, alguns especialistas defendem a tese de que eles são formados por conta de lesões preexistentes na camada de revestimento interno do útero. A causa definitiva, portanto, ainda enfrenta controvérsias.

De todo modo, pólipos uterinos costumam ser identificados em exames de rotina, em pacientes assintomáticas.

Quais são os sintomas do pólipo uterino?

Um dos principais sinais observados é um fluxo mais intenso ao longo da menstruação ou um padrão de sangramento irregular. Muitas mulheres, contudo, não percebem esses sintomas e só identificam o problema por meio de uma consulta com o ginecologista. Por isso, mais uma vez enfatizamos a importância de você sempre procurar auxílio especializado, realizando exames rotineiros recomendados de acordo com a faixa etária.

Além do sangramento anormal citado acima, existem outros indícios da lesão, tais como:

  • sangramento vaginal entre os ciclos menstruais;
  • sangramento vaginal após a relação sexual;
  • sangramento no período pós-menopausa.

Caso perceba algum desses sintomas, procure ajuda médica e faça um diagnóstico preciso para iniciar um tratamento adequado. Isso pode ser feito por meio do exame ginecológico (no caso dos pólipos endocervicais) e ter auxílio de métodos de imagem, como o ultrassom transvaginal, por exemplo.

Em alguns casos, para melhor avaliação da cavidade uterina, pode ser realizada a histeroscopia. Esse exame consiste na introdução de uma câmera por meio do colo uterino, para visualização direta da cavidade uterina e realização de biópsia de lesões suspeitas, caso seja necessário.

Também é importante mencionar que a histeroscopia pode ter validade na investigação de outros fatores capazes de interferir na fertilidade, como cicatrizes (sinéquias) e alterações anatômicas (septo uterino, por exemplo).

Como o pólipo pode influenciar a fertilidade?

Algo que traz muita preocupação às mulheres é o fato de que a formação do pólipo uterino pode ter relação com casos de infertilidade, dificultando a gravidez. Isso porque a presença dessa lesão é capaz de prejudicar a fixação do embrião no endométrio, ou seja, a nidação.

A gravidez só ocorre quando o espermatozoide fecunda o óvulo feminino, formando um embrião que se fixará na parede uterina durante a nidação. Logo, sem a devida fixação no endométrio, a gestação não tem como prosseguir.

Vale ressaltar, entretanto, que essa interferência do pólipo no processo de implantação embrionária não é consenso na área da Reprodução Humana. Deve-se levar em consideração também outros fatores, como o seu tamanho e localização.

Além disso, é bom dizer que as mulheres podem apresentar apenas um pólipo ou múltiplos. De todos os casos, somente de 1% a 3% se transformam em células malignas, fator que pode gerar um câncer. A maioria, portanto, é benigna e tende a desaparecer com o tempo.

Como se dá o tratamento do pólipo uterino?

A primeira dica para você facilitar o tratamento é realizar um diagnóstico precoce e adequado, que só acontece por meio de visitas regulares ao ginecologista. Então, mantenha sempre em dia a sua rotina de exames e consultas e não fique muito tempo sem ser avaliada por um especialista.

O tratamento dependerá do tamanho do pólipo, da sua localização, entre outros fatores individuais e sintomas apresentados. Poderá ser desde um acompanhamento clínico, com realização de exames seriados para avaliação do pólipo, até a retirada cirúrgica da lesão. Geralmente, é possível retirar o pólipo endocervical no próprio consultório, com auxílio de materiais específicos, por meio de exame ginecológico.

No caso de pólipo endometrial, uma das maneiras de melhor avaliar e retirá-lo é a histeroscopia. Com esse mesmo procedimento, dependendo do caso, pode ser realizada a retirada do pólipo usando o aparelho da histeroscopia, sem necessidade de corte por via abdominal.

Portanto, se você está com a intenção de engravidar e apresentou suspeita ou confirmação de pólipo, converse com o seu médico especialista sobre a melhor conduta e possibilidade de remoção.

Quais são as diferenças entre pólipo, mioma e cisto?

Agora que já está claro o que é um pólipo uterino e qual é a sua relação com a gravidez, é hora de explicarmos um ponto que, muitas vezes, causa dúvidas entre várias mulheres: a diferença entre pólipo, mioma e cisto.

O pólipo, geralmente, acontece no interior do útero ou no canal endocervical (interior do colo uterino), constituindo uma proliferação de tecido semelhante a uma “verruga”, geralmente de consistência amolecida. Já o mioma é uma proliferação anormal das células do miométrio (o músculo do útero). Por isso, costuma ser nodular, de consistência mais rígida, e pode aparecer na parede do útero, dentro ou fora dele.

Cisto, por sua vez, é um termo que engloba uma maior quantidade de achados, sendo definido por uma formação sacular que pode conter conteúdo sólido, líquido ou outros. São exemplos de cistos o endometrioma, o teratoma e o cisto folicular.

Enfim, como você pôde perceber, o pólipo uterino não é nenhum bicho de sete cabeças. Quem segue corretamente as orientações médicas e está sempre investindo em qualidade de vida, com certeza, se manterá livre do problema — ou conseguirá superá-lo com a devida garra que toda mulher traz dentro de si!

O sonho de ter filhos nunca deve ser deixado de lado, tendo em vista que a evolução da ciência e da medicina possibilita inúmeras alternativas para uma gravidez saudável e repleta de boas notícias. Por isso, lembre-se: a melhor dica para saber se você tem algum dos diagnósticos acima é sempre se cuidar, observando os sinais do seu corpo. Caso apresente algum dos sintomas que vimos aqui, ou mesmo outro que tenha notado, nada é melhor do que agendar uma consulta com o seu médico de confiança.

E aí, gostou do post? Se quiser aprender ainda mais, aproveite conferir também sobre a redução transitória da fertilidade!

gravidez com doação de embrião

A gravidez com doação de embrião é uma excelente alternativa para casais que sonham com a maternidade, mas que enfrentam problemas de fertilidade. O método é reconhecido pelo Ministério da Saúde e aprovado pelo Conselho Federal de Medicina, desde que algumas exigências sejam devidamente cumpridas.

Assim, diversos casais optam pela adoção de embriões para realizar o sonho da gestação, por motivos desde a preferência por tal método à necessidade de utilizar gametas (óvulos e/ou espermatozoides) doados. Esses casais, normalmente, buscam embriões cujos pais biológicos tenham características físicas semelhantes a eles. Para você entender tudo sobre o assunto, elaboramos este post com o intuito de desmitificar o tema. Confira!

Quais embriões são elegíveis para doação?

Muitos casais que fazem fertilização in vitro acabam deixando nas clínicas de reprodução humana embriões congelados para outras tentativas de tratamento ou uma possível segunda ou terceira gestação. No entanto, há diversos casos em que o casal acaba engravidando na primeira tentativa e/ou desistem de ter mais filhos e acabam assinando um termo de doação.

A legislação brasileira determina que os embriões sejam mantidos na clínica por um período de no mínimo 3 anos, para caso haja arrependimento ou mudança de planos do casal. Não existe tempo máximo para este armazenamento, podendo ser mantidos por tempo indeterminado.

Durante esse período eles ficam armazenados em botijões de nitrogênio líquido a temperaturas inferiores a -150ºC. Passados os 3 anos, os casais podem optar pelo descarte dos embriões, doação para pesquisa ou pela doação para outros casais que enfrentam a infertilidade.

Como é o tratamento com embriões doados?

Quando o casal decide que fará a adoção de um ou mais embriões, algumas etapas do tratamento não se fazem necessárias, como o controle da ovulação, coleta de óvulos e coleta espermática, uma vez que os embriões já estão formados (confira todas as etapas necessárias para a formação do embrião no nosso infográfico: Passo a Passo da FIV).

Os embriões são formados no laboratório por meio da fertilização in vitro, depois são congelados utilizando a técnica de vitrificação, que busca garantir melhor taxa de sobrevivência dos embriões quando descongelados. Quando armazenados em nitrogênio líquido, os embriões não tem prazo para serem utilizados.

Nos casos de adoção de embriões, a primeira etapa do tratamento após a identificação de embriões compatíveis para adoção, é o preparo endometrial para a transferência embrionária, confira no vídeo abaixo.

Quando o endométrio está apto a receber os embriões, esses são transferidos para a cavidade uterina por meio de um cateter orientado por ultrassom.

A quantidade máxima de embriões a ser transferida depende da idade da mulher que forneceu os óvulos, no momento da coleta dos óvulos, conforme imagem abaixo:

https://ceferp.com.br/wp-content/uploads/2019/01/transferencia-vs-idade-materna.png

Depois da transferência é necessário aguardar 14 dias para que seja realizado o exame BetaHCG para verificar a gestação. Em caso positivo, depois de mais 14 dias é feito o primeiro ultrassom, a fim de confirmar a gravidez dentro do útero, a chamada gestação clínica.

Quem pode fazer esse tipo de tratamento?

Qualquer casal poderia se beneficiar do tratamento utilizando embriões doados, o que ocorre é que os casais preferem tentar gerar filhos com seu patrimônio genético, recorrendo à opção de adoção de embriões apenas em casos extremos.

Normalmente, casais em que apenas um ou nenhum deles pode contribuir com seu material genético (o homem com seus espermatozoides, a mulher com seus óvulos) mas gostariam de passar pela experiência da gestação, podem fazer esse tipo de tratamento.

Isso pode ocorrer em algumas situações, como:

Homens:

– Azoospermia não obstrutiva (onde não há produção de espermatozoides);

Mulheres:

– Baixa reserva ovariana;

-Menopausa;

– Ausência dos ovários.

Mulheres que desejam a produção independente também poderiam se beneficiar deste tipo de tratamento.

O que diz o Conselho Federal de Medicina sobre a doação de embriões

A doação de embriões, no Brasil, é autorizada pelo Conselho Federal de Medicina, desde que não tenha caráter lucrativo ou comercial.

É necessário manter o sigilo sobre a identidade dos doadores assim como dos receptores. De acordo com o CFM, a escolha dos doadores é de responsabilidade do médico, que fará o encontro de embriões com as características mais semelhantes possíveis com o casal receptor.

Por isso, a escolha de uma clínica de reprodução humana de credibilidade é fundamental em todo o procedimento de uma gravidez com doação de embrião.

Veja a evolução da doação de embriões no Brasil

Relatório do Sistema de Produção de Embriões da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, vinculada ao Ministério da Saúde, mostra que o congelamento de embriões e consequentes doações estão em um processo de crescimento no Brasil.

Somente em 2017, foram 78.216 embriões congelados no país, um aumento de 17% em comparação ao ano anterior. Segundo o estudo, a região que mais congelou foi a Sudeste, com 65%, seguida pelo Sul e Nordeste.

Com o crescente número de ciclos de tratamento de reprodução assistida, e o aumento no número de embriões formados, vem crescendo também a realização e a divulgação da possibilidade de doação de embriões para auxiliar outros casais.

Você já conhecia a adoção de embrião? Trata-se de um procedimento regulamentado, que modifica vidas e traz uma nova razão de viver para muita gente que já estava praticamente desistindo do sonho da maternidade.

A gravidez com doação de embrião é uma tendência que veio para ficar, com a certeza de que os futuros habitantes do planeta terão um lar digno e com muito amor.

Ao ler este post, você percebeu que a idade é um fator que faz total diferença no sucesso de uma gravidez. Mas, por qual motivo? Saiba agora lendo o artigo que fala especificamente sobre o tema!

esperma amarelado

Muitos homens se assustam quando veem algumas características do sêmen, que não sabem dizer se são ou não normais. Um dos problemas mais comuns questionados pelos pacientes é o surgimento de um tom amarelado que os preocupa bastante, principalmente em relação à fertilidade. Mas, então, o que pode significar o esperma alterado? É uma doença? É algo realmente preocupante? Isso compromete a sua capacidade de ter filhos?

Para responder a essas e outras questões, escrevemos este conteúdo. Afinal, o aspecto do sêmen, popularmente conhecido como esperma, pode ser um indicador muito importante da saúde masculina e algumas alterações podem indicar, inclusive, um problema de saúde sistêmico. Quer saber mais? Acompanhe!

Como é o aspecto normal do sêmen?

O sêmen caracteristicamente normal é cinza-esbranquiçado, tendo uma textura gelatinosa e pegajosa. Ele é dessa cor devido à sua composição que, além das células reprodutivas (os espermatozoides), também conta com uma ampla variedade de minerais, proteínas, entre outras substâncias químicas.

Os espermatozoides são produzidos nos testículos e, após finalizado seu processo de produção e maturação, são eliminados no sêmen durante a ejaculação. A parte líquida do sêmen tem origem das glândulas do sistema reprodutor, como a vesícula seminal, a glândula bulbouretral e a próstata.

Todas as substâncias contidas no sêmen são essenciais para manter a viabilidade do espermatozoide e permitir que ele fecunde adequadamente o oócito da mulher, conhecido popularmente como óvulo. Qualquer alteração na composição dessas secreções pode alterar a cor do sêmen e, consequentemente, os demais parâmetros seminais.

Quais características são consideradas alteradas?

Como explicamos, a alteração mais comum relatada pelos homens é referente à cor do esperma, sendo principalmente referido o tom amarelado. Na maior parte das vezes, isso ocorre de forma esporádica e inespecífica. Nesse caso, falamos que provavelmente se trata de uma alteração benigna, isto é, não reflete nenhuma condição de saúde preocupante ou infertilidade.

Por outro lado, caso isso ocorra com uma frequência razoável, você deverá procurar um urologista para fazer uma investigação mais aprofundada. destacamos as causas mais comuns para a característica mais amarelada no esperma, a seguir.

Dieta e hábitos de vida

Alguns alimentos podem mudar a cor do sêmen em alguns homens, como os corantes amarelos e os alimentos ricos em enxofre, como a cebola e o alho. É importante também orientar que homens que ficam longos períodos sem ejacular podem apresentar coloração mais amarelada no líquido seminal, devido à degradação de grande quantidade de espermatozoides que tenham sido armazenados por muito tempo.

Leucospermia

Quando o sistema imunológico está combatendo uma infecção, várias células vão ao local para matar os micro-organismos. Uma das principais, os neutrófilos, são potentes bactericidas e liberam várias enzimas e substâncias, que dão um aspecto amarelado ou esverdeado ao sêmen. São as mesmas células que mudam a cor da secreção nasal nas sinusites e que dão cor ao pus.

Em infecções como prostatites, uretrites e ISTs (como clamídia e gonorreia), isso é muito comum e recebe o nome técnico de leucospermia. Nesses casos, é essencial procurar tratamento médico rapidamente. Há algumas infecções que podem causar infertilidade ou outros problemas de saúde, podendo, inclusive, ser transmissíveis ao(s) parceiro(s).

Infecção da próstata (prostatite)

Agora, vamos falar da infecção do sistema reprodutor mais comum nos homens após os 40 anos, a prostatite. Além da cor amarelada que pode aparecer no líquido seminal, geralmente, isso pode ser acompanhado de outros sintomas, como:

  • dificuldade em urinar;
  • dor na micção;
  • urgência miccional;
  • dor abdominal baixa;
  • dor durante a ejaculação, entre outros sintomas.

Nesse caso, é preciso fazer um tratamento com antibióticos, que só podem ser receitados por um médico após a devida avaliação do quadro.

Icterícia

A icterícia é caracterizada pelo aparecimento de um tom amarelo na pele e nas mucosas, como os olhos. Ela ocorre devido ao acúmulo de um pigmento chamado de bilirrubina no sangue, que é liberado durante a degradação da hemoglobina dos nossos glóbulos vermelhos.

É um quadro relativamente frequente na população e pode ocorrer por vários motivos, como cálculos nas vias biliares, doenças no fígado (hepatites, cirrose etc.), aumento da quebra de células sanguíneas (hemólise), entre outros.

Um dos efeitos secundários da icterícia pode ser o esperma amarelado, principalmente nos casos mais graves. Isso pode gerar alterações importantes que ocasionam uma infertilidade temporária. Assim que a icterícia e sua causa são corrigidas, a tendência é que tudo volte ao normal.

Quais são outras alterações comuns na cor do sêmen?

Enquanto a cor amarelada pode ser causada por vários motivos, o esperma amarronzado ou avermelhado, geralmente, aponta a presença de sangue.

O vermelho indica a presença de sangue vivo, provavelmente devido a alguma lesão no trajeto do sêmen desde o testículo. Isso pode ser causado pelo rompimento inofensivo de algum vaso por um trauma, mas precisa de uma investigação profunda, pois, mesmo que raramente, pode ser um sinal de neoplasias nos testículos ou na uretra.

O marrom pode significar que o sangue não se misturou com o sêmen no trajeto da ejaculação, mas que algum órgão produtor das secreções ou dos espermatozoides esteja com um sangramento mais crônico. Em ambos os casos, se houver persistência dos sintomas ou outros sinais associados, é importantíssimo procurar ajuda médica o quanto antes.

O que fazer quando o esperma está alterado e você suspeita de infertilidade?

Na maioria dos casos, assim que tratamos as causas das alterações seminais, ocorre a normalização do aspecto do sêmen. No entanto, caso você suspeite de que há algo mais, principalmente relacionado à fertilidade, é a hora de procurar um médico especialista em reprodução humana. Afinal, além de avaliar sua saúde geral, ele também pedirá uma série de exames importantes de avaliação seminal, como o espermograma e a espermocultura.

Com isso, você poderá saber se há alguma infecção nos testículos e no epidídimo, além de verificar a viabilidade dos seus espermatozoides. A partir dos resultados, o médico poderá elaborar um programa terapêutico que permita a normalização da fertilidade.

Portanto, se você perceber seu esperma alterado, primeiramente tenha calma! Observe se esse sintoma se repetirá e, nesse caso, procure uma consulta médica especializada o quanto antes, a fim de ter o tratamento adequado. Evite ao máximo tratamentos caseiros, pois eles podem adiar uma solução mais eficaz.

Quer saber mais sobre a fertilidade masculina e todos os mitos e verdades sobre ela? Então, confira o nosso e-book sobre o assunto!

HPV pode causar infertilidade? Entenda melhor essa relação!

Historicamente, a infecção pelo Papiloma Vírus Humano — o HPV — está associada ao desenvolvimento de verrugas genitais e também a alguns tipos de câncer. Recentes estudos também têm sugerido que a infecção pelo HPV pode causar infertilidade masculina e feminina.

Além disso, intercorrências na gravidez podem estar associadas ao vírus. Quando a mamãe grávida tem a infecção, pode ocorrer maior risco de abortamento, prematuridade ou o bebê pode nascer com um problema na laringe, o papiloma.

Pensando nisso e nas alternativas para se reduzir esses riscos, elaboramos um texto sobre o assunto para tranquilizar sua jornada em busca da saúde do bebê!

O que é HPV?

A infecção pelo HPV é a doença sexualmente transmissível (DST) de maior incidência na população brasileira. O quadro clínico é variável de acordo com o subtipo do vírus.

Existem 12 subtipos identificados como de alto risco. Os HPV’s tipo 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 e 59 têm maior probabilidade de persistirem no organismo e estarem associados ao desenvolvimento do câncer. Os HPV’s de tipo 16 e 18 são os mais frequentemente associados ao surgimento do câncer de colo do útero (cerca de 70% dos casos).

Estes subtipos também são responsáveis por até 90% dos casos de câncer de ânus, 60% dos casos de câncer de vagina e 50% dos casos de câncer vulvar. Os cânceres de boca e de garganta são o sexto tipo de neoplasia mais frequente em todo o mundo, sendo que a incidência desse tipo de câncer está relacionada ao HPV e à prática de sexo oral. Nos homens, o câncer de pênis é o mais associado ao vírus.

Os subtipos 6 e 11 (baixo risco) estão associados a lesões verrucosas genitais (ou condilomas) e papiloma de laringe, sem relação com malignidade. A pessoa infectada pode ficar anos sem manifestar qualquer sintoma e as primeiras verrugas podem aparecer depois de 20 anos da infecção. Por isso, muitas pessoas nem sabem que têm a infecção. Quando as lesões se tornam visíveis, as chances de contaminação são mais elevadas.

Como identificar o HPV?

Para confirmar a infecção pelo vírus papiloma humana, o médico precisa analisar, minuciosamente, a região genital do indivíduo. O objetivo é descobrir alguma lesão — ou a presença de verruga — sugestiva da doença.

Caso esses sinais sejam confirmados, será necessário realizar exames específicos que possam identificar a presença do HPV. A realização dos exames é importante porque nem todos os vírus provocam o aparecimento de verrugas ou de lesões na região genital. Porém, se essas lesões forem reconhecidas por um Urologista ou Ginecologista como sendo características do vírus HPV, exames específicos deverão ser solicitados e realizados para a confirmação do diagnóstico.

Para as mulheres, o exame mais indicado é a colposcopia. Para os homens, a melhor opção é a peniscopia. Todavia, dependendo do caso, o médico poderá solicitar testes ainda mais específicos a fim de identificar os subtipos virais. Entre os melhores exames, o mais recomendado é a captura híbrida, também conhecida como teste de hibridização molecular. Esse teste é feito pela análise específica de uma pequena parte do tecido lesionado.

Essas técnicas mais especificas objetivam detectar o subtipo do vírus do papiloma humano por meio da análise genética do vírus. Saber o tipo de vírus HPV é essencial para direcionar a conduta médica à escolha do tratamento mais adequado.

Como o HPV pode estar associado à infertilidade?

Para os futuros papais, a infecção pelo HPV pode reduzir a qualidade seminal por meio da diminuição da motilidade dos espermatozoides, devido à provável presença de anticorpos no sêmen.

Para as futuras mamães, os efeitos do HPV na fertilidade ainda são controversos. Entretanto, a infecção pelo vírus na época da fertilização in vitro (FIV) e inseminação intra-útero (IUI) está associada a menores taxas de gestação e maior risco de aborto. Sugere-se que nas mulheres com HPV pode ocorrer maior taxa de fragmentação (perda da integridade) das células dos embriões, mas isso ainda necessita ser confirmado.

Apesar dessas considerações, um estudo realizado na Dinamarca e publicado na Fertility Sterility, em 2019, avaliou 11088 mulheres entre 20 e 29 anos e verificou que a infecção pelo HPV não apresentou relação com a infertilidade feminina.

Como prevenir a infecção pelo HPV?

O uso do preservativo pode prevenir parcialmente a infecção pelo HPV, sendo que o feminino pode oferecer proteção maior do que o masculino. Já a vacina contra o HPV é a melhor maneira para evitar a infecção por esse vírus. Além de reduzir o risco para o câncer de colo do útero, essa vacina também diminui a incidência do câncer do pênis, orofaringe e ânus.

Há dois tipos de vacinas profiláticas para evitar o HPV, que estão liberadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa):

  • vacina quadrivalente protege contra a infecção pelos HPV’s 6, 11, 16 e 18 e é fabricada pela Merck Sharp & Dohme (Gardasil®);
  • vacina bivalente, que é fornecida pela empresa GlaxoSmithKline (Cervarix®), confere proteção contra o HPV 16 e 18.

No Brasil, o Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente a vacinação quadrivalente contra o HPV em duas doses, que devem ser aplicadas com intervalo de seis meses: meninas devem iniciar o esquema entre 9 e 14 anos e os meninos entre 11 e 14 anos. Além dos adolescentes portadores do vírus HIV entre 9 a 26 anos, pessoas em uso de quimioterapia/radioterapia para tratamento do câncer e que receberam algum transplante também têm direito a receber essa imunização.

Esse esquema vacinal protege contra os quatro subtipos mais frequentes do vírus (6, 11, 16 e 18), com 98% de eficácia. Em pessoas com HIV/AIDS são necessárias três doses da vacina (zero, dois e seis meses após a primeira dose). Pessoas que ainda não tiveram início da vida sexual podem receber a vacina também na vida adulta. Converse com seu especialista e discuta sobre a avaliação de diferentes causas que podem estar associadas à infertilidade.

A rotina ginecológica pode auxiliar na investigação da infecção pelo HPV para minimizar possíveis riscos para você e seu bebê! Entre em contato e agende uma visita ao CEFERP! Até breve!

Referências:

Nøhr B, Kjaer SK, Soylu L, Jensen A. High-risk human papillomavirus infection in female and subsequent risk of infertility: a population-based cohort study. Fertil Steril. 2019;111(6):1236-1242.

Ministério da Saúde: http://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/vacinahpv/

gravidez pós-parto

Se você já tem um filho e está planejando aumentar a família, é importante considerar algumas questões, como os aspectos emocionais que envolvem essa decisão e o intervalo seguro para a gravidez pós-parto.

Para alguns casais, a menor diferença de idade entre os irmãos significa mais trabalho para cuidar de dois bebês ao mesmo tempo, além de mais despesas com ambos. Afinal, quanto menor a diferença, maior a probabilidade de o mais velho ainda usar fraldas, precisar de vacinas periódicas e, muitas vezes, ter dificuldades com o sono.

Porém, há quem tenha outra opinião e deseje filhos com idades próximas. Mas existe um momento certo para engravidar novamente? Confira o post e descubra agora mesmo!

Saiba quando uma nova gestação é segura

Independentemente de seu desejo de ter ou não filhos em idades próximas, existem diversos fatores que precisam ser considerados antes de começar, de fato, a planejar a nova gestação. Um dos principais motivos é a realidade de que o organismo materno necessita de um tempo para se recuperar da gravidez anterior.

Durante a gestação, o corpo feminino se modifica totalmente. Além das mudanças hormonais para manutenção da gravidez e aleitamento, há tendência à retenção de líquidos, que exige maior esforço cardiorrespiratório, bem como o crescimento do útero para acomodar o bebê.

Assim, o ideal é que a mulher só engravide novamente depois de seu organismo voltar ao normal.

O retorno da menstruação após o parto também está relacionado às mudanças corporais e hormonais. Quando a mãe amamenta o primeiro filho, o estímulo hormonal gerado pela amamentação pode interferir na pulsatilidade dos hormônios associados à ovulação, fazendo com que a mulher tenha tendência a apresentar ciclos anovulatórios.

Por isso, é muito comum mães que amamentam manterem-se por longos períodos sem menstruar. Porém, isso não é uma regra e em alguns ciclos ela pode apresentar ovulação, mesmo em vigência da amamentação. Dessa forma, é aconselhável que a mulher discuta a associação de um método anticoncepcional, liberado para esta fase, com seu ginecologista.

Nos casos em que o bebê não mama no peito, o retorno aos ciclos ovulatórios tende a ser mais precoce, podendo inclusive ocorrer no mês seguinte.

Em virtude dessas possíveis influências na ovulação, a ocorrência de gestação no período de apenas alguns meses após o parto pode ser mais difícil. Porém, existem também outros aspectos que precisam ser levados em consideração antes de programar uma nova gestação. Acompanhe!

Tipo de parto

O tipo de parto anterior pode estar associado a maiores riscos na gravidez ou parto atual, caso o intervalo entre os partos seja muito curto. Mulheres que passaram por uma cesariana têm uma cicatriz uterina recente, que pode se romper com o crescimento uterino e acomodação da segunda gestação, caso os partos sejam muito próximos.

Idade da mãe

A idade materna também faz diferença nessa decisão. Mulheres que tiveram o primeiro filho mais jovens podem considerar aguardar mais tempo, mas as que têm mais de 35 anos e desejam ter um segundo filho devem considerar um intervalo menor, pois sua fertilidade tende a diminuir.

Vale ressaltar que a reserva ovariana é dependente de muitos outros fatores, que também devem ser analisados caso a caso para presumir o risco de redução mais acelerada da reserva ovariana.

Intervalo interpartal

Independentemente do tipo de parto, intervalos muito pequenos entre as duas gestações podem aumentar o risco de prematuridade, descolamento de placenta e baixo peso do bebê. Assim, é recomendável que o intervalo interpartal (entre os partos) mínimo deve ficar em torno de 24 meses.

Ou seja, em recomendações de grandes sociedades internacionais, como o ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologists), o ideal é que a mulher engravide cerca de dezoito meses ou mais após o primeiro parto.

Em alguns casos, como na ocorrência de uma perda neonatal, é importante também considerar as razões do óbito para avaliar necessidade de investigações adicionais, bem como realização de procedimentos como curetagem uterina, e aguardar o tempo recomendado pelo médico após os procedimentos.

Entenda por que em alguns casos a gravidez pós-parto não acontece

Há casos em que o organismo da mulher já voltou ao normal e o casal se sente emocional e financeiramente preparado para aumentar a família, mas a gravidez não vem. Nessa situação, é importante consultar um médico especializado em reprodução para investigar a origem do problema e propor alternativas de tratamento.

A dificuldade pode ter diversas causas, desde o avanço da idade materna, até questões pontuais que podem interferir na fertilidade do casal. A presença de infecções, doenças como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) ou mesmo alterações na produção de espermatozoides podem atrapalhar as tentativas de gravidez pós-parto. Dependendo dos fatores que estão impedindo a concepção, o profissional poderá indicar os melhores caminhos para que você consiga engravidar novamente.

Quer saber mais sobre o tema? Então, continue a visita em nossa página para entender o que é e quais são as causas infertilidade secundária.

teste de gravidez de farmácia é confiável

Quando um casal está tentando engravidar, a ansiedade costuma ser grande, especialmente para a mulher. Quem nunca imaginou que estava grávida e chegou até a sentir alguns sintomas? Quando isso acontece, as mulheres recorrem a um teste de farmácia. Mas será que um teste de gravidez de farmácia é confiável?

Na verdade, os testes detectam a presença do hormônio gonadotrofina coriônica humana (hCG) na urina. Assim, supostamente, se houver a presença do hormônio, a mulher está grávida. Se não houver, o resultado é negativo.

No entanto, nem sempre esse resultado é confiável. Existem várias razões que levam tanto a falsos negativos quanto a falsos positivos. Continue a leitura deste artigo para entender melhor por que isso acontece.

Confira como funciona o teste de gravidez de farmácia

Existem vários tipos de testes, mas todos se baseiam na presença do hCG na urina da mulher. Esse hormônio começa a ser produzido somente quando o embrião se implanta na parede do útero, aproximadamente cinco a dez dias depois da fecundação. Sua função é estimular os ovários a produzirem progesterona, essencial para a continuidade da gestação.

Os testes vendidos nas farmácias podem ser um pouco diferentes entre si, mas todos têm a função básica de medir a presença do hCG na urina. Confira os principais tipos:

  • os mais simples consistem em uma fita que deve ser mergulhada em um copo contendo uma amostra de urina. Quando existe presença do hormônio, algumas partes da fita mudam de cor;
  • alguns testes contêm uma espécie de bastão, que pode ser molhado diretamente no jato de urina, sem a necessidade de coleta de amostra. Normalmente, eles mostram a presença de uma ou duas linhas, que identificam a gestação ou não;
  • há ainda alguns testes mais sofisticados, que mostram a palavra “positivo” ou “negativo”, sinais “+” (positivo) ou “-“ (negativo), ou a palavra “grávida” e a quantidade estimada de semanas de gestação, ou até mesmo um alarme sonoro.

Em princípio, todos eles funcionam para detectar o hormônio Beta HCG e são um indício de confirmação da gravidez. No entanto, é fundamental que a mulher tenha alguns cuidados para garantir o resultado mais acertado possível:

  • embora alguns testes mais modernos afirmem que conseguem confirmar a gestação alguns dias antes do atraso menstrual, o resultado será mais seguro depois do atraso de fato;
  • é fundamental observar se o teste tem o selo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e registro no Ministério da Saúde;
  • é importante verificar a validade do teste e as condições da embalagem. Se estiver aberta ou tiver sido exposta à umidade, é possível que o teste não funcione corretamente;
  • ao fazer o teste, pelo menos uma das linhas deve aparecer (ou a informação de negativo). Isso indica que ele está funcionando. Ou seja, se você fizer o teste e não aparecer nada, nem negativo nem positivo, é sinal de que ele falhou e o procedimento deve ser repetido com outro kit de teste;
  • na suspeita de gravidez, o ideal é sempre confirmar o diagnóstico (positivo ou negativo) através de uma dosagem de Beta HCG no sangue, pois este resultado é mais confiável já que o hormônio pode ser mais facilmente detectado no sangue, mesmo que em baixas doses.

Saiba por que os testes de farmácia podem errar

Como explicamos, os testes funcionam detectando a presença de hCG na urina da mulher. No entanto, existem diversas situações em que o resultado pode apontar um falso negativo ou um falso positivo (este segundo caso é mais raro, embora possível).

O teste foi feito cedo demais

Apesar de algumas marcas informarem que os testes funcionam antes mesmo do atraso menstrual, é muito difícil saber, com precisão, em qual momento do ciclo ocorreu a implantação do embrião e o consequente início de produção do hormônio hCG. Portanto, muitas vezes a mulher está de fato grávida, mas a concentração do Beta hCG na urina ainda é muito pequena para ser identificada pelo teste.

Seu ciclo menstrual não é regular

Muitas mulheres não têm ciclos regulares, de 28 dias. Isso significa que a ovulação pode ter ocorrido em outra fase do ciclo, dias depois do previsto. Assim, mesmo que a mulher esteja grávida, o teste poderá apontar um falso negativo, uma vez que ainda será muito cedo para detectar a presença de hCG na urina. Se os seus ciclos são irregulares, variando, por exemplo, entre 25 e 35 dias, o ideal é aguardar um pouco mais (por exemplo, até o 36º dia) para fazer o teste.

Você utilizou algum tipo de hormônio

Alguns tratamentos para fertilidade podem conter hCG. Isso significa que a substância pode estar presente no seu organismo mesmo que não esteja grávida e o teste poderá apontar um falso positivo.

Você não executou o teste corretamente

Será que a ansiedade fez com que você retirasse a fita do teste da amostra de urina muito rapidamente? Além de verificar a integridade da embalagem e a validade do kit, é importante conferir todas as orientações fornecidas pelo teste antes de realizá-lo.

O embrião não se implantou corretamente

É possível que a fecundação tenha realmente ocorrido e tenha havido um início de implantação embrionária, levando o seu organismo a produzir hCG. Porém, o processo de implantação pode não ter evoluído. Ou seja, o espermatozoide fecundou o óvulo, que chegou ao útero, mas não conseguiu se implantar adequadamente no endométrio. Esse processo é conhecido como gravidez química.

Embora o organismo feminino tenha começado a produzir hCG, com a falha na implantação a produção cessa, os níveis hormonais caem e ocorre a menstruação normalmente. Nesse caso, o teste pode apontar um resultado positivo no início, porém com o passar dos dias, a diminuição dos níveis hormonais pode levar a um resultado negativo posteriormente.

Descubra se o teste de gravidez de farmácia é confiável ou não

Como explicamos, se o teste for realizado de maneira correta, no momento certo do ciclo (não muito precocemente) e a mulher não tiver feito uso do hormônio hCG, as chances de um resultado positivo ser verdadeiro são altas. Porém, como você percebeu, existem situações de risco de falsos positivos.

Se você suspeita que está grávida e sua ansiedade não permite esperar o atraso menstrual, o ideal é fazer um exame de sangue para medir a concentração do Beta hCG em seu organismo. Geralmente, a elevação dos níveis deste hormônio no sangue é mais facilmente e precocemente percebida que na urina.

Existem exames qualitativos (que apenas indicam a presença ou ausência do hormônio) e quantitativos (que mostram a concentração real, permitindo inclusive uma melhor estimativa do tempo gestacional e evolução da gravidez).

Muitas vezes a ansiedade é tanta que a mulher não consegue aguardar algumas horas até conferir o resultado do exame de sangue. Então, nesse caso, o teste de gravidez de farmácia pode funcionar como um alívio para a tensão.

No entanto, independentemente do resultado, o ideal é procurar o seu médico e fazer um exame em um laboratório, cujo resultado é mais confiável. Se o resultado do seu teste de farmácia foi positivo, é importante confirmá-lo por meio de um exame de sangue, aproveitando para realizar outros exames necessários para garantir uma gestação saudável.

Por outro lado, se o resultado foi negativo, aguarde alguns dias. Caso você não menstrue normalmente, é possível repetir o teste. Ainda, se você estiver tentando engravidar, vale a pena procurar o médico para analisar quais razões podem estar impedindo a concepção.

Portanto, fique atenta: depois de vários negativos, é interessante analisar com atenção os motivos da demora, pois o casal pode ter algum fator que esteja interferindo na fertilidade.

Nosso artigo esclareceu suas dúvidas sobre o teste de gravidez de farmácia? Então, agora curta nossa página no Facebook e acompanhe mais informações sobre tratamentos para fertilidade e reprodução assistida.

síndrome de Asherman

Ausência de menstruação, dificuldade para engravidar ou ocorrência de abortos de repetição: esses são alguns dos sintomas mais evidentes da síndrome de Asherman, uma doença causada por adesões dentro da cavidade uterina.

Essas aderências no interior do útero, também conhecidas como sinéquias, dificultam ou impedem a implantação do embrião. Assim, mesmo quando a mulher engravida, o embrião pode não se fixar e a gestação pode evoluir para o abortamento espontâneo.

O problema pode ter várias causas, como curetagens anteriores, endometrite (inflamação do endométrio) ou cirurgias para retirada de miomas ou pólipos. Quer saber como é feito o diagnóstico e quais as chances de engravidar após o tratamento? Então, continue a leitura e esclareça suas dúvidas sobre a síndrome de Asherman.

O que é a síndrome de Asherman

Como explicamos, essa síndrome se caracteriza pela presença de aderências intrauterinas, que dificultam ou impedem a gestação, dependendo de sua gravidade. Mesmo em casos menos agressivos, com aderências menores e mais finas, as mulheres podem enfrentar dificuldades para engravidar e, quando conseguem, tem mais chances de sofrer um aborto espontâneo.

Quanto antes for feito o diagnóstico e o tratamento, maiores as chances de gravidez. Vale destacar que, sem o devido tratamento da síndrome de Asherman, até mesmo procedimentos como a fertilização in vitro (FIV) podem ter taxas limitadas de sucesso. Confira a seguir as respostas às principais dúvidas sobre essa doença.

Dúvidas sobre a síndrome de Asherman

1. O que causa a Síndrome de Asherman?

Quando ocorre algum tipo de agressão no interior do útero, podem surgir cicatrizes, formadas por um tecido fibroso. O crescimento desse tecido causa as aderências, conhecidas como sinéquias.

O principal fator associado ao surgimento da síndrome de Asherman é a realização de uma ou mais curetagens uterinas (depois de um aborto ou parto, por exemplo), podendo levar à formação das cicatrizes. O quadro pode ocorrer também devido a outros fatores, como:

  • remoção de placenta aderida à parede do útero de forma inadequada;
  • cirurgias para remoção de miomas ou pólipos;
  • infecções da membrana que reveste o útero (endométrio).

Segundo algumas teorias, pode também haver risco de desenvolvimento da doença pelo próprio período pós-parto, devido aos baixos níveis de estrogênio, hormônio importante para a regeneração e crescimento endometrial.

2. Quais são os sintomas?

Mulheres portadoras da síndrome de Asherman podem ser assintomáticas ou apresentarem problemas como amenorreia (ausência de menstruação) ou fluxo menstrual reduzido, dor pélvica crônica e abortamento de repetição. A infertilidade também pode ser observada, uma vez que o embrião pode ter dificuldade em se fixar no útero, em função das aderências.

A ausência de sintomas específicos é um dos fatores que dificultam o diagnóstico precoce da doença. Porém, sua ocorrência não é incomum. Segundo alguns estudos, as adesões podem estar presentes em cerca de 20% da população feminina com histórico de uma curetagem pós-parto ou aborto.

Embora o aborto espontâneo seja a manifestação obstétrica mais comum da doença, quando é possível levar a gestação adiante, podem surgir outras complicações, como parto pré termo e placenta acreta (quando ela se adere mais que o habitual à parede uterina).

3. Como é feito o diagnóstico?

Após a anamnese, as mulheres com suspeita da síndrome de Asherman geralmente são orientadas a realizar uma histeroscopia, um procedimento que permite a visualização do interior do útero através de uma pequena câmera, e desta maneira avaliar a presença de alterações anatômicas sugestivas da síndrome de Asherman. Este exame avalia a presença, extensão e características morfológicas das sinéquias presentes na cavidade uterina. Caso haja alguma alteração, a correção pode ser realizada no mesmo momento, dependendo do grau dos achados.

Métodos como a histerossalpingografia e o ultrassom transvaginal não são tão eficientes para o diagnóstico, além de não permitirem a remoção das sinéquias.

4. Qual é o tratamento para a síndrome de Asherman?

O tratamento mais comum é a indicação de histeroscopia com o objetivo de correção dos achados encontrados. Durante a histeroscopia, uma pequena tesoura é introduzida no interior do útero. Com o apoio de uma microcâmera, as aderências são desfeitas pelo profissional que executa o procedimento. A critério médico, o tratamento hormonal, especialmente com estrogênio, também pode ser recomendado após a cirurgia.

Em alguns casos, não é possível realizar a histeroscopia, em função de adesões mais severas que obstruem a parte inferior da cavidade uterina (local que permitiria o acesso dos instrumentos para a histeroscopia). Dependendo da extensão das sinéquias, pode ser necessária a realização de outros procedimentos para a eliminação da doença. Vale explicar que mulheres que tem o endométrio muito fino podem não responder bem ao tratamento, continuando com a dificuldade em manter a gestação.

5. A histeroscopia apresenta algum risco?

Embora o risco seja mínimo, as principais possíveis complicações são a perfuração uterina, a hemorragia e a infecção pélvica. Por essa razão, é fundamental realizar o procedimento com um profissional experiente e de sua confiança.

6. Depois do tratamento, a mulher consegue engravidar?

Após o tratamento, a chance de gestação aumenta. Porém, isso dependerá muito das condições de seu endométrio. Se essa membrana estiver muito fina, pode ser que a dificuldade persista, levando à necessidade de outros tratamentos.

7. Existem riscos na gravidez após o tratamento da síndrome de Asherman?

Isso pode variar de acordo com a severidade da síndrome. Assim, casos em que as sinéquias, antes da remoção, afetavam grande parte da cavidade uterina, podem trazer maiores riscos, como:

  • aborto espontâneo;
  • formação de placenta acreta, ou seja, que invade mais que o habitual a parede uterina. Geralmente, não é uma condição prejudicial ao bebê, mas existe risco de que a placenta não seja expulsa durante o parto, tornando necessárias medidas para sua extração, como curagem, curetagem ou até mesmo cirurgia para remoção do útero, a depender da extensão da invasão placentária.

8. A FIV é uma alternativa ao tratamento da síndrome de Asherman?

Em um primeiro momento, não. Como a síndrome de Asherman dificulta que o embrião se fixe no útero, não adiantaria optar pela fertilização in vitro sem correção das alterações uterinas, pois após a transferência embrionária, o embrião se depararia com as mesmas dificuldades de fixação ao útero. Para que esse ou outros tratamentos tenham melhores resultados, é fundamental remover as aderências da cavidade uterina previamente.

Em muitos casos, após a remoção das sinéquias, a mulher consegue engravidar de forma espontânea. Porém, dependendo de alguns fatores, como idade, parâmetros seminais do parceiro, entre outros, um tratamento especializado em uma clínica de reprodução humana, pode ser a melhor alternativa.

Afinal, até descobrir ser portadora da síndrome de Asherman e passar pelo tratamento específico, a paciente normalmente já enfrentou dificuldade para engravidar, ou até mesmo um ou mais abortos espontâneos, acumulando diversas frustrações decorrentes do quadro de infertilidade. Com o passar dos anos, a qualidade dos óvulos tende a ser menor e a fertilidade diminui, causando mais dificuldades para engravidar. Assim, o tratamento é uma alternativa para que a mulher não perca um tempo precioso tentando engravidar naturalmente.

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